

Nora Roberts

Um porto de casaco

3 Srie A baa do Chasepeake

Trilogia da gratido 03


Prlogo
Phillip Quinn morreu aos treze anos. O pessoal do servio de urgncias do hospital municipal de Baltimore, mal pago e com excesso de trabalho, tinha-o transladado
em menos de noventa segundos, por isso no levava muito tempo morto.
Para ele, era tempo mais que de sobra.
Mataram-no duas balas do calibre 25 disparadas do guich de um Toyota Celica roubado. O dedo que apertou o gatilho era de um ntimo amigo dele; ao menos to ntimo 
como se pode ser de um ladro de treze anos nas perigosas ruas de Baltimore.
As balas no lhe acertaram no corao, mas por pouco. Entretanto, ao cabo dos anos, ao Phillip pareceu que foi por bastante.
O corao, jovem, forte embora infelizmente esgotado, seguiu pulsando enquanto ele estava convexo e sangrando-se sobre camisinhas usadas e frascos de crack no repugnante 
meio-fio da esquina do Fayette e Fardo.
A dor era brutal, como se uns pedaos de gelo ardentes e penetrantes lhe cravassem no peito; uma dor tambm desdenhosa que lhe negava o alvio da inconscincia. 
Permaneceu acordado e consciente enquanto ouvia os gritos das outras vtimas ou das testemunhas, os chiados dos frenazos, as aceleraes dos motores e sua respirao 
entrecortada e ofegante.
Acabava de passar um pequeno bota de cano longo de objetos eletrnicos que tinha roubado em uma loja a menos de quatro mas dali. Tinha duzentos e cinqenta dlares 
no bolso e se pavoneou para fazer-se com um pouco de maconha que lhe ajudasse a passar a noite. Acabava de sair de passar noventa dias em um correcional de menores 
por outro roubo que no lhe tinha sado to bem, assim estava fora de onda e sem branca.
Ao parecer, a sorte tampouco lhe tinha acompanhado essa vez.
Ao cabo do tempo, recordou ter pensado: Merda, merda, como di!, mas no conseguia pensar em outra coisa. Tinham-no pilhado no meio e sabia. As balas no eram 
para ele. Tinha chegado a ver as cores da gangue nesse instante congelado que aconteceu que disparassem. Eram suas prprias cores, as cores da gangue em que tinha 
entrado, a gangue que rondava pelas ruas e becos da cidade.
Se no se apartou do sistema, ele no teria estado nessa esquina nesse momento. Haveriam-lhe dito que no se metesse em confuses e no estaria atirada em um atoleiro 
de sangue com o olhar cravado na boca da boca-de-lobo.
Houve um brilho de luzes azuis, vermelhas e brancas. O uivo das sereias se abriu passo entre os gritos da gente. Policiais. Seu primeiro impulso foi pr-se a correr, 
a pesar da dor que lhe nublava as idias. Em sua cabea, levantou-se de um salto e se perdeu entre as sombras com agilidade e astcia guia de ruas. Entretanto, s 
o lhe pens-lo empapou o rosto com um suor frio.
Notou uma mo no ombro e uns dedos lhe mediram at encontrar o quase inaprecivel pulso no pescoo.
Respira. Que venha uma ambulncia de urgncias.
Algum lhe deu a volta. A dor era indescritvel, mas no pde soltar o grito que lhe afligia por dentro. Viu umas caras que se inclinavam sobre ele; os olhos implacveis 
de um policial e os frios de um mdico. As luzes azuis, vermelhas e brancas lhe abrasavam os olhos. Algum soluou penetrantemente.
 Agenta, no te largue, moo.
Por que? Quis perguntar por que. Ficar doa muito. Nunca escaparia como uma vez se prometeu fazer. A pouca vida que ficava estava desaparecendo, tinta de vermelho, 
pela boca-de-lobo. O que tinha diante era espantoso. S ficava dor.
Que sentido tinha?
largou-se um momento, inundou-se na dor, onde o mundo era igual de escuro e de um vermelho sujo. De algum stio, longe de seu mundo, chegaram-lhe o estrondo das 
sereias, a presso no peito e a velocidade da ambulncia.
Outra vez as luzes, brancas e brilhantes, que lhe queimavam as plpebras fechadas enquanto flutuava no ar entre vozes que gritavam a seu redor.
Feridas de bala no peito. Presso, oitenta, cinqenta e baixando, pulso dbil e rpido. Entrada e sada. As pupilas esto bem. Comprovar o grupo sangneo. Radiografias. 
A de trs. Um, dois e trs.
O corpo subiu e voltou a baixar. Deixou de preocupar-se. At o vermelho sujo estava ficando cinza. Um tubo lhe entrava pela garganta e nem sequer fez o esforo de 
expuls-lo com uma tosse. Quase nem o notava. Quase no notava nada e o agradeceu a Deus.
A presso segue baixando. Perdemo-lo.
Ele pensou que fazia muito tempo que estava perdido.
Observou-os com bastante pouco interesse. Era meia dzia de pessoas com batas verdes ao redor de um menino alto e loiro que estava convexo em uma mesa. Havia sangre 
por todos lados. deu-se conta de que era seu sangue. Estava na mesa de operaes com o peito aberto. olhou-se a si "a no ser com certa lstima e indiferena. J 
no sentia dor e o sereno alvio fez que estivesse a ponto de sorrir.
elevou-se at que a cena se converteu em um difuso brilho nacarado e os sons eram ecos longnquos.
Ento, a dor o atravessou e sentiu um sobressalto que fez que se retorcesse. Seu intento de afastar-se foi breve e intil. Voltava a estar em seu corpo, voltava 
a sentir, voltava a estar perdido.
Quo seguinte soube foi que estava sumido em um atordoamento fruto dos frmacos. Algum roncava. A cama era estreita e dura. Um brilho penetrou pelo painel de cristal 
com marcas de dedos. As mquinas zumbiam e sugavam montonamente. deu-se a volta para escapar dos rudos.
Passou dois dias na corda frouxa. Disseram-lhe que tinha tido muita sorte. Havia uma enfermeira muito bonita com olhos cansados e um mdico com o cabelo cinza e 
os lbios finos. No estava preparado para acredit-los, no podia acredit-los quando estava to fraco que nem sequer podia levantar a cabea, no podia acredit-los 
quando a dor mais espantosa o invadia a cada duas horas com a preciso de um relgio.
Os policiais entraram quando estava acordado e a morfina lhe tinha amortecido a dor. Soube que eram policiais nada mais v-los. No estava to atordoado como para 
no reconhecer os andar, os sapatos e o olhar. No necessitava a identificao que lhe ensinaram.
Tem tabaco?
O perguntava a tudo o que via. Necessitava um pouco de nicotina embora no acreditava que pudesse absorver a fumaa de um cigarro.
 muito jovem para fumar.
O primeiro polcia lhe sorriu como se fora seu tio e se colocou em um flanco da cama.
Phillip, cansativamente, pensou que esse era o poli bom.
Cada minuto que passa sou mais velho. 
Tem sorte de estar vivo.
O segundo polcia manteve o gesto implacvel e tirou um bloco de papel de notas.
Phillip decidiu que esse era o poli mau. Quase lhe divertia a situao.
No deixam de me repetir isso Que demnios passou?
diga-nos isso voc...
O poli mau apoiou o lpis no bloco de papel. 
Pegaram-me um tiro de mierda. 
O que fazia na rua?
Acredito que ia a casa j tinha decidido como exp-lo e manteve os olhos fechados. No o recordo exatamente. Tinha ido... ao cinema?
Deu-lhe um tom interrogativo enquanto abria os olhos. Sabia que o policial mau no ia tragar se o mas no podia fazer outra coisa.
Que filme viu? Com quem foi?
Olhe, no sei. Tudo  um barulho. Ia andando e de repente estava convexo de barriga para baixo.
nos conte o que recorde. O policial bom lhe ps uma mo no ombro. Tome o com calma.
Tudo passou muito depressa. Ouvi disparos..., tiveram que ser disparos. Algum gritou e foi como se algo explorasse dentro de meu peito.
Isso se parecia bastante  verdade.
Viu um carro? Viu quem fez os disparos?
Tinha as duas coisas gravadas a fogo no crebro.
Acredito que vi um carro... negro. Foi um brilho.
Voc  dos Flames.
Phillip desviou o olhar para o policial mau.
s vezes vou com eles.
Os outros trs corpos que encontramos atirados na rua eram dos Tribe. Eles no tiveram tanta sorte como voc. Os Flames e os Tribe se tm muitas vontades.
Isso dizem.
Colocaram-lhe duas balas, Phil. O policial bom fez um gesto de preocupao. Se chegarem a te dar um centmetro mais  frente, para qualquer lado, teria morrido 
antes de tocar o cho. Parece um menino preparado e os meninos preparados no se enganam acreditando que tm que ser leais a uns gilipollas.
No vi nada.
No era lealdade, era sobrevivncia. Se cantava, era homem morto.
Tinha mais de duzentos dlares na carteira.
Phillip se encolheu de ombros, mas se arrependeu ao sentir uma dor de mil demnios.
Sim...? Bom, ento poderei pagar a fatura dos dias que passei aqui no Hilton.
No te faa o preparado comigo, mucoso disse o policial mau inclinando-se sobre a cama. Todos os dias me vejo com casulos como voc. No te converte em um marginalizado 
vinte horas antes de acabar sangrando com a cara metida na boca de uma boca-de-lobo.
Phillip nem se alterou.
violei a condicional porque me pegaram um tiro?
De onde tiraste o dinheiro? 
No me lembro.
Foi a trapichear?
Encontraram-me drogas em cima?
 possvel. No te lembraria, verdade? 
Phillip se disse que tinha razo.
A verdade  que no me viriam nada mal agora.
Tranqilo. O policial bom se moveu com certa inquietao. Olhe, filho, se colaborar, nos levaremos bem contigo. Leva bastante tempo entrando e saindo do sistema 
e sabe como funciona.
Se o sistema funcionasse, ele no estaria aqui. No podia fazer nada por ele que no tivessem feito j. Pelo amor de Deus, se tivesse sabido que se estava cozendo 
algo, no teria estado ali.
Um repentino tumulto no vestbulo distraiu aos policiais. Phillip se limitou a fechar os olhos. Tinha reconhecido a voz que gritava com uma fria reconcentrada.
Quo nico pensou Phillip foi que estava colocada. Ela irrompeu na habitao, e ento ele abriu os olhos e comprovou que tinha acertado de pleno.
Tambm comprovou que se vestiu para a ocasio. cardou-se o cabelo amarelo e se maquiou a conscincia. debaixo de todo aquilo, poderia ser uma mulher bonita, embora 
a mscara era quase impenetrvel. Tinha um corpo bonito, mas era com o que trabalhava. As mulheres que se despiam em striptease e que se pluriempleaban como pelanduscas 
necessitavam um bom pacote. embutiu-se em um Top e uns jeans e se abriu passo at a cama sobre uns saltos de dez centmetros.
Quem coo crie que vai pagar tudo isto? S d problemas.
Ol, mame, eu tambm me alegro de verte.
No seja impertinente. vieram uns polis a casa por sua culpa. Olhou de soslaio aos homens que havia aos lados da cama e, ao igual a seu filho, soube que eram policiais. 
Tem quase quatorze anos. No quero saber nada dele. Esta vez, no vai voltar comigo. No me d a vontade de ter a poli e aos assistentes sociais em cima de mim todo 
o dia.
escapou da enfermeira que a tinha arranca-rabo do brao e se inclinou sobre a cama.
por que coo no te morreste?
No sei respondeu Phillip sem piscar. O tentei.
Sempre foste um desastre bufou quando o poli bom a apartou um pouco. Um desastre. Que no te ocorra vir por casa quando sair daqui gritou enquanto a tiravam 
da habitao. No quero saber nada de ti.
Phillip esperou e a ouviu amaldioar, gritar e pedir documentos para jogar o de sua vida. Logo, olhou  polcia mau.
Acredita que pode me assustar? Esta  minha vida e no h nada pior que esta vida.
Dois dias depois, uns desconhecidos entraram na habitao. O homem era enorme, tinha os olhos azuis e uma cara muito larga. A mulher tinha um coque ruivo e mdio 
desfeito na nuca e a cara cheia de sardas. Ela agarrou o histrico do Phillip dos ps da cama, jogou-lhe uma olhada, e lhe deu uns golpecitos com a palma da mo.
Ol, Phillip. Sou a doutora Stella Quinn. O  meu marido, Ray.
E?
Ray aproximou uma cadeira  cama e se sentou com um suspiro de prazer. Inclinou a cabea e olhou um momento ao Phillip.
Colocaste-te em uma boa confuso, verdade? Quer sair dele?
Um
Phillip se afrouxou o n da gravata do Fendi. A viagem de Baltimore  costa leste de Maryland era bastante largo e o tinha tido em conta ao programar o CD. Comeou 
com algo suave do Tom Petty e os Heartbreakers.
O trfico dessa quinta-feira pela tarde era to mau como haviam dito as predies e ainda era pior pela garoa e quo olheiros no podiam evitar jogar uma olhada, 
entre fascinada e assombrada, a um acidente de carros na redondeza de Baltimore.
Quando enfiou a entrada da auto-estrada 50, nem as canes mais clssicas dos Rolling Stones podiam lhe levantar o nimo.
levou-se trabalho e durante o fim de semana teria que procurar um oco para os pneumticos Myrestone. Queriam uma colocao nova da campanha publicitria. Os pneumticos 
felizes fazem felizes aos condutores, pensou Phillip enquanto tamborilava com os dedos ao ritmo do violo rasgado do Keith Richards.
Isso era uma tolice, disse-se. Ningum era feliz quando conduzia em hora ponta; levasse os pneumticos que levasse.
Entretanto, lhe tinha ocorrido algo para que os condutores que levassem pneumticos Myrestone acreditassem que eram felizes e sexys, alm de ir seguros. Era seu 
trabalho e gostava.
Gostava tanto que fazia malabarismos com quatro contas importantes, fiscalizava outras seis mais pequenas e parecia que nunca soltava uma gota de suor pelos elegantes 
corredores do Innovations, a prspera empresa de publicidade para a que trabalhava. A empresa que exigia que seus executivos fossem criativos, entusiastas e, alm 
disso, tivessem estilo.
No lhe pagavam para que suasse.
Estava sozinho, mas isso era outro assunto.
Sabia que levava meses trabalhando como um verdadeiro mulo. Graas a um reverso do destino, tinha passado de viver para o Phillip Quinn a perguntar-se o que tinha 
sido de sua vida urbana e feliz em que cada dia ascendia mais na escala social.
Seu pai tinha morrido fazia seis meses e sua vida tinha dado um tombo; a vida que Ray e Stella Quinn tinham endireitado fazia dezessete anos quando entraram naquela 
srdida habitao do hospital e lhe ofereceram uma oportunidade e uma alternativa. Aceitou a oportunidade porque foi suficientemente preparado para saber que no 
tinha outra alternativa.
Voltar para as ruas j no era to atrativo depois de que lhe tivessem furado o peito. J nem se expor a possibilidade de voltar a viver com sua me, embora ela 
tivesse trocado de opinio e lhe tivesse deixado entrar em seu desmantelado apartamento. Os servios sociais olhavam com lupa sua situao e sabia que o tragariam 
assim que pusesse um p na rua.
No estava disposto a voltar com os servios sociais, nem com sua me, nem  boca-de-lobo. Tinha-o decidido. Notava que quo nico precisava era um pouco de tempo 
para riscar um plano.
Naquele momento, o tempo passava entre os eflvios de umas drogas deliciosas, frmacos o chamavam outros, que no tinha tido que comprar nem roubar, mas no se imaginou 
que suas pequenas vantagens durariam para sempre.
O Demerol lhe percorria todo o organismo, olhou com seus olhos ardilosos aos Quinn e os classificou como um casal extravagante de benfeitores. Para ele era perfeito. 
Queriam ser uns samaritanos e lhe oferecer um stio onde ficar at que estivesse aos cem por cem; todos contentes.
Disseram-lhe que tinham uma casa neste costa, o qual, para um menino de bairro, era o outro extremo do mundo. Entretanto, pensou que trocar de ares no lhe faria 
nenhum dano. Tinham dois filhos aproximadamente de sua idade. Phillip decidiu que no teria que preocupar-se com dois niatos criados por uns buenazos.
Disseram-lhe que tinham suas normas e que a educao era prioritria. O colgio tampouco lhe preocupava. No o pensou muito.
Nada de drogas.
Stella o disse com um tom glido que fez que Phillip trocasse sua opinio sobre ela.
No, senhora replicou ele com sua expresso mais anglica.
Sabia que se queria meter-se algo, encontraria a forma embora fora em um coazo de povo da baa.
Stella se inclinou sobre a cama com uns olhos penetrantes e um sorriso quase imperceptvel.
Tem uma cara que parece tirada de um quadro renascentista, mas no por isso  menos ladro, folgazo e mentiroso. Ajudaremo-lhe se quiser que lhe ajudemos, mas 
no nos trate como se fssemos imbecis.
Ray soltou uma gargalhada estrondosa e estreitou entre seus braos os ombros do Stella e do Phillip. Phillip recordou que ento se havia dito que v-los dar-se de 
cabaadas durante uma temporada ia ser um prazer nico no mundo.
Voltaram vrias vezes durante as duas semanas seguintes. Phillip falou com eles e com a criada social, que tinha sido mais fcil de persuadir que os Quinn.
Ao final o levaram a casa,  preciosa casa  beira do mar. Conheceu seus filhos, Cameron e Ethan, e analisou a situao. Quando se inteirou de que os tinham recolhido 
como a ele, convenceu-se de que estavam como cabras.
Pensou que aproveitaria o tempo. Para ser uma doutora e um catedrtico de universidade, no tinham acumulado muitas coisas que merecessem a pena roubar-se, mas se 
fixou bem em tudo o que havia.
Em vez de lhes roubar, apaixonou-se por eles. Adotou seu sobrenome e passou os dez anos seguintes na casa  beira do mar.
Stella morreu e com ela se foi parte de sua vida. converteu-se na me que nunca tinha acreditado que existisse. Firme, forte, carinhosa e penetrante. Chorou-a e 
foi a primeira perda verdadeira de sua vida. Enterrou parte de sua dor no trabalho. Passou pela universidade e ficou como meta o xito e um brilho de sofisticao, 
alm de um posto de principiante no Innovations.
No pensava ficar abaixo durante muito tempo.
Entrar no Innovations, em Baltimore, era um pequeno triunfo pessoal. Voltava para a cidade de suas desditas, mas voltava como um homem refinado. Ningum que o visse 
com seu traje feito a medida poderia adivinhar que tinha sido um ladro de pouca subida, um traficante de drogas ocasional e um prostituto circunstancial.
Tudo o que tinha conseguido durante os ltimos dezessete anos partia do momento em que Ray e Stella Quinn entraram em sua habitao do hospital.
Um dia, Ray morreu e o deixou sumido em umas sombras que no se dissiparam. O homem ao que tinha querido como somente um filho pode querer a seu pai se matou ao 
estelar se com seu carro contra um poste de telefone, a plena luz do dia e a toda velocidade.
Outra habitao de hospital. Essa vez era o capitalista Quinn quem estava destroado na cama e rodeado de aparelhos zumbantes. Phillip e seus irmos tinham prometido 
ocupar do ltimo dos desencaminhados do Ray Quinn. Entretanto, esse menino guardava secretos e olhava com os olhos do Ray.
No passeio martimo e nos bairros do pueblecito do St. Christopher, na costa leste de Maryland, insinuava-se o adultrio, o suicdio e o escndalo. Durante os seis 
meses que passaram desde que comearam os falatrios, Phillip teve a sensao de que ele e seus irmos no se aproximaram da verdade. Quem era Seth DeLauter e o 
que tinha significado para o Raymond Quinn?
Era outro extraviado? Era outro menino que se afundava em muito violncia e abandono e que necessitava uma tabela de salvao? Seria mais? Seria um Quinn por sangue 
e por acaso?
Quo nico Phillip sabia com segurana era que Seth, de dez anos, era to irmano dele como Ethan e Cameron. A todos eles os tinham liberado de um pesadelo e lhes 
tinham dado a oportunidade de trocar suas vidas.
No caso do Seth, Ray e Stella no estavam para lhe oferecer essa alternativa.
Uma parte do Phillip, uma parte que tinha crescido dentro de um ladro jovem e imprudente, no aceitava nem sequer a possibilidade de que Seth fora filho do Ray, 
um filho fruto do adultrio e abandonado na desonra. Teria sido uma traio para tudo o que lhe tinham ensinado os Quinn, para todo o exemplo que lhe tinham dado 
com suas vidas.
detestou-se por expor-lhe por ser consciente de que de vez em quando observava ao Seth com olhos frios e analticos e se perguntava se aquele menino teria sido o 
motivo da morte do Ray Quinn.
Quando essa idia se apropriava de sua cabea, PhiIlip dirigia a ateno para Glorifica DeLauter. A me do Seth foi a mulher que acusou ao catedrtico Raymond Quinn 
de abuso sexual. Disse que tinha ocorrido uns anos antes, quando ela era uma estudante na universidade. Entretanto, no havia perseverana de que ela tivesse ido 
a essa universidade.
Era a mesma mulher que tinha vendido seu filho ao Ray como se fora uma parte de carne. A mesma mulher, Phillip sabia com certeza, que Ray tinha visitado em Baltimore 
antes de matar-se.
escapuliu-se. As mulheres como Glria eram muito hbeis para conseguir que algo lhes salpicasse. Umas semanas antes, tinha-lhe mandado uma carta com uma chantagem 
nada sutil: se queria conservar o menino, ela necessitava mais. Phillip apertou a mandbula ao lembrar-se da cara de espanto que ps Seth quando se inteirou.
disse-se que essa mulher no tocaria ao Seth. ia comprovar que os irmos Quinn eram mais duros de cortar que um ancio bondoso.
No s os irmos Quinn, pensou enquanto tomava a estrada comarcal que lhe levaria a casa. Pensou na famlia enquanto conduzia depressa pela estrada flanqueada de 
campos de soja, de ervilhas e de um milho mais alto que uma pessoa. CAM e Ethan estavam casados e Seth podia contar com duas mulheres que no se enrugavam facilmente.
Casados. Phillip sacudiu a cabea divertido com a idia. Quem ia haver o dito? CAM se tinha casado com a sedutora criada social e Ethan com o Grace, a dos olhos 
doces, convertendo-se instantaneamente no pai da anglica Aubrey.
Bom... melhor para eles. Tinha que reconhecer que Anna Spinelli e Grace Monroe eram a frma dos sapatos de seus irmos. Seriam um apoio muito firme quando se celebrasse 
a audincia para a custdia definitiva do Seth. E o matrimnio lhes sentava de maravilha, embora a ele, a palavra lhe dava calafrios.
Phillip preferia a vida de solteiro com todas suas vantagens. Embora durante os ltimos meses no tinha tido muito tempo para desfrutar dessas vantagens. Passava 
os fins de semana no St. Chris fiscalizando os deveres do Seth, fazendo o casco de um navio para a incipiente empresa Navios Quinn, repassando as contas e carregando 
material, todo o qual se converteu em sua responsabilidade sem saber por que e lhe cortava as asas.
Tinha prometido a seu pai, no leito de morte, que se ocuparia do Seth e tinha combinado com seus irmos mudar-se  costa para compartilhar a custdia e as responsabilidades. 
Para o Phillip, o pacto significava dividir seu tempo entre Baltimore e St. Chris e suas energias entre conservar sua profisso e seus ganhos, e atender a um irmo 
novo e s vezes problemtico e um negcio que acabavam de pr em marcha.
Era um verdadeiro risco. imaginava que educar a um menino de dez anos supunha dores de cabea e meteduras de pata, no melhor dos casos. Seth DeLauter, que se tinha 
criado com uma prostituta a tempo parcial, uma drogada a jornada completa e uma chantagista aficionada, no tinha vivido nas condies ideais.
Tirar adiante uma empresa de construo de navios supunha toda uma srie de detalhes chatos e de trabalho exaustivo. Mesmo assim, funcionava, e se descontava a ridcula 
exigncia de tempo e energia, funcionava bastante bem.
Fazia pouco tempo, os fins de semana os passava jantando em stios de moda ou indo ao teatro com uma srie de mulheres atrativas e interessantes e, se se entendiam, 
tomando o caf da manh no domingo na cama.
Phillip se tinha prometido que voltaria a faz-lo. Quando tudo estivesse represado, voltaria para essa vida. Entretanto, como dizia seu pai, durante os prximos 
minutos...
Girou para entrar no caminho. Tinha deixado de chover e a erva e as folhas tinham um brilho especial. A luz do crepsculo comeava a tingi-lo tudo. A luz do salo 
prometia um recebimento quente e sereno. As flores do vero que tinha cuidado Anna adoeciam e entre as sombras reluziam os brotos de princpios de outono. Ouvia 
os latidos do cachorrillo, embora aos nove meses, Parvo tinha crescido tanto que j no lhe podia chamar cachorrillo.
lembrou-se de que essa noite lhe tocava cozinhar a Anna. Felizmente. Isso significava que os Quinn jantariam de verdade. desentorpeceu-se os ombros, pensou em que 
se serviria uma taa de vinho e viu que Parvo saa por uma esquina da casa detrs de uma bola de tnis.
O co, ao ver que Phillip se descia do carro, deixou o que estava fazendo e tentou parar-se, mas se escorregou e organizou um alvoroo de latidos como se estivesse 
apavorado.
Idiota disse Phillip com um sorriso enquanto tirava a maleta do jipe.
Para ouvir a voz, os latidos passaram a ser de alegria incontenible. Parvo se aproximou com um olhar de felicidade e com as patas molhadas e cheias de barro.
No salte! gritou-lhe Phillip com a maleta como escudo. O digo a srio. Sente-se!
Tolo vacilou, mas apoiou os quartos traseiros no cho e levantou uma pata. Tinha a lngua fora e os olhos resplandecentes.
Bom co.
Phillip lhe estreitou a repugnante pata e lhe arranhou as sedosas orelhas.
Ol.
Seth apareceu no jardim. Tinha os jeans sujos de jogar com o co e a boina de beisebol torcida deixava ver seu cabelo loiro e murcho. Phillip se deu conta de que 
sorria com mais facilidade que uns meses antes, mas lhe faltava um dente.
Ol Phillip lhe deu um golpecito na viseira da boina. perdeste algo?
Mmm...
Phillip se destacou os dentes brancos e perfeitos. 
Ah, sim.
Seth sorriu, encolheu-se de ombros, um gesto tpico dos Quinn, e passou a lngua pelo oco do dente. Tinha a cara mais enche que fazia seis meses e seus olhos eram 
menos cautelosos.
Estava frouxo. Faz um par de dias tive que lhe dar um puxo. Sangrou como um bode.
Phillip no se incomodou em lhe repreender por sua linguagem. Tinha decidido que no se ocuparia de certas coisas.
E te trouxe algo o ratoncito Prez?
Sei realista.
N, se no tiraste um peru ao CAM, no  meu irmo.
tirei um par de perus. Um ao CAM e outro ao Ethan.
Phillip lhe aconteceu um brao pelos ombros e foram para a casa entre risadas.
Pois a mim no vais tirar me nada. Que tal te foi a primeira semana de colgio?
Aborrecida.
Seth se disse para seus adentros que no o tinha sido, que tinha sido lhe apaixone. Anna o tinha levado a comprar lpis, cadernos e canetas. Rechaou a tartera de 
Expediente X que ela queria comprar. S os empollones levavam tarteras, mas burlar-se da tartera tinha sido uma grosseria.
Levava roupa  ltima e umas sapatilhas gastas. Alm disso, o melhor de tudo era que, pela primeira vez em sua vida, estava no mesmo stio, o mesmo colgio e com 
a mesma gente da que se despediu em junho.
Os deveres? perguntou-lhe Phillip enquanto arqueava as sobrancelhas e abria a porta.
Seth ps os olhos em branco.
Tio, no pensa em outra coisa?
Guri, eu vivo para os deveres. Sobre tudo, quando so os teus.
Tolo passou como uma exalao e quase os atirou ao cho.
Ainda tem muito trabalho com esse co. Entretanto, o leve aborrecimento lhe dissipou assim que cheirou o molho de tomate da Anna. Deus benza esta casa sussurrou.
Manicotti lhe informou Seth.
De verdade? Tenho um chianti que estive reservando para uma ocasio como esta disse deixando a maleta a um lado. depois de jantar-nos veremos com os livros.
Sua cunhada estava na cozinha preenchendo com queijo uns cilindros de massa. Tinha a impecvel camisa branca arregaada que usava para trabalhar e um avental branco 
lhe protegia a saia azul marinho. tirou-se os sapatos de salto e movia os ps descalos ao ritmo do ria que cantarolava. Carmen, disse-se Phillip. Ainda tinha recolhimento 
o maravilhoso arbusto de cabelo negro e encaracolado. Phillip piscou os olhos um olho ao Seth e ficou detrs dela, agarrou-a pela cintura e lhe deu um sonoro beijo 
no cocuruto.
Fgate comigo. Trocaremo-nos de nomes. Voc ser Sofia e eu Carlo. Levarei-te a paraso onde s cozinhar para mim. Nenhum destes palets te aprecia como eu.
Espera que preencha o ltimo e irei e fazer a bagagem. Voltou a cara com um sorriso em seus escuros olhos italianos. O jantar estar dentro de meia hora.
Desarrolharei o vinho.
No h nada para comer ainda? perguntou-lhe Seth.
H peas na geladeira.
S so verduras e porcarias se queixou Seth quando tirou a fonte.
Sim.
Jo...!
te lave as mos antes de tocar a comida.
A saliva dos ces  mais limpa que a saliva das pessoas lhe comunicou Seth. Tenho lido que se te remoer uma pessoa,  pior que se te remoer um co.
Estou impressionada por uma informao to fascinante, mas te lave as babas do co em qualquer caso.
Humanos...
Seth, zangado, foi dando uma patada no cho e com Parvo pego a seus tales.
Phillip escolheu o vinho entre umas garrafas que tinha na despensa. Os vinhos bons eram uma de suas debilidades e possua um paladar muito exigente. Em seu piso 
de Baltimore tinha uma ampla e seleta adega que guardava em um armrio, remodelado expressamente para isso. Na costa, suas adoradas garrafas do Burdeos e Borgoa 
faziam companhia s caixas de cereais rangentes e as bolsas de farinha.
acostumou-se.
Que tal a semana? perguntou a Anna.
Atarefada. Terei que fuzilar a quem disse que as mulheres o tm tudo. Levar uma profisso e uma famlia  uma surra. Levantou o olhar com um sorriso resplandecente 
e acrescentou: eu adoro.
nota-se. Tirou a cortia, cheirou-o e deixou a garrafa na encimera para que se oxigenasse. Onde est CAM?
Deveria estar vindo do estaleiro. Ethan e ele queriam aproveitar uma hora mais. terminaram o primeiro navio dos Quinn. O proprietrio vem amanh. Est terminado, 
Phillip! O sorriso foi um brilho transbordante de orgulho. Est no mole,  marinheiro e impressionante.
Ele sentiu uma pontada de decepo por no ter estado o ltimo dia.
Teramos que tomar champanha.
Anna arqueou uma sobrancelha enquanto olhava a etiqueta do vinho.
Uma garrafa do Fonolari, Ruffino? 
Considerava que um dos rasgos mais apreciveis da Anna era que sabia reconhecer o bom vinho. 
Do setenta e cinco.
Eu no vou queixar me. Parabns por seu primeiro navio, senhor Quinn.
No tenho feito nada. S me ocupei que os detalhes.
Claro que tem feito. Os detalhes so necessrios e nem CAM nem Ethan os cuidam tanto.
Acredito que eles o chamam aporrinhar.
Necessitam que os aporrinhem. Teria que estar orgulhoso do que conseguistes os trs durante os ltimos meses. No s pelo negcio, mas tambm tambm pela famlia. 
Cada um de vs renunciou a algo importante pelo Seth e cada um de vs recebeu algo importante em troca.
Nunca me esperei que o pirralho fosse ser to importante. Anna cobriu a massa com molho e Phillip procurou umas taas no armrio. Ainda h momentos nos que todo 
me tira de gonzo.
 natural, Phillip.
No me consola se encolheu de ombros e serve duas taas, mas, em geral, o Miro e penso que no est mal para ser um irmo pequeno.
Anna polvilhou queijo por cima da massa. Pela extremidade do olho viu que Phillip levantava a taa e apreciava o aroma. Pensou que era muito bonito. Fisicamente, 
era o que se imaginava como mais prximo  perfeio masculina. Cabelo castanho escuro, abundante e denso; olhos mais dourados que marrons; rosto comprido, estreito 
e pensativo, sensual e anglico; alto e esbelto, parecia feito para levar trajes italianos, embora o tinha visto com o torso nu e uns jeans, e sabia que no tinha 
nada de brando.
Sofisticado, rude, erudito e penetrante. Um homem interessante, disse-se para seus adentros.
Colocou a panela no forno e se deu a volta para tomar sua taa. Sorriu-lhe e chocou a taa com ele.
Voc tampouco est mal para ser um irmo maior.
inclinou-se para beij-la delicadamente quando entrou CAM.
Aparta seu bocaza de minha mulher.
Phillip sorriu e rodeou a cintura da Anna com o brao.
Ela me ofereceu isso. Gosta. 
Eu gosta mais.
Para demonstr-lo, CAM atirou da cinta do avental, abraou-a e a beijou apaixonadamente. Sorriu, mordiscou-lhe o lbio inferior e lhe deu um aoite no traseiro.
A que sim, carinho...
lhe dava voltas a cabea.
Certamente soprou. Em trminos gerais... escapou dele. Est asqueroso.
Vinha a por uma cerveja para a ducha. CAM, alto, magro, moreno e perigoso, foi at a geladeira. E a por um beijo de minha mulher acrescentou com um olhar vaidoso 
para o Phillip. te Busque uma mulher para ti.
Quem tivesse tempo... replicou Phillip pesarosamente.
depois de ter jantado e de haver-se deixado as pestanas com divises, batalhas da Revoluo e vocabulrio de sexto curso, Phillip se sentou em seu dormitrio com 
o ordenador porttil.
Era o mesmo quarto que lhe tinham dado quando Ray e Stella o levaram a casa. Ento, as paredes eram verde claro. Quando fez dezesseis anos, algo lhe transtornou 
na cabea e o pintou de cor magenta. Sabe Deus por que. Recordava que sua me, porque Stella j era sua me ento, tinha-lhe advertido que teria pesadelos. lhe parecia 
atrativo. Mas durou trs meses. Logo passou por uma fase de branco absoluto com fotos em branco e negro com o Marcos negros. Sempre procurava um ambiente, pensou 
burlonamente Phillip. Voltou para verde claro antes de mudar-se a Baltimore.
Eles sempre tinham tido razo. Seus pais estavam acostumados a ter razo.
Tinham-lhe dado aquela habitao naquela casa naquele povo. O no o havia posto fcil. Os trs primeiros meses foram um contnuo enfrentamento de vontades. Passava 
drogas, metia-se em brigas, roubava lcool e chegava a casa ao amanhecer dando tombos.
Ele j tinha claro que tinha estado pondo-os a prova, desafiando-os a que o jogassem; a que pudessem com ele.
No s puderam com ele mas tambm o amoldaram.
Phillip lhe disse uma vez seu pai, no sei por que quer desperdiar uma boa cabea e um bom corpo; por que quer deixar que ganhem os bodes.
Ao Phillip, que tinha o estmago de ponta e lhe arrebentava a cabea pela ressaca de drogas e lcool, importava-lhe um cominho.
Ray o levou a navio e lhe disse que navegar um momento lhe esclareceria cabea. Phillip, completamente enjoado, tirou a cabea pela amurada e arrojou os restos do 
veneno que se colocou a noite anterior.
Acabava de fazer quatorze anos.
Ray jogou a ncora em um estreito brao de mar. Sujeitou a cabea do Phillip, molhou-lhe a cara e lhe ofereceu um refresco frio.
Sente-se.
Ele, mais que sentar-se, desabou-se. Tremiam-lhe as mos e lhe revolveram as tripas quando deu o primeiro sorvo da lata. Ray se sentou em frente, com as enormes 
mos sobre os joelhos, o cabelo prateado agitado pela ligeira brisa e os olhos azuis serenos e pensativos.
tiveste um par de meses para te orientar por aqui. Stella diz que te recuperaste fisicamente.  forte e tem boa sade, mas a perder se seguir assim.
Franziu os lbios e ficou calado um bom momento. Havia uma gara entre a erva sem cortar; estava quieta, como se fora um quadro. O ar estava muito transparente e 
fazia frio, era finais de outono e as rvores sem folhas deixavam ver o cu de um azul profundo. O vento frisava a gua e ondulava a erva.
Ray parecia satisfeito do silncio e da cena. O estava derrubado, plido e com o olhar impenetrvel.
Phil, podemos lutar o de muitas maneiras seguiu Ray. Podemos ser uns bodes. Podemos te atar em curto, no te tirar a vista de cima e te dar uma patada nos ovos 
cada vez que nos jodas, que  a maioria das vezes. Ray, pensativo, agarrou uma vara de pescar e ps ceva no anzol. Tambm podemos decidir que este experimento 
foi um desastre e que volte aonde estava.
Ao Phillip lhe encolheu o estmago e fez um esforo para trag-lo que era medo embora ele no o reconhecesse.
No lhes necessito. No necessito a ningum.
Claro que necessita a algum disse Ray lanando o linha. Se voltar para a rua, ficar ali. dentro de um par de anos j no ser menor. Acabar em uma cela com 
os maus de verdade, uns tios aos que adoraro essa cara to bonita que tem. Um dia, um deles, de dois metros e com as mos como presuntos, agarrar-te na ducha e 
te far sua noiva.
Phillip necessitava um cigarro. As palavras do Ray lhe produziam um suor frio.
Sei me cuidar sozinho.
Filho, passaro-lhe como se fosse uma fonte de canaps, e sabe perfeitamente. Defendeu-te muito bem, mas h coisas que so inevitveis. at agora, sua vida foi 
uma mierda. No  responsvel por isso, mas sim  responsvel pelo que acontecer adiante.
Voltou a ficar em silncio, sujeitou o cano com os joelhos e agarrou uma lata do Pepsi. Sem pressas, abriu-a e deu um sorvo que parecia interminvel.
Stella e eu cremos ver algo especial em ti continuou. Seguimos acreditando-o acrescentou enquanto olhava ao Phillip, mas no chegaremos a nenhuma parte se 
no o voc crie.
E o que te importa? Phillip jogou a cabea para trs com um gesto de desdita.
No momento no posso diz-lo. Possivelmente no valha a pena. Possivelmente acabe outra vez nas ruas te buscando a vida de m maneira.
Durante trs meses tinha dormido em uma boa cama, tinha comido trs vezes ao dia e tinha tido ao seu dispor todos os livros que queria, uma de suas paixes secretas. 
S de pens-lolhe encolheu o estmago outra vez, mas se limitou a encolher-se de ombros.
Arrumarei-me isso.
Se s lhe quer arrumar isso  teu assunto. Aqui pode encontrar um lar e uma famlia. Pode encontrar uma vida e fazer algo com ela. Mas tambm pode seguir o caminho 
que leva.
Ray estirou o brao para agarr-lo e Phillip levantou os punhos para defender-se, mas Ray s lhe levantou a camisa para deixar  vista as cicatrizes de seu peito.
Pode voltar para isso concluiu sem perder a calma.
Phillip olhou aos olhos. Viu compaixo e esperana, mas tambm se viu refletido, talher de sangue e atirado no meio-fio de uma rua onde a vida no valia nada.
Phillip, enjoado, cansado e apavorado, sujeitou-se a cabea com as mos.
Do que se trata?
trata-se de ti, filho Ray lhe acariciou o cabelo. Se trata de ti.
As coisas no trocaram da noite para o dia, mas sim comearam a trocar. Seus pais tinham conseguido que acreditasse em si mesmo, apesar de si mesmo. Comeou a sentir-se 
orgulhoso de ir bem no colgio, de aprender e de converter-se no Phillip Quinn.
Acreditava que lhe tinha sado muito bem. Tinha dado um verniz de classe ao menino da rua. Tinha uma profisso sensacional, um piso com umas vistas impressionantes 
da doca do porto e um guarda-roupa em consonncia.
Era como se tivesse fechado o crculo. Passava os fins de semana em sua habitao com paredes verdes e mveis slidos, com as janelas que davam s taas das rvores 
e s restingas.
Mas esta vez se tratava do Seth.
Dois
Phillip estava na coberta do Neptune's Lady, que ainda estava sem batizar. Tinha dedicado quase duas mil horas de suor e sofrimento para que o desenho se convertesse 
em um balandro. A coberta era de teca e seu esmerado acabado resplandecia ao suave sol de setembro.
O camarote seria o orgulho de qualquer carpinteiro, certamente o era do CAM, pensou Phillip. Os armrios eram de madeira sem tingir, feitos  mo e a medida do dormitrio 
para quatro amigos muito bem advindos.
Ao Phillip pareceu um navio confivel e formoso. Tinha o casco estilizado, a coberta resplandecente e a linha de flutuao larga. O sistema que escolheu Ethan para 
fazer o forro de madeira sups mais horas de trabalho, mas o resultado era uma jia.
Aquele podlogo ia pagar generosamente cada centmetro de navio.
O que te parece?
Ethan, com as mos nos bolsos dos jeans gastos e os olhos entrecerrados pelo sol, deixou a pergunta no ar.
Phillip deslizou a mo pela amurada, uma parte que tinha passado muitas horas lixando e polindo para lhe dar aquele acabamento acetinado.
merece-se um nome menos manido.
O dono tem mais dinheiro que imaginao. Navega como os anjos. Ethan esboou um de seus sorrisos lentos e solenes. No veja como voa, Phil. Quando CAM e eu o 
provamos, no estava seguro de que CAM fora a trazer o de volta. Tampouco estava seguro de que eu quisesse que o fizesse.
Phillip se passou o polegar pelo queixo.
Tenho um amigo que  pintor. Quase tudo o que faz so coisas comerciais para hotis e restaurantes. Entretanto, tambm faz quadros maravilhosos. Cada vez que vende 
um, fica doente. Detesta perder um quadro. Eu no entendia o que sentia, at agora.
E  o primeiro.
Mas no o ltimo.
Phillip no tinha pensado que se sentiria to comprometido. A idia de fazer navios no tinha sido dela. Gostava de pensar que seus irmos o tinham miservel. O 
lhes disse que era absurdo, uma loucura, e que estava destinado ao fracasso.
Logo, naturalmente, meteu-se at dentro, negociou o aluguel da nave, solicitou as permisses e fez os pedidos necessrios. Durante a construo do que seria o Neptune's 
Lady, cravou-se lascas nos dedos, queimou-se com creosoto e deixou de sentir os msculos depois de horas transportando tablones; e no sofreu em silncio.
Entretanto, ao estar na coberta do navio que se balanava elegantemente, tinha que reconhecer que todos os meses de penalidades tinham merecido a pena. Alm disso, 
estavam a ponto de comear outra vez. 
CAM e voc avanastes com o seguinte navio.
Queremos ter o casco preparado para finais de outubro. Ethan tirou um leno e limpou cuidadosamente os rastros que tinha deixado Phillip na amurada. Se queremos 
seguir o calendrio demencial que preparaste. Entretanto, h algo mais que fazer em este.
Em este? Phillip entrecerr os olhos. Maldita seja Ethan, disse que estava preparado para entreg-lo. O proprietrio vai vir a busc-lo. Eu j ia preparar os 
ltimos documentos.
Falta um pequeno detalhe. Temos que esperar ao CAM.
Que pequenos detalhes? Phillip olhou o relgio com impacincia. O cliente chegar em qualquer momento.
Ser um minuto. Ethan assinalou com a cabea para as portas do edifcio. Aqui est CAM.
 muito bom para este caipira disse CAM enquanto se aproximava com uma furadeira a pilhas. Lhes digo que deveramos montar a nossas mulheres e filhos e nos levar 
isso ao Bimini.
Digo-te que assim que nos d o cheque conformado, ele ser o capito. Phillip esperou a que CAM chegasse at eles. Alm disso, quando for ao Bimini, no quero 
lhes ver nenhum dos dois.
Est raivoso porque ns estamos casados disse CAM ao Ethan. Toma. Deu- a furadeira ao Phillip.
Que demnios tenho que fazer com isto?
Terminar o navio sonriendo, CAM tirou uma cornamusa de lato. reservamos a ltima pea para ti.
De verdade?
Phillip, emocionado, tomou a cornamusa e olhou como brilhava com o sol.
Comeamo-lo juntos lhe recordou Ethan.  o justo. Vai a bombordo.
Phillip tomou os parafusos que lhe deu CAM e se inclinou sobre as marcas que havia na amurada.
Tinha pensado em celebr-lo. A furadeira girava entre suas mos. Tinha pensado em uma garrafa de Dom Perignon gritou para que lhe ouvisse, mas logo decidi que 
seria um desperdcio que vos a bebierais vs. De modo que h trs cervejas na geladeira.
Pensou que o perdoariam quando recebessem a surpresa que lhes tinha preparada para essa tarde.
Quase era meio-dia quando o cliente deixou de inspecionar cada centmetro de seu novo navio. Tinham eleito ao Ethan para que lhe desse um passeio de prova antes 
de montar o balandro em seu novo reboque. Do mole, Phillip olhava as velas cheias de vento, as velas de cor amarelada que tinha eleito o proprietrio.
Pensou que Ethan tinha razo: voava.
O balandro cortava a gua para o passeio martimo escorado como em um sonho. imaginava aos turistas de finais do vero que se paravam para olh-lo e o assinalavam. 
Pensou que no havia melhor publicidade que um produto de qualidade.
Encalhar-o a primeira vez que navegue sozinho lhe disse CAM a suas costas.
Seguro, mas se divertir disse dando uma palmada ao CAM no ombro. vou preparar a fatura.
A velha nave de tijolo que tinham alugado como estaleiro no tinha muitas comodidades. Quase toda estava ocupada por um espao aberto iluminado por tubos fluorescentes 
que penduravam do teto. As janelas eram pequenas e sempre estavam cobertas de p.
As ferramentas, os madeiros, os litros de cauda, os vernizes e a pintura estavam ao alcance de todos. Nesse momento, o espao estava ocupado pelo esqueleto do casco 
de um navio de pesca esportiva que ia ser seu segundo, encargo. As paredes eram de tijolo visto com partes de gesso. No alto de uma escada de ferro muito inclinada 
havia uma habitao diminuta e sem janelas que servia de escritrio. Phillip a tinha meticulosamente ordenada a pesar do tamanho e situao. A mesa metlica a tinha 
comprado em um mercadillo, mas estava lustrosa. Em cima havia um calendrio, seu ordenador porttil, um telefone de duas linhas com secretria eletrnica e um cubilete 
de plstico para os lpis e canetas.
Encaixados na mesa havia dois arquivos, uma fotocopiadora pequena e um fax.
sentou-se e acendeu o ordenador. A lhe pisquem luz do telefone lhe chamou a ateno. foi escutar as duas mensagens, mas no tinham deixado nenhum.
Ao cabo de uns segundos, abriu-se o programa que tinha adaptado para a empresa e sorriu ao ver o logotipo.
Possivelmente estivessem comeando a casa pelo telhado, disse-se enquanto colocava os dados da venda, mas no tinha que expor-lhe assim. A qualidade do papel a justificava 
como gasto de publicidade. O dominava a edio por ordenador, e fazer faturas, recibos ou impressos no lhe supunha nenhuma dificuldade. S insistia em que terei 
que ter classe.
Mandou imprimir a fatura justo quando soou o telefone.
Navios Quinn...
Houve um instante de dvida e ouviu algum que se esclarecia garganta.
Perdo, equivoquei-me disse uma amortecida voz de mulher antes de pendurar.
No passa nada, carinho replicou Phillip ao silencio do outro lado da linha enquanto recolhia a fatura.
A temos a um homem feliz comentou CAM uma hora mais tarde enquanto viam como se afastava o cliente com seu balandro no reboque.
Mais felizes estamos ns. Phillip tirou o cheque do bolso e o agitou no ar. Se descontarmos material, trabalho, gastos gerais, fornecimentos... Voltou a dobrar 
o cheque. Bom, tiramos suficiente para ir atirando.
No te deixe levar pelo entusiasmo! ironizou CAM. Tem um cheque com cinco cifras em seu manita. vamos abrir essas cervejas.
Quase todos os benefcios ter que reaplic-los na empresa lhes avisou Phillip enquanto voltavam a entrar. Quando fizer frio, as faturas de eletricidade vo disparar 
se e a semana que vem touca pagar os impostos trimestres.
CAM abriu uma cerveja e a deu a seu irmo.
Fecha o pico, Phil.
Em qualquer caso continuou Phillip sem lhe fazer caso,  um grande momento na histria dos Quinn. Levantou a cerveja e brindou com seus irmos. Por nosso mdico 
dos ps, o primeiro de muitos clientes satisfeitos. Para que os ventos lhe sejam propcios e que cure muitos joanetes.
Para que diga a todos seus amigos que nos chamem acrescentou CAM.
Para que navegue no Annapolis e no entre nesta parte da baa terminou Ethan enquanto sacudia a cabea.
Quem se deve comer? perguntou CAM. Morro de fome.
Grace preparou uns sndwiches disse Ethan. Esto em minha geladeira porttil. 
Que Deus a benza.
Talvez ter que pospor a comida um momento. Phillip tinha ouvido o som dos pneumticos sobre o cascalho. Acredito que chegou o que estava esperando.
Saiu encantado de ver o caminho de transporte.
O condutor apareceu a cabea pelo guich.
Quinn?
Somos ns.
O que compraste?
CAM franziu o cenho ao ver o caminho e se perguntou que poro do cheque teria pirado.
Algo necessrio. vai necessitar que lhe demos uma mo.
Tem toda a razo lhe agradeceu o condutor enquanto se baixava. O tivemos que carregar entre trs. O filho de cadela pesa mais de noventa quilogramas.
Abriu as portas traseiras. Estava no cho sobre um tecido acolchoado. Pelo menos media quatro metros de comprimento, duas de largura e oito centmetros de grosso. 
Umas letras maisculas esculpidas em carvalho tratado diziam: NAVIOS QUINN. Na esquina superior se via um balandro a todo trapo. Na esquina inferior se liam os nomes 
do Cameron, Ethan, Phillip e Seth Quinn.
 precioso conseguiu dizer Ethan quando encontrou as palavras.
aproveitei um dos desenhos do Seth. O mesmo que usamos para o logotipo. Phillip passou o polegar pelo carvalho e acrescentou: A empresa de rtulos o reproduziu 
muito bem.
 fantstico. CAM apoiou uma mo no ombro do Phillip. Era um dos detalhes que nos faltavam. Seth vai alucinar quando o vir.
A ordem  to cronolgica como alfabtico. Queria que fora singelo e claro. apartou-se um pouco com as mos nos bolsos, uma postura idntica nos trs irmos. 
Acreditava que ia com o edifcio e com nossa atividade.
 perfeito. Ethan assentiu com a cabea.
Muito bem, amigos, vo ficar todo o dia admirando-o ou querem baixar a este bode do caminho? perguntou-lhes o caminhoneiro com certa impacincia.
Eram todo um espetculo, pensou ela. Trs exemplares sensacionais de homens fazendo um trabalho fsico em uma calorosa tarde de princpios de setembro. Encaixavam 
perfeitamente com a nave. Era tosca, com os velhos tijolos gastos e furados, e os arredores talheres de maleza...
Os trs eram distintos. A gente era moreno e com o cabelo to comprido que podia fazer um acrscimo. Levava uns jeans negros que j pareciam cinzas. Seu aspecto 
tinha algo de europeu. Decidiu que tinha que ser Cameron Quinn, o homem que se feito um nome no circuito de carreiras.
O segundo levava umas botas de trabalho que pareciam antigas. Seu cabelo queimado pelo sol lhe transbordava de uma boina com viseira azul. movia-se com agilidade 
e levantava um extremo do pster sem esforo aparente. Seria Ethan Quinn, o homem de mar.
Isso significava que o que ficava tinha que ser Phillip Quinn, o executivo de publicidade que trabalhava em uma empresa ponteira de Baltimore. Expulsa de caminhar 
e jeans. Um cabelo castanho que tinha que ser um prazer para seu cabeleireiro. Um corpo comprido e estilizado que certamente visitava o ginsio com bastante freqncia.
Era muito interessante. No se pareciam nada fisicamente e graas a suas investigaes sabia que compartilhavam o sobrenome, mas no o sangue. Mesmo assim, havia 
algo em seus gestos e na forma de mover-se em equipe que dizia que eram irmos.
Sua inteno tinha sido passar por ali para jogar uma olhada ao edifcio onde se instalaram. Sabia que um deles estaria porque tinha respondido o telefone, mas no 
tinha contado tendo a oportunidade de v-los em grupo.
Era uma mulher a que gostava do inesperado.
Sentiu um comicho de nervos no estmago. No estava acostumada e se desentorpeceu os ombros. No tinha motivos para estar nervosa. Ao fim e ao cabo, tinha vantagem. 
Ela os conhecia mas eles no a conheciam ela.
Era algo muito normal que uma pessoa fora passeando e ficasse olhando a trs homens que penduravam um pster enorme. Sobre tudo uma turista que passeava por um povo 
pequeno, como o era ela a todos os efeitos. Tambm era uma mulher solteira e eles eram trs homens atrativos.
Mesmo assim, quando chegou diante da nave, ficou apartada. Parecia um trabalho muito rduo. O pster estava sujeito por umas cadeias negras. Faziam um sistema de 
polias com o executivo de publicidade de diretor subido no telhado; e seus irmos, no estou acostumado a atirando. Empregavam o mesmo entusiasmo para animar, amaldioar 
e dar ordens.
Certamente, havia muito msculo em tenso, disse-se ela com uma sobrancelha arqueada.
Por seu extremo, CAM. Um par de centmetros mais, maldita seja.
Phillip, convexo de barriga para baixo, apareceu meio corpo e ela conteve a respirao.
Entretanto, conseguiu agarrar a cadeia. Ela podia ver o esforo que fazia para colocar a argola no gancho, mas no podia ouvir o que dizia. Sups que podia economizar-lhe 
Ya est. Aguantad con fuerza les orden mientras cruzaba por el alero hasta el otro lado.
J est. Agentem com fora lhes ordenou enquanto cruzava pelo beiral at o outro lado.
O sol se refletia em seu cabelo e a pele lhe resplandecia. deu-se conta de que tinha os olhos fora das rbitas. Era um exemplo perfeito de beleza masculina.
O voltou a tombar-se, a aparecer e a agarrar a cadeia para p-la em seu stio... e para jurar em aramaico. Quando se levantou, pde ver que tinha a camisa rasgada.
Acabava de comprar a Tcame los huevos le propuso Phillip mientras se quitaba la camisa para secarse el sudor de la cara.
Era preciosa lhe gritou CAM.
me toque os ovos lhe props Phillip enquanto se tirava a camisa para secar o suor da cara.
Decidiu que era um deus americano ideado para que as mulheres babassem.
enganchou-se a camisa rota no bolso traseiro da cala e foi para a escada. Ento, viu-a. Ela no podia ver seus olhos, mas soube, pela pequena pausa e porque inclinou 
a cabea, que estava olhando-a. Ela sabia que era uma anlise instintiva.
Os homens olhavam, viam uma mulher, analisavam-na, o expor e tomavam uma deciso.
Ele j a tinha visto de ps a cabea e, antes de comear a baixar as escadas, j estava procurando a forma de poder observ-la desde mais perto. 
Temos visita comentou Phillip. CAM olhou por cima do ombro. Mmm. Muito bonita.
Leva dez minutos a. Ethan se limpou as mos nas coxas. Olhando o espetculo. Phillip se desceu da escada e se deu a volta. 
E bem? gritou  garota. O que te pareceu?
levantava-se o pano de fundo. aproximou-se deles.
Muito impressionante. Espero que no lhes tenha importado. No pude resistir.
Absolutamente.  um grande dia para os Quinndisse alargando uma mo. Me chamo Phillip. Eu Sybill. Constrem navios... 
Isso diz o pster.
Fascinante. Estou passando um tempo por aqui. No esperava me topar com uns construtores de navios. Que tipo de navios fazem? 
Navios de vela com casco de madeira.
De verdade? Dirigiu o sorriso para os outros irmos. So todos scios?
Eu sou CAM disse, lhe devolvendo o sorriso. O  meu irmo Ethan.
Prazer em conhec-lo, Cameron. Comeou a ler o pster. Ethan, Phillip... O corao lhe pulsava a toda velocidade, mas no alterou o sorriso. Onde est Seth?
No colgio lhe respondeu Phillip. 
Ah, no colgio?
Tem dez anos.
Entendo. deu-se conta de que Phillip tinha umas velhas cicatrizes muito perto do corao. O pster  impressionante. eu adoraria me passar alguma vez para lhes 
ver trabalhar.
Quando quiser. At quando fica no St. Chris?
No sei ainda. Encantada de lhes conhecer. Era o momento de retirar-se. Tinha a garganta seca e o pulso acelerado. Sorte com os navios.
te passe amanh lhe props Phillip enquanto ela se afastava. Encontrar aos quatro em plena tarefa.
Ela o olhou por cima do ombro com a esperana de que s parecesse divertida e interessada. 
Ao melhor o fao.
Ela pensou no Seth sem deixar de olhar para diante. Tinha-lhe dado a oportunidade de ver o Seth ao dia seguinte.
CAM deixou escapar um murmrio varonil. 
Devo dizer que  uma mulher que sabe caminhar.
E tanto.
Phillip se meteu as mos nos bolsos e desfrutou da viso. Tinha uns quadris estreitos, umas pernas esbeltas cobertas por umas calas cor milho e uma rodeada camisa 
cor lima metida na cala. O cabelo, liso, lustroso e de cor castanha escura, ondulava-lhe justo por cima de uns ombros fortes.
A cara era igual de atrativa. Tinha um ovalide clssico, uma pele plida com reflexos pssego e uma boca bem desenhada e expressiva grafite de uma cor rosa muito 
plido. As sobrancelhas eram sexys, disse-se a si mesmo, escuras e com uma curva preciosa. No tinha podido lhe ver os olhos por culpa de uns culos com arreios 
metlica e muito na moda. Podiam ser escuros, como o cabelo, ou claros, para contrastar com ele.
A suave voz de contralto rematava um bom conjunto.
ides ficar lhes todo o dia olhando o traseiro dessa mulher? perguntou-lhes Ethan.
Claro, voc nem te fixaste grunhiu CAM.
Fixei-me, mas no me fiquei embevecido. No temos nada mais que fazer?
Agora mesmo murmurou Phillip enquanto se sorria a si mesmo ao ver que ela desaparecia pela esquina. Sybill. Espero que fique algum tempo no St. Chris.
Ela no sabia quanto tempo ia ficar. Dispunha de todo seu tempo. Podia trabalhar onde quisesse e tinha eleito esse pequeno povo da costa leste de Maryland. Tinha 
passado quase toda sua vida em cidades, primeiro porque o tinham decidido seus pais e logo porque tinha sido assim.
 Nova Iorque, Boston, Chicago, Londres, Melam. Entendia a paisagem urbana e a seus habitantes. A realidade era que para a doutora Sybill Griffin, o estudo da vida 
urbana era sua profisso.
licenciou-se em antropologia, sociologia e psicologia. Fez uma carreira de quatro anos no Harvard, uma especializao em Oxford e um doutorado em Columbia.
Tinha-lhe ido muito bem no mundo acadmico e nesse momento, seis meses antes de fazer trinta anos, j podia escrever seu prprio futuro; que era precisamente o que 
pensava fazer para ganh-la vida: escrever.
Seu primeiro livro, Paisagem urbana, tinha sido bem recebido, tinha colhido boas crticas e lhe tinha proporcionado uns ganhos modestos. Entretanto, o segundo, Desconhecidos 
de toda a vida, tinha-a arrojado s listas nacionais e ao torvelinho da promoo, bate-papos e programas de televiso. A PBS estava produzindo uma srie documentrio 
que se apoiava em suas observaes e teorias sobre a vida e costumes na cidade, e isso lhe dava certa segurana econmica. Era independente.
Seu editor tinha aceito a idia de um livro sobre as tradies e pautas de conduta nos povos. Ao princpio o tinha considerado uma desculpa para ir ao St. Christopher 
e passar ali um tempo dedicando-se a assuntos pessoais.
Entretanto, logo comeou a pens-lo melhor e decidiu que podia ser uma investigao interessante. Ao fim e ao cabo, era uma observadora perita e documentava muito 
bem suas observaes.
Alm disso, o trabalho podia lhe acalmar os nervos, disse-se a si mesmo enquanto ia de um lado a outro da habitao do hotel. Seria muito mais fcil e produtivo 
expor a viagem como um trabalho de investigao. Necessitava tempo, objetividade e acesso aos sujeitos implicados.
Ao parecer, graas a uma circunstncia favorvel, j tinha as trs coisas.
Saiu ao balco de metro e mdio que o hotel, generosamente, chamava terrao. Tinha uma vista impressionante sobre a baa do Chesapeake e lhe permitia vislumbrar 
a vida no passeio martimo. J tinha visto os navios de pesca descarregar os caranguejos azuis que tinham feito famosa a aquela zona. Tinha observado o trabalho 
dos cangrejeros, o alvoroo das gaivotas e o vo das garcetas, mas ainda tinha que dar um passeio pelas lojas.
No estava no St. Chris para comprar lembranas.
Possivelmente aproximasse uma mesa  janela e trabalhasse com aquela vista. Quando a brisa soprava para ela, podia captar retalhos de vozes que falavam um dialeto 
mais fluido que o das ruas de Nova Iorque, onde tinha vivido os ltimos anos. No era um acento sulino, como o que se ouvia em Atlanta, Mobile ou Charleston, mas 
era muito distinto do falar atropelado e as consonantes speras do norte.
As tardes ensolaradas podia sentar-se em um banco de ferro de quo muitos havia pelo porto e observar o pequeno mundo que se formou ao redor da gua, os peixes e 
o trabalho humano.
Comprovaria como se relacionavam os turistas e essa pequena comunidade. Suas tradies, seus costumes e suas expresses. A forma de vestir, de mover-se e a maneira 
de falar. As pessoas quase nunca se davam conta de que seguiam normas de conduta tcitas ditadas pelo lugar onde viviam.
Normas, normas, normas. H normas em todos lados. Sybill acreditava cegamente nelas.
Que normas dirigiam a vida dos Quinn? Que aglutinante os tinha convertido em uma famlia? Naturalmente, teriam seus cdigos, sua linguagem prpria e seu critrio 
quanto  disciplina.
Como e onde encaixaria Seth?
Sua prioridade era descobri-lo discretamente.
No havia ningn motivo para que os Quinn soubessem quem era nem para que suspeitassem sua relao com ele. Seria melhor para as duas partes que no soubessem. Se 
no, poderiam tentar e conseguir mant-la afastada do Seth. O j levava uns meses com eles. Ela no podia saber o que lhe haviam dito, que interpretao tinham dado 
ao acontecido.
Tinha que observar, analisar, pensar e tirar uma concluso. Logo, atuaria. imps-se atuar sem presso. No se sentiria culpado nem responsvel. Tomaria com calma.
Depois do encontro com eles, tinha decidido que era ridiculamente fcil chegar a conhecer os Quinn. Bastava-lhe entrando no edifcio de tijolo e mostrar certo interesse 
na fabricao de navios.
Phillip Quinn lhe franquearia o acesso. Tinha exibido todos os comportamentos tpicos de uma fase inicial de atrao. No teria nenhuma dificuldade em tirar partido 
disso. Ele s passava uns dias  semana no St. Chris e no havia perigo de que uma paquera circunstancial se convertesse em um pouco mais srio.
Tampouco lhe custaria muito que a convidassem a sua casa. Tinha que saber onde e como vivia Seth, quem se ocupava de seu bem-estar.
Era feliz?
Glria havia dito que eles lhe tinham roubado a seu filho. Que tinham utilizado seu dinheiro e influncias para arrebatar-lhe Deba de tener cuatro aos. Phillip 
haba dicho que ya tena diez y Sybill record que haban pasado seis aos desde que Gloria se haba presentado en su casa de Nueva York con el nio a cuestas.
Entretanto, Glria era uma mentirosa. Sybill fechou os olhos com fora, tentou serenar-se, ser objetiva e no sentir-se doda. Efetivamente, Glria era uma mentirosa, 
disse-se outra vez. Uma manipuladora. Entretanto, tambm era a me do Seth.
Sybill se foi at a mesa, abriu a agenda e tirou a fotografia. Um menino com cabelo loiro e resplandecentes olhos azuis lhe sorria. Tinha-a tirado ela mesma a nica 
vez que o viu.
Devia ter quatro anos. Phillip havia dito que j tinha dez e Sybill recordou que tinham acontecido seis anos desde que Glria se apresentou em sua casa de Nova Iorque 
com o menino nas costas.
Estava desesperada, naturalmente. Arruinada, furiosa, chorosa e implorante. O menino a olhava com aqueles ojazos assustados e ela no teve mais remedeio que acolh-la. 
Sybill no sabia nada de meninos. Nunca tinha estado rodeada deles. Possivelmente por isso se apaixonou to rpida e profundamente dele.
sentiu-se desolada quando, trs semanas depois, voltou um dia e comprovou que tinham desaparecido com todo o dinheiro que havia na casa, suas jias e a valiosa coleo 
de porcelana Daum.
Nesses momentos pensava que deveria haver imaginado. Tinha sido um comportamento tpico de Glria. Entretanto, ela tinha acreditado, tinha tido que acreditar, que 
poderiam entender-se; que o menino seria fundamental; que ela poderia ajud-los.
Essa vez, pensou enquanto voltava a guardar a foto, teria mais cuidado, deixaria-se levar menos pelos sentimentos. Sabia que Glria dizia parte da verdade. O que 
fizesse a partir desse momento s dependeria de seu critrio.
Comearia a formar um critrio quando voltasse a ver seu sobrinho.
sentou-se, acendeu o ordenador porttil e comeou a escrever as primeiras notas.
Parece que os irmos Quinn tm uma relao cmoda com patres masculinos. A julgar por minha nica observao, acredito que trabalham bem juntos. Necessitarei uma 
anlise mais profunda para definir as funes de cada um na sociedade trabalhista e na sociedade familiar.
Cameron e Ethan levam pouco tempo casados. Terei que conhecer suas mulheres para entender as pautas de conduta da famlia. Lgicamente, uma delas representar a 
figura da me. Dado que Anna Spinelli Quinn, a mulher do Cameron, trabalha a jornada completa, suponho que Grace Monroe Quinn exercer essa funo. No obstante, 
 um engano generalizar sobre estas questes e terei que observ-lo com meus prprios olhos.
Pareceu-me significativo que o pster que penduraram esta tarde levasse o nome do Seth, como um Quinn mais. No sei se a utilizao de seu nome  em benefcio do 
menino ou deles.
Seguro que o menino sabe que os Quinn esto litigando por sua custdia. No sei se tiver recebido alguma das cartas que lhe tem escrito Glorifica. Possivelmente 
os Quinn se ficaram com elas. Embora entendo e me identifico com seu sofrimento e desespero por recuperar a seu filho,  melhor que no saiba que vim aqui. Porei-me 
em contato com ela quando tiver documentado meus achados. Se no futuro h uma batalha legal, expor o assunto com feitos  melhor que faz-lo s com sentimentos.
 de esperar que o advogado que contratou Glria fique em contato logo com os Quinn pelos leitos legais adequados.
Quanto a mim, espero ver o Seth amanh e me fazer uma idia da situao. Vir-me bem determinar quanto sabe sobre seus pais. Eu acabo de me inteirar de tudo e ainda 
no assimilei completamente nem os fatos nem. suas repercusses.
Logo comprovarei se os povos pequenos so um foco de informao. antes de terminar, tenho inteno de saber tudo o que possa sobre o professor Raymond Quinn.

Trs
Sybill comprovou que o bar era o tpico stio onde reunir-se com gente, solicitar informao e celebrar rituais de emparelhamento, fora em um povo pequeno ou em 
uma grande cidade.
Estivesse decorado com lato e samambaias ou com cascas de amendoins e cinzeiros de lata, pusessem msica country ou um rock estrondoso, era o ponto onde se recolhia 
e se intercambiava informao.
O pub Shiney do St. Christopher no era uma exceo. A decorao consistia em madeira escura, cromados baratos e psteres desbotados de navios. A msica era ensurdecedora 
e ela no pde distinguir o estilo que saa de uns amplificadores que havia aos lados de um pequeno cenrio onde quatro jovens esmurravam uns violes e uma bateria 
com mais entusiasmo que talento.
Na barra havia trs homens com os olhos cravados em uma pequena tela de televiso que retransmitia um partido de beisebol. Pareciam satisfeitos de ver em silncio 
as jogadas enquanto apuravam umas garrafas de cerveja escura e comiam punhados de bolachas salgadas.
A pista de baile estava abarrotada. S havia quatro casais, mas a pista era to pequena que no paravam de dar-se golpes com os cotovelos e os quadris, embora a 
ningum importava.
As garonetes foram vestidas ao gosto da estpida fantasia masculina: saias curtas e negras, blusas diminutas com decote, meias de ralo e sapatos com um salto muito 
alto.
Sybill sentiu lstima.
sentou-se em uma mesa lhe bamboleiem que estava o mais longe possvel dos amplificadores. A fumaa e o rudo no lhe importavam, como tampouco lhe importavam o cho 
pringoso e a mesa agarre. De ali podia ver perfeitamente a todo mundo.
Tinha chegado a ter verdadeiras vontades de deixar a habitao do hotel durante um par de horas. ia tomar uma taa de vinho e a observar aos aldeos.
A garonete que a atendeu era uma moria mida com uma dianteira invejvel e um sorriso alegre.
Ol, o que lhe ponho?
Uma taa do Chardonnay e gelo  parte.
Partindo.
Deixou uma terrina de plstico cheio de bolachas salgadas e voltou para a barra tomando pedidos pelo caminho.
Sybill se perguntou se teria conhecido  mulher do Ethan. Segundo sua informao, Grace Quinn trabalhava naquele bar, mas o dedo anelar da moria no levava anel 
e Sybill deu por sentado que uma recm casado o levaria.
Seria a outra garonete? Decidiu que essa parecia perigosa. Era loira e de formas generosas. Sem dvida, era atrativa, mas de uma forma muito evidente. Tampouco 
tinha nenhum rasgo que dissesse que estava recm casado, e menos a forma que tinha de inclinar-se sobre a mesa de um cliente para que tivesse uma boa perspectiva 
de seu decote.
Sybill franziu o cenho e se comeu uma bolacha. Se era Grace Quinn, certamente no desempenhava a funo de me.
Algo passou na partida de beisebol e os trs homens comearam a gritar e a felicitar a um tal Eddie.
Desacostumada, tirou a caderneta e comeou a tomar notas. As palmadas nas costas e os murros nos braos dos homens. A linguagem corporal das mulheres, que se inclinavam 
para ganhar intimidade. Olhada-las, os gestos com as mos, como se apartavam o cabelo e, naturalmente, o ritual de emparelhamento do casal moderno mediante o baile.
Assim a encontrou Phillip quando entrou. Sorria ensimismada enquanto no se perdia nenhum detalhe e escrevia na caderneta. Pensou que parecia muito fria e distante. 
Era como se ela estivesse detrs de um cristal que fora transparente s por um lado.
agarrou-se o cabelo em uma rabo-de-cavalo Lisa e lustrosa que lhe deixava a cara limpa. De suas orelhas penduravam umas gotas douradas com pedras de cor. Viu como 
deixava a caneta para tirar uma jaqueta de ante amarelo claro.
Tinha entrado por um impulso, deixando-se levar pela agitao, e nesse momento benzia esse estado de nimo levemente lhe desassosseguem que lhe tinha dominado toda 
a noite. Ela era exatamente o que tinha estado procurando.
Sybill, verdade?
Phillip pde ver a surpresa em seus olhos quando os levantou para olh-lo. Tambm pde ver que eram cristalinos como um remanso de gua.
Efetivamente. Ela se reps, fechou a caderneta de notas e sorriu. Voc  Phillip, de Navios Quinn.
Est sozinha?
Sim..., a no ser que queira te sentar a tomar algo.
eu adoraria. Phillip agarrou uma cadeira e assinalou a caderneta com a cabea. Te interrompi?
A verdade  que no disse olhando  garonete que lhe trazia a taa de vinho.
Quer uma cerveja de grifo, Phil?
Tem-me lido o pensamento, Marsha.
Marsha..., pensou Sybill. Isso eliminava  moria descarada.
 uma msica muito pouco corrente.
A msica daqui  espantosa por definio. Phillip esboou um sorriso fugaz, encantadora e zombadora.  uma tradio.
Ento..., pelas tradies.
Sybill levantou a taa, deu um sorvo, murmurou algo e comeou a jogar gelo ao vinho.
Como qualificaria o vinho?
Bom,  elementar e primitivo. Deu outro sorvo e sorriu atractivamente. Espantoso.
 outra tradio da que Shiney se encontra orgulhoso. Tem Sam Adams de grifo.  uma alternativa melhor.
Terei-o em conta. Inclinou a cabea sem deixar de sorrir. Dado que conhece as tradies, darei  obvio que viveste algum tempo por aqui.
Assim . O entrecerr os olhos como se algo lhe rondasse no mais remoto de sua memria. Te conheo.
A ela lhe parou o pulso. Voltou a tomar a taa sem pressas. No lhe tremia a mo e a voz era firme e tranqila.
Sentiria saudades.
Estou seguro. Vi essa cara. Antes no ca na conta pelos culos de sol. H algo... Alargou uma mo, p-la debaixo de seu queixo e lhe levantou um pouco a cara. 
H algo nesse olhar.
As gemas dos dedos eram um pouco speras e o contato muito firme e seguro de si mesmo. O gesto lhe advertia de que era um homem acostumado a tocar s mulheres, e 
ela era uma mulher que no estava acostumada a que a tocassem.
Sybill arqueou uma sobrancelha como defesa.
Uma mulher resabiada diria que tenta ligar, e que no  muito original.
No estou acostumado a faz-lo murmurou ele sem deixar de olh-la. Salvo que me ocorra algo original. Tenho boa memria para as caras e esta a vi. Olhos inteligentes 
e claros, um sorriso um pouco zombadora... SybilL.. Olhou-a com mais ateno e sorriu lentamente. Griffin. A doutora Sybill Griffin, Desconhecidos de toda a vida.
Ela soltou o ar que retinha nos pulmes. Fazia to pouco tempo que as coisas foram bem que seguia surpreendendo-se quando a reconheciam. Nesse caso, aliviou-a. No 
havia nenhuma relao entre a doutora Griffin e Seth DeLauter.
No est mau... disse ela com desenvoltura. Tem lido o livro ou viu minha fotografia na lapela?
Tenho-o lido.  fascinante.  mais, eu gostei tanto que comprei seu primeiro livro. Embora no o tenho lido ainda.
Estou adulada.
 boa. Obrigado, Marsha acrescentou quando a garonete lhe deixou a cerveja na mesa.
me d um grito se necessitar algo mais. Marsha lhe piscou os olhos um olho.
Ser um alarido. Este grupo est batendo o recorde de rudo.
Isso lhe deu a desculpa de aproximar a cadeira ao Sybill e inclinar-se um pouco. Notou que seu aroma era sutil. Um homem tinha que aproximar-se muito para captar 
sua mensagem.
me diga, doutora Griffin, o que faz uma renomada urbanita em um povo da costa e descaradamente rural como St. Chris?
Investigar. Pautas de conduta e tradies respondeu ela enquanto levantava a taa em um brinde pela metade. Dos povos pequenos e comunidades rurais.
Uma mudana de linha bastante considervel. 
A sociologia e o interesse cultural no se limitam, e no deveriam limitar-se, s cidades. 
Toma notas?
Algumas. O bar do povo comeou a dizer com algo mais de tranqilidade. Os habituais. Os trs da barra, obcecados com o ritual dos esportes masculinos at manter-se 
 margem do rudo e de tudo o que lhes rodeia. Poderiam estar em casa repanchigados em uma poltrona, mas preferem estabelecer vnculos mediante a participao passiva 
no acontecimento. Assim, tm companhia, algum com quem discutir ou estar de acordo, algum com quem compartilhar interesses. D igual qual. O que importa  a pauta.
Ao Phillip pareceu divertido que sua voz adotasse um tom didtico que tirava reluzir um acento claramente ianque.
Os lhes Areje esto lutando pelo campeonato e est em pleno territrio dos lhes Areje. Possivelmente seja a partida.
A partida  o meio. A pauta se manteria quase constante independentemente de que o meio fora o beisebol ou o basquete. encolheu-se de ombros. O homem tpico desfruta 
mais dos esportes se os v acompanhado de pelo menos outro homem que pense igual. S tem que te fixar nos anncios dirigidos a homens. A cerveja, por exemplo disse 
dando um golpecito em seu copo. Muitas vezes se vende mediante um grupo de homens atrativos que compartilham uma experincia. O homem compra essa marca de cerveja 
porque acredita que melhora sua posio no grupo. Ele sorria e ela arqueou as sobrancelhas. No est de acordo?
Sim, completamente. Trabalho em publicidade e deste no prego.
Publicidade...? No fez caso do remorso por fingir daquela maneira. No imaginava que houvesse muita demanda aqui.
Trabalho em Baltimore. Venho um momento os fins de semana. Um negcio familiar e uma histria muito larga.
eu adoraria ouvi-la.
Mais tarde. Aqueles olhos semitransparentes tinham algo que o fazia quase impossvel olhar para outro lado. me Diga que mais v.
Bom...
Era muito hbil. Uma obra professora. Podia olhar a uma mulher como se fora o mais importante do mundo naquele momento. Notou um agradvel tombo do corao.
V aquela garonete? continuou Sybill.
Phillip olhou e viu o rebolado do traseiro da mulher enquanto ia para a barra.
No passa desapercebida.
Efetivamente. Ela cumpre os requisitos de certas fantasias primitivas e tipicamente masculinas. Mas eu me refiro  personalidade, no ao fsico.
De acordo. Phillip se passou a lngua pelos dentes. O que v?
 eficiente, mas j est contando o tempo que fica para ir-se a casa. Sabe escolher aos clientes que deixam mais gorjeta e enrol-los. desdenhou completamente  
mesa de universitrios. Uma garonete perita e com a presa retorcida de Nova Iorque utilizaria as mesmas tticas de sobrevivncia.
chama-se Linda Brewster lhe informou Phillip. Acaba de divorciar-se e est  caa de um novo marido mais proveitoso. Sua famlia  a proprietria da pizzera 
e ela leva anos de garonete eventual. Quer danar?
Como? Ento, tampouco era Grace, pensou Sybill enquanto tentava reordenar suas idias. Como diz?
O grupo se acalmou ou pelo menos baixou o volume. Quer danar? 
De acordo.
Deixou que ele a tirasse da mo para lev-la  pista de baile, onde se meteram com caladeira entre a multido.
Acredito que isto pretende ser uma verso do Angie sussurrou Phillip.
Se Mick e seus moos o ouvissem, pegariam-lhes um tiro.
Ch gostam dos Rolling Stones?
por que no foram gostar de me? S podiam balanar-se um pouco e ela apartou a cabea para olh-lo. No era um sacrifcio encontrar-se com sua cara to perto nem 
sentir-se estreitada contra seu corpo. Rock and roll puro e duro, sem adornos nem tolices. Puro sexo.
Ch gosta do sexo?
Ela riu.
por que no ia gostar de me? Mas embora agradea a idia, no tenho inteno de ter uma relao sexual esta noite.
Sempre fica um manh.
Sem dvida.
Ela se imaginou beijando-o e deixando que ele a beijasse. O experimento teria algum aspecto prazenteiro. Entretanto, voltou a cabea at que as bochechas se roaram. 
Era muito atrativo para correr riscos temerrios.
recordou-se que era prefervel ser prudente a ser estpida.
Posso te convidar para jantar amanh? Diestramente, lhe acariciou as costas de cima abaixo. H um stio muito agradvel no povo. Tem uma vista maravilhosa da 
baa e o melhor fruto do mar da costa. Poderemos conversar em um tom normal e poderia me contar a histria de sua vida.
O lhe tinha roado a orelha com os lbios e ela se estremeceu at a ponta dos dedos dos ps. Teria que ter sabido que algum como ele seria um especialista em manobras 
de aproximao.
Pensarei-o. Decidiu dar o melhor de si mesmo e lhe aconteceu os dedos pela nuca. J lhe direi isso.
Quando terminou a cano e a seguinte estalou com um estrondo, ela se separou.
Tenho que ir.
Como...? O se inclinou para lhe gritar ao ouvido.
Tenho que ir. Obrigado pelo baile.
Acompanho-te fora.
Voltaram para a mesa e ele tirou uns bilhetes enquanto ela recolhia suas coisas. Sybill soltou uma gargalhada assim que saram ao ar fresco e tranqilo da noite.
V, foi toda uma experincia, obrigado por te unir a ela.
Me alegro de no haver me perdido isso. No  tarde acrescentou Phillip enquanto a agarrava pela mo.
Suficientemente tarde. Ela tirou as chaves de seu carro.
te passe amanh por ao estaleiro. Ensinarei-lhe isso.
 possvel. boa noite, Phillip.
Sybill... No fez nenhum esforo por conter-se e se levou a mo dela aos lbios sem deixar de olh-la aos olhos. Me alegro de que tenha eleito St. Chris.
Eu tambm.
meteu-se no carro aliviada de ter que concentrar-se em pr o motor em marcha, acender as luzes e soltar o freio de mo. Conduzir era o mais natural do mundo para 
uma mulher que quase toda sua vida tinha dependido do transporte pblico ou de seu prprio carro.
Deu marcha atrs para poder dar a volta para a estrada e fez um esforo para esquecer-se da sensao que notava nos ndulos onde ele tinha apoiado seus lbios.
Entretanto, no pde resistir a tentao de olhar pelo retrovisor para voltar a v-lo antes de afastar-se.
Phillip decidiu que voltar para bar no tinha sentido. montou-se no carro e pensou nela de caminho a sua casa; em suas sobrancelhas arqueadas quando fazia uma afirmao 
ou algo lhe divertia. Nesse aroma ntimo e sutil que indicava que se um homem se aproximava o suficiente para capt-lo, possivelmente, s possivelmente, tivesse 
a oportunidade de aproximar-se mais.
disse-se que era a mulher perfeita para lhe dedicar algo de seu tempo. Era bonita, inteligente, culta e sofisticada.
Alm disso, era to sexy que seus hormnios j se fixaram nela.
Gostava das mulheres e lamentava no ter tempo para falar com elas. Gostava de falar com a Anna e Grace, mas, evidentemente, no era o mesmo que falar com uma mulher 
que despertava as vontades de te deitar com ela. E, ultimamente, tinha sentido falta dessa parcela da relao entre homem e mulher. Poucas vezes tinha tempo de fazer 
algo que no fora arrastar-se at seu piso depois de uma jornada de dez ou doze horas de trabalho. Sua intensa vida social tinha trocado drasticamente desde que 
Seth tinha entrado na famlia.
Dedicava a semana s contas e s consultas com o advogado. A batalha com a companhia de seguros pelo pagamento da indenizao comeava a ser um pesadelo. Alm disso, 
dentro de noventa dias se decidiria a custdia definitiva do Seth. O tinha a responsabilidade de ocupar-se da montanha de papelada e de quo chamadas gerava todo 
isso; sua especialidade era ocupar-se dos detalhes.
Passava os fins de semana entre os deveres do Seth, o estaleiro e tudo o que se penetrou pelas frestas que tinha deixado abertas durante a semana. Todo isso deixava 
pouco tempo para jantares agradveis com mulheres atrativas e muito menos para o ritual que exigia deitar-se com essas mulheres.
Isso explicava seu desassossego e as mudanas de estado de nimo, ao menos isso supunha ele. Quando a vida sexual de um homem se esfumava, acabava ficando algo nervoso.
Entrou no caminho de sua casa e s viu a luz do alpendre. Era sexta-feira de noite e ainda no tinham dado as doze, pensou com um suspiro. Que baixo tinha cansado. 
Houve um tempo no que seus irmos e ele estariam divertindo-se daqui para l. Bom, CAM e ele teriam tido que arrastar ao Ethan, mas uma vez convencido, teria chegado 
at o final.
Os Quinn no tinham passado em casa muitos sexta-feira de noite. Nesse momento, disse-se enquanto descia do jipe, CAM estaria no piso de acima acurrucado nos braos 
de sua mulher e Ethan na casita do Grace. Os dois estariam sorridentes.
Bodes afortunados...
Sabia que no poderia dormir e deu l volta  casa para ir aonde as rvores se encontravam com a borda do mar.
A lua era uma esfera perfeita em meio da escurido. A luz branca iluminava tenuemente a gua, as ervas que cresciam na borda e as grosas folhas das rvores.
As cigarras cantavam com vozes montonas e estridentes, e na espessura do bosque um mocho ululava incansavelmente.
Possivelmente preferisse os sons da cidade, as vozes e o trfico amortecidos pelos cristais das janelas. Entretanto, esse stio sempre lhe parecia atrativo. Sentia 
falta do ritmo da cidade, os espetculos e os museus, a mescla de comidas e de gente, mas todos os dias, todos os anos, podia captar a paz e serenidade daquele lugar.
Estava seguro de que sem ele teria voltado para a rua e estaria morto.
Sempre quiseste algo mais que isso.
Sentiu um calafrio por todo o corpo. Tinha deixado de olhar  lua e  luz que se filtrava entre as folhas, e agora olhava a seu pai. Ao pai que tinha enterrado fazia 
seis meses.
S tomei uma cerveja ouviu que dizia.
No est bbado, filho. Ray se aproximou, sua impressionante juba branca resplandeceu  luz da lua e os olhos lanaram um brilho brincalho. Ser melhor que tome 
flego antes de que te deprima.
Phillip soltou todo o ar com um bufo, mas seguia ouvindo um assobio.
vou sentar me disse lentamente, como um ancio, enquanto se deixava cair sobre a erva. No acredito nos fantasmas disse dirigindo-se  gua, nem nas reencarnaes 
nem nos espectros nem nas aparies ou qualquer outro fenmeno mental.
Sempre foste o mais pragmtico de todos. Para ti nada era real se no podia v-lo, toc-lo e cheir-lo.
Ray se sentou a seu lado com um suspiro contido e estirou as largas pernas cobertas por uns jeans desgastados. Cruzou os tornozelos e nos ps levava umas sapatilhas 
muito velhos que o prprio Phillip tinha dado ao Exrcito de Salvao fazia uns seis meses.
Bom disse Ray despreocupadamente. Est me vendo, no?
No. Estou vendo uma alucinao fruto da abstinncia sexual e do excesso de trabalho.
No vou discutir contigo. Faz uma noite preciosa.
Ainda no cheguei a uma concluso se disse Phillip. Sigo zangado pela forma em que morreu, o motivo e todas as perguntas sem respostas. Isto  uma projeo.
Sabia que  o mais cabezota dos trs. Tambm sei que ficam perguntas sem responder e que est irritado. Tem direito a est-lo. tiveste que trocar de vida e aceitar 
responsabilidades que no lhe correspondem, mas o tem feito e lhe agradeo isso.
Agora mesmo no tenho tempo para terapias. No fica nem um oco para as sesses.
Ray deixou escapar uma gargalhada.
No est bbado nem louco, s  teimoso. por que no emprega essa mente to flexvel que tem e te expe a possibilidade?
Phillip reuniu todas suas foras e girou a cabea. Era a cara de seu pai, larga, enrugada pela vida e resplandecente de humor. Os olhos azuis chispavam e a juba 
chapeada se agitava com o vento.
Isto  impossvel.
Quando sua me e eu nos fizemos cargo de ti e de seus irmos, houve gente que disse que era impossvel que formssemos uma famlia. Estavam equivocados. Se lhes 
tivssemos feito conta, se tivssemos feito o lgico, nenhum de vs teria estado conosco. Entretanto, ao destino, a lgica lhe importa um carajo. Simplesmente se 
produz. E vs estavam destinados a ser nossos.
De acordo. Phillip alargou uma mo e voltou a retir-la pelo susto. Como  possvel? Como posso te tocar se for um fantasma?
Porque o necessita. Ray, desenfadadamente, deu-lhe uma palmada no ombro. Ficarei um momento.
Phillip notou que se engasgava e que se o fazia um n no estmago.
por que?
No terminei. Endossei-lhes isso a ti e a seus irmos. Sinto muito, Phillip.
Phillip se disse para seus adentros que aquilo no estava passando; que certamente era a fase inicial de algum transtorno mental. Notava o ar quente e mido no rosto. 
As cigarras seguiam chiando e o mocho cantarolando.
Pensou que se tinha uma alucinao, o normal seria lhe seguir o jogo.
Tentam dizer que foi um suicdio disse lentamente. A companhia de seguros nos discute a reclamao.
Espero que saiba que isso  uma tolice. Ia distrado. Foi um acidente. A voz do Ray refletia nervosismo, uma impacincia e uma indignao que Phillip reconheceu. 
Eu no teria eleito o caminho mais fcil e, alm disso, tinha que pensar no menino.
 Seth teu filho?
Posso te dizer que me pertence.
Sentiu uma pontada no corao e na cabea enquanto voltava a olhar o mar.
Mame estava viva quando se concebeu. 
Sei. Nunca fui infiel a sua me. 
Ento como...
Tem que aceit-lo por ele mesmo. Sei que se preocupa por ele. Sei o que faz todo o possvel por ele. Tem que dar esse ltimo passo. A aceitao. Necessita-lhes 
a todos vs.
No vai passar lhe nada assegurou Phillip sombramente. Nos ocuparemos disso. 
Trocar-te a vida se lhe deixar. Phillip soltou uma risada forada. 
me acredite, j o tem feito.
De uma forma que melhorar sua vida. No feche a essas possibilidades e no se preocupe muito por esta visita. Ray lhe deu uma palmada amistosa no joelho. Fala 
com seus irmos.
Claro, vou contar lhes que estive conversando  luz da lua com... deu-se a volta e s viu as rvores com um ar fantasmal. Ningum. tombou-se na erva para ver 
as estrelas. meu Deus, necessito umas frias.
Quatro
No resultaria se parecia muito interessada, recordou-se Sybill. Ou se chegava muito logo. Tinha que ser algo normal. Tinha que estar tranqila.
Decidiu no ir de carro. Se se aproximava pelo passeio martimo, pareceria que passava por ali. Alm disso, se visitava o estaleiro em meio de uma tarde de compras 
e passeio, pareceria mais uma idia repentina que um pouco premeditado.
Para tranqilizar-se, foi at o passeio martimo. Era uma manh de sbado preciosa que tinha atrado a muitos turistas. Foram de um lado a outro, como ela, entravam 
nas tiendecitas e se detinham ver os navios na baa. Ningum parecia ter pressa nem um destino concreto. Era muito distinto aos sbados na cidade, onde inclusive 
os turistas pareciam ter pressa para chegar aos stios.
Pensaria-o e o analisaria, e possivelmente desenvolvesse alguma teoria no livro. Realmente lhe parecia interessante e tirou uma grabadora da bolsa para esboar algumas 
observaes.
As famlias Parecem tranqilas e sem pressas por encontrar a diverso que vieram a procurar Os aldeos parecem amigablesy pacientes. A vida transcorre lentamente 
para adaptar-se ao ritmo que fixou a gente que ganha a vida aqui.
As lojas pequenas no estavam fazendo uma caixa memorvel, como o chamou ela, mas os lojistas tampouco tinham o olhar ansioso e receoso que tm onde h multides 
com as carteiras a boa cobrana.
Comprou umas postais para amigos e colegas de Nova Iorque e logo, mais por costume que por necessidade, um livro sobre a histria da zona. Sups que lhe ajudaria 
em sua investigao. fixou-se em uma fada de alumnio com uma lgrima de cristal que lhe pendurava de um elegante dedo, mas se conteve e se recordou que em Nova 
Iorque podia comprar todo tipo de coisas inteis.
Crawford's parecia um ponto de reunio e entrou para comprar um sorvete de cartucho. Teria-lhe as mos ocupadas enquanto percorria as poucas mas at o estaleiro.
Reconhecia que os pontos de apoio eram necessrios. Todo mundo os utilizava na representao diria que era viver. Uma taa em uma festa, um livro no metro, os adornos, 
deu-se conta de que nesse momento estava dando voltas ao colar com os dedos.
Soltou-o e se concentrou no sorvete de framboesa.
No demorou muito em chegar aos subrbios do povo. Calculou que todo o passeio martimo no teria muito mais de uma milha de um extremo a outro.
Os bairros avanavam para o oeste da costa. Eram ruas estreitas com casas muito cuidadas e diminutos jardins de grama com cercas muito baixas que estavam pensadas 
tanto para a fofoca para fixar os limites. As rvores eram grandes e frondosas e ainda conservavam o verde profundo do vero. Pensou que seriam preciosos quando 
chegasse o outono.
Os meninos jogavam nos jardins ou montavam em bicicleta pelas caladas em costa. Viu um jovem que encerava com esmero um velho Chevrolet e cantava a gritos e desafinadamente 
algo que escutava por uns auriculares.
Quando ela passou, um co sem raa de pernas largas e orelhas pendentes correu at a cerca entre latidos roucos e graves. Ao Sybill lhe alterou um pouco o pulso 
quando o animal apoiou seus patazas na cerca, mas seguiu andando.
No sabia muito de ces.
Viu o jipe do Phillip no estacionamento que havia junto ao estaleiro. Uma caminhonete bastante velha o acompanhava. As portas e algumas janelas do edifico estavam 
totalmente aberto e atravs delas se ouvia o rugido das serras e o ritmo sulino do John Fogerty.
Sybill tomou flego enquanto terminava o cartucho. Tinha chegado a hora.
Entrou e, por um instante, o lugar a deixou perplexa. Era enorme, poeirento e luminoso como se estivesse em um cenrio. Os Quinn estavam em pleno trabalho. Ethan 
e CAM estavam colocando um tabln comprido e curvado no que supunha que era o armao de um casco. Phillip cortava madeira com uma serra mecnica de aspecto bastante 
ameaador. No viu o Seth.
ficou atnita um momento e se perguntou se no deveria ir-se por onde tinha chegado. Se no estava seu sobrinho, seria mais sensato deixar a visita para outro momento, 
quando estivesse segura de que o encontraria.
Possivelmente tivesse ido passar o dia com algum amigo. Teria amigos? Tambm poderia estar em casa. Considerava-a sua casa?
antes de responder-se, a serra mecnica ficou em silncio e s se escutou ao John Fogerty que cantava algo sobre um arrumado homem de olhos marrons. Phillip se apartou, 
levantou-se os culos de amparo, deu-se a volta e a viu.
O sorriso de bem-vinda foi to franco e imediata que ela sentiu verdadeiro remorso.
Interrompo-lhes gritou para que a ouvisse por cima da msica.
Graas a Deus. Phillip se limpou as mos nos jeans e foi por volta dela. Levo todo o dia sem ver outra coisa que a estes tios. A melhoria  considervel.
decidi fazer turismo. Sacudiu a bolsa que levava na mo. E pensei que podia aceitar sua oferta de me ensinar isto.
Esperava que o fizesse.
Assim... isso  um navio.
Desviou o olhar para o casco. Pareceu-lhe mais seguro que seguir olhando aqueles olhos cor caramelo.
 o casco. Ou o ser. Tirou-a da mo e a levou para ali. vai ser um navio de pesca esportiva.
E o que  isso?
Um desses navios preciosos onde se montam os homens para comportar-se como homens e pescar peixes espada enquanto bebem cerveja.
N, Sybill! CAM lhe lanou um sorriso. Quer um trabalho?
Ela olhou as ferramentas afiadas e os tablones.
Acredito que no. No lhe custou nada lhe devolver o sorriso e olhar para o Ethan. Me parece que vs trs sabem o que fazem.
Ns sabemos o que fazemos. Moveu o polegar entre o Ethan e ele. Ao Phillip o temos para que se entretenha.
No me apreciam.
Ela riu e comeou a rodear o casco. Podia entender a estrutura bsica, mas no o processo de construo.
Suponho que est de barriga para baixo.
Muito perspicaz. Phillip sorriu quando ela arqueou uma sobrancelha. Uma vez colocados os tablones, damo-lhe a volta e comeamos com a coberta.
Seus pais constrem navios?
No, minha me era mdico e meu pai catedrtico de universidade. Mas nos criamos entre navios.
Notou em sua voz o carinho e a dor que ainda no tinha assimilado de tudo. Tinha pensado lhe fazer mais pergunta sobre seus pais, mas no pde.
Nunca montei em um navio.
Alguma vez?
Suponho que deve haver milhes de pessoas no mundo que no montaram em um navio.
Quer montar?
Possivelmente. Me gostou de ver os navios da janela de minha habitao. quanto mais o olhava, mais ganha tinha de resolver o quebra-cabeas do casco. Como sabe 
por onde comear a construi-lo? Suponho que comea por um projeto, um plano, um esquema ou como se chamo.
Ethan expe o projeto, CAM enreda e Seth o desenha.
Seth... Agarrou com fora a asa da bolsa e pensou outra vez nos pontos de apoio. No havia dito que tem dez anos?
Sim. O menino tem verdadeiro talento para o desenho. Olhe isto.
Essa vez captou orgulho e isso a ps nervosa. Fez um esforo por manter a compostura e o seguiu at o muro, onde havia uns desenhos emoldurados com madeira natural. 
Eram muito, muito bons. Eram uns esboos feitos a lpis e com muito cuidado e talento.
E1... Isto o desenhou um menino?
Sim. No est mau, verdade? Este  o navio que acabamos de terminar disse assinalando um desenho e este  o que estamos construindo.
Tem muito talento murmurou ela a pesar do n que tinha na garganta. Dirige muito bem a perspectiva.
Voc desenha?
um pouco, de vez em quando. Como afeio. Teve que d-la volta para repor. Me tranqiliza e me ajuda no trabalho. apartou-se o cabelo e se obrigou a esboar 
um sorriso resplandecente. E onde est o artista?
Ah, est...
calou-se ao ver que dois ces entravam como balas no edifcio. Sybill retrocedeu instintivamente quando o mais pequeno foi diretamente para ela. Deixou escapar um 
som de chateio e Phillip levantou um dedo e se dirigiu ao co.
Alto, idiota! No salte. No salte.
Entretanto, a velocidade de Parvo era excessiva e j estava com as patas dianteiras justo debaixo dos peitos do Sybill. cambaleou-se um pouco ante a viso de uns 
dentes afiados que ela tomou por ferocidade e no pelo sorriso de um co um pouco enjoativo.
Que co... mas... simptico balbuciou Sybill.
Mais estpido lhe corrigiu Phillip enquanto o baixava lhe agarrando por colar. Mau educado. Sente-se. Sinto-o disse ao Sybill enquanto o co se sentava e lhe 
dava a pata.  Tolo.
Bom..., um pouco impulsivo.
No, chama-se Tolo, e tambm o . ficar assim at que lhe d a mo.
Ah, mm! Tomou a pata com dois dedos.
No remi. Phillip inclinou a cabea ao notar que os olhos dela mostravam mais medo que aborrecimento. O sinto... Do-lhe medo os ces?
Eu..., um pouco, os ces desconhecidos...
Claro. O outro co  Simon e  muito mais educado. Phillip arranhou as orelhas do Simon que se sentou para observar tranqilamente ao Sybill.  do Ethan. O idiota 
 do Seth.
Entendo. Seth tinha um co que voltava a lhe dar a pata enquanto a olhava com aparente venerao. Me temo que no sei muito de ces.
So retreviers da baa do Chesapeake. Bom, Parvo tem um pouco de mescla. Seth, chama a seu co antes de que encha de babas os sapatos da senhora.
Sybill levantou a cabea e viu um menino na porta. Estava a contraluz e no podia lhe ver a cara. S podia distinguir a um menino alto e um pouco magro que levava 
uma bolsa marrom bastante grande e uma boina de beisebol negra e laranja.
Tampouco baba tanto. N, Tolo!
Os ces se levantaram imediatamente e cruzaram a nave a toda velocidade. Seth se abriu passo entre eles e levou a bolsa at uma mesa feita com uma tabela e uns cavaletes.
No sei por que tenho que ir sempre a pela comida e seus recados se queixou.
Porque somos maiores que voc replicou CAM antes de lanar-se a pela bolsa. Me trouxeste o verniz com pouco chumbo?
Sim, sim...
Onde est minha mudana?
Seth tirou uma lata do Pepsi, abriu-a e deu um sorvo.
Que mudana? perguntou-lhe com um sorriso. 
Olhe, trombadinha, sobram-me pelo menos dois dlares.
No sabe o que diz. Tornaste-te a esquecer dos gastos por entrega em mo.
CAM tentou agarr-lo, mas Seth se escabull agilmente entre risadas.
Amor de irmos disse Phillip. Eu s lhe dou o dinheiro exato, se no, nunca volta a ver um cntimo de mudana. Quer comer algo?
No, eu...
No podia apartar os olhos do Seth, embora sabia que tinha que faz-lo. Estava falando com o Ethan e gesticulava muito com a mo que ficava livre enquanto o co 
dava saltos para lhe agarrar os dedos.
Eu j comi algo, mas come voc terminou de dizer Sybill.
E algo de beber? Trouxeste-me a gua, guri?
Sim, gua de desenho... Isso  atirar o dinheiro. Crawford's estava a batente, tio.
Crawford'S. Sybill sentiu algo que no pde definir ao dar-se conta de que podiam ter estado de uma vez na loja. Possivelmente tivessem ido um ao lado do outro. 
Ela poderia haver-se cruzado com ele sem reconhec-lo.
Seth desviou o olhar do Phillip ao Sybill e a observou com certa curiosidade.
vai comprar um navio?
No.
Ele no a tinha reconhecido. Naturalmente, no tinha por que. A nica vez que se viram, ele era pouco mais que um beb. Seus olhos no indicavam nenhum assombro 
por ter reconhecido a um familiar, como no o teriam indicado os dela. Embora ela sabia.
Estou jogando uma olhada acrescentou Sybill. 
Isso moa.
Seth voltou para a bolsa e tirou seu sndwich.
Ah... Sybill fez um esforo para que lhe ocorresse algo que dizer. Phillip me ensinou seus desenhos. So fantsticos.
No esto mau. Seth se encolheu de ombros, mas Sybill tinha visto o brilho de orgulho em seus olhos. Posso faz-lo melhor, mas sempre esto me colocando pressas.
aproximou-se dele com naturalidade, ao menos isso esperava ela. Podia v-lo melhor. Tinha os olhos azuis, mas de um azul mais escuro que os de sua me. O cabelo 
era algo mais escuro que o do menino da foto que levava com ela. Aos quatro anos tinha o cabelo como estopa e agora era liso e loiro escuro. A boca e o queixo sim 
guardavam certo parecido.
Quer ser artista? perguntou-lhe para seguir falando com ele.
Ao melhor, mas isso  para passar o momento. Deu uma dentada ao sndwich y,sigui falando com a boca enche. Somos construtores de navios.
Sybill notou que tinha as mos bastante sujas e a cara pelo estilo. Sups que em uma casa de homens no se tinham em conta delicadezas como lav-las mos antes de 
comer.
Ao melhor dedica ao desenho.
Seth,  a doutora Sybill Griffin. Phillip deu ao Sybill um copo de gua com gs e muito gelo. Escreve livros.
De histrias?
No exatamente lhe respondeu ela. De observaes. Agora estou passando uma temporada por esta zona para fazer observaes.
Seth se limpou a boca com o dorso da mo. A mo que tinha gasto Parvo uma e outra vez, disse-se Sybill com certo espanto.
vais escrever um livro de navios?
No, sobre a gente. Sobre a gente que vive em povos pequenos e, mais concretamente, em povos pequenos  beira do mar. A ti, o que te parece? Viver aqui, quero dizer.
Eu gosto. A vida na cidade  um coazo. Deu outro sorvo do refresco. A gente que vive ali est endoidecida disse sonriendo, como Phil.
 um palet, Seth. Preocupa-me.
Seth soltou um grunhido e deu outra dentada do sndwich.
Vou ao mole. Tenho umas calas tendidas.
Saiu correndo com os ces detrs.
Tem opinies muito terminantes disse Phillip com um ar de ironia. Suponho que o mundo  bastante branco e negro quando tem dez anos.
No lhe importa a vida na cidade. Sybill notou que a curiosidade tinha superado aos nervos. esteve contigo em Baltimore?
No. Viveu um tempo ali com sua me. O tom se fez mais sombrio e Sybill arqueou uma sobrancelha.  uma parte dessa larga histria que te disse.
Acredito que eu tambm disse que eu adoraria ouvi-la.
Ento, janta esta noite comigo e nos contaremos as histrias de nossas vidas.
Sybill olhou para as portas trilhos. Seth tinha sado por elas como se estivesse em sua casa. Tinha que passar mais tempo com ele para observ-lo. Alm disso, decidiu 
que queria saber o que diziam os Quinn sobre o assunto. por que no comear pelo Phillip?
De acordo.
Recolherei s sete.
Ela sacudiu a cabea. No parecia nada perigoso, mas tampouco queria correr riscos.
No, encontraremo-nos ali. Onde est o restaurante?
Escreverei-lhe isso. Podemos comear a visita por meu escritrio.
Foi bastante agradvel e interessante. A visita em si no durou muito. Alm da enorme zona de trabalho, no havia muito que ver no estaleiro: o diminuto escritrio 
do Phillip, um quarto de banho mais diminuto e um armazm escuro e sujo.
Era evidente que a alma e o corao estavam na zona de trabalho.
Ethan lhe explicou pacientemente o gentil dos tablones, a linha de flutuao e a curvatura. Ela pensou que teria sido um professor excelente. Era claro, falava com 
simplicidade e estava disposto a responder perguntas que para ele tinham que ser elementares.
Olhou com autntica fascinao como colocavam os tablones em umas caixas e soltavam vapor at que se curvavam como eles queriam. CAM lhe demonstrou como rebaixava 
os extremos para que as madeiras se ensamblassem perfeitamente.
Ao observar ao Ethan e ao CAM, teve que reconhecer que, sem dvida, havia um lao entre eles. Se se tivesse topado com eles sem saber nada, teria dado por sentado 
que eram irmos, ou, possivelmente, pai e filho. Era uma questo de gestos e movimentos.
Por outro lado, pensou, tinham pblico e, certamente, estariam esmerando-se.
J comprovaria como se comportavam quando se acostumassem a ela.
CAM soltou um assobio comprido e penetrante quando Sybill saiu do edifcio, e levantou as sobrancelhas com um gesto significativo.
Muito simptica, hermanito. E muito bonita. Phillip sorriu e deu um sorvo da garrafa de gua.
No me queixo.
vai ficar o suficiente...? 
Se Deus existir...
Seth deixou um tabln junto  serra e soprou. 
Mierda, quer dizer que vais comear a lhe dar a tabarra? Os tios s pensam nisso? 
Alm de te dar a tabarra a ti? Phillip lhe tirou a boina e lhe deu com ela na cabea. Claro, o que vamos fazer se no?
Os tios sempre querem casar  disse Seth com desprezo enquanto tentava recuperar a boina.
Eu no quero me casar. S quero jantar civilizada e agradavelmente com ela. 
E logo lhe atirar isso Yo por lo menos pienso en otras cosas aparte de las tas. Vosotros estis enfermos.
Caray! Aprende essas coisas de ti acusou Phillip ao CAM.
J as sabia. CAM rodeou o pescoo do Seth com um brao. A que sim, canalha.
Seth j no se assustava como antes quando o tocavam ou agarravam. Em troca, riu e se retorceu.
Eu pelo menos penso em outras coisas alm das tias. Vs esto doentes.
Doentes? Phillip ficou a boina do Seth na cabea e se esfregou as mos. Vo atirar a este girino ao mar.
No podem deix-lo para mais tarde? perguntou Ethan enquanto Seth gritava fingindo queixar-se. Tenho que fazer o maldito navio eu sozinho?
De acordo, deixarei-o para mais tarde. Phillip se agachou at ficar  altura do Seth. Mas no saber nem quando nem onde nem como.
Tio, estou tremendo.
Hoje vi ao Seth.
Sybill se mordeu o lbio inferior e apagou a frase que acabava de escrever no ordenador porttil.
Esta tarde estabeleci contato com o sujeito.
Assim gostava mais, era mais objetivo. Para expor-se corretamente a situao, seria melhor que pensasse no Seth como em um sujeito.
Nenhuma das partes nos reconhecemos. Como era de esperar, naturalmente. Parece so.  atrativo, um pouco magro, mas forte. Glria foi sienapre magra, assim suponho 
que herdou seu fsico.  loiro, como ela, ou como era ela a ltima vez que a vi.
Esteve cmodo conznigo. Sei que h meninos que se mostram, tmidos com os desconhecidos, mas este no fu o caso.
No estava no estaleiro quando cheguei e apareceu ao pouco momento. Tinham-lhe mandado  loja a pela comida. Pelas queixa e a conversao, posso concluir que revistam 
mand-lo a fazer os recados. Isto pode interpretar-se de duas formas: ou que os Quinn se aproveitam dele porque  pequeno ou que querem lhe inculcar o sentido da 
responsabilidade.
O mas provvel  que a verdade esteja no trmino mdio.
Tem um co. Acredito que  normal, inclusive um costume entre os meninos que vivem em zonas rurais ou residenciais.
Tambm tem talento para o desenho. Isto me surpreendeu o bastante. Eu tenho certa habilidade, como a tem minha me, mas Glria nunca mostrou nem ngnna destreza nem 
interesse na arte. Este interesse comum pode ser um primeiro passo para estabelecer uma relao com o sujeito. Terei que passar algum tempo a ss com ele para poder 
escolher o caminho correto.
Em minha opinio, o sujeito est muito bem com os Quinn. Parece contente e a salvo. Entretanto, tem certa aspereza, uma ligeira grosseria. Ouvi-lhe dizer vrios 
palavres durante a hora que estive com ele.
Uma vez ou dois lhe repreenderam levianamente, mas no se preocupam com sua linguagem.
Ningum lhe disse que se lavasse as mos antes de comer nem lhe brigaram por falar com a boca enche nem por lhe dar de sua comida ao co. Suas maneiras no so espantosos, 
mas tampouco so primorosos.
Duvido que preferia viver aqui que na cidade. Em realidade, mostrou-se desdenhoso com a vida urbana. aceitei sair para jantar com o Phillip esta noite e vou a.hacer 
que me conte tudo o que aconteceu Seth acabasse com eles.
Sua verso, em comparao com a de Glria, ajudar-me a me fazer uma idia da situao.
O prximo passo ser conseguir que convidem a casa dos Quinn. Interessa-me muito saber onde vive o sujeito, v-los tudo em seu molho. Tambm me interessa muito conhecer 
as mulheres que formam parte de sua famlia adotiva.
No acredito que me ponha em contato com os servios sociais at que tenha terminado meu estudo pessoal.
Sybill se apoiou no respaldo e tamborilou com os dedos na mesa enquanto repassava suas notas. No era muito, disse-se. Alm disso, era culpa dela. Acreditava que 
estava preparada para voltar a v-lo e no o estava.
ficou-se triste e com a boca seca. O menino era seu sobrinho, sua famlia. Mesmo assim, eram uns desconhecidos. Acaso isso no era culpa sua quase tanto como de 
Glria? Acaso tinha tentado estar em contato com ele?
Era verdade que quase nunca tinha sabido onde estava, mas tampouco tinha feito nada por encontr-los a ele ou a sua me.
As poucas vezes que Glria a tinha chamado para lhe pedir dinheiro, sempre dinheiro, lhe tinha perguntado pelo Seth, mas sempre tinha acreditado o que lhe havia 
dito: que Seth estava bem. Nunca tinha feito nada por v-lo ou falar com ele. Tinha-lhe resultado mais fcil enviar uma ordem de pagamento e esquecer-se deles.
Mais fcil, reconheceu. A nica vez que lhe deixou entrar em sua vida, a nica vez que lhe abriu as portas de sua casa e seu corao, o levaram outra vez e ela sofreu 
muito.
Essa vez, faria algo. Faria o que tivesse que fazer, o que fora melhor para ele. Entretanto, no se implicaria muito sentimentalmente. Ao fim e ao cabo, no era 
seu filho. Se Glria conseguia a custdia, ele voltaria a desaparecer de sua vida.
Mesmo assim, faria um esforo, asseguraria-se de que ele estava bem situado. Logo, seguiria com sua vida e seu trabalho.
Satisfeita, guardou o documento e abriu o outro para seguir com as notas do livro. O telefone soou antes de que pudesse comear.
Doutora Griffin, me diga.
Sybill, h-me flanco Deus e ajuda dar contigo.
Me. Sybill deixou escapar um suspiro e fechou os olhos. Que tal est?
Importaria-te me dizer o que est fazendo?
Absolutamente. Estou investigando para um livro. Que tal est pai?
Por favor, no ofenda minha inteligncia. Acredito que havamos ficado de que te manteria  margem desse srdido assunto.
No. Lhe encolheu o estmago como sempre que se enfrentava a uma discusso familiar. ficamos de que voc preferia que me mantivera  margem. Eu decidi que preferia 
no faz-lo. Vi ao Seth.
No me interessam nem Glria nem seu filho.
A mim sim. Sinto que te chateie.
Esperava outra coisa? Sua irm decidiu que sua vida j no tem nada que ver com a minha. Eu no vou deixar me arrastar  sua.
No tenho inteno de te arrastar a nada. Resignada, Sybill procurou uma aspirina em sua bolsa. Ningum sabe quem sou. Inclusive se me relacionassem com o doutor 
Walter Griffin e senhora, isso no conduz a Glria e Seth DeLauter.
Pode conduzir se algum tem suficiente interesse. Sybill, no pode conseguir nada por estar a te colocando em meio da situao. Quero que v. Volta para Nova Iorque 
ou vem Paris. Se no me fizer caso , ao melhor o faz a seu pai.
Sybill se tragou a aspirina com um sorvo de gua. 
vou chegar at o final de tudo isto. Sinto muito.
fez-se um silncio carregado de tenso e impotncia. Sybill fechou os olhos e esperou.
Sempre tinha sido um motivo de felicidade para mim. No me esperava uma traio como esta. Arrependo-me muitssimo de te haver comentado a situao. No o teria 
feito se tivesse sabido que foste reagir assim.
 um menino de dez anos, me.  seu neto...
No tem nada que ver comigo nem contigo. Se no o deixar, Glria te far pagar pelo que voc considera uma amabilidade.
Posso dirigir a Glria.
Essa vez escutou uma risada breve e frgil como o cristal.
Isso te acreditaste sempre e sempre te equivocaste. Por favor, no nos comente nada deste assunto nem a seu pai nem a mim. Esperarei ou seja algo de ti quando tiver 
recuperado a prudncia.
Me...
Sybill fez uma careta para ouvir o tom do telefone. Barbara Griffin era uma especialista em dizer a ltima palavra. Sybill pendurou o telefone com muito cuidado. 
tomou um anticido.
Logo, de maneira desafiante, voltou-se para a tela do ordenador e se concentrou no trabalho.
Cinco
Dado que Sybill sempre era pontual e, que ela soubesse, o resto do mundo nunca o era, surpreendeu-lhe ver o Phillip sentado na mesa que tinha reservado.
Ele se levantou e lhe obsequiou com um sorriso irresistvel e uma rosa amarela. Ambas as coisas adorou e intrigaram.
Obrigado.
 um prazer. Sinceramente, est muito bonito.
esmerou-se bastante nesse sentido, mas mais por ela mesma que por ele. A chamada de sua me a tinha deixado deprimida e com remorso. Tinha tentado combater as duas 
sensaes lhe dedicando um bom momento e bastante esforo a seu aspecto fsico.
O singelo vestido negro de decote quadrado e mangas largas e rodeadas era um de seus favoritos. O colar de prolas de uma volta era uma herana de sua av paterna 
e o adorava. recolheu-se o cabelo no alto da cabea com uma volta bastante solta e se ps uns pendentes de turquesa comprados em Londres fazia uns anos.
Sabia que eram o tipo de armaduras femininas que ficavam as mulheres para ganhar segurana e fora. Queria as duas coisas.
Obrigado outra vez. sentou-se em frente dele e cheirou a rosa. Voc tambm est muito bonito. 
Conheo a lista de vinhos daqui disse Phillip. Confia em mim?
No vinho? por que no?
Perfeito. Olhou ao garom e lhe disse: Tomaremos uma garrafa do nmero 103.
Ela deixou a rosa junto ao menu com tampas de couro.
O que veio ?
Um Pouilly Fuisse muito agradvel. Lembrana que voc gosta do branco. Acredito que este te parecer bastante melhor que o do Shiney.
No  muito difcil.
Phillip inclinou a cabea e tomou a mo. 
Passa-te algo?
No. Ela esboou um sorriso forado. O que ia passar me?  tal e como disse. Voltou a cabea para olhar pelo ventanal que dava sobre a baa azul escuro sob um 
cu que comeava a tingir-se de um rosa alaranjado pelo entardecer. Uma vista preciosa disse voltando-se para ele. Uma companhia interessante para passar a noite.
O a olhou aos olhos e pensou que no dizia a verdade. Havia algo que no funcionava de tudo. inclinou-se um pouco, tomou o queixo com a mo e posou delicadamente 
os lbios sobre os dela. Ela no se apartou e se permitiu desfrutar da experincia.
O beijo foi ligeiro, suave e destro. E muito reconfortante. Arqueou uma sobrancelha quando ele se apartou. 
A que se deve isso?
Pareceu-me que o necessitava.
Ela no suspirou, mas no foi por falta de vontades. Em troca, ficou as mos sobre o regao. 
Obrigado uma vez mais.
Quando quiser.  mais...
Apertou um pouco os dedos ao redor da cara dela e essa vez o beijo foi um pouco mais profundo e comprido.
Ela separou os lbios antes de dar-se conta de que se proposto que passasse isso. Conteve o flego, soltou-o, e o pulso lhe acelerou quando lhe mordeu ligeiramente 
o lbio, quando introduziu sua lngua para iniciar uma dana de seduo com a dela.
Tinha os dedos entrelaados e a cabea comeava a nublar-se o quando ele se separou.
E a que se deveu isto? conseguiu perguntar ela.
Acredito que o necessitava eu.
Seus lbios voltaram a roar-se antes de que ela encontrasse suficiente fora de nimo para lhe pr uma mo no peito, uma mo que queria agarrar o da camisa em vez 
de apart-lo.
Entretanto, apartou-o. Era uma questo de lutar com ele. Desde no perder o domnio de si mesmo.
Acredito que foi um aperitivo bastante apetecvel, mas deveramos pedir o jantar.
me diga o que te passa.
Phillip se deu conta de que queria sab-lo. Queria ajud-la e dissipar as sombras que obscureciam aqueles olhos incrivelmente transparentes para que voltassem a 
sorrir.
No tinha contado com que gostasse to rapidamente.
No me passa nada.
Claro que te passa. E no h nada que possa te ajudar tanto como te desafogar com algum relativamente desconhecido.
Tem razo. Ela abriu o menu. Mas a maioria dos relativamente desconhecidos no tm nenhum interesse especial nos pequenos problemas de outros.
Voc me interessa.
Ela sorriu e desviou o olhar dos entrantes  cara dele.
Eu voc gosta, mas isso no  sempre o mesmo.
Acredito que eu gosto e me interessa.
Agarrou-a pela mo enquanto levavam o vinho e lhe mostravam a etiqueta. Esperou a que servissem um pouco para que o provasse sem deixar de olh-la, como se fossem 
as nicas pessoas do mundo. O levantou a taa e o provou sem apartar os olhos dela.
Est perfeito. Voc gostar de sussurrou Phillip enquanto lhes enchiam as taas.
Tem razo confirmou ela depois de dar um sorvo. Eu gosto de muito.
vou dizer lhes o que h esta noite fora de carta interveio o garom com um tom alegre.
Eles escutaram sem solt-las mos e com os olhos cravados nos do outro.
Sybill decidiu que j tinha ouvido bastante e que no lhe importava um rabanete. O tinha uns olhos incrveis. Eram como de ouro velho, como algo que tinha visto 
em um quadro em Roma.
Tomarei salada mista com vinagrete e o pescado do dia,  churrasqueira.
O seguia olhando-a, esboou um ligeiro sorriso e lhe beijou a palma da mo.
Eu o mesmo. No tenha pressa. Eu gosto de muito disse ao Sybill enquanto o garom punha os olhos em branco e se ia. E me interessa muito. Conta-me o A ti tambin?
De acordo. Sybill decidiu que no podia lhe fazer nenhum dano, que antes ou depois foram ter algum tipo de relao e que o melhor seria que se entendessem o antes 
possvel. Sou a filha boa. Sorriu burlonamente. Obediente, respeitosa, educada, boa estudante e com xito profissional.
Mido lastro.
Sim, pode chegar a s-lo. Naturalmente, em um sentido intelectual, a estas alturas da vida no me permito que as expectativas de meus pais condicionem minha vida.
Mas disse Phillip lhe apertando a mo o fazem. Sempre o fazem.
A ti tambm?
Phillip se lembrou da conversao  luz da lua que tinha tido com seu pai morto.
mais do que podia haver imaginado. Em meu caso, meus pais no me trouxeram para o mundo. Trouxeram-me para este mundo. Em seu caso, dado que  a filha boa, haver 
uma filha m...
Minha irm sempre deu problemas. decepcionou a meus pais e quanto mais decepcionados se sentiam com ela, mais esperavam de mim.
Tinha que ser perfeita.
Exatamente. Mas eu no posso s-lo.
Nem queria s-lo, nem tinha tentado s-lo, nem podia s-lo. Todo isso, naturalmente, era um fiasco. No podia ser de outra maneira, disse-se a si mesmo.
A perfeio  aborrecida e lhe intimidem. por que foste ser qualquer das duas coisas? O que aconteceu? perguntou-lhe Phillip quando ela franziu o cenho.
No passa nada, de verdade. Minha me est zangada comigo. Se ceder e fao o que ela quer... Bom, no posso. Simplesmente, no posso.
Sente remorso, tristeza e arrependimento.
E medo de que as coisas no voltem a ser igual entre ns.
 to grave?
Poderia s-lo sussurrou Sybill. Estou muito agradecida por tudo o que me deram, o apoio, a educao. viajamos muito e conhecido meio mundo e suas distintas culturas 
quando era uma menina. foi inestimvel para meu trabalho.
As oportunidades, pensou Phillip. O apoio, a educao e as viagens. No tinha mencionado nem o amor nem o carinho nem a diverso. perguntou-se se ela se dava conta 
de que havia descrito mais um colgio que uma famlia.
Onde te criou?
Mmm. Aqui e l. Nova Iorque, Boston, Chicago, Paris, Melam, Londres... Meu pai dava conferncias e passava consultas.  psiquiatra. Agora vivem em Paris. Sempre 
foi a cidade favorita de minha me.
Remorso a larga distncia. Ela riu.
Sim.
Sybill se retirou um pouco enquanto serviam as saladas. Curiosamente, sentia-se melhor. lhe haver contado algo de si mesmo lhe parecia que paliava um pouco todo 
o engano.
Voc te criou aqui...
Vim quando tinha treze anos, quando os Quinn se converteram em meus pais. 
Converteram?
 parte dessa histria to larga.
Phillip levantou a taa e olhou ao Sybill por cima do bordo. Normalmente, se tirava reluzir essa parte de sua vida ante uma mulher, contava uma verso cuidadosamente 
estudada. No era uma mentira, mas sim um relato com muito poucos detalhes de sua vida antes dos Quinn.
O estranho era que estava tentado de contar toda a verdade ao Sybill, a verdade com toda sua crueldade. Duvidou e se decidiu por um trmino mdio.
Criei-me em Baltimore, nas ruas mais perigosas. Meti-me em problemas, problemas bastante graves. Quando tinha treze anos estava a ponto de me jogar a perder. Os 
Quinn me deram a oportunidade de trocar de vida. ocuparam-se de mim, trouxeram-me para o St. Chris e se converteram em minha famlia.
Adotaram-lhe.
Ela j sabia graas a toda a informao que tinha reunido sobre o Raymond Quinn, mas no sabia por que.
Sim. J tinham ao Ethan e ao CAM e fizeram um oco para outro. No o pus fcil ao princpio, mas me agentaram. Nunca deram as costas a um problema.
lembrou-se de seu pai quando estava morrendo na cama de um hospital com todo o corpo destroado. Inclusive naquele momento, Ray s se preocupava com seus filhos, 
pelo Seth pela famlia.
Quando lhes vi a primeira vez, a vs trs, soube que foram irmos. No porque lhes paream fisicamente, mas sim por um pouco menos tangvel. Diria que so um exemplo 
de como o fator ambiente pode compensar o fator gentico.
Mas bem  o exemplo do que duas pessoas generosas e decididas podem fazer por trs meninos desencaminhados.
Sybill deu um sorvo de vinho para esclarec-la garganta.
E Seth?
O quarto menino extraviado. Tentamos fazer com ele o que teriam feito meus pais. O que meu pai nos pediu que fizssemos. Minha me morreu uns anos antes. Deixou 
aos quatro sem saber o que fazer. Era uma mulher incrvel. No o apreciamos bastante quando vivia.
com certeza que sim o fizeram. Comovida pelas palavras do Phillip, sorriu-lhe. Estou segura de que se sentiu muito querida.
Isso espero. Quando ela morreu, CAM se foi a Europa a participar de carreiras de carros, de navios, de algo. Foi muito bem. Ethan ficou. comprou sua prpria casa, 
mas est pacote  baa. Eu voltei para Baltimore. Levo a cidade no sangue acrescentou com um sorriso fugaz.
Inner Harbor, Camden Yards...
Exatamente. Vinha de vez em quando. Em frias ou alguns fins de semana, mas no  o mesmo.
Ela inclinou a cabea com curiosidade. 
Voc gostaria que o fora?
Ela se lembrou da emoo que sentiu quando se foi  universidade. Podia fazer algo sem que a julgassem e medissem cada palavra e cada ato, era livre.
No, mas havia momentos, h momentos, nos que o sinto falta de. Alguma vez te lembra de um vero perfeito? Quando tinha dezesseis anos, o carn de conduzir recm 
estreado e tinha o mundo a sua disposio.
Ela riu, mas negou com a cabea. Aos dezesseis anos no tinha carn de conduzir. Tinha um chofer que a levava aonde lhe permitiam ir, salvo que conseguisse escapulir-se 
e montar-se no metro. Essa tinha sido toda sua rebeldia.
Os meninos de dezesseis anos disse ela enquanto lhes trocavam os pratos das saladas tm um vnculo emocional com seus carros mais forte que as garotas.
Para um menino  mais fcil conseguir uma garota se est motorizado.
Duvido que tivesse muitos problemas nesse sentido, com carro ou sem ele.
 difcil beijar-se no assento traseiro sem um carro.
Isso  verdade. Agora tornaste e seus irmos tambm.
Sim. Meu pai conseguiu ao Seth em umas circunstncias complicadas e algo turvas. A me do Seth... Bom, j se inteirar se fica por aqui uma temporada.
Ah...
Sybill comeou o pescado, mas no estava segura de que pudesse trag-lo.
Meu pai dava classes de ingls na Universidade de Maryland. Recentemente menos de um ano, uma mulher foi ver o. Foi uma reunio privada e no conhecemos os detalhes, 
mas todo mundo diz que foi bastante desagradvel. Ela foi ver o reitor e acusou a meu pai de abuso sexual.
O garfo do Sybill caiu sobre o prato, mas o recolheu com toda a naturalidade que pde.
Teve que ser horrvel para ele e para todos vs.
Foi pior que horrvel. Ela assegurava ter estudado ali uns anos antes e que lhe tinha exigido ter relaes sexuais em troca do aprovado. Dizia que a tinha intimidado, 
que tinha tido uma aventura com ela.
Efetivamente, Sybill comprovou que no podia tragar e agarrou o garfo com todas suas foras.
Teve uma aventura com seu pai?
No, ela disse que a tinha tido. Minha me ainda estava viva disse quase para si mesmo. Alm disso, no h nenhuma perseverana de que ela tenha estado matriculada 
na universidade. Meu pai deu classes durante mais de vinte e cinco anos sem o mais mnimo indcio de conduta indevida. Ela tentou destroar sua reputao e a manchou.
Sybill, cansativamente, pensou que no havia nada de verdade. Era o comportamento tpico de Glria. Acusar, fazer mal e escapar. Entretanto, ela ainda podia fazer 
algo.
por que? por que faria uma coisa assim? 
Por dinheiro.
No entendo.
Meu pai lhe deu dinheiro. Muito dinheiro. Pelo Seth.  a me do Seth.
Quer dizer que ela..., que ela vendeu a seu filho por dinheiro? Sybill pensou que nem sequer Glorifica podia fazer algo to espantoso.  difcil de acreditar.
No todas as mes so maternais. Phillip se encolheu de ombros. Ele fez um cheque de vrios milhares de dlares em nome de Glria DeLauter, esse era seu nome, 
e se foi uns dias, e logo voltou com o Seth.
Sybill, sem dizer uma palavra, deu um sorvo de gua para umedecer a garganta. O vinho e se levou ao Seth, havia-lhe dito Glorifica entre soluos. levaram-se ao 
Seth. Tem que me ajudar.
Uns meses mais tarde continuou Phillip, meu pai fez efetivo quase tudas suas economias. Voltava de Baltimore quando teve um acidente. No sobreviveu.
Sinto-o muito sussurrou ela, consciente de que eram umas palavras improcedentes.
Viveu at que CAM chegou da Europa. Pediu aos trs que nos ocupssemos do Seth, que o vigissemos. Fazemos tudo o que podemos para manter a promessa. No posso 
dizer que tenha sido fcil acrescentou com um leve sorriso, mas, certamente, no foi aborrecido. A volta aqui, a posta em marcha do negcio, no esteve mau. Em 
cima, CAM encontrou uma mulher. Anna  a assistente social do Seth.
De verdade? Ento, no se conhecem a muito tempo.
Suponho que quando o amor chega, no h nada a fazer. O tempo  o de menos.
Ela tinha pensado sempre que era fundamental. Um matrimnio, para que sasse bem, exigia dedicao, previso e um conhecimento profundo e slido da outra parte; 
terei que garantir a compatibilidade e analisar as metas de cada um.
Mesmo assim, aquela faceta dos Quinn no era assunto dele.
Mida histria.
Quanto tinha de verdade?, perguntou-se Sybill com o corao em um punho. Quanto de enviesada? Tinha que acreditar-se que sua irm tinha vendido a seu filho?
Voltou a decidir que a verdade estaria em algum ponto intermdio.
Isso sim, estava segura de que Phillip no sabia o que Glria tinha significado para o Raymond Quinn.
Quando acrescentasse esse dado ao conjunto, como trocaria tudo?
No momento, tudo vai sobre rodas. O menino est feliz. dentro de um par de meses, teremos a custdia definitiva. Alm disso, isto de ser o irmo maior tem suas 
vantagens, permite-me mandar a algum.
Tinha que pensar. Tinha que deixar a um lado os sentimentos e pensar, mas antes tinha que passar essa noite.
E a ele o que lhe parece?
 um concerto perfeito. O pode me pr a parir diante do Ethan e CAM e dizer o mesmo deles comigo. Sabe defender-se.  incrivelmente preparado. Fizeram-lhe provas 
de inteligncia quando meu pai o matriculou no colgio daqui. Virtualmente se sai da tabela. O ano passado tirou tudo sobressalentes.
Srio? Sybill se deu conta de que estava sonriendo. Parece orgulhoso dele.
Certamente, e de mim. Eu sou o responsvel por controlar seus deveres. Tinha-me esquecido de quanto odiava os quebrados. Agora que te contei a histria de minha 
vida, por que no me diz o que te parece St. Chris?
Estou me fazendo uma idia.
Isso quer dizer que vais ficar te uma temporada?
Sim.
No pode tirar uma concluso de um povo martimo at que no passa algum tempo no mar. por que no deves navega comigo manh?
No tem que voltar para Baltimore?
na segunda-feira.
Ela duvidou e se lembrou de que tinha ido at ali precisamente por isso. Se queria encontrar a verdade, no podia tornar-se atrs nesse momento. 
Muito bem, mas no sei que tal blusa de marinheiro serei. 
J o veremos. Recolherei s dez..., dez e meia?
Perfeito. Imagino que todos navegaro. 
At os ces. riu ao ver a expresso na cara do Sybill. No os levaremos.
No me do medo. Simplesmente, no estou acostumada.
No teve um cachorrito? 
No.
Um gato? 
No.
Um peixe de cores?
Ela riu e negou com a cabea.
No. Trocvamos de casa muito freqentemente. Em Boston tive uma companheira de colgio com uma cadela que teve cachorrinhos. Eram preciosos. Pareceu-lhe estranho 
lembrar-se daquilo. Ela quis um dos cachorrinhos com toda sua alma, mas, naturalmente, foi impossvel. Mveis antigos, convidados importantes, obrigaes sociais... 
Sua me disse que nem pensar do assunto e a acabou tudo. Agora estou sempre de um lado para outro e no  muito prtico.
Onde te encontra melhor?
Sou muito acomodaticia. Estou acostumado a me encontrar bem l onde esteja, at que vou a outro stio.
Ento, agora  St. Chris.
Isso parece.  interessante disse olhando pela janela. A lua comeava a refletir-se no mar. O ritmo  lento, mas no estou estancada. O estado de nimo varia, 
como varia o tempo. depois de s uns dias, posso distinguir aos aldeos dos turistas e aos homens de mar do resto.
Como?
Como? Estava distrada e se voltou para olh-lo.
Como pode distingui-los?
 mera observao. Da janela de minha habitao posso ver o passeio martimo. Os turistas revistam ser casais, muitas vezes famlias e estranha vez pessoas sozinhas. 
Passeiam ou vo s compras. Alugam um navio. relacionam-se entre eles, com os de seu grupo. Esto fora de seu entorno. Muitos levam uma cmara, um plano e, s vezes, 
prismticos. Quase todos os aldeos tm um motivo para estar a. Um trabalho ou um recado. param-se para saudar um vizinho. Pode ver como se separam ao terminar 
a conversao.
por que os observa da janela? 
No entendo a pergunta.
por que no baixas ao passeio martimo?
baixei, mas, normalmente, o estudo  mais puro quando o observador no forma parte da cena.
Eu acredito que a informao seria mais variada e mais pessoal se estivesse ali.
Phillip levantou o olhar quando chegou o garom para lhes preencher as taas e lhes oferecer uma sobremesa.
Tomarei um caf disse Sybill. Descafeinado.
O mesmo. Phillip se inclinou para diante. Recordo o captulo de seu livro sobre o isolamento como tcnica de sobrevivncia, o exemplo que pe de tombar a algum 
em uma calada e observar como a gente passa de comprimento e o esquiva. Alguns duvidam antes de acelerar o passo.
A falta de implicao. A dissociao.
Exatamente, mas ao final algum se para e tenta ajudar. Quando algum rompe o isolamento, outros tambm comeam a parar-se.
Quando se rompe o isolamento, tudo se faz mais fcil e participar resulta quase at necessrio. O primeiro passo  o mais complicado. Fiz o estudo em Nova Iorque, 
Londres e Budapest com resultados parecidos.  parte de uma tcnica de sobrevivncia nas cidades: evitar o contato dos olhares na rua, eliminar aos indigentes de 
nosso campo visual.
por que  distinta a primeira pessoa que se para?
Porque seu instinto de sobrevivncia no  to forte como sua compaixo. Ou porque  mais impulsiva.
Claro, e se implica. No passa de comprimento, implica-se.
E pensa que como eu observo, no me implico.
No sei, mas me parece que observar de longe no  to lhe gratifiquem como participar.
Eu me dedico a observar e o encontro lhe gratifique.
Phillip se aproximou com os olhos cravados nos dela e sem fazer caso do garom que lhe servia o caf. 
Mas  uma cientfica. Faz experimentos. por que no tenta experimentar... comigo? Ela baixou o olhar e viu que ele brincava com seu dedo. Sentiu um calor que comeava 
a lhe percorrer as veias.
 uma forma bastante original, embora indireta, de me propor que me deite contigo.
A verdade  que no era minha inteno, embora se aceitar, eu no tenho inconveniente. O sorriu enquanto ela voltava a olh-lo. ia propor te dar uma volta pelo 
passeio martimo quando terminssemos o caf, mas se prefere te deitar comigo, podemos estar na habitao de seu hotel dentro de cinco minutos, como muito.
Ela no se apartou quando ele baixou a cabea e posou delicadamente os lbios sobre os dela. Phillip resultava impassvel, mas deixava entrever muita paixo. Se 
ela quisesse... E queria. Surpreendeu-lhe o muito que queria arder nessa paixo e nesse preciso instante; o muito que queria acabar assim com a tenso que a afligia, 
a preocupao e as dvidas.
Entretanto, levava toda sua vida reprimindo a satisfao imediata de seus desejos. P-lhe uma mo no peito para acabar com o beijo e a tentao.
Acredito que um passeio ser muito agradvel. 
Ento, daremos um passeio.
Queria mais. Phillip deveria ter sabido que se a provava, quereria mais. Entretanto, no tinha contado com que o desejo fora to intenso e lhe crispem. Possivelmente, 
em parte, fora simples vaidade, disse-se enquanto a tirava da mo para acompanh-la pelo tranqilo passeio martima A reao dela tinha sido muito controlada e fria. 
Seria maravilhoso ir eliminando esse ar intelectual, capa a capa, at encontrar a mulher que ocultava. Seria maravilhoso abrir-se passo at o instinto e os sentimentos 
em estado puro.
Quase riu de si mesmo. Era vaidade, sem dvida. Que ele soubesse, a doutora Griffin tinha querido reagir precisamente dessa forma um pouco distante e ele teria que 
conformar-se com isso.
Se era assim, ela ia converter se em uma tentao que lhe custaria muito resistir.
Agora entendo que Shiney esteja to freqentado. Sybill o olhou com um sorriso. Acabam de dar as nove e meia e as lojas j esto fechadas e os navios amarrados. 
H algumas pessoas passeando, mas quase tudo est fechado durante a noite.
Est um pouco mais animado no vero. No muito, mas sim um pouco. refrescou, est bem?
Mmm. Perfeitamente. A brisa  deliciosa. parou-se para olhar os mastros oscilantes. Guardas seu navio aqui?
No. Temos um embarcadero em casa. Aquele  o Skipjack do Ethan.
Qual?
 o nico Skipjack do St. Chris. S ficam um par de dzias na baa. Aquele disse assinalando um navio, que s tem um pau.
Para ela, todos os veleiros se pareciam muito. Os tamanhos eram distintos, naturalmente, mas, em definitiva, todos eram navios.
O que so os Skipjack?
Vm dos navios cangrejeros de fundo plano. aproximou-se dela enquanto falava. Os fizeram maiores e com um casco em ngulo. Tinham que ser fceis de construir 
e baratos.
Assim que os usam para capturar caranguejos...
No, quase todos os mariscadores usam navios de motor para capturar caranguejos. O Skipjack se usa para recolher ostras. A princpios do sculo XIX se aprovou uma 
lei em Maryland que s permitia recolher ostras aos navios de vela.
Para as proteger?
Exatamente.  a origem do Skipjack e ainda sobrevivem, mas j ficam poucos, tambm ficam poucas ostras.
Seu irmo segue usando-o?
Sim.  um trabalho desesperador, ingrato, rduo e helador.
Falas como se fosse a voz da experincia.
Dediquei-lhe bastante tempo. parou-se perto da proa e rodeou com o brao a cintura do Sybill. Sair a navegar em fevereiro, com o vento glido que te atravessa 
a alma e dando botes de onda em onda em meio de uma tormenta invernal... Prefiro estar em Baltimore.
Ela riu e observou o navio. Parecia velho e tosco, como se fora muito primitivo.
No me montei nele, mas estou de acordo contigo. por que foi dando botes de onda em onda em meio de uma tormenta invernal em vez de estar em Baltimore?
Servia-me para me acalmar.
Suponho que no  o navio no que iremos amanh...
No.  um pequeno balandro de recreio. Sabe nadar?
Ela arqueou uma sobrancelha.
Diz-o porque dvidas de suas habilidades como navegante?
No, digo-o porque a gua est fria, mas podemos nos banhar.
No trouxe traje de banho.
O que tem que ver isso?
Ela riu e voltou a ficar em caminho.
Acredito que navegar  suficiente por um dia. Tenho um pouco de trabalho que eu gostaria de terminar esta noite. Passei-me isso muito bem.
Eu tambm. Acompanho-te at o hotel.
No faz falta. Est  volta da esquina.
Faltaria mais...
Ela no discutiu. No pensava lhe deixar que a acompanhasse at a porta da habitao nem lhe convidar a que entrasse. Em geral, acreditava que estava levando muito 
bem uma situao bastante complicada. Pensou que retirar-se logo lhe daria tempo para ordenar as idias e os sentimentos antes de voltar a v-lo o dia seguinte.
Alm disso, o navio estava amarrado em sua casa e isso lhe dava a possibilidade de voltar a ver o Seth.
Baixarei como s dez da manh, parece-te bem? parou-se a uns metros da entrada do vestbulo.
Muito bem.
H algo que deva levar? Alm da Biodramina.
O sorriu.
Eu me ocuparei. Que durma bem. 
O mesmo te digo.
Ela se preparou para o inevitvel beijo de boa noite. Os lbios do Phillip eram delicados e nada prementes. Ela, encantada pelas duas coisas, tranqilizou-se e comeou 
a apartar-se.
Ento, ele a agarrou com fora da nuca, trocou de ngulo a cabea e, durante um instante entristecedor, o beijo foi apaixonado, desenfreado e ameaador. A mo que 
ela tinha no ombro dele se aferrou a sua jaqueta para no perder o equilbrio que lhe negavam os ps. A cabea ficou em branco e o pulso lhe desbocou.
Algum deixou escapar um gemido grave, comprido e profundo.
O beijo s durou uns segundos, mas ficou conmocionada e abrasada como se a tivesse marcado com um ferro candente. Ele pde comprovar a excitao e a surpresa nos 
olhos dela quando se abriram e se cravaram nos seus. Tambm notou que em seu interior aumentava o desejo mais elementar.
Essa vez no tinha sido uma resposta fria, controlada e distante. Tinha-lhe tirado uma capa. Passou-lhe o polegar pela mandbula.
At manh.
Sim... boa noite.
Sybill se reps rapidamente e lhe sorriu antes de d-la volta, mas tambm ficou uma mo vacilante no estmago, que era um molho de nervos.
No tinha previsto isso, reconheceu enquanto tentava recuperar o flego caminho do elevador. No era to delicado, refinado e inofensivo como parecia com simples 
vista. Aquele pacote to atrativo continha algo muito mais primitivo e perigoso do que tinha suspeitado. Fora o que fosse, pareceu-lhe muito impressionante.
Seis
Era como montar em bicicleta ou fazer ao amor, disse-se Phillip enquanto procurava um stio para atracar no passeio martimo. Fazia muito tempo que no saa sozinho 
a navegar, mas no se esqueceu. Se acaso, esqueceu-se do prazer que era navegar um domingo pela manh levado pela brisa, com o mar azul, o sol lhe acariciando calidamente 
a pele e os gritos das gaivotas ressonando no ar.
ia ter que encontrar tempo para voltar a desfrutar dos prazeres singelos. Era o primeiro dia inteiro que se tomava livre desde fazia mais de dois meses e estava 
disposto a aproveit-lo ao mximo.
Sem dvida estava disposto a aproveitar ao mximo as horas que ia passar navegando com a misteriosa doutora Griffin.
Olhou para o hotel e se entreteve em imaginar-se qual seria a janela dela. Segundo o que lhe tinha contado, dava ao mar e lhe permitia observar a vida que transcorria 
por ali.
Ento, viu-a em um pequeno balco, com o resplandecente cabelo cor mogno recolhido em um acrscimo e o rosto com um gesto distante e indecifrvel desde to longe.
De perto no era to distante, disse-se enquanto recordava o beijo. Efetivamente, aquele gemido comprido e profundo no tinha tido nada de distante, seu estremecimento 
fugaz mas intenso tampouco tinha tido nada de distante. Tinha sido um sinal instintivo e involuntrio, mas inconfundvel.
Seus olhos, azuis e cristalinos, no tinham sido frios nem tinham tido nada de remotos e indecifrveis quando se separou dela e os encontrou olhando-o. Em troca, 
tinham-lhe parecido um pouco nublados e perplexos, intrigantes.
O no tinha podido desfazer do sabor, nem quando se foi a sua casa, nem em toda a noite, nem naquele momento, quando voltava a v-la. Ela o olhou, como se o tivesse 
adivinhado.
O que observava? O que se propunha fazer com o que via?
Phillip a sorriu e saudou com a mo para lhe indicar que a tinha visto. Logo, dirigiu-se para o mole e viu com surpresa que Seth lhe esperava para atar as amarras.
O que faz aqui?
Seth atou diestramente a amarra de proa e Phillip baixou ao mole.
o de sempre, de menino dos recados... Seth teve que fazer um esforo para fingir o chateio. Me mandaram que estaleiro. Donuts.
Sim...? Obstruem as artrias.
As pessoas normais no tomam o caf da manh cascas de rvores, como voc se burlou Seth.
E seguirei forte e arrumado quando voc seja um velho caduco.
 possvel, mas eu me terei divertido mais. Phillip lhe tirou a boina e lhe deu um golpecito com ela.
Depende do que chame diverso. 
Suponho que para ti  perseguir as garotas da cidade..
Essa  uma. A outra  te perseguir com os deveres. terminaste o livro?
Sim, sim... Seth ps os olhos em branco. Alguma vez toma um dia livre?
Como ia fazer o se tiver dedicado minha vida a ti? Sorriu ante o grunhido do Seth. O que te pareceu?
Est bem. encolheu-se de ombros com um gesto tpico dos Quinn. Est bastante bem. 
Ento, escreve algumas nota para me fazer um comentrio de texto oral esta noite.
A noite do domingo  minha noite favorita. Significa que te perderei de vista durante quatro dias. 
Se logo me sente falta de... 
Uma mierda.
Contas as horas que faltam para que eu volte.
Seth no pde conter uma risada. 
Que lhe acreditaste isso.
Voltou a rir enquanto Phillip o agarrava pela cintura para brigar com ele.
Sybill podia ouvir as risadas e as brincadeiras enquanto se aproximava deles. Via o sorriso de orelha a brinca no rosto do Seth. Notou que o corao lhe dava um 
tombo comprido e profundo. O que estava fazendo ali? O que esperava conseguir? Como ia-se sem sab-lo?
bom dia.
A saudao distraiu ao Phillip, que baixou o guarda o suficiente como para que Seth lhe desse uma cotovelada no estmago. Grunhiu e agarrou ao Seth do pescoo. 
Logo te darei uma surra disse ao Seth com um sussurro muito teatral. Quando no houver testemunhas.
Isso quisesse. Seth, radiante de prazer, ficou bem a boina e fingiu desinteresse. Alguns de ns temos trabalho...
E outros no.
Acreditava que foste vir conosco comentou Sybill ao Seth. Gosta?
Sou um escravo. Seth olhou o navio. Tnemos que fazer um casco. Alm disso, seguro que este artista acaba derrubando.
Mucoso impertinente... Phillip tentou agarr-lo, mas Seth se escabull agilmente. 
Espero que saiba nadar! gritou Seth enquanto se afastava entre risadas.
Phillip olhou ao Sybill, que se mordia o lbio inferior.
No vou derrubar.
Bom... Sybill olhou o navio, que lhe pareceu muito pequeno e frgil. Sei nadar, assim suponho que no passa nada.
Esse niato aparece por aqui e me afunda a reputao. Levo navegando desde antes de que ele viesse ao mundo.
No te zangue com ele.
Mmm?
Por favor, no te zangue com ele. Estou segura de que era uma brincadeira. O no queria te faltar ao respeito.
Phillip a olhava fixamente. Estava plida e brincava nervosamente com a cadeia de ouro que levava a pescoo. Sua voz refletia verdadeira angstia.
Sybill, no estou zangado. Tiramos o sarro. Tranqila. Passou-lhe a ponta dos dedos pela mandbula.  a forma masculina de nos mostrar carinho.
Ah. No sabia se sentir-se envergonhada ou aliviada. Suponho que isso demonstra que no tive irmos.
teriam se ocupado de te amargurar a existncia. inclinou-se e a beijou delicadamente nos lbios.  o tradicional. Phillip montou no navio e alargou uma mo. 
Sybill vacilou um segundo e a agarrou. Bem-vinda a bordo.
A coberta se movia sob seus ps, mas ela fez todo o possvel para no lhe dar importncia. 
Obrigado. Tenho alguma tarefa?
No momento, te sentar, te relaxar e desfrutar. 
Acredito que isso sei faz-lo.
Ao menos, esperava poder faz-lo. sentou-se em um dos bancos acolchoados e se agarrou com fora enquanto ele saa outra vez para soltar as amarras. disse-se para 
seus adentros que no passaria nada e que ia divertir se muito.
Acaso no o tinha visto entrar navegando no porto, o mole ou como demnios se chamasse? Sabia o que fazia. Inclusive lhe tinha parecido um pouco presunoso quando 
olhou ao hotel at que a viu no balco.
O v-lo navegar sobre o mar resplandecente pelo sol e que a buscasse at encontr-la tinha tido algo ridiculamente romntico. O sorriso e a saudao com a mo... 
A ela lhe tinha alterado o pulso, mas era uma reao muito natural e humana. Era todo um espetculo. As calas jeans desgastadas, a camiseta branca e impecvel como 
as velas, o cabelo reluzente, a pele bronzeada, os braos musculosos mas elegantes... A que mulher no lhe alteraria o pulso ante a perspectiva de passar umas horas 
com um homem como Phillip Quinn? E que beijava como Phillip Quinn...
prometeu-se no lhe dar maior importncia a esse talento especial que tinha Phillip, mas a noite anterior lhe tinha feito uma demonstrao bastante entristecedora.
afastaram-se do mole. o som do motor lhe dava certa tranqilidade. Ao fim e ao cabo, parecia-se com o do motor de um carro.
Alm disso, no estavam completamente sozinhos. Viu os outros navios que navegavam com ligeireza e deixou de agarrar-se com fora ao banco. Viu um menino, que no 
seria maior que Seth, montado em um navio muito pequeno com uma vela triangular. Se era seguro para os meninos, ela poderia resisti-lo.
Iar velas.
Ela se voltou e sorriu distradamente ao Phillip.
O que h dito?
Olhe.
Phillip se moveu elegantemente pela coberta e manipulou uns cabos. A velas se estenderam e se encheram com o vento. Ela se aferrou outra vez ao banco.
Nesse momento se dava conta de que se equivocou. Aquilo no tinha nada que ver com um carro. Era primitivo, precioso e emocionante. O navio j no parecia pequeno 
e frgil a no ser poderoso e um pouco perigoso, alm de imponente.
Como o homem que o governava.
 impressionante. Sorriu ao Phillip sem soltar do banco. So muito bonitos quando os Miro da janela, mas  precioso ver as velas de perto.
Est sentada. Phillip dirigia o leme. Me parece que no est muito tranqila. 
Ainda no, mas o estarei. Ela voltou a cara para o vento que lhe agitou o cabelo como se queria liberar o da cinta. Aonde vamos?
A nenhum sitio em concreto.
Ela sorriu com uma expresso carinhosa e franco. 
Quase nunca posso ir a.
Phillip pensou que era a primeira vez que lhe sorria assim. No acreditava que ela soubesse que um sorriso to sincero lhe transformava a beleza glida em algo muito 
mais prximo. Alargou uma mo com a inteno de toc-la.
Vem aqui,  muito melhor. O sorriso se esfumou.
Que me levante...?
Sim. O mar est como um prato.
Que me levante...? repetiu ela separando muito bem as palavras. Que v at ali?
So dois passos. Phillip no podia deixar de sorrir. No querer ser uma espectadora, verdade?
A verdade  que sim. Ela abriu os olhos como pratos ao ver que Phillip soltava o leme. Nem te ocorra...
Conteve um grito quando ele riu e a agarrou pela mo. antes de que pudesse fazer nada, tinha-a levantado. Perdeu o equilbrio e se agarrou a ele presa do terror.
No podia hav-lo preparado melhor sussurrou ele sem solt-la enquanto voltava para leme. eu adoro te ter o suficientemente perto para te cheirar. Um homem tem 
que chegar at aqui...
Phillip voltou a cara e lhe aconteceu os lbios pelo pescoo.
Para. sentia-se dominada pelo medo e a excitao. Disposta ateno.
Asseguro-te disse enquanto lhe mordia o lbulo da orelha que estou emprestando toda a ateno.
Ao navio. Disposta ateno ao navio.
Ah, j. Seguia lhe rodeando a cintura com um brao. Olhe a bombordo.  esquerda. Aquele pequeno canal que entra nas restingas. podem-se ver garas e perus selvagens.
Onde?
s vezes ter que entrar para v-los, mas outras vezes se podem ver as garas como se fossem esculturas que saem das ervas.
Ela queria as ver. Esperava as ver.
Em outra poca do ano, os gansos passam voando por aqui. De ali acima, esta zona lhes parecer impressionante.
A ela, o corao lhe palpitava com fora, mas tomou ar lentamente e o soltou tambm muito devagar.
por que?
As restingas. Esto muito longe das praias e no interessam aos promotores. No as ho meio doido.  uma das vantagens da baa, um dos fatores que a convertem em 
um esturio. Melhor que os fiordes noruegueses para os pescadores.
Sybill voltou a tomar ar e a solt-lo.
por que?
Os baixios, por exemplo. Um bom esturio necessita baixios para que o sol possa nutrir s novelo aquticas e ao plncton. Tambm pelas restingas. Tm baas e enseadas. 
Deu-lhe um beijo no cocuruto. Melhor, j est te tranqilizando.
Ela, ante sua surpresa, deu-se conta de que no s estava tranqila, mas tambm estava embebida.
Estava apelando  cientfica, no?
serviu para que lhe passem os nervos, verdade?.
Sim. Pareceu-lhe curioso que ele soubesse que tecla tocar. Acredito que ainda no sou uma blusa de marinheiro, mas  uma vista preciosa. Tudo est muito verde. 
Viram as frondosas rvores e as profundas sombras da restinga. Navegaram junto a postes coroados com uns ninhos enormes e desalinhados. De que pssaro so esses 
ninhos?
Da guia pescadora. So especialistas na tcnica da dissociao. Pode passar junto a elas quando esto no ninho e nem lhe olham.
Instinto de sobrevivncia sussurrou ela.
Tivesse-lhe gostado de ver isso, uma guia pescadora em seu ninho ignorando aos humanos.
V as bias laranjas? So nasas para caranguejos. O navio est comprovando as nasas e pondo ceva. Ali, a estribor disse assinalando para a direita com a cabea. 
A pequena fueraborda. Parece-me que esto procurando pescados de rocha para o jantar.
H muito agitao comentou Sybill. No sabia que passassem tantas coisas.
H agitao em cima e debaixo da gua.
Phillip caou as velas, o navio se escorou e rodearam uma fileira de rvores que penduravam da costa. Quando deixaram as rvores atrs, viram um embarcadero. Detrs 
havia uma costa coberta de grama e uns arriates de flores que estavam perdendo o colorido do vero. A casa era singela, branca com os Marcos das janelas azuis. No 
alpendre havia uma cadeira de balano e uma velha tina de loua com crisntemos.
Sybill podia ouvir umas notas musicais que flutuavam com ligeireza no ar. Reconheceu ao Chopin.
 preciosa. Inclinou a cabea e se moveu um pouco para seguir vendo a casa. S lhe falta um co, um par de meninos dando patadas a um balo e um balano feito 
com um pneumtico.
Eramos um pouco majores para ter um balano feito com um pneumtico, mas sempre tivemos um co.  nossa casa disse Phillip enquanto lhe acariciava distradamente 
a rabo-de-cavalo.
 sua casa?
Alargou o pescoo para tentar ver mais. A vivia Seth, disse-se debatendo-se entre dzias de sentimentos contraditrios.
Passamos muito tempo dando patadas aos bales ou uns aos outros. Voltaremos logo para que conhea resto da famlia.
Ela fechou os olhos para conter o remorso.
eu adoraria.
Ele j tinha um stio pensado. A silenciosa enseada de guas tranqilas e salpicada com sombras era o stio ideal para uma comida romntica. Jogou a ncora onde 
as ervas marinhas resplandeciam pela umidade e o cu os cobria com um intenso azul outonal.
Naturalmente, a minha investigao da zona lhe faltava algo.
Ah... Phillip abriu uma geladeira porttil e tirou uma garrafa de vinho.
Est cheia de surpresas.
Espero que sejam surpresas agradveis.
Muito agradveis. Ela sorriu e arqueou uma sobrancelha ao ver a etiqueta da garrafa de vinho. Muito agradveis.
Parecia-me que foi uma mulher que saberia apreciar um bom Sancerre seco.
 muito preparado.
Certamente. Tirou duas taas de uma cesta e serve o vinho. Pelas surpresas agradveis disse Phillip antes de brindar.
H mais?
O tomou a mo e a beijou.
Acabam de comear. Apartou as taas e estendeu uma toalha branca na coberta. A mesa est preparada.
Ah. Ela, divertida, sentou-se, ficou uma mo de viseira contra o sol e sorriu ao Phillip. Qual  o prato do dia?
Um pat bastante bom para abrir o apetite.
Abriu uma caixa cheia de bolachas salgadas, lubrificou uma e a levou aos lbios do Sybill.
Mmm. Ela assentiu com a cabea. Muito bom.
Depois h salada de caranguejo a Quinn.
Parece lhe sugira. Tem-na feito com suas prprias mos?
Efetivamente. Sou um cozinheiro sensacional.
Cozinhas, tem um gosto excelente com o vinho e lhe sintam muito bem os jeans. Voltou a dar uma dentada ao pat, mais tranqila por ter sorteado facilmente o terreno 
familiar. Parece uma boa partida, senhor Quinn.
Sou-o, doutora Griffin.
Ela riu com o olhar fixo na taa de vinho.
A quantas mulheres afortunadas trouxeste at aqui para lhes dar salada de caranguejo?
A verdade  que no havia tornado por aqui do vero de segundo de carreira. Essa vez foi um Chabils aceitvel, camares-rosa frite e Marianne Teasdale.
Suponho que deveria me sentir adulada.
No sei. Marianne era muito apaixonada. Voltou a esboar esse sorriso irresistvel. Mas eu era inexperiente e no tinha viso de futuro e a troquei por uma estudante 
de medicina com um ceceio muito sedutor e uns enormes olhos marrons.
O ceceio abranda aos homens. recuperou-se Marianne?
O suficiente para casar-se com um encanador e lhe dar dois filhos, embora, naturalmente, todos sabemos que ainda me deseja.
Sybill riu, lubrificou uma bolacha e a deu ao Phillip.
Eu gosto.
Voc tambm eu gosto. Agarrou-a pela boneca e mordiscou a bolacha que lhe oferecia ela. Embora no ceceie.
O seguiu mordiscando a gema de seus dedos, e ao Sybill custava respirar.
 muito amvel sussurrou ela. 
Voc  encantadora.
Obrigado. Mas tenho que dizer continuou ela soltando-a mo que embora seja muito amvel e muito atrativo, e me passe isso muito bem contigo, no tenho inteno 
de que me seduza.
J sabe o que dizem das intenes.
Eu penso manter as minhas. Desfruto com sua companhia, mas tambm te v o espanador. Sorriu e fez um gesto com a taa de vinho. Faz cem anos, estaramos falando 
de um uva sem semente. Ele o pensou um instante. 
No soa a insulto.
No tinha por que s-lo. Os uvas sem semente eram encantadores e muito pouco srios.
Nisso no estou de acordo. Sou muito srio com algumas costure.
Vejamos... Ela procurou na geladeira e tirou outro recipiente. estiveste casado?
No.
Comprometido? perguntou ela enquanto levantava a tampa para ver a maravilhosa salada de caranguejo.
No.
viveste com uma mulher durante pelo menos seis meses seguidos?
Phillip se encolheu de ombros, tirou uns pratos e deu ao Sybill um guardanapo de linho azul. 
No.
Ento, podemos supor que no  srio quanto s relaes.
Tambm podemos supor que ainda no encontrei a mulher com a que quero ter uma relao sria.
 possvel. Entretanto... Ela o olhou com os olhos entrecerrados enquanto ele servia a salada. Quantos anos tem? Trinta? 
Trinta e a gente particularizou ele de uma vez que acrescentava uma parte de po a cada prato.
Trinta e um. O normal  que um homem de trinta e um anos, nesta cultura, pelo menos tenha passado por uma relao mongama, duradoura e sria.
Eu no me preocupo com ser normal. Azeitonas?
Sim, obrigado. O normal no tem por que ser pouco atrativo. Tampouco o  a conformidade. Todo mundo se conforma. Inclusive quem se considera rebeldes aceitam alguns 
cdigos e critrios.
Phillip, que estava desfrutando, inclinou a cabea.
Diz-o a srio, doutora?
Completamente. As gangues urbanas tm regras, cdigos e critrios internos. Cores acrescentou enquanto tomava uma azeitona. Nisso se parecem bastante a qualquer 
instituio do sistema.
Teria que ter estado a balbuciou Phillip.
Como h dito?
Nada. O que me diz dos assassinos em srie?
Seguem pautas. Sybill tambm estava desfrutando. do FBI os estuda e os cataloga segundo suas caractersticas. A sociedade no os chamaria critrios, naturalmente, 
mas isso  o que so no sentido estrito da palavra.
Certamente tinha certa razo. Phillip estava cada vez mais fascinado.
Ento, voc, a observadora, distingue s pessoas segundo as normas, os cdigos e as pautas que seguem.
Mais ou menos.  bastante fcil entender s pessoas se se disposta ateno.
O que me diz das surpresas?
Ela sorriu, gostou da pergunta tanto como que lhe tivesse ocorrido. Quase nenhum dos homens que tinha conhecido estava interessado em seu trabalho.
tm-se em conta. Sempre h uma margem de engano ou de correo. A salada est muito bom. A surpresa, agradvel,  que te tenha tomado a molstia de prepar-la.
No crie que a gente est acostumada estar disposta a tomar uma molstia por algum que quer? Ela piscou e ele inclinou a cabea. V, pilhei-te por surpresa.
Quase no me conhece. Tomou a taa como um gesto defensivo. H uma diferena entre que algum voc goste e quer-lo. O segundo leva mais tempo.
Alguns no perdemos o tempo. Desfrutava ao v-la nervosa. Era uma situao excepcional. Como eu.
J me dei conta. Entretanto...
Entretanto, eu gosto de ouvir sua risada; eu gosto quando te estremece ligeiramente por um beijo; eu gosto do tom didtico de sua voz quando expe uma teoria.
Ela franziu o cenho.
No sou didtica.
Deliciosamente didtica. Passou-lhe os lbios pela tmpora. Tambm eu gosto de seus olhos quando comeo a te turvar. portanto, acredito que entrei totalmente 
na fase de te querer. Agora, lhe apliquemos sua teoria a ver o que resulta. estiveste casada?
Os lbios do Phillip lhe percorriam o lbulo da orelha e ela no podia pensar com claridade. 
No. Bom, no de tudo.
O se separou e a olhou com os olhos entrecerrados.
No ou no de tudo?
Foi um impulso, um engano de clculo. No durou nem seis meses. No conta.
Tinha a cabea nublada, necessitava espao para respirar. O a apertou mais.
Esteve casada...?
S tecnicamente. No...
Ela voltou a cabea para defender-se e se encontrou com a boca dele, que lhe separou os lbios e se deleitou abrasadoramente.
Era como deixar-se arrastar por uma onda a cmara lenta, como afundar-se em um mar sedoso e resplandecente. Tudo nela se fez lquido. Mais tarde se deu conta de 
que tinha sido uma surpresa que no tinha tido em conta nessa pauta de conduta concreta.
No conta conseguiu dizer enquanto jogava a cabea para trs e lhe acariciava o pescoo com os lbios.
De acordo.
Se ele a tivesse tomado por surpresa, lhe teria feito exatamente o mesmo. O sentiu que todo o desejo lhe saa  superfcie ante a entrega repentina e absoluta dela. 
Tinha que toc-la, ench-las mos com ela, ench-las mos com as maravilhosas curvas cobertas por uma blusa de algodo fina e impecvel.
Tinha que sabore-la, cada vez mais profundamente, at chegar  origem dos murmrios de prazer e surpresa que lhe brotavam da garganta. Ao faz-lo, ao acarici-la 
e sabore-la, lhe rodeou o pescoo com os braos, passou-lhe as mos pelo cabelo e se girou at que os corpos se acoplaram.
Notou que os coraes pulsavam ao mesmo ritmo.
Ela sentiu uma pontada de pnico quando ele comeou a lhe desabotoar a blusa.
No. Os dedos lhe tremiam quando os ps sobre a mo dele.  muito logo. Ela fechou os olhos com todas suas foras para tentar recuperar o domnio de si mesmo. 
O sinto, no vou to depressa. No posso.
No lhe resultou fcil conter as vontades de salt-las regras, de tomb-la sobre a coberta at que ela voltasse a deixar-se levar. P-lhe os crispados dedos debaixo 
do queixo e lhe levantou a cara. No, no era nada fcil, voltou a pensar ele ao ver que os olhos refletiam desejo e rechao. Entretanto, tinha que faz-lo.
De acordo. Sem pressas. Passou-lhe o polegar pelo lbio superior. me Fale de esse que no conta.
Ela tinha as idias dispersas e no podia pensar nada coerente enquanto a olhasse com aqueles olhos cor caramelo.
O que?
Seu marido.
Ah. Ela apartou o olhar para concentrar-se na respirao.
O que faz?
 uma tcnica de relaxao. 
O sorriu com certo ar zombador. 
Funciona?
Com o tempo.
Maravilhoso. O se aproximou at que tiveram os quadris pegos e respirou ao ritmo dela. Esse tipo com o que esteve tecnicamente casada...
Foi na universidade, no Harvard. Estava especializado em qumica. Fechou os olhos e ordenou aos dedos dos ps e aos tornozelos que se relaxassem.. Acabvamos 
de fazer vinte anos e perdemos a cabea uma temporada.
Fugiram-lhes.
Sim. Nem sequer vivamos juntos porque dormamos em dormitrios separados. No foi um matrimnio de verdade. Demoramos semanas em dizer-lhe a nossas famlias e 
ento, naturalmente, houve algumas cenas bastante desagradveis.
por que?
Porque... Ela abriu os olhos de repente e o sol a cegou. Algo saltou na gua detrs dela e logo s ficou seu roce contra o casco. No encaixvamos. No tnhamos 
nenhum plano factvel. Eramos muito jovens. O divrcio foi tranqilo, rpido e civilizado.
Amava-o?
Eu tinha vinte anos. A relaxao estava lhe alcanando os ombros. Naturalmente, eu acreditava que o amava. O amor  muito singelo a essa idade.
E da avanada idade de vinte e sete, vinte e oito...?
Vinte e nove passados. Soltou o ar firmemente e se voltou para olh-lo. No pensei no Rob h anos. Era muito bom. Espero que seja feliz.
E isso  tudo por sua parte?
Tem que s-lo.
Ele assentiu com a cabea, mas a histria lhe pareceu muito triste.
Ento, tenho que lhe dizer, doutora Griffin, que, segundo sua escala, voc no se toma a srio as relaes.
Ela abriu a boca para protestar, mas, com um rasgo de sensatez, voltou a fech-la. Despreocupadamente, agarrou a garrafa de vinho e encheu as taas.
Possivelmente tenha razo. Terei que pensar sobre o assunto.
Sete
Ao Seth no importava fazer turma com o Aubrey. Grace e Ethan estavam casados e ela era uma espcie de sobrinha. Alm disso, ela s queria dar voltas pelo jardim. 
Cada vez que atirava uma bola ou um pau a um dos ces, ela morria de risada. A um menino, isso lhe entusiasmava.
Alm disso era uma preciosidade com o cabelo encaracolado e dourado, e tinha uns ojazos verdes que pareciam assombrar-se de tudo o que ele fazia. No estava mal 
passar um par de horas ou trs entretendo-a-os domingos.
No se tinha esquecido de onde estava ele fazia um ano. Ali no havia um jardim que acabava no mar, nem um bosque para explorar, nem ces para jogar, nenhuma menina 
que o olhava como se fora um heri da televiso.
Naquele lugar havia habitaes repugnantes a trs pisos do cho e ruas que eram um verdadeiro carnaval pelas noites onde tudo tinha seu preo: o sexo, as drogas, 
as armas, a desdita...
Tinha aprendido que passasse o que passasse fora dessas habitaes pestilentas, ele no podia sair depois de que obscurecesse.
Ningum se tinha ocupado de que estivesse limpo ou de que comesse. Ela tinha levado a todo tipo de gentinha para poder pag-la dose seguinte.
Fazia um ano, ele no acreditava que sua vida pudesse trocar em algo. At que apareceu Ray e o levou a casa junto ao mar. Ray lhe ensinou um mundo distinto e lhe 
prometeu que nunca teria que voltar para outro.
Ray tinha morrido, mas tinha mantido sua promessa. Nesse momento, podia estar em um jardim banhado pelo mar e atirar Pelotas aos ces enquanto uma menina com cara 
de anjo ria.
Seth, me deixe! me deixe!
Aubrey saltitava sobre seus rechonchas pernas com as mos em alto.
Muito bem, atira-a.
Seth sorriu ante o gesto de concentrao e esforo. A bola caiu a uns centmetros de suas sapatilhas vermelhas. Simon a recolheu e a devolveu educadamente entre 
os gritos de felicidade do Aubrey.
Perrito bom, bom.
Aubrey aplaudiu na cabea ao paciente Simon. Parvo se abriu aconteo e lhe deu um empurro no traseiro. Lhe recompensou com um abrao arrebatador.
Agora voc ordenou ao Seth. Atira-a voc.
Seth obedeceu e lanou a bola. riu ao ver os ces correr detrs dela entre empurres como se fossem uns jogadores de futebol americano. Irromperam no bosque e uns 
pssaros saram espavoridos.
Naquele momento, quando Aubrey se retorcia de risada, quando os ces ladravam e ele notava o ar fresco de setembro nas bochechas, Seth era completamente feliz. Uma 
parte de sua cabea se concentrou nisso para mant-lo gravado. O brilho do sol no mar, a voz pastosa do Otis Redding que saa pela janela da cozinha, os gemidos 
impertinentes dos pssaros e o aroma salgado da baa.
Estava em casa.
At que o som de um motor lhe chamou a ateno. Quando se voltou, viu o balandro da famlia que se aproximava do embarcadero. Phillip, que ia ao leme, levantou uma 
mo. Seth, enquanto devolvia a saudao, olhou  mulher que ia junto ao Phillip. Notou como se algo lhe roasse a nuca, algo ligeiro e cauteloso como as patas de 
uma aranha. passou-se a mo distradamente pela nuca, encolheu-se de ombros e agarrou com fora a mo do Aubrey.
te lembre, tem que ficar no meio do embarcadero.
Ela o olhou com venerao.
Vale. Mame diz que nunca, nunca posso ir sozinha ao bordo.
Isso.
Entraram no embarcadero e esperaram a que chegasse Phillip. Curiosamente, foi a mulher quem lhe lanou o cabo da proa. chamava-se Sybill no sei o que, disse-se 
Seth. Por um instante, enquanto ela recuperava o equilbrio, olhada-las se encontraram e ele voltou a sentir algo estranho na nuca.
Ento, o ces chegaram como um torvelinho e Aubrey voltou a rir como uma louca.
Ol, meu amor.
Phillip ajudou ao Sybill a baixar-se e piscou os olhos um olho ao Aubrey.
Acima lhe exigiu ela.
Agora mesmo. Phillip a levantou em velo e lhe deu um beijo muito sonoro na bochecha. Quando vais ser major para te casar comigo?
Amanh!
Isso  o que diz todos os dias. Apresento ao Sybill. Sybill, apresento ao Aubrey, minha garota favorita.
 bonita afirmou Aubrey com um sorriso que o fazia umas covinhas.
Obrigado, voc tambm.
Os ces no paravam de dar voltas a seu redor e Sybill deu um passo atrs. Phillip a agarrou por brao antes de que casse do embarcadero.
Tranqila. Seth, chama os ces, Sybill est incmoda.
No fazem nada.
Seth sacudiu a cabea em um gesto que deixou muito claro que Sybill tinha baixado muitos pontos no conceito que tinha dela, mas agarrou aos ces pelo colar e os 
reteve at que ela pde passar.
J est todo mundo? perguntou- Phillip ao Seth.
Sim, sonho com o jantar. Grace trouxe um bolo de chocolate gigante e CAM enrolou a Anna para que faa lasaa.
Que Deus a benza. A lasaa de minha cunhada  uma obra de arte disse Phillip ao Sybill.
Falando de arte, Seth, queria voltar a te dizer o muito que eu gostei de seus desenhos do estaleiro. So muito bons.
O se encolheu de ombros e se agachou para recolher dois paus e atirar-lhe aos ces. 
Desenho de vez em quando.
Eu tambm. Sybill compreendeu que era absurdo, mas se ruborizou quando Seth a olhou de cima abaixo como se estivesse julgando-a. Eu gosto de desenhar em meu tempo 
livre. Relaxa-me e  lhe gratifique.
Sim, suponho...
Podia me ensinar alguns desenhos mais... 
Se quiser...
Seth abriu a porta da cozinha e foi diretamente  geladeira. Ao Sybill pareceu um gesto muito significativo. Estava em sua casa.
Jogou uma olhada  habitao. Havia uma panela cheia de gua fervendo em uns foges que pareciam antigos. O aroma era incrivelmente aromtico. O suporte que havia 
sobre a pia estava cheia de potes de argila com todo tipo de ervas.
As encimeras estavam podas, embora um pouco gastas. Em um extremo, debaixo de um telefone de parede, havia um monto de papis sujeitos com um jogo de chaves. Um 
fruteiro bastante plano cheio de mas vede e vermelhas fazia de centro de mesa. diante de uma cadeira havia uma taa meio cheia de caf e debaixo dessa mesma cadeira 
se viam dois sapatos.
Maldita seja! Terei que assassinar a esse rbitro. lanaram a bola a dois metros de altura.
Sybill arqueou a sobrancelha para ouvir a furiosa voz masculina que chegava da habitao do lado. Phillip se limitou a sorrir e balanou ao Aubrey no ar.
Beisebol. CAM se est tomando muito a srio a liga deste ano.
A partida! Me tinha esquecido. Seth fechou com uma portada a porta da geladeira e saiu correndo da cozinha. Como vo? Que entrada ? O que passou?
Trs a dois; final da sexta; dois eliminados; um homem na segunda. Sente-se e fecha o pico.
Muito a srio repetiu Phillip enquanto deixava ao Aubrey no cho.
Muitas vezes, o beisebol se converte em algo pessoal entre o pblico e a equipe contrria. Sobre tudo acrescentou Sybill com um gesto da cabea, quando a temporada 
chega a setembro.
Voc gosta do beisebol?
por que no? replicou entre risadas.  um estudo fascinante dos homens, o trabalho em equipe, a batalha... Velocidade, astcia, estratgia e, sempre, o lanador 
contra o rebatedor. Ao final, tudo se reduz a elegncia e resistncia. E matemtica.
vamos ter que ir ver uma partida. eu adoraria ouvir seu estilo de comentarista. Quer algo?
No, obrigado. ouviram-se mais gritos e palavres. Mas me parece que poderia ser perigoso sair desta habitao enquanto perde a equipe de seu irmo.
 muito perspicaz. Phillip lhe acariciou uma bochecha. vamos ficar nos Y...
O que faz! gritou CAM da sala. Esse filho de puta  incrvel.
Mierda. A voz do Seth era descarada e fanfarrona. Esses porcos de Califrnia nos vo montar isso.
Phillip deixou escapar um suspiro.
Possivelmente devssemos ir durante um par de entradas.
Seth, acreditava que j tnhamos falado da linguagem que se usa nesta casa.
 Anna sussurrou Phillip. Est baixando para pr ordem.
Cameron, eu acreditava que foi uma pessoa adulta. 
 o beisebol, carinho.
Se no cuidarem sua linguagem, apago a televiso.
 muito estrita explicou Phillip ao Sybill. Tem aterrados a todos.
De verdade...? perguntou-lhe Sybill enquanto olhava para a sala.
Sybill ouviu outra voz mais suave e acalmada, e logo a resposta firme do Aubrey.
No, mame, por favor. Quero estar com o Seth. 
No se preocupe, Grace. Pode ficar comigo.
O tom tranqilo e despreocupado do Seth fez pensar ao Sybill.
No  normal, parece-me, que um menino da idade do Seth seja to paciente com uma menina to pequena.
Phillip se encolheu de ombros e foi aos foges para fazer uma cafeteira.
levam-se muito bem. Aubrey o adora. Isso adula a vaidade do Seth e ele se comporta muito bem com ela.
voltou-se com um sorriso enquanto as duas mulheres entravam na cozinha.
V, as fugitivas... Sybill, estas so as mulheres que me roubaram meus irmos. Anna, Grace, a doutora Griffin.
S nos quer para que lhe cozinhemos esclareceu Anna com uma gargalhada enquanto estendia a mo. Prazer em conhec-lo. Tenho lido seus livros, parecem-me muito 
brilhantes.
Sybill, pilhada por surpresa tanto pela declarao como pela beleza entristecedora da Anna Spinelli Quinn, quase se cambaleou.
Obrigado. Agradeo-te que admita esta intruso um domingo pela tarde.
No  nenhuma intruso. Estamos encantados. alm de que lhe corroesse a curiosidade, disse-se Anna para seus adentros. Conhecia o Phillip desde fazia sete meses 
e era a primeira mulher que levava um domingo pela tarde.
Phillip, vete a ver o beisebol. Fez-lhe um gesto com a mo para a porta. Grace, Sybill e eu podemos nos arrumar sozinhas.
Tambm  uma mandona advertiu Phillip ao Sybill. Se necessitar ajuda, d um grito e virei a te resgatar.
Deu-lhe um beijo terminante na boca antes de que ela pudesse fazer nada por evit-lo e saiu da habitao.
Anna cantarolou algo com certa inteno e logo sorriu de brinca a orelha.
vamos tomar uma taa de vinho. Grace tirou uma cadeira.
Phillip nos h dito que vais ficar te uma temporada no St. Chris e que logo escrever um livro.
Algo assim.
Sybill tomou flego. S eram um par de mulheres. Uma moria impressionante de olhos negros e uma loira mais fria mas encantadora. No tinha motivos para estar nervosa.
Em realidade continuou Sybill, tenho pensado escrever sobre a cultura, as tradies e o esquema social dos povos pequenos e as comunidades rurais.
por aqui tem que as duas coisas.
Isso vejo. Ethan e voc lhes casastes recentemente, no?
O sorriso do Grace se fez mais clida e olhou o anel de ouro que levava no dedo. 
O ms passado.
E os dois lhes criaram aqui...
Eu nasci aqui. Ethan veio quando tinha uns doze anos.
Voc tambm  desta zona? perguntou a Anna.
sentia-se mais cmoda no papel de entrevistadora.
No, sou de Pittsburgh. Trabalho para os servios sociais. Sou criada social. Por isso me interessam tanto seus livros.
Deu uma taa de vinho tinjo ao Sybill.
Ah,  verdade,  a criada social do Seth. Phillip me comentou isso.
Mmm. Isso foi quo nico disse Anna enquanto se dava a volta para ficar um avental. Te gostou de navegar?
Sybill se deu conta de que no se falava do Seth com desconhecidos e o aceitou no momento.
Sim, muito. mais do que imaginava. Agora me parece incrvel ter demorado tanto em prov-lo.
Eu naveguei pela primeira vez faz uns meses. Anna ps uma panela enorme cheia de gua ao fogo. Grace navegou toda sua vida.
Trabalha aqui, no St. Christopher?
Sim, limpo casa.
Includa esta, graas a Deus interveio Anna. Lhe estava dizendo que deveria montar uma empresa. Faxineiras ao seu dispor ou algo assim. Grace riu, mas Anna 
sacudiu a cabea. O digo a srio. Seria um servio fantstico, sobre tudo para as mulheres que trabalham. Tambm poderiam lhes ocupar de escritrios. Se formas 
uma equipe de duas ou trs pessoas, funcionaria o boca a boca.
Voc tem mais aspiraes que eu. Alm disso, no sei levar uma empresa.
com certeza que sim sabe. Sua famlia leva geraes administrando a cangrejera.
A cangrejera? perguntou Sybill.
Capturam-nos, empacotam-nos e os entregam. Grace levantou uma mo. Se tiver tomado caranguejo enquanto estava aqui, chegou-te atravs da empresa de meu pai, mas 
eu nunca participei.
Isso no quer dizer que no possa levar sua empresa. Anna tirou uma parte de mozzarella da geladeira e comeou a cort-lo. H muita gente que est desejando pagar 
por um servio domstico bom e digno de confiana. No querem acontecer o pouco tempo livre que tm cozinhando, limpando a casa ou fazendo a penetrada. Os papis 
tradicionais esto trocando, verdade, Sybill? As mulheres no podem acontecer-se todo o tempo na cozinha.
Bom, estaria de acordo, mas... aqui est voc.
Anna se parou, piscou, jogou a cabea para trs e riu. Ao Sybill pareceu que deveria estar danando ao redor de uma fogueira levada pela msica dos violinos e os 
violes em vez de estar cortando queijo em uma cozinha cheia de aromas.
Tem toda a razo. Anna sacudiu a cabea sem deixar de rir. Aqui estou eu enquanto meu marido est atirado em uma poltrona sem poder apartar os olhos da partida. 
Alm disso,  uma cena muito corrente os domingos pela tarde. No me importa, eu adoro cozinhar.
De verdade?
Anna voltou a rir ao captar o tom de incredulidade na pergunta do Sybill.
De verdade, mas no quando tenho que chegar depressa e correndo do trabalho e juntar quatro coisas. Por isso fazemos turnos. As segundas-feiras se comem os restos 
do que tenha cozinhado no domingo. As teras-feiras nos temos que agentar com o que faa CAM, que  uma nulidade para a cozinha. As quartas-feiras compram alguma 
comida preparada. As quintas-feiras cozinho eu e as sextas-feiras Phillip. Os sbados cada um faz o que quer.  um sistema muito funcional, quando funciona.
Anna est decidida a que Seth se faa cargo das quartas-feiras dentro de um ano.
To jovem?
Anna se apartou o cabelo da cara.
dentro de um par de semanas far onze anos. Quando eu tinha sua idade, podia fazer um molho de tomate de te chupar os dedos. Ao final, merecer a pena o esforo 
de lhe ensinar e de lhe convencer de que segue sendo um homem embora saiba cozinhar. Alm disso acrescentou enquanto jogava a massa plaina na gua fervendo, se 
lhe animo lhe dizendo que pode superar ao CAM em qualquer terreno, ser um estudante sobressalente.
No se levam bem...
levam-se de maravilha. Anna inclinou a cabea para ouvir os gritos, as patadas no cho e as palmadas que chegavam da sala. E o que mais gosta ao Seth  impressionar 
a seu irmo maior. O que significa, naturalmente, que discutem e se provocam constantemente. Anna voltou a sorrir. Intuo que no tem irmos...
No, no os tenho.
Irms? perguntou-lhe Grace sem compreender por que os olhos do Sybill se tornavam to frios.
Uma.
Eu sempre quis ter uma irm. Grace sorriu a Anna. Agora, j a tenho.
Grace e eu fomos filhas nicas. Anna apertou o ombro do Grace quando passou junto a ela para mesclar os queijos. Aquele gesto de intimidade lhe produziu uma pontada 
de inveja ao Sybill. Desde que nos apaixonamos pelos Quinn, ressarcimo-nos rapidamente de ter tido famlias pequenas. Sua irm vive em Nova Iorque?
No. Sybill sentiu um vazio no estmago. No nos tratamos muito. me desculpem. separou-se da mesa. Posso usar o quarto de banho?
Claro. A primeira porta  esquerda do vestbulo. Anna esperou a que Sybill tivesse sado e fez uma careta com os lbios. No sei o que pensar dela.
Parece um pouco incmoda.
Anna se encolheu de ombros.
Bom, suponho que ter que esperar a ver o que acontece, no?
Sybill se molhou a cara com gua. Tinha calor, estava nervosa e sentia nuseas. No entendia a aquela famlia. Eram ruidosos, s vezes vulgares e procediam de orgenes 
distintos. Entretanto, pareciam felizes, levavam-se bem e eram muito carinhosos.
secou-se a cara e se encontrou com o reflexo de seus olhos no espelho. Sua famlia nunca tinha sido nem ruidosa nem vulgar. Exceto naqueles momentos espantosos quando 
Glorifica tinha forado as coisas. Tampouco podia dizer sinceramente se tinham sido felizes nem se se tinham levado bem. O carinho nunca tinha sido uma prioridade 
nem se expressou abertamente.
Simplesmente, no eram pessoas muito expressivas, disse-se a si mesmo. Ela sempre tinha sido mais cerebral, contra sua tendncia natural, como defesa a desconcertante 
volubilidade de Glria. A vida era mais tranqila se se dependia da cabea. Ela sabia e acreditava nisso com convico.
Entretanto, naquele momento, estava desassossegada pelos sentimentos. sentia-se como uma mentirosa, uma espi e uma entremetida. Ajudava-lhe recordar-se que estava 
fazendo todo isso pelo bem do menino. Aliviava-lhe que esse menino fora seu sobrinho; tinha direito a estar ali para formar uma opinio.
Era uma questo de objetividade, pensou enquanto se apertava as pontas dos dedos contra as tmporas. limitaria-se a isso enquanto reunia todos os dados, todos os 
fatos e tirava uma concluso.
Saiu silenciosamente do quarto de banho e se aproximou do alvoroo da partida de beisebol. Viu o Seth convexo aos ps do CAM e gritando  televiso. CAM fazia gestos 
com a cerveja na mo enquanto discutia com o Phillip. Ethan se limitava a ver a partida com o Aubrey feita um novelo em seu regao e dormida a pesar do rudo.
A habitao era acolhedora, um pouco desarrumada e de aspecto cmodo. Havia um piano em um rinco. Em cima tinha um floreiro com zinnias e dzias de fotos emolduradas. 
Seth tinha a seu lado uma terrina mdia cheia de batatas fritas. O tapete estava cheia de miolos, sapatos, o peridico e uma parte de corda mordida e suja.
Tinha escurecido, mas ningum se incomodou em acender a luz.
Comeou a retirar-se, mas Phillip a viu. Sorriu e lhe fez um gesto com a mo. Ela se aproximou e lhe deixou que ele a sentasse no brao da poltrona.
 o final da novena sussurrou. Ganhamos por uma.
Este lanador vai pegar lhe uma boa patada no culo.
Seth no elevou a voz, mas resultou alegre. Nem sequer piscou quando CAM lhe deu um golpe na cabea com sua prpria boina.
Genial!  rua! disse saltando e fez o gesto da vitria. Somos os melhores. Tio, morro de fome.
Saiu correndo  cozinha e lhe ouviram suplicar que lhe dessem de comer.
As partidas que ganham abrem o apetite comentou Phillip enquanto beijava distradamente a mo do Sybill. Que tal vo as coisas por ali?
Parece que tudo est controlado.
vamos ver se tiver feita peas.
Levou-a a cozinha, que ao cabo de uns segundos estava transbordante de gente. Aubrey apoiava a cabea no ombro do Ethan e piscava como um mocho. Seth se meteu um 
monto de azeitonas na boca e comeou a comentar a partida.
Todo mundo se movia, falava e comia de uma vez. Phillip lhe deu outra taa de vinho antes de encarregar do po. Lhe desconcertava menos que outros e ficou a seu 
lado no meio do caos.
Phillip cortou grandes fatias de po e as lubrificou com manteiga e alho.
Sempre h esta confuso? sussurrou-lhe ela.
No. O tomou sua taa de vinho e a chocou com a dela. s vezes h rudo e muita desordem.
Para quando chegaram ao hotel, a cabea do Sybill era um hervidero. Tinha que assimilar muitas coisas. Vises, sons, personalidades, impresses... Tinha sobrevivido 
a jantares de Estado muito complicadas nas que a confuso no tinha sido to grande como nesse jantar de domingo com os Quinn.
Necessitava tempo para analis-la. Uma vez que tivesse escrito seus pensamentos e suas observaes, ordenaria-os, estudaria-os e comearia a esboar suas primeiras 
concluses.
Cansada?
Ela suspirou.
um pouco. foi um dia muito ocupado, fascinante e cheio de calorias. Amanh pela manh irei ao ginsio do hotel. Passei-o muito bem acrescentou enquanto Phillip 
estacionava diante do hotel.
Me alegro. Ento, estar desejando repeti-lo.
Phillip se desceu do carro, rodeou-o e a ajudou a baixar-se.
No faz falta que me acompanhe. Conheo o caminho.
Acompanharei-te de todas formas.
No vou convidar te a entrar.
Mesmo assim, vou acompanhar te at a porta, Sybill.
Ela no insistiu, foram juntos at os elevadores e entraram em um quando se abriu a porta.
Ento, parte-te amanh a Baltimore?
Sybill pulsou o boto de seu piso.
Esta noite. Quando as coisas esto resolvidas aqui, volto os domingos de noite. Quase no h trfico e na segunda-feira comeo antes a trabalhar.
Tem que te custar fazer tantas viagens, a falta de tempo e as responsabilidades que lhe atam.
H muitas coisas que custam mas que merecem a pena. Lhe acariciou o cabelo. No me importa lhe dedicar tempo e esforo ao que eu gosto.
Bom... Sybill se esclareceu garganta e saiu do elevador assim que pde. Te agradeo o tempo e o esforo de hoje.
Voltarei na quinta-feira de noite. Quero verte outra vez.
Sybill tirou da bolsa o carto magntico para abrir a porta.
Agora mesmo no sei o que vou fazer o fim de semana.
O tomou a cara entre as mos, aproximou-se e a beijou nos lbios. Pareceu-lhe que nunca se cansaria desse sabor.
Quero verte sussurrou Phillip sem separar os lbios dos do Sybill.
Ela sempre tinha mantido o domnio de si mesmo, distanciou-se das tentaes da seduo e tinha resistido os embates da atrao fsica, mas quando estava com ele, 
notava que cada vez se deixava levar mais longe e mais profundamente.
No estou preparada para isto se ouviu dizer a si mesmo.
Eu tampouco. Mesmo assim a abraou com mais fora e a beijou com mais anseia. Te desejo. Possivelmente seja uma boa idia tomar uns dias para pensar no que passar 
depois.
Ela o olhou, tremente, ofegante e um pouco assustada do que lhe bulia por dentro.
Sim, acredito que  uma boa idia. deu-se a volta e teve que usar as duas mos para passar o carto pela ranhura. Conduz com cuidado.
Entrou em sua habitao, fechou a porta precipitadamente e se apoiou contra ela at que esteve segura de que no lhe sairia o corao do peito.
Era um disparate, disse-se a si mesmo. Era um absoluto disparate meter-se nessa confuso to rapidamente. Mas tambm era uma cientfica que no desvirtuava os resultados 
com dados incorretos e tinha que reconhecer que o que estava lhe passando com o Phillip Quinn no tinha nada que ver com o Seth.
Tinha que par-lo. Fechou os olhos e sentiu a presso palpitante dos lbios do Phillip nos seus. Teve medo de no poder par-lo.
Oito
Era um passo arriscado. Sybill pensou que inclusive poderia ser ilegal. Rondar perto do colgio do St. Christopher o fazia sentir-se como uma delinqente, por muito 
que se dissesse que no estava fazendo nada mau.
Simplesmente passeava por uma rua no meio da tarde. No estava espreitando ao Seth nem pensava seqestr-lo. S queria falar com ele e v-lo um momento a ss. Tinha 
esperado at na quarta-feira. Durante na segunda-feira e na tera-feira o tinha observado de uma distncia prudencial para conhecer seus horrios e o caminho que 
seguia. Normalmente os nibus chegavam uns minutos antes de que se abrissem as portas do colgio.
Primeiro se baixavam os alunos de primrio, logo os de secundria e ao final os de bacharelado.
S isso j era uma lio sobre a evoluo da infncia. Os corpos compactos e as caras redondas dos meninos primrio, logo os larguiruchos e torpes dos que rondavam 
a puberdade e, para terminar, os jovens incrivelmente adultos e mais individualistas que foram ao bacharelado.
Era todo um tratado. Dos cordes dos sapatos mdio soltos e os sorrisos aos que lhes faltavam alguns dentes, das mechas de cabelo e jaquetas de beisebol aos jeans 
folgados e as cascatas de cabelo reluzente.
Os meninos nunca tinham entrado em sua vida nem tinham sido um de seus interesses. Tinha crescido em um mundo de adultos e se esperou dela que se adaptasse. No 
tinha ido ao colgio em um nibus amarelo, nem tinha gritado ao sair do colgio para voltar para mundo livre, nem se tinha entretido no estacionamento com algum 
menino com jaqueta de couro.
Observava todo aquilo como se estivesse vendo uma representao teatral e a mescla de drama e comdia lhe pareceu divertida e informativa.
O pulso lhe acelerou quando Seth saiu dando empurres a um menino moreno que devia ser sua companhia mais habitual. O tirou a boina de beisebol do bolso traseiro 
da cala e a ps assim que transpassou as portas do colgio. Um ritual que simbolizava a mudana de regras, pensou Sybill. O outro menino procurou no bolso e tirou 
um punhado de chicletes que se meteu na boca em questo de segundos.
Cada vez havia mais rudo e ela no pde ouvir a conversao, mas lhe pareceu que era animada e que inclua muitas cotoveladas e choques de ombros.
Uma tpica demonstrao de carinho entre homens.
Passaram de comprimento os nibus e comearam a caminhar pela calada. Ao cabo de uns segundos, um menino mais pequeno os alcanou. Ia dando saltos e parecia ter 
muito que contar.
Ela esperou um momento e entrou no caminho que se cruzaria com o deles.
Mierda, tio, o exame de geografia estava chupado. Qualquer tarado o teria aprovado.
Seth moveu os ombros para colocar-se bem a mochila.
O outro menino fez um globo rosa incrvel, explorou-o e voltou a mastig-lo.
No sei a quem lhe importa saber os nomes dos estados e seus capitais. No acredito que eu v viver no Dakota do Norte.
Ol, Seth.
Sybill o viu parar-se, ordenar as idias e fixar-se nela.
Ah, sim, ol.
O colgio terminou por hoje, no? Vai para casa?
Para o estaleiro. Voltou a sentir o comicho na nuca e isso lhe chateava. Temos trabalho.
Eu tambm vou nessa direo. Tentou sorrir aos outros meninos. Ol, meu nome  Sybill.
Eu me chamo Danny disse o outro menino. Ele  Will.
Encantada de lhes conhecer.
tivemos sopa de verduras de comida informou Will a todo mundo. E Lisa Harbough a vomitou toda. E o senhor Jim teve que limp-lo e sua me teve que ir procurar 
a e no pudemos escrever as letras do alfabeto.
O pirralho dava voltas ao redor do Sybill enquanto lhe contava todo isso, e logo lhe sorriu de uma forma to inocente e resplandecente que ela se derreteu.
Espero que Lisa fique bem logo.
Uma vez, eu vomitei e fiquei todo o dia em casa vendo a televiso. Danny e eu vivemos no Heron Lane. Onde vive voc?
Estou de visita.
Meu tio John e a tia Augie foram se viver a Carolina do Sul e fomos visit-los. Tm dois ces e um beb que se chama Mike. Voc tem ces e bebs?
No...
Pode os ter. Pode ir a canil e lhe do um co. Ns o fizemos. Tambm pode te casar e ter um beb para que viva em seu estmago.  muito fcil.
Caray, Will!
Seth ps os olhos em branco e Sybill s pde piscar.
Bom, eu terei ces e bebs quando for maior. Todos os que queira. Voltou a sorrir e saiu correndo. Adeus.
 um empolln disse Danny com o tpico desdm do irmo maior para o pequeno. At mais tarde, Seth. Saiu detrs do Will, mas se voltou, correu um pouco de costas 
e se despediu com a mo do Sybill. Adeus.
Will no  um empolln lhe disse Seth.  um pirralho e no pode calar a boca, mas me cai muito bem.
 muito simptico. Ela trocou de ombro a bolsa e sorriu ao Seth. Importa se te acompanho o resto do caminho?
No...
Pareceu-me te ouvir algo sobre um exame de geografia.
Sim, hoje temos feito um. Uma tolice. 
Voc gosta do colgio?
Est a. encolheu-se de ombros. Ter que ir.
eu gostava de aprender coisas novas. Sybill riu. Suponho que era uma empollona.
Seth inclinou a cabea e entrecerr os olhos como se lhe examinasse a cara. lembrou-se de que Phillip lhe havia dito que era muito observadora. Certamente o seria. 
Tinha uns olhos bonitos, a cor clara contrastava com as pestanas escuras. O cabelo no era to moreno como o da Anna nem to loiro como o do Grace. Era muito brilhante 
e a forma de sujeitar-lhe atrs e deix-lo todo tirante lhe ressaltava a cara.
Poderia estar bem desenh-la em algum momento.
No parece uma empollona afirmou Seth quando Sybill comeava a ruborizar-se pelo intenso exame, mas sim um camundongo de biblioteca.
J... Bom, que disciplina voc gosta mais?
No sei. Quase tudo  um monto de... bobagens. Decidiu censurar sua opinio. Acredito que o que mais eu gosto de  quando leio um pouco de pessoas em vez de 
coisas.
Sempre me gostou de estudar s pessoas. deteve-se e assinalou para uma casa cinza de dois pisos com um impecvel jardim dianteiro. Eu diria que a vive uma famlia 
jovem. Os dois, o marido e a mulher, trabalham fora de casa e tm um filho que ainda no vai ao colgio, certamente um menino. O mais provvel  que se conhecessem 
durante alguns anos e tenham casados menos de sete.
Como sabe?
Bom,  meio-dia e no h ningum em casa. No h carros no caminho e a casa parece vazia, mas h um triciclo e uns caminhes de brinquedo. A casa no  nova, mas 
est cuidada. A maioria dos casais jovens trabalham para comprar uma casa e formar uma famlia. Vivem em uma comunidade pequena. Os jovens no revistam estabelecer-se 
em um povo se um dos dois ou os dois no se criou nesse povo. Por isso decidi que esse casal vivia aqui, conheceram-se e acabaram casando-se. O mais provvel  que 
tivessem um filho durante os primeiros trs anos de matrimnio e os brinquedos indicam que tem entre trs e cinco anos.
Como moa sentenciou Seth ao cabo de uns segundos.
Era absurdo, mas ela sentiu certo orgulho por no ter resultado um camundongo de biblioteca depois de tudo.
Mas eu gostaria de saber algumas costure mais. Parecia-lhe que tinha captado o interesse do Seth.
Como o que?
por que escolheram essa casa concreta? Que metas tm? Como tm a relao exposta? Quem dirige o dinheiro e por que?, o que indica a partilha do poder. Se se estudar 
s pessoas, conhecem-se suas pautas de conduta.
Que mais d?
No entendo.
A quem lhe importa?
Ela o pensou.
Bom, se entender essas pautas que formam a estrutura social a grande escala, ento sabe por que a gente se comporta de certa forma.
O que aconteceria eles no encaixassem?
Sybill pensou que era um menino brilhante e voltou a sentir um orgulho mais profundo.
Todo mundo encaixa em alguma pauta de conduta. tm-se em conta os orgenes, a gentica, a educao, o estrato social e as razes religiosas e culturais.
Pagam-lhe por isso?
Sim, mais ou menos.
Que estranho.
Essa vez lhe pareceu que sim a tinha relegado  categoria de camundongo de biblioteca.
Pode ser interessante. Sybill se espremia o crebro para encontrar um exemplo que trocasse sua opinio dela. Tenho feito um experimento em vrias cidades. Fiz 
que um homem ficasse olhando um edifcio.
S olhando-o?
Exatamente. Estava de p, olhava-o de cima abaixo e ficava a mo de viseira nos olhos quando o necessitava. Ao pouco tempo, algum se parava a seu lado e tambm 
olhava o edifcio. e assim sucessivamente at que se formava uma multido que olhava ao edifcio. Passava muito tempo at que algum perguntava o que estava passando 
e por que olhavam o edifcio. Ningum queria ser o primeiro em pergunt-lo porque era uma forma de reconhecer que no via o que dava por sentado que via todo mundo. 
Todos queremos nos ajustar, encaixar, saber, ver e entender o que a pessoa do lado sabe, v e entende.
Estou seguro de que mais de um pensava que algum ia saltar por uma janela.
 muito provvel. Como meia, uma pessoa ficava olhando e interrompendo seus quehaceres durante dois minutos. Acreditava que havia tornado a estimular sua Isso 
imaginao  bastante tempo para ficar olhando a um edifcio qualquer.
Moa quantidade, mas segue sendo estranho.
Estavam chegando ao ponto onde ele se desviaria para o estaleiro.
O que crie que aconteceria fizesse o mesmo experimento no St. Christopher? perguntou-lhe Sybill de forma impulsiva.
No sei. O mesmo?
No acredito. Sybill esboou um sorriso de cumplicidade. Quer prov-lo?
Ao melhor.
Podemos ir ao passeio martimo. Preocupar-se seu irmo se chegar um pouco tarde? Tem que ir dizer lhe que est comigo?
No. CAM no me tem pacote a uma correia. Deixa-me um pouco a meu ar.
Sybill no sabia o que pensar sobre essa falta de disciplina, mas se alegrava de poder aproveitar-se.
Ento, vamos tentar o. Pagarei-te com um sorvete.
Trato feito.
afastaram-se do estaleiro.
Pode escolher o stio lhe disse Sybill. Tem que estar de p, normalmente, a gente no disposta ateno a algum que est sentado e olhando. Do  obvio que est 
sonhando acordado ou descansando.
Entendo.
 mais efetivo se miras para cima. Importa-te se o gravo em vdeo?
O arqueou as sobrancelhas ao ver que ela tirava uma cmara de vdeo da bolsa.
No... Vai com isso a todas partes?
S quando estou trabalhando. Tambm levo uma caderneta, um microfone, uma grabadora, pilhas, lpis e o telefone mvel riu de si mesmo. Eu gosto de estar preparada. 
Quando fizerem um ordenador que me caiba na bolsa, serei primeira em comprar o Voy a ponerme ah dijo Seth sealando un sitio y mirar hacia el hotel.
Ao Phillip tambm gosta de todos esses aparelhos eletrnicos.
 a bagagem da pessoa de cidade. Fazemos o que seja por no perder um segundo. Embora, naturalmente, no podemos nos distanciar de nada porque estamos constantemente 
conectados.
Poderia apagar todos os cacharros.
Sim. O raciocnio lhe pareceu curiosamente profundo por sua simplicidade. Suponho que poderia.
No havia muitos paseantes. Viu um navio que descarregava a captura do dia e a uma famlia que desfrutava da tarde e se tomava uns sorvetes em uma terrao. Dois 
ancies, de rostos curtidos e com profundas rugas, estavam sentados em um banco de ferro com um tabuleiro de xadrez no meio. Nenhum dos dois parecia disposto a fazer 
um movimento. Trs mulheres conversavam na porta de uma loja, mas s uma delas levava uma bolsa.
vou pr me a disse Seth assinalando um stio e olhar para o hotel.
Boa eleio.
Sybill ficou onde estava enquanto Seth se afastava. necessitava-se certa distncia para que o experimento fora real. Levantou a cmara e enfocou ao Seth. O se voltou 
e sorriu fugaz e descaradamente.
Quando sua cara encheu o visor, Sybill sentiu uma quebra de onda de sentimentos para a que no estava preparada. Era muito bonito e preparado; muito feliz. Fez um 
esforo por no deixar-se arrastar pelo que podia ser desesperana.
Podia ir-se, disse-se a si mesmo, podia fazer a mala e desaparecer, nunca voltaria a v-lo. O nunca saberia quem era ela nem que relao tinham. Seth nunca sentiria 
falta do que ela poderia haver contribudo a sua vida. Ela no era ningum para ele. Tampouco tinha tentado nunca s-lo.
Agora era distinto. Estava fazendo que fora distinto. obrigou-se a relaxar os dedos, o pescoo e os braos. No estava fazendo nada mau por tentar conhec-lo e dedicar 
um pouco de tempo a estud-lo.
Gravou-o quando ficou em seu stio e levantou a cara. Tinha um perfil mais delicado e anguloso que o de Glria. Possivelmente tivesse a ossatura de seu pai.
Tampouco tinha o tipo de Glria, como tinha pensado ao princpio; parecia-se mais a ela mesma e a sua me. Seria alto quando terminasse de crescer, com pernas largas 
e mas bem magro.
Sua linguagem corporal, comprovou com certa surpresa, era tpico dos Quinn. J tinha adquirido alguns rasgos de sua famlia adotiva. Essa postura com o quadril inclinado, 
as mos nos bolsos e a cabea inclinada...
Reprimiu uma pontada de ressentimento e se concentrou no experimento.
Passou pouco mais de um minuto antes de que uma pessoa se parasse junto ao Seth. Reconheceu  mulher grosa de cabelo cinza que atendia o mostrador do Crawford'S. 
Todo o alago a chamava Mame Crawford. Como tinha previsto, a mulher levantou a cabea para olhar para onde olhava Seth, mas depois de jogar uma olhada, deu-lhe 
uma palmada no ombro.
Que miras, filho?
Nada.
Seth o disse entre dentes e Sybill teve que aproximar-se para poder grav-lo.
V, pois se fica um momento sem olhar a nada, a gente vai pensar que est pirado. por que no est no estaleiro?
Vou em seguida.
Ol, Mame Crawford. Ol, Seth. Uma jovem bonita e moria entrou no quadro e olhou para o hotel. Passa algo? No vejo nada.
No h nada que ver lhe comunicou Mame Crawford. O menino est a sem olhar a nada. Que tal est sua me, Julie?
Est um pouco baixa de nimo. Di-lhe a garganta e tem um pouco de tosse.
Sopa de frango, ch quente e mel.
Grace trouxe um pouco de sopa esta manh.
te ocupe de que a coma. Tudo bem, Jim.
Boa tarde. Um homem baixo e robusto com botas brancas de borracha se aproximou e deu uma palmada amistosa na cabea do Seth. Que miras, moo?
O que acontece...? No posso olhar o que quero?
Seth voltou o olhar para a cmara, ps os olhos em branco e fez que Sybill se riera.
Fica muito tempo assim e as gaivotas lhe deixassem engordurado. Jim piscou os olhos um olho ao Seth. Se Ethan chegar ao estaleiro antes que voc, querer saber 
o motivo.
J vou, j vou, tio. Seth se dirigiu para o Sybill com a cabea baixa e os ombros encolhidos. Ningum o traga.
Porque todos lhe conhecem disse enquanto apagava Isso cmara troca as pautas.
Sabia que ia passar?
Supunha que em uma zona pequena onde se conhece sujeito, algum se pararia e olharia, mas em seguida perguntaria. No h nenhum perigo, ningum se rebaixa por perguntar 
a algum que conhece e menos se for jovem.
Seth franziu o cenho enquanto olhava ao trio que seguia conversando.
Mesmo assim, pagar-me...
Claro, e te dedicarei um captulo de meu livro.
Guay. Tomarei um cartucho de chocolate com bolacha. Tenho que ir ao estaleiro antes de que CAM e Ethan me joguem a bronca.
Se forem zangar-se contigo, eu posso explicar-lhe foi minha culpa.
No vo encher o saco se. Alm disso, direi-lhes que foi pelo bem a cincia, no? explicou-lhe Seth com um sorriso arrebatador.
Sybill teve que fazer um esforo sobre-humano para no abra-lo.
Efetivamente. Ela se atreveu a lhe apoiar a mo no ombro enquanto foram para o Crawford'S. Lhe pareceu que ele ficava rgido e apartou a mo. Alm disso, podemos 
cham-los com meu telefone mvel. Sim? Como moa. Posso cham-los? 
Claro.
Vinte minutos mais tarde, os dedos do Sybill voavam sobre o teclado do ordenador.
Embora haja passado menos de uma hora com ele, eu diria que o sujeito  extraordinariamente brilhante. Phillip me h dito que saca umas notas muito altas, o qual 
 admirvel. Encantou-me comprovar que tem uma mente curiosa. Suas maneiras podem ser um pouco toscos, mas no  desagradvel. Parece ser muito mais socivel que 
sua me ou eu a sua idade. Com isso quero dizer que parece mais natural com pessoas relativamente desconhecidas e que no  to enrijecido como nos obrigava a ser 
nossa educao. Em parte pode dever-se  influncia dos Quinn. Eles so, como j tinha notado, pessoas despreocupadas e acessveis.
Ao observar aos meninos e aos adultos com os que tratou hoje, tambm diria que lhe aprecia nesta comunidade, que lhe aceitam como uma parte dela. Naturalmente, ainda 
estou em uma fase inicial e no posso dizer rotundanaente se o ficar aqui  o melhor para Seus interesses ou no.
Simplesmente,  impossvel esquecer-se dos direitos de Glria, embora no farei nada at que conhea os desejos do menino no referente a sua me.
Preferiria que ele se acostumasse para mim, que se sentisse cmodo comigo antes de lhe confessar nossa relao familiar
Necessito mais tempo para...
Soou o telefone e se deteve. Desprendeu enquanto jogava uma olhada ao que tinha escrito precipitadamente.
Doutora Griffin.
Ol, doutora Griffin. Temo-me que a interrompi em seu trabalho.
Reconheceu a voz do Phillip e o tom ligeiramente zombador. Baixou a tampa do ordenador com certo remorso.
 muito perspicaz, mas posso te dedicar um par de minutos. Que tal vo as coisas por Baltimore?
Muito trabalho. O que te parece isto? v-se um casal jovem e atrativo que leva a um menino pequeno e sorridente para um sedan de gama medeia.
O texto diz: Pneumticos Myrestone. Sua famlia nos importa.
Enganoso e tergiversador. faz-se pensar ao consumidor que s outras marcas no importam as famlias.
Efetivamente. Funciona. Naturalmente, nas revistas de carros vamos pr outro anncio. Um conversvel vermelho em uma estrada sinuosa com uma loira ao volante. Pneumticos 
Myrestone. Pode conduzir at ali ou pode estar ali.
Engenhoso.
Ao cliente gosta e isso facilita as coisas. Que tal tudo no St. Chris?
Tranqilo. mordeu-se o lbio. Me encontrei com o Seth faz um momento. A verdade  que lhe fichei para que me ajude com um experimento. saiu bem.
Sim...? Quanto tiveste que lhe pagar?
Um sorvete de cartucho com duas bolas.
Saiu-te barato. Esse menino  um negociador bastante bom. O que te parece jantar amanh com uma garrafa de champanha para celebrar nossos xitos?
Olhe quem falou de negociadores...
passei toda a semana pensando em ti. 
Trs dias lhe corrigiu ela enquanto fazia ganchos de ferro na caderneta.
Com suas noites. Uma vez resolvido o assunto dos pneumticos, amanh poderia sair um pouco antes. Recolho s sete?
No sei aonde nos leva isto, Phillip. 
Eu tampouco. Tem que sab-lo?
Ela entendeu que nenhum dos dois falava de um restaurante.
Desconcerta-me menos.
Ento, falaremos disso e possivelmente esclareamos o desconcerto. A sete em ponto.
Sybill baixou o olhar e se deu conta de que tinha desenhado a cara dele inconscientemente. Pensou que era um mau sinal. Um sinal muito perigoso.
De acordo. Era prefervel confrontar as complicaes. At manh.
Faria-me um favor?
Se puder...
Pensa em mim esta noite.
Ela duvidava que tivesse outra alternativa.
Adeus.
Phillip, em seu escritrio a quatorze pisos de altura sobre as ruas de Baltimore, separou-se da mesa, no fez caso do assobio de seu ordenador, que indicava que 
acabava de receber um correio eletrnico interno, e foi ao ventanal.
adorava essa vista da cidade, os edifcios restaurados, os brilhos do porto, o bulcio de carros e pessoas, mas nesse momento, no via nada.
Literalmente, no podia tirar-se ao Sybill da cabea. Essa presena contnua em seus pensamentos era algo que no lhe tinha passado nunca. Ela no interferia em 
sua atividade cotidiana posto que podia trabalhar, comer, debater e fazer as apresentaes to diestramente como sempre, mas ela estava presente. Era um comicho 
no mais profundo de sua cabea que passava a um primeiro plano quando no a tinha ocupada com outras coisas.
No estava seguro de que gostasse que uma mulher lhe exigisse tanta ateno, sobre tudo quando era uma mulher que fazia bem pouco para anim-lo.
Possivelmente se tomasse como uma provocao esse leve vu cerimonioso, essa distancia prudencial que ela tentava manter. Pensou que poderia suport-lo. No era 
mais que outro dos jogos nos que participavam os homens e as mulheres.
Entretanto, preocupava-lhe algo que estava passando em um terreno desconhecido e, a seu julgamento, ela estava to desassossegada por isso como ele.
Muito prprio de ti disse Ray a suas costas.
meu deus. Phillip no se deu a volta nem abriu os olhos como pratos. Fechou-os com todas suas foras.
 um despacho muito bonito. Fazia tempo que no vinha. Ray percorreu o despacho desenfadadamente e fez uma careta com a boca ante um quadro de manchas vermelhas 
e azuis emoldurado em negro. No est mau. Muito estimulante para o crebro. Suponho que por isso o penduraste no despacho, pe os neurnios a funcionar.
Nego-me a acreditar que meu pai est fazendo crtica de arte em meu escritrio.
Bom, a verdade  que no queria te falar disso. parou-se ante uma escultura metlica que havia em uma esquina. Embora tambm eu gosto desta pea. Sempre tiveste 
muito bom gosto. Arte, comida, mulheres... Sorriu de brinca a orelha quando Phillip se voltou. Por exemplo, a mulher em que no deixa de pensar. Primeira categoria.
Tenho que tomar algum tempo livre.
Nisso estou de acordo. Leva meses te espremendo.  uma mulher interessante, Phillip. H mais nela do que v e do que ela mesma sabe. Espero que a escute quando 
chegar o momento, que a escute de verdade.
De que falas? Levantou uma mo como se queria par-lo. por que te pergunto de que falas se no estar aqui?
Espero que os dois deixem de analisar os passos e as fases e aceitem as coisas como so. Ray se encolheu de ombros e se meteu as mos nos bolsos da jaqueta dos 
lhes Areje. Mas voc tem que seguir seu caminho. vai custar te. Falta pouco tempo para que se complique muito. Interpor-te entre o Seth e o que lhe di. Sei. Quero 
te dizer que pode confiar nela. Quando chegar a um ponto morto, pode confiar em ti e pode confiar nela.
Phillip notou um calafrio que lhe percorreu tudo o espinho dorsal.
O que tm que ver Seth e Sybill?
No lhe posso dizer isso Voltou a sorrir, mas seus olhos no refletiam quo mesmo seus lbios. No falaste com seus irmos de mim. Tem que faz-lo. Tem que deixar 
de pensar que tudo depende de ti. Faz-o bem, certamente, mas tem que delegar um pouco disse tomando flego e se deu a volta. Caray, a sua me teria encantado este 
stio. No momento, organizaste-te muito bem a vida. Seus olhos sim sorriram essa vez. Estou orgulhoso de ti e sei que poder lutar com o que se mora.
Voc sim que organizou muito bem minha vida sussurrou Phillip. Mame e voc.
Nisso tem razo. Lhe piscou os olhos um olho. No ceda. Ray suspirou quando soou o telefone. Tudo o que passa tem que acontecer. A diferena est no que faz 
com isso. Responde o telefone, Phillip, e no se esquea de que Seth te necessita.
Ficou o som do telefone e o despacho vazio. Quando respondeu, Phillip seguia com o olhar cravado no stio onde tinha estado seu pai.
Phillip Quinn.
Escutou e o olhar lhe endureceu. Agarrou uma caneta e comeou a tomar notas do relatrio do detetive sobre os ltimos movimentos de Glria DeLauter.
Nove
Est no Hampton. Phillip no deixava de olhar ao Seth enquanto falava. CAM apoiou uma mo no ombro rgido do menino como um gesto de amparo. A polcia a recolheu... 
Embriaguez e escndalo, posse...
Est no crcere. Seth estava plido como a cera. Podem deix-la no crcere.
Agora est no crcere Phillip pensou que no sabia quanto tempo estaria ali, mas certamente ter dinheiro para depositar uma fiana. 
Quer dizer que pode lhes pagar dinheiro para que a soltem? Seth se estremeceu debaixo da mo do CAM. D igual o que tenha feito? 
No sei, mas agora mesmo sabemos onde est. vou falar com ela.
No! No v.
Seth, j falamos que isto. CAM passou a mo pelo ombro do Seth e lhe deu a volta para olh-lo  cara. A nica forma de arrumar isto  negociar com ela.
No vou voltar o disse com um fio de voz, mas firme e furioso. Nunca voltarei.
No vais voltar. Ethan se desabotoou o cinturo com ferramentas e o deixou no banco de trabalho. Pode ficar com o Grace at que volte Anna disse olhando ao Phillip 
e CAM. Ns iremos ao Hampton.
E se os polis dizem que tenho que ir? E se vierem enquanto vs no esto Y...?
Seth. Phillip interrompeu o desespero crescente. agachou-se e agarrou ao Seth dos braos. Tem que confiar em ns.
Seth o olhou com os olhos do Ray Quinn; estavam transbordantes de lgrimas e espanto. Pela primeira vez, Phillip os olhou e no sentiu o mais mnimo rancor nem dvida.
Voc  desta famlia e nada vai impedir o lhe disse com tranqilidade.
Seth soltou o ar trmulamente e assentiu com a cabea. No tinha alternativa, s podia confiar, e temer.
Iremos em meu carro decidiu Phillip.
Grace e Anna o tranqilizaro. CAM se agitou no assento do co-piloto do jipe do Phillip.
 espantoso estar to assustado. Ethan, do assento de atrs, olhou o velocmetro e comprovou que foram a mais de oitenta milhas por hora.  espantoso no poder 
fazer nada mais que esperar a ver o que acontece.
h-se jodido a si mesmo disse Phillip. Uma deteno no vai lhe ajudar para a custdia, se a solicitar.
No quer ao menino.
Phillip olhou um segundo ao CAM.
No, quer dinheiro. No vai chupar nos o sangue, mas vamos tirar algumas respostas. vamos terminar com isto.
Phillip pensou que ela tinha mentido. Estava seguro de que ela mentiria e faria algo, mas estava equivocada, completamente equivocada, se acreditava que poderia 
passar por cima dos trs para ficar com o Seth.
Seu pai lhe havia dito que poderia lutar com o que se morava.
Phillip agarrou com mais fora o volante. No apartou os olhos da estrada. Lutaria com isso. Fora como fosse.
Sybill entrou na pequena delegacia de polcia, a cabea lhe dava voltas e sentia um buraco no estmago. Glria a tinha chamado feita muito lgrimas e lhe tinha pedido 
dinheiro para a fiana.
Para a fiana, pensou Sybill enquanto tentava evitar um estremecimento.
Glria lhe havia dito que tinha sido um engano, um mal-entendido tremendo. Naturalmente, o que outra coisa podia ser? Quase lhe tinha mandado uma ordem de pagamento. 
Ainda no sabia muito bem por que no o tinha feito, por que se tinha montado no carro. Para ajud-la, disse-se. S queria ajud-la.
Eu gostaria de ver glorifica DeLauter disse  polcia que estava detrs de um pequeno mostrador lotado de coisas.
Seu nome?
Griffin. Doutora Sybill Griffin. Sou sua irm. Depositarei sua fiana, mas... eu gostaria de v-la.
Pode me ensinar alguma identificao? 
Ah, sim.
Comeou a rebuscar na bolsa, tinha as mos midas e trementes, mas o policial se limitou a olh-la com olhos inexpressivos at que lhe ensinou a identificao.
por que no se sinta? prop-lhe o policial antes de levantar-se e entrar na habitao contiga.
Tinha a garganta seca e sonhava com um copo de gua. Percorreu a sala de espera cheia de cadeiras de plstico com aspecto andino at que encontrou uma fonte, mas 
a gua lhe golpeou o estmago como se fossem bolas de chumbo congelado.
Tinham-na encerrado no calabouo? Realmente estava no calabouo? Teria que v-la em uma cela?
Entretanto, apesar da tristeza, sua mente funcionava com frieza e praticamente. Como tinha sabido Glria onde encontr-la? por que estava to perto do St. Christopher? 
por que a acusavam de posse de drogas?
Por isso no lhe tinha mandado a ordem de pagamento, queria respostas.
Doutora Griffin.
Ela deu um coice e se voltou para o policial com os olhos fora das rbitas.
Sim. Posso v-la j?
Tenho que ficar a bolsa. Darei-lhe um recibo.
De acordo.
Deu-lhe a bolsa, assinou onde lhe indicou e ficou com o recibo.
por aqui.
Assinalou uma porta lateral, abriu-a e entrou em um corredor estreito.  esquerda havia uma habitao com uma mesa e algumas sela. Glria estava sentada em uma com 
a boneca direita algemada a uma braadeira.
O primeiro que pensou Sybill foi que tudo era um engano. Aquela no era sua irm. Tinham levado a mulher equivocada. Aquela mulher era muito mais velha, muito mais 
arruda, tinha um corpo muito magro, os ombros lhe sobressaam como se deles nascessem umas asas e os peitos estavam to apertados dentro de um pulver apertado que 
os mamilos ressaltavam com arrogncia.
A pelambrera pajiza tinha uma raia escura no centro, umas rugas profundas lhe emolduravam a boca e a frieza de seu olhar era to afiado como seus ombros.
Ento, os olhos se empanaram e os lbios lhe tremeram.
Syb. Lhe quebrou a voz e estendeu uma mo implorante. Graas a Deus que vieste.
Glria. aproximou-se dela e tomou a mo vacilante. O que passou?
No sei. No entendo nada. Estou muito assustada.
Apoiou a cabea na mesa e comeou a chorar com soluos entrecortados.
Por favor. Sybill, instintivamente, rodeou os ombros de sua irm com o brao e olhou  polcia. Podemos ficar sozinhas?
Estarei detrs da porta.
O policial olhou a Glria e pensou em quo distinta era da mulher gritalh e insultante que tinha encerrado umas horas antes, mas sua cara no refletiu nada.
Saiu, fechou a porta e deixou sozinhas s duas mulheres.
Trarei-te um pouco de gua.
Sybill se levantou, foi at a jarra de gua e encheu um copo de papel. Logo, agarrou com fora as mos de sua irm.
pagaste a fiana? por que no vamos? No quero seguir aqui.
Eu me ocuparei. me conte o que passou.
J te hei dito que no sei. Estava com um tipo. Encontrava-me sozinha. Soluou e aceitou o leno de papel que lhe deu sua irm. Estvamos conversando. amos comer 
quando apareceram os polis. O saiu correndo e me agarraram . Tudo passou em questo de segundos. tampou-se a cara com as mos. Encontraram droga em minha bolsa. 
Deveu coloc-la ele. Eu s queria falar com algum.
De acordo. Estou segura de que o esclareceremos. Sybill queria acredit-la, mas se detestava por no consegui-lo do todo. Como se chamava ele?
John. John Barlow. Parecia encantador, Sybill. Muito pormenorizado. Eu me sentia desanimada pelo Seth. Baixou as mos e tinha um olhar trgico. Jogo muito de 
menos a meu garotinho.
Vinha para o St. Christopher?
Glria baixou o olhar.
Pensei que se tinha a oportunidade de v-lo...
Indicou-lhe isso o advogado?
O..., ah... A vacilao foi quase inaprecivel, mas Sybill ficou em alerta. No, mas os advogados no entendem nada. S querem mais e mais dinheiro.
Como se chama seu advogado? Chamarei-lhe. Ao melhor ele pode solucionar tudo isto.
No  desta zona. Olhe, Sybill, s quero sair daqui. No pode imaginar quo espantoso . esse policial disse assinalando para a porta com a cabea me ps as mos 
em cima.
Sybill voltou a sentir que lhe revolvia o estmago.
O que quer dizer?
J sabe o que quero dizer. Deu a primeira amostra de cansao. Me apalpou e me h dito que logo voltar para por mais. vai violar me.
Sybill fechou os olhos e se apertou os dedos contra eles. Quando eram jovens, Glria acusou a mais de uma dzia de meninos e adultos de hav-la agredido sexualmente, 
entre outros ao diretor do instituto, inclusive a seu pai.
Glria, no me faa isto. Hei dito que ia ajudar te.
Digo-te que esse bode me h meio doido todo o corpo. Assim que saia daqui, vou denunciar o. Fez uma bola de papel com o copo. Me importa um rabanete se no me 
crie. Eu sei o que passou.
Muito bem, mas vamos falar do presente. Como sabia onde me encontrar?
O que? A ira se apropriou de seu crebro e teve que fazer um esforo por lembrar-se de seu papel. O que quer dizer?
Eu no te disse aonde ia, onde ia estar. Disse-te que eu me poria em contato contigo. Como soube que me encontraria no hotel do St. Christopher?
Tinha cometido um engano e Glria se deu conta nada mais pendurar o telefone, mas estava bebida e furiosa. Alm disso, ela no tinha dinheiro para pagar a fiana. 
O que tinha estava a boa cobrana. At que os Quinn lhe dessem mais.
No pensou quando chamou o Sybill, mas aps tinha tido tempo para faz-lo. Sabia que para dirigir ao Sybill tinha que tocar as teclas do remorso.
Conheo-te disse sonriendo empalagosamente. Soube que me tentaria ajudar assim que te contei o que aconteceu Seth. Chamei a seu piso de Nova Iorque. Tinha-o 
feito, mas fazia mais de uma semana. Quando o servio de secretria eletrnica me disse que estava fora da cidade, expliquei-lhes que era sua irm e que era uma 
situao urgente. Eles me deram o nmero de telefone do hotel.
Entendo. Era possvel, inclusive lgico. Me ocuparei da fiana, Glria, mas com algumas condicione.
Claro. Deixou escapar uma breve gargalhada. Me soa.
Quero o telefone de seu advogado para cham-lo. Quero que me ponha a par da situao com o Seth. Quero que fale comigo. Iremos jantar e me falar dos Quinn. Poder 
me explicar a santo do que te deu dinheiro Ray Quinn em troca do Seth.
Esses bodes so uns mentirosos.
Conheci-os disse Sybill com toda tranqilidade. A suas mulheres tambm. Vi ao Seth. O que eu vi no se parece em nada ao que me disse deles.
No se pode pr tudo de forma impecvel em um relatrio. Deus!  como o velho. Tentou levantar-se e soltou um taco ao sentir o puxo das algemas. Os dois eminentes 
doutores Griffin...
Isto no tem nada que ver com meu pai replicou Sybill sem alterar-se. E tudo, temo-me, com o teu.
Que lhe dem por saco. Glria sorriu despectivamente. Que lhe dem por saco. A filha perfeita, a estudante perfeita, o maldito rob perfeito. Pagamento a fiana 
dos cojones. Tenho dinheiro investido. Devolverei-lhe isso. Recuperarei a meu filho sem sua ajuda, querida irm. Meu filho. Crie a uns desconhecidos e no crie a 
algum de seu prprio sangue, adiante... Sempre me odiaste.
No te odeio, Glria e nunca te odiei. Mas se deu conta de que poderia faz-lo. Temia poder faz-lo com muita facilidade. No acredito em ningum, s tento entender 
o que acontece.
Glria olhou para outro lado para que Sybill no visse seu sorriso de satisfao. Por fim tinha encontrado a tecla adequada.
Tenho que sair daqui. Tenho que me lavar. Fez que lhe quebrasse a voz. No posso seguir falando disto. Estou muito cansada.
Ocuparei-me da papelada. Seguro que no demoram muito.
Glria lhe agarrou a mo enquanto se levantava e a levou a bochecha.
Sinto muito. Sinto te haver dito essas coisas. No o hei dito a srio. Estou farta e desconcertada. Sinto-me muito sozinha.
No passa nada.
Sybill se soltou a mo e foi para a porta. Notava as pernas frgeis como o cristal.
Uma vez fora, tomou duas aspirinas e esperou a que tramitassem a fiana. Pensou que Glria tinha trocado fisicamente. Aquela garota, que tinha sido incrivelmente 
bonita, endureceu-se como o couro seco. Se embargo, temia-se que seguisse sendo a mesma garota infeliz, manipuladora e transtornada que desfrutava de siniestramente 
quando alterava seu lar.
Insistiria em que Glria aceitasse receber tratamento psicolgico. Se o abuso de drogas era parte do problema, faria que fora a reabilitao. Estava claro que a 
mulher que acabava de ver no podia ter a custdia de um menino. Investigaria quais eram as melhores alternativas para ele enquanto Glorifica se recuperava.
Naturalmente, teria que ver um advogado. Procuraria um pela manh e lhe consultaria quais eram os direitos de Glria e o que era o melhor para o Seth.
Teria que enfrentar-se aos Quinn.
S de pens-lolhe voltou a revolver o estmago. O enfrentamento era inevitvel. As palavras fortes e os sentimentos de dio lhe produziam uma tristeza enorme e sensao 
de vulnerabilidade.
Entretanto, estaria preparada. Pensaria bem o que tinha que dizer e preveria as perguntas e exigncias para ter a resposta mais adequada.
ficou plida ao ver que Phillip entrava no edifcio. Nenhuma gota de sangue chegava a sua cara. levantou-se mdio petrificada quando ele entrecerr os olhos e lhe 
dirigiu um olhar duro como o pederneira.
O que faz aqui, Sybill?
Eu... No se sentia dominada pelo pnico mas sim pela vergonha. Eu tinha coisas que fazer.
De verdade?
O se aproximou mais enquanto seus irmos se mantinham a certa distncia e em um silncio carregado de perguntas. O viu que o rosto do Sybill refletia remorso e algo 
mais que um pouco de medo.
Que tipo de coisas? Ela no respondeu  pergunta do Phillip e este inclinou a cabea. O que tem que ver com Glorifica DeLauter, doutora Griffin?
Ela fez todo o possvel para manter o olhar fixo e a voz inaltervel.
 minha irm.
A fria do Phillip era glida e absoluta. meteu-se as mos nos bolsos para no as usar de algum jeito que seria imperdovel.
 encantador, verdade, zorra? disse sem levantar a voz, mas ela se cambaleou como se a tivesse golpeado. Me utilizaste para chegar at o Seth.
Ela negou com a cabea porque no podia neg-lo com a voz. Acaso no era verdade? Tinha-o utilizado, e a outros tambm.
S queria v-lo.  o filho de minha irm. Tinha que saber que o cuidavam.
Ento, onde coo estiveste durante os ltimos dez anos?
Ela abriu a boca, mas se tragou todas as desculpas ao ver que tiravam glria.
Vamos daqui. me convide a beber algo, Syb. Agarrou uma bolsa cor cereja e sorriu provocativamente ao Phillip. Falaremos tudo o que queira. Ol, bombons. apoiou-se 
um punho no quadril e sorriu a todos outros homens. Que tal tudo?
Em outras circunstncias, o contraste entre as duas mulheres poderia ter resultado cmico. Sybill estava plida e silenciosa, com o cabelo brilhante primorosamente 
recolhido na nuca, os lbios sem pintar e os olhos com um pouco de sombra. Irradiava elegncia em um traje cala cinza com camisa de seda branca. Glria era todos 
ossos, com umas curvas desproporcionadas embutidas em uns jeans negros e uma camiseta rodeada que se abria entre os peitos.
arrumou-se a maquiagem. Os lbios eram de um vermelho brilhante como a bolsa de plstico e os olhos estavam emoldurados em umas raias negras. Phillip decidiu que 
parecia o que era: uma puta que envelhecia e procurava uma esquina.
Glria tirou um cigarro de um mao de cigarro enrugado e o ps entre os dedos.
Tem fogo, muchachote?
Glria, ele  Phillip Quinn. A cerimoniosa apresentao lhe retumbou nos ouvidos. E eles so seus irmos, Cameron e Ethan.
V, v. O sorriso de Glria se tornou cida e horrvel. O infame trio do Ray Quinn. Que coo querem?
Respostas respondeu Phillip. Vamos fora.
No tenho nada que falar contigo. Se fizer qualquer movimento que eu no goste, porei-me a gritar disse lhe apontando com o cigarro apagado. Esta casa est cheia 
de policiais. J veremos se voc gosta de acontecer um momento em chirona.
Glria. Sybill a agarrou por brao para acalm-la-a nica forma de solucionar as coisas  falando-o como pessoas.
No me parece que queiram fal-lo como pessoas. Querem me fazer danifico. Trocou de ttica habilmente e se abraou ao Sybill. Do medo. Sybill, por favor, me 
ajude.
Estou-o tentando, Glria, ningum vai fazer te danifico. Vamos a algum stio onde possamos nos sentar e esclarecer tudo isto. Eu vou estar contigo.
vou vomitar. apartou-se com as mos no estmago e foi ao quarto de banho.
Uma atuao muito boa sentenciou Phillip.
encontra-se mau. Sybill se agarrou as mos. Esta noite no vai poder falar deste assunto.
O olhou ao Sybill com ar sarcstico. 
Pretende que me trague isso? Ou  muito ingnua ou crie que eu o sou.
passou quase toda a tarde no calabouo lhe replicou Sybill. Qualquer se encontraria mau. No podemos esclarecer tudo isto manh? Se tiver esperado tanto tempo, 
seguro que pode esperar um dia mais.
Estamos aqui neste momento interveio CAM. Resolveremos agora mesmo. Vai a por ela ou vou eu?
Assim pensa resolv-lo? Com ameaas?
No me diga como tenho que resolv-lo. CAM se soltou da mo do Ethan, que tentava acalm-lo. depois do que tem feito com o Seth, merece-se tudo o que possamos 
fazer com ela.
Sybill olhou para o policial.
No acredito que nenhum de ns queira fazer uma cena em uma delegacia de polcia.
De acordo. Phillip a agarrou por brao. Vamos fora.
Ela ficou quieta, em parte por medo e em parte por sentido comum.
Veremo-nos amanh.  hora que queiram. Levarei-a a meu hotel.
Manten afastada do St. Chris.
Sybill fez uma careta quando Phillip lhe agarrou o brao com mais fora.
De acordo. O que prope?
Lhe direi comeou isso a dizer CAM, mas Phillip lhe fez um gesto para que se calasse.
Princess Anne. Leva-a ao despacho da Anna nos servios sociais. s nove. Isso lhe dar um carter oficial, no? Sem armadilha nem carto.
Sim. Sybill notou o alvio. De acordo. Levarei-a. Dou-lhes minha palavra.
Eu no dou dois cntimos por sua palavra, Sybill. Phillip se inclinou ligeiramente e acrescentou. Mas se no a leva, ns a encontraremos. Enquanto isso, se alguma 
das duas tenta aproximar-se do Seth a menos de uma milha, acabaro no calabouo.
Phillip lhe soltou o brao e retrocedeu um passo.
Estaremos ali s nove.
Sybill se conteve as vontades de esfregar o brao, deu-se a volta e foi ao quarto de banho.
por que aceitaste? perguntou- CAM ao Phillip enquanto saam da delegacia de polcia. A tnhamos aqui e agora.
Amanh tiraremos mais dela.
Tolices.
Phillip tem razo. Chateava-lhe, mas Ethan aceitou a mudana de planos. O manteremos em uma esfera oficial. No perderemos a cabea e ser melhor para o Seth.
por que? Para que a zorra de sua me e a mentirosa de sua tia tenham mais tempo para ficar de acordo? Deus, quando penso que Sybill aconteceu uma hora com o Seth... 
Eu gostaria...
J aconteceu lhe cortou Phillip. O est bem e ns tambm. Fervia-lhe o sangue, montou-se no jipe e fechou de uma portada. Somos cinco. No vo tocar ao Seth.
O no a reconheceu comentou Ethan.  curioso, no sabia quem era Sybill.
Eu tampouco sussurrou Phillip enquanto punha o carro em marcha, mas agora j sei.


A prioridade do Sybill era que Glria comesse algo quente, que se tranqilizasse e que lhe respondesse algumas pergunta. A umas mas da delegacia de polcia havia 
um pequeno restaurante italiano que seria perfeito.
Tenho os nervos destroados. Glria deu uma imerso de seu cigarro enquanto Sybill estacionava. Esses bodes que me perseguem dessa maneira... Sabe o que me teriam 
feito se tivesse estado sozinha, verdade?
Sybill suspirou e se desceu do carro. 
Tem que comer algo.
Claro. Glria fez um gesto de desgosto ao ver a decorao. Era luminosa e alegre. Tinha cermica italiana de muitas cores, grandes vela, toalhas de quadros e garrafas 
com vinagres aromatizados com ervas. Eu preferiria um filete que comiducha italiana.
Por favor. Sybill conteve a ira, agarrou por brao a sua irm e pediu uma mesa.
Zona de fumantes acrescentou Glria enquanto tirava outro cigarro e foram  zona mais ruidosa do restaurante. Um gim-tonic. Dobro.
Sybill se esfregou as tmporas.
gua mineral, obrigado.
lhe relaxe lhe disse Glria quando se afastou a garonete. Te viria bem beber algo.
Tenho que conduzir e, alm disso, no gosta. Apartou a cara para esquivar a fumaa que tinha solto Glria. Temos que falar a srio.
Primeiro me deixe que beba um gole, vale?
Glria repassou todos os homens que havia na barra e se imaginou a qual seduziria se no estivesse com a muito chata de sua irm.
Sybill era muito aborrecida. Sempre o tinha sido, disse-se Glria enquanto tamborilava na mesa com os dedos e esperava sua bebida. Entretanto, era muito til e sempre 
o tinha sido. Se a dirigia bem e soltava muitas lgrimas, ela transigia.
Necessitava algo para golpear aos Quinn e Sybill era a eleio perfeita. Honrada-a e respeitvel de mierda doutora Griffin.
Glria, no perguntaste pelo Seth.
O que lhe passa?
Vi-o vrias vezes. falei com ele e vi onde vive e a que colgio vai. Tambm conheci a alguns de seus amigos.
Glria adotou o tom de voz de sua irm e imitou sua atitude.
Que tal est? perguntou esboando um sorriso vacilante. perguntou por mim?
Est bem. A verdade  que est maravilhosamente. cresceu muito da ltima vez que o vi.
Comia como uma lima, recordou Glria, e a roupa e os sapatos ficavam pequenos imediatamente. Como se lhe sobrasse o puetero dinheiro.
No me reconheceu.
O que quer dizer? Glria deu um sorvo assim que deixaram a bebida na mesa. No o disse?
No. Sybill olhou  garonete. Ainda no sabemos o que vamos pedir.
Assim estava farejando de incgnito. Glria deixou escapar uma gargalhada rouca. Me surpreende, Syb.
Pareceu-me que era prefervel estudar a primeiro situao.
Glria soprou.
Isso sim que  prprio de ti. Carajo, no troca. Prefervel estudar a primeiro situao repetiu Glria imitando o tom do Sybill. A situao  que esses filhos 
de puta tm a meu filho. Ameaaram-me e sabe Deus o que estaro lhe fazendo. Quero massa para recuper-lo.
Mandei-te dinheiro para o advogado lhe recordou Sybill.
Glria mordeu um cubito de gelo. Os quinhentos dlares lhe tinham vindo muito bem. Como ia ou seja ela o depressa que ia o dinheiro que lhe tinha tirado o Ray? Tinha 
gastos. Queria divertir-se um pouco para variar. Deveria lhe haver pedido o dobro.
O tiraria aqueles bodes que ele tinha criado.
Recebeu a ordem de pagamento com o dinheiro para o advogado, verdade, Glria?
Glria deu outro sorvo.
Sim, claro, mas os advogados lhe espremem. N! Chamou  garonete e lhe assinalou o copo vazio. me Jogue outro gole, quer?
Se beber dessa maneira e no come nada, vais vomitar outra vez.
Glria agarrou o menu. No pensava voltar a met-los dedos. Com uma vez tinha tido suficiente.
Tm filete  florentina. Tomarei isso. Lembra-te do vero quando o velho nos levou a Itlia? Aqueles tios de olhar abrasador de moto... A me de Deus, passei-me 
isso de medo com aquele tio, como se chamava? Carlo ou Leo, ou algo assim. Meti-o no dormitrio. Voc foi muito tmida para ficar a olhar e te foste dormir  sala. 
Levantou o copo como em um brinde. Deus benza aos italianos.
Eu tomarei lingini com pesto e salada mista.
Tomarei o filete. Glria alargou o menu sem olhar  garonete.. Pode te economizar a forragem. Faz tempo, n, Syb? Quanto? Quatro, cinco anos?
Seis a corrigiu Sybill. Faz seis anos que vim para comprovar que te tinha largado com o Seth e algumas costure minhas.
J, sinto muito. Estava curvada.  difcil criar a um filho. Sempre est sem dinheiro.
Nunca me h dito nada de seu pai.
O que quer saber? J est tudo dito. encolheu-se de ombros e fez soar o gelo no copo.
Muito bem, falemos, ento, de como esto as coisas agora. Tenho que saber tudo o que passou. Tenho que entend-lo para te ajudar e poder levar a reunio de amanh 
com os Quinn.
Glria deixou de repente o gim-tonic na mesa. 
Que reunio?
Amanh pela manh vamos aos servios sociais para estudar os problemas, comentar a situao e tentar chegar a uma soluo.
Uma mierda. Eles s querem joderme.
Baixa a voz lhe ordenou Sybill cortantemente. me Escute. Se quer te endireitar, se quer recuperar a seu filho, ter que fazer as coisas tranqila e legalmente. 
Glria, necessita ajuda e eu quero te ajudar. Por isso vejo, no est em condies de voltar a te levar ao Seth.
De que parte est?
Da dele disse antes de dar-se conta de que era a verdade. Estou de parte do Seth e espero que isso me ponha de sua parte. Temos que resolver o que aconteceu hoje.
J te hei dito que me enganaram.
Muito bem. Ter que esclarec-lo. Um tribunal no vai ser muito pormenorizado com uma mulher acusada de posse de drogas.
Fantstico, por que no sobe a declarar como testemunha e lhes explica que sou um refugo?  o que pensa.  o que pensaste toda sua vida.
Por favor, deixa-o. Sybill baixou a voz e se inclinou por cima da mesa. Estou fazendo tudo o que posso. Se quer me demonstrar que est disposta a que as coisas 
saiam bem, ter que colaborar. Ter que dar algo em troca, Glria. 
Contigo nunca h nada grtis.
No falo de mim. Eu pagarei a multa, eu falarei com os servios sociais, tentarei que os Quinn entendam suas necessidades e seus direitos. Quero que voc submeta 
a reabilitao.
Do que? 
Bebe muito.
Glria esboou um sorriso zombador e deu outro sorvo.
tive um dia de ces. 
Tinha drogas.
J te hei dito que no eram minhas.
Sim, j me h isso dito replicou Sybill sem alterar o tom. Submeter a tratamento, a terapia, a reabilitao. Eu me ocuparei. Nota promissria a fatura, encontrarei-te 
um trabalho e um stio onde viver. 
Sempre que for de seu gosto. Glria acabou o copo. Terapia. O velho e voc sempre solucionavam assim as coisas.
Essas so as condies.
Assim leva as rdeas. Por Deus, me pea outra taa. Tenho que ir mijar.
pendurou-se a bolsa do ombro e cruzou o bar. Sybill se apoiou no respaldo da cadeira e fechou os olhos. No ia pedir outra taa para Glria e menos quando j lhe 
travava a lngua. Teriam outra discusso por isso.
A aspirina que se tomou no serve para nada. A dor lhe amassava as tmporas com um ritmo constante e penetrante. Sentia uma chapa de ferro na frente. Sonhava tombando-se 
em uma cama s escuras e esquecer-se de tudo.
Ele a desprezava. Doa-lhe recordar o desprezo que tinha visto nos olhos do Phillip. Possivelmente o merecesse. Nesse momento no podia pensar com suficiente claridade 
para estar segura, mas o lamentava.
Melhor dizendo, estava furiosa por permitir que ele e sua opinio de lhe parecessem to importantes quando quase no o conhecia. Conhecia-o desde fazia uns dias 
e nunca, em nenhum momento, tinha tido a inteno de que os sentimentos de ambos se mesclassem.
Tinha sido uma atrao fsica circunstancial, umas horas que tinham desfrutado de juntos. No deveria ter sido nada mais, como se tinha complicado tudo?
Sybill sabia que quando a tinha abraado, quando lhe tinha cozido o sangue por aqueles beijos largos e ntimos, tinha querido mais. Nesse momento, ela, que nunca 
se considerou especialmente sexy ou sentimental, sentia-se insatisfeita e desgraada porque um homem tinha aberto o fecho de uma porta que no ia cruzar.
J no podia fazer nada. A verdade era que se se tinham em conta as circunstncias, ela e Phillip Quinn no pareciam o um para o outro. Se conseguiam ter algum tipo 
de relao, seria pelo menino. Os dois seriam educados, adultos e esperava que judiciosos.
Pelo bem do Seth.
Abriu os olhos e viu a garonete que lhe servia a salada. Detestou o gesto de lstima na cara da desconhecida.
Quer algo mais? um pouco de gua?
No. Obrigado. Leve-se isso acrescentou enquanto assinalava o copo de Glria.
O estmago lhe punha de ponta s de pensar na comida, mas fez um esforo por levantar o garfo. Brincou com a salada durante cinco minutos enquanto olhava de vez 
em quando ao fundo do restaurante.
Sybill pensou que Glria estaria doente outra vez. Teria que ir, lhe sujeitar a cabea, escutar suas lamentaes e limpar o cho.
Deixou a um lado o ressentimento e a vergonha, e se levantou para ir ao quarto de banho.
Glria, est mau? No se via ningum e Sybill comeou a abrir as portas. Glorifica...
Ao abrir a ltima cabine viu sua prpria carteira sobre a tampa do privada. Sem poder acreditar-lhe agarrou-a e olhou dentro. Tinha seus carns e os cartes de crdito, 
mas o dinheiro tinha pirado, ao igual a sua irm.
Dez
Quando Sybill abriu a porta da habitao do hotel, a cabea estava a ponto de lhe estalar de dor, as mos lhe tremiam e todo o corpo lhe pedia tombar-se para passar 
a noite. Se conseguisse seus remdios para a enxaqueca, se pudesse esquecer-se de tudo em uma habitao s escuras, poderia encontrar uma forma de enfrentar-se ao 
dia seguinte.
Poderia encontrar a forma de enfrentar-se s aos Quinn, s e com a sensao de fracasso.
Eles acreditariam que tinha ajudado a Glorifica a escapar. No podia culp-los. Para eles era uma mentirosa e uma trapaceira. Como para o Seth.
E para ela mesma, reconheceu-se.
Lentamente, entrou na habitao, fechou, jogou o fecho e se apoiou de costas na porta at que conseguiu que as pernas voltassem a mover-se.
Quando se acenderam as luzes, ela sufocou um grito e se tampou os olhos com as mos.
Tinha razo sobre a vista disse Phillip da terrao.  impressionante.
Sybill baixou a mo e fez um esforo para pr o crebro em marcha. O se tinha tirado a jaqueta e a gravata, mas seguia igual a na delegacia de polcia; refinado, 
com aspecto urbano e muito zangado.
Como entraste?
O sorriu com uma frieza que fez que seu olhar se tornasse glida e dura. Como se seus olhos fossem uns sis invernais.
Decepciona-me, Sybill. Acreditava que sua investigao sobre o sujeito deixava claro que uma de minhas habilidades era entrar em casas alheias.
Ela ficou apoiada na porta.
Foi um ladro?
Entre outras coisas, mas j est bem de falar de mim. Avanou um pouco e se sentou no brao do sof, como se tivesse ido a casa de um amigo para conversar um momento. 
Me fascina. Suas notas so incrivelmente reveladoras, at para um profano.
Tem lido minhas notas? Desviou o olhar para o ordenador porttil que havia em cima da mesa. O vu de dor no lhe permitia sentir-se ofendida e ultrajada, mas sabia 
que o estava. No tem direito a entrar aqui, forar meu ordenador e ler meu trabalho.
Phillip pensou que estava muito tranqila, levantou-se e se serve uma cerveja do minibar. Que tipo de mulher era?
No que se refere para mim, Sybill, j no ficam oportunidades. Mentiste-me e me utilizaste. Quando entrou no estaleiro a semana passada, j o tinha tudo previsto. 
No podia manter a calma. quanto mais o olhava inexpresivamente, mais furioso se sentia. Te infiltrou no campo inimigo. Golpeou a cerveja contra a mesa e o rudo 
atravessou a cabea do Sybill como uma machadada. Observar e informar. Passar informao a sua irm. Se estar comigo te facilitava a tarefa, sacrificaria-te. Teria-te 
deitado comigo?
No. pressionou-se a mo contra a cabea e esteve a ponto de ceder s vontades de fazer um novelo no cho. Eu no queria que as coisas...
Acredito que memore. Foi at ela, agarrou-a pelos braos e a ps nas pontas dos ps. Acredito que teria feito algo. Uma classe prtica mais, no? Com o benefcio 
acrescentado de ajudar a zorra de sua irm a nos chupar o sangue. Seth no significa para ti mais do que significa para ela. S  o meio para um fim.
No, no o ... No posso pensar. A dor era atroz e se ele no tivesse estado sujeitando-a, teria se posto de joelhos para lhe suplicar. Eu..., falaremo-lo amanh. 
No me sinto bem.
Glria e voc tambm tm isso em comum. No me trago isso, Sybill.
A respirao lhe entrecortou e a viso se nublou um pouco.
Sinto muito. No posso suport-lo. Tenho que me sentar. Por favor, tenho que me sentar.
O a olhou sem cegar-se pela fria. Tinha as bochechas muito plidas, os olhos frgeis e a respirao acelerada. Se estava fingindo, disse-se Phillip, Hollywood se 
tinha perdido uma atriz de primeira fila.
Soltou um improprio e a levou a sof. Ela se derreteu nos almofades.
sentia-se muito mal para ter vergonha.
Minha bolsa. As pastilhas esto em minha bolsa.
Phillip agarrou a bolsa de couro negro que havia junto  mesa, rebuscou dentro e tirou um frasco.
Dimitrex?
Olhou-a. Tinha a cabea para trs, os olhos fechados e os punhos sobre o regao como se assim pudesse conter a dor.
 um frmaco muito forte para as enxaquecas.
Sim, tomo de vez em quando. Tinha que enfocar a vista e relaxar-se, mas no conseguia que se passasse aquela dor espantosa. Tinha que as haver levado comigo. 
Se as chegar a ter, no teria chegado a este ponto.
Toma. Phillip lhe deu uma pastilha e um copo de gua.
Obrigado. Quase se engasgou com a gua. Demora um pouco em fazer efeito, mas  melhor que a injeo. Fechou os olhos e rezou para que a deixasse em paz.
comeste?
No. No passa nada.
Parecia frgil, espantosamente frgil. O, em parte, pensava que se merecia tanto dor e estava tentada a deix-la s com sua desdita. Entretanto, desprendeu o telefone 
e chamou o servio de habitaes.
No quero nada.
No fale.
Pediu uma sopa e um ch e comeou a ir de um lado a outro.
Como teria podido equivocar-se tanto ao julg-la? O alardeava de saber qualificar s pessoas rpida e acertadamente. Tinha visto uma mulher inteligente e interessante. 
Uma mulher com classe, humor e gosto. Entretanto, debaixo da resplandecente superfcie se ocultava uma mentirosa, uma falsa e uma oportunista.
Esteve a ponto de soltar uma gargalhada. Acabava de descrever ao menino que tinha demorado meia vida em enterrar.
Em suas notas diz que no tinha visto o Seth desde fazia quatro anos, por que vieste agora?
Acreditava que podia ajudar.
A quem?
Notou que a dor podia comear a remeter e, abriu os olhos.
No sei. Pensei que poderia lhe ajudar a ele e a Glria.
Ajuda a um e prejudica ao outro. Tenho lido suas notas, Sybill. vais dizer me que ele te importa? Chama-o o sujeito. O no  um sujeito de mierda,  um menino.
 fundamental ser objetivo.
 fundamental ser humano.
Foi um dardo suficientemente certeiro para lhe alcanar o corao.
Os sentimentos no me do muito bem. Sei mais de reaes e pautas de conduta. Eu esperava me manter a certa distncia da situao, analis-la e chegar ou seja o 
que era o melhor para todos os implicados. No o tenho feito muito bem.
por que no fez nada antes? apressou-lhe Phillip. por que no fez nada para analisar a situao quando Seth estava com sua irm?
Eu no sabia onde estavam.
Sybill soprou e sacudiu a cabea. No era o momento de dar desculpas e o homem que a olhava com aqueles olhos glidos no ia aceitar as.
Nunca fiz um esforo por encontr-los corrigiu Sybill. Lhe mandava dinheiro de vez em quando se ela me chamava e me pedia isso. Minha relao com Glria era infrutfera 
e desagradvel.
Pelo amor de Deus, Sybill, estamos falando de um menino, no de suas opinies sobre sua irm.
Dava-me medo sentir unida a ele espetou ela. A vez que o fiz, ela o levou. Era o filho dela, no o meu. Eu no podia fazer nada. Pedi-lhe que me deixasse ajud-los, 
mas ela se negou. Criou-o sozinha. Meus pais a deserdaram. Minha me nem sequer reconhece que tem um neto. Sei que Glria tem problemas, mas tem que ser muito difcil 
para ela.
Phillip a olhou fixamente.
Diz-o a srio?
Ela no tem a ningum comeou a dizer Sybill antes de que batessem na porta e ela fechasse os olhos. O sinto, mas no acredito que possa comer.
Sim, sim pode.
Phillip abriu a porta e pediu ao garom que deixasse a bandeja na mesa que havia diante do sof. Deu-lhe uma generosa gorjeta e o despediu.
Prova a sopa ordenou ao Sybill. Se no comer algo, o medicamento te dar nuseas. Recorda que minha me era mdico.
De acordo. Tomou uma colherada e se disse que era um remdio mais. Obrigado. J sei que est fazendo um verdadeiro esforo por ser amvel.
Custa-me mais te pisotear quando est no cho. Come um pouco e poderemos lutar um par de assaltos.
Ela suspirou. A dor de cabea estava perdendo intensidade. Podia suport-lo, e a ele tambm.
Espero que pelo menos tente entender meu ponto de vista sobre tudo o assunto. Glria me chamou faz um par de semanas. Estava desesperada, aterrada. Disse-me que 
tinha perdido ao Seth.
Perd-lo? Phillip deixou escapar uma risada sarcstica. Isso sim que  bom.
Ao princpio pensei que o tinham seqestrado, mas consegui que me desse alguma informao. Estava histrica por medo a no voltar a v-lo. No tinha dinheiro para 
pagar ao advogado. Ela sozinha se enfrentava a uma famlia, a todo um sistema. Mandei-lhe uma ordem de pagamento para que pagasse ao advogado e lhe disse que a ajudaria, 
mas que teria que esperar at que me pusesse em contato com ela.
Sybill comeava a sentir-se melhor e agarrou um dos pozinhos que havia em uma cesta junto  terrina de sopa.
Decidi vir para ver a situao com meus prprios olhos. Sei que Glria no est acostumada dizer toda a verdade, que pode tergiversar as coisas para favorecer sua 
posio. Entretanto, o certo era que sua famlia tinha ao Seth e ela no.
Graas a Deus.
Sybill olhava a parte de po que tinha na mo e se perguntava se poderia meter-lhe na boca e mastig-lo.
Sei perfeitamente que esto lhe dando um bom lar, mas ela  sua me, Phillip. Tem direito a conservar a seu filho.
Ele a olhou atentamente  cara e analisou o tom de sua voz. No sabia se estar furioso ou desconcertado pelas duas coisas.
Crie-o sinceramente, verdade?
Sybill comeava a recuperar a cor. Tambm via com mais claridade e o olhou aos olhos.
A que te refere?
Crie que minha famlia ficou com o Seth, que nos aproveitamos de uma pobre me solteira que passava um mau momento e lhe arrebatamos o filho, que ela quer que ele 
volte e que tem um advogado que se ocupa de conseguir a custdia... 
Vs o tm insistiu Sybill.
Isso  verdade. E est onde tem que estar e onde vai ficar. Te vou expor algumas verdades. Ela chantageou a meu pai e vendeu ao Seth. 
J sei que vs criem isso, mas...
Hei dito verdades, Sybill. Faz menos de um ano, Seth vivia em uma habitao repugnante e sua irm fazia a rua.
Fazia a rua?
Por Deus, de onde vem? Ela no  uma puta com corao de ouro, no  uma me se desesperada que faria algo por seu filho. Ela faz algo por sua dependncia.
Ela negou lentamente com a cabea embora em parte acreditava tudo o que ele dizia.
No pode sab-lo.
Sim posso sab-lo porque vivi com o Seth. falei com ele e lhe escutei.
Ao Sybill lhe congelaram as mos, agarrou a bule para esquentar-lhe e se serve uma taa de ch.
 um menino. Ao melhor o entendeu todo mal.
Claro. Seguro que passou isso, seguro que entendeu mal quando ela levou um cliente  habitao, quando se colocou tanto que ficou tiragem no cho e ele no sabia 
se estava morta. Seguro que entendeu mal quando lhe pegou uma surra porque estava de mau humor.
Pegou-lhe? As mos lhe tremiam de tal maneira que quase no pde deixar a taa no prato. Lhe pegou?
Deu-lhe uma surra. Uma surra com todas as letras, doutora Griffin. Com os punhos, o cinturo, o dorso da mo... Alguma vez lhe deram um murro na cara? disse aproximando 
seu punho  cara do Sybill. Imagine o Em proporo, parecer-se com o punho de uma mulher em comparao com a cara de um menino de cinco ou seis anos. Se acrescentar 
lcool e drogas, o punho ainda vontade fora. Eu sim o conheo. Apartou o punho e o olhou. Minha me preferia o pangar; a herona. Se no podia met-la dose, 
era melhor que te afastasse de seu caminho. Eu sim sei o que  que uma mulher se desesperada e feita p me pegue um murro. Voltou a olhar ao Sybill. Sua irm no 
vai ter a ocasio de voltar a faz-lo com o Seth.
Eu... Tem que ficar em tratamento. Eu nunca... O estava bem quando o vi. Se tivesse sabido que o maltratava...
No terminei.  um menino bonito, verdade? Alguns dos clientes de Glria tambm pensavam que o era...
Sybill perdeu a cor que tinha recuperado.
No. Sacudiu a cabea, separou-se dele e se levantou. No, no acredito. Isso  repugnante.  impossvel.
Ela no fez nada por impedi-lo. Phillip no fez caso da palidez e a fragilidade do Sybill e rematou: No fez absolutamente nada por proteg-lo. Seth estava desamparado. 
escondia-se ou tentava escapar deles, mas antes ou depois havia algum que o encontrava.
 impossvel. Ela no pde...
Ela sim pde, sobre tudo se isso lhe proporcionava alguns ganhos extras. Ns demoramos meses em poder toc-lo embora fora da forma mais inocente e casual. Ainda 
tem pesadelos, e se mencionar o nome de sua me, te revolve o estmago s de ver a expresso de medo em seus olhos. Essa  a situao, doutora Griffin.
Como pode esperar que o aceite sem mais? Como pode esperar que a cria capaz de todo isso? levou-se uma mo ao corao. Me criei com ela. Conheo-te h menos de 
uma semana e esperas que me cria essa histria de horror, esperas que cria que toda essa baixeza  uma verdade indiscutvel...
Parece-me que o crie replicou ele ao cabo de uns segundos. Acredito que, apesar de tudo,  suficientemente inteligente, por no dizer nada de observadora, para 
saber qual  a verdade.
Estava aterrada.
Se for verdade, por que no fizeram nada as autoridades? por que no lhe ajudaram?
Sybill,  possvel que tenha vivido tanto tempo nesse mundo inaltervel que no sabe como  a vida na rua? Sabe quantos Seths h? O sistema funciona para alguns 
poucos afortunados. No funcionou comigo. No funcionou com o Seth. Ray e Stella Quinn funcionaram comigo. Faz menos de um ano, meu pai pagou a sua irm o primeiro 
prazo por um menino de dez anos. trouxe-se para o Seth a casa e lhe deu uma vida, uma vida digna desse nome.
Ela disse... Ela disse que o tinha levado.
Sim, o levou. A primeira vez lhe deu dez mil dlares e logo outros dois pagamentos de uma quantidade parecida. O maro passado, lhe escreveu uma carta em que lhe 
exigia um pagamento definitivo. Cento e cinqenta mil dlares em efetivo e ela desapareceria.
Cento... Aturdida, ficou calada e tentou concentrar-se nos fatos demonstrveis. Escreveu uma carta?
Eu a li. Estava no carro de meu pai quando teve o acidente. Ele voltava de Baltimore. Tinha esvaziado quase todas suas contas. Suponho que ela se teria gasto grande 
parte do dinheiro. Faz uns meses nos escreveu para nos pedir mais.
Sybill se deu a volta, foi at a terrao e abriu as portas de par em par. Necessitava ar e o tragou como se fora gua.
Tenho que me acreditar que Glria tem feito tudo isto s por dinheiro?
Voc lhe mandou dinheiro para o advogado. Como se chama? por que no se ps em contato com nosso advogado?
Sybill fechou os olhos com toda sua fora, mas isso no impediria que se sentisse trada.
Deu-me largas quando o perguntei. Evidentemente, no tem um advogado e acredito que nunca tentou consultar a algum.
V,  lenta. O tom irnico era muito claro. Mas acaba inteirando-se.
Eu queria acredit-la. De meninas no nos levvamos muito bem e isso tem que ser minha culpa tanto como dela. Esperava poder ajud-la, e ao Seth. Acreditava que 
assim o conseguiria.
E ela se aproveitou de ti.
Sentia-me responsvel. Minha me  inflexvel nisto. Est furiosa por que tenha vindo aqui. negou-se a reconhecer a Glria desde que se foi de casa quando tinha 
dezoito anos. Glria disse que o diretor do instituto a tinha agredido sexualmente. Constantemente dizia que algum a tinha incomodado. Minha me e ela tiveram uma 
discusso tremenda e ao dia seguinte Glorifica se foi de casa. levou-se algumas jias de minha me, a coleo de moedas de meu pai e dinheiro em efetivo.
No soube nada dela durante uns cinco anos. Esses cinco anos foram um alvio. Odiava-me disse Sybill com tranqilidade e sem apartar o olhar do reflexo das luzes 
na gua. Sempre. Desde que eu recordo. Dava igual o que eu fizesse, dava igual a brigasse com ela ou que me retirasse para lhe dar a razo, ela me detestava. Para 
mim era mais fcil me manter a distncia. Eu no a odiava, simplesmente, no sentia nada. Agora mesmo, quando deixo todo o resto a um lado, passa-me exatamente o 
mesmo. No sinto nada por ela. Deve ser um defeito sussurrou. Possivelmente seja gentico disse sonriendo fracamente e voltou a d-la volta. Ao melhor algum 
dia posso fazer um estudo interessante.
Voc alguma vez teve nem idia do que estava fazendo, verdade?
No. No diz muito a favor de meus dotes de observadora. Sinto muito, Phillip. Sinto muito o que tenho feito e o que no tenho feito. Prometo-te que no vim aqui 
para prejudicar ao Seth Dou minha palavra de honra de que farei tudo o que possa por ajudar. Eu gostaria de ir aos servios sociais manh pela manh e falar com 
a Anna e sua famlia. Se me permitisse isso, eu gostaria de ver o Seth, tentar lhe explicar...
No vamos levar o ao escritrio da Anna. No vamos deixar que Glria se aproxime dele. 
Ela no estar ali.
Phillip piscou.
Como diz?
No sei onde est. Derrotada, estendeu as mos. Prometi lev-la e queria faz-lo.
deixaste que escape? Maldita seja.
No o fiz... intencionadamente disse deixando cair no sof. A levei a um restaurante. Queria falar com ela e que comesse algo. Estava nervosa e bebia muito. Eu 
estava zangada. Disse-lhe que amos esclarecer tudo e a ter uma reunio amanh pela manh. Dava-lhe um ultimato. Teria que haver-me imaginado. No gostou da idia, 
mas no imaginei o que ela poderia fazer.
Que tipo de ultimato?
Que ficaria em tratamento, em reabilitao. Que receberia ajuda, que se endireitaria antes de tentar obter a custdia do Seth. Foi ao quarto de banho e como no 
voltava, fui procurar a. Sybill levantou as mos e voltou s deixar cair. Encontrei minha carteira. Deveu me tirar isso da bolsa. Deixou-me os cartes de crdito 
acrescentou com um sorriso cansado. Sabe que as teria cancelado imediatamente. S se levou o dinheiro em efetivo. No  a primeira vez que me rouba, mas sempre 
me surpreende. Suspirou e se encolheu de ombros. Dava uma volta em carro de umas duas horas para ver se a encontrava, mas no a encontrei e no sei aonde se prope 
ir.
Chateou-te o bastante, no?
Sou adulta, posso cuidar e ser responsvel por mim mesma, mas Seth... Se uma mnima parte do que me contaste  verdade... odiar-me. Entendo-o e tenho que aceit-lo. 
Eu gostaria de ter a oportunidade de falar com ele.
Isso depender dele.
Parece-me justo. Tenho que ver a documentao. Sybill entrelaou as mos. Sei que pode me exigir uma ordem judicial, mas eu gostaria de evit-lo. Assimilarei-o 
tudo melhor se o vir por escrito.
No tudo so palavras quando se trata de sentimentos e da vida de pessoas.
Possivelmente no, mas tenho que ver os fatos, os documentos, informe-os. Quando o tiver feito, se estou convencida de que o melhor para o Seth  que fique com 
vs mediante a custdia ou a adoo, ento, farei tudo o que esteja em minha mo para que assim seja. Tinha que pressionar para que lhe desse outra oportunidade. 
Sou psicloga e irm da me natural. Acredito que minha opinio teria peso em um tribunal.
Phillip a olhou inexpresivamente. Eram detalhes e, ao fim e ao cabo, ele se ocupava dos detalhes. Os que ela ia acrescentando s serviriam para que as coisas se 
arrumassem como ele queria.
Suponho que tem razo e o comentarei com meus irmos, mas acredito que no o safadas, Sybill. Ela no vai lutar pelo Seth. Nunca o tem feito. S quer utiliz-lo 
para conseguir mais dinheiro, mas no vai conseguir o. Nem um cntimo.
Ento, eu estou de sobra.
 possvel. No o decidi. Phillip se levantou e fez soar as moedas que levava no bolso. Que tal te encontra?
Melhor. Bem. Obrigado. Sinto o ocorrido, mas a enxaqueca foi que as de campeonato.
Do-lhe freqentemente?
Umas vezes ao ano. Normalmente consigo a medicina no momento e no so to graves, mas quando sa esta tarde estava distrada.
Claro, pagar a fiana de sua irm  uma boa distrao. Olhou-a com certa curiosidade. Quanto te h flanco tir-la?
A fiana foi de cinco mil dlares.
Eu diria que pode te despedir deles.
Certamente. O dinheiro no  importante.
O que o ? voltou-se para ela. Parecia esgotada e muito frgil. Phillip decidiu que, embora fora injusto, aquilo era uma vantagem e pressionou. O que  importante 
para ti, Sybill?
Terminar o que comecei.  possvel que voc no necessite minha ajuda, mas no penso partir at que tenha feito todo o possvel.
Se Seth no quer verte nem pensar contigo, no o far. Ponto. J passou por bastante.
Sybill estirou os ombros antes de que lhe cassem.
Independentemente de que queira falar comigo ou no, penso ficar at que se formalizaram todos os aspectos legais. No pode me obrigar a que v, Phillip. Pode me 
complicar as coisas e me fazer a vida impossvel, mas no pode me obrigar a que v at que me tenha ficado contente.
Efetivamente, posso te fazer a vida impossvel e me estou pensando isso inclinou-se para diante e a agarrou pelo queixo sem que lhe importasse o coice dela. Te 
teria deitado comigo?
Dadas as circunstncias, parece-me irrelevante.
Para mim no o . Responde a pergunta.
Lhe agentou o olhar. Era uma questo de orgulho, embora lhe parecia que j ficava pouco orgulho ou dignidade.
Sim. Ela apartou o queixo assim que viu o brilho nos olhos do Phillip. Mas no o teria feito nem pelo Seth nem por Glria, o teria feito porque te desejava. Porque 
eu gostava e quando estava perto minhas prioridades se confundiam.
Suas prioridades se confundiam... Phillip se deu a volta com as mos nos bolsos. Caray,  incrvel. por que ser que essa atitude arrogante me produz curiosidade?
No  nenhuma atitude arrogante. Tem-me feito uma pergunta e eu respondi sinceramente e, como ter comprovado, em passado.
J tenho algo mais em que pensar: se quero pass-lo a presente. No diga que  irrelevante, Sybill a avisou ao ver que abria a boca. Tenho que tomar o como uma 
provocao. Se esta noite nos deitarmos, nenhum dos dois estaramos muito satisfeitos pela manh.
Nestes momentos eu no gosto de muito.
Coincidimos nisso, carinho. Voltou a fazer soar as moedas que tinha no bolso. Se mantm a reunio de amanh no escritrio da Anna. Por minha parte, pode ver toda 
a documentao, includas as cartas de chantagem de sua irm. No que se refere ao Seth, no te prometo nada. Se tenta chegar a ele  margem de minha famlia e de 
mim, arrepender-te.
No me ameace.
No o fao. Digo-te como so as coisas. As ameaas as sotaque para sua famlia. Esboou um sorriso afiado, perigosa e sem rastro de humor. Os Quinn fazem promessas 
e as mantemos.
Eu no sou Glria.
No, mas ainda temos que saber quem . s nove. Ah, doutora Griffin, talvez quer voltar a ver suas notas. Quando o fizer, pode ser interessante, do ponto de vista 
psicolgico, que se pergunte por que lhe parece mais te gratifiquem observar que participar. Durma um pouco lhe props enquanto ia por volta da porta. Amanh querer 
estar em plena forma.
Phillip disse levantando-se impulsionada pela ira e esperando a que ele se desse a volta. No te parece uma sorte que tudo tenha trocado antes de ter cometido 
o engano de nos deitar?
O inclinou a cabea. Impressionava-lhe e lhe divertia que ela se atrevesse a despedir-se daquela maneira.
Carinho, dou-me com um canto nos dentes.
Fechou a porta sem fazer rudo.
Onze
Seth tinha que sab-lo. S havia uma forma de dizer-lhe e era diretamente, como falam as famlias. Ethan e Grace o levariam a casa assim que deixassem ao Aubrey 
com a canguru.
No deveramos hav-la perdido de vista. CAM ia de um lado a outro da cozinha com as mos nos bolsos e os olhos duros e cinzas como o ao. Sabe Deus aonde foi, 
e em vez de conseguir respostas e coloc-la em cintura no vamos conseguir nada.
Isso no  verdade de tudo. Anna estava fazendo caf. No tranqilizaria a ningum, mas todos quereriam tom-lo. Teremos um relatrio da polcia para acrescentar 
ao expediente. Cameron, no podia arrast-la fora da delegacia de polcia e obrig-la a falar.
Me teria parecido muito melhor que ver como se largava.
Possivelmente nesse momento, mas ter que pensar no que convm ao Seth e nos convm , ter que lev-lo tudo conforme s regras.
O que crie que sentir Seth? CAM descarregou toda a ira contra sua mulher e seu irmo. Crie que vai pensar que lhe convm que tenhamos tido a Glria e no tenhamos 
feito nada?
Fizeram algo. Anna manteve um tom tranqilo porque entendia a sensao de impotncia do Cameron. Ela se comprometeu a reunir-se conosco em meu escritrio. Se 
no o fizer, ser outro ponto em seu contrrio.
Ela no ir a nenhum stio perto dos servios sociais disse Phillip, mas Sybill sim.
E temos que confiar nela? espetou CAM. At o momento s mentiu.
Voc no as viu esta noite. Phillip manteve um tom equilibrado. Eu sim.
J, e todos sabemos com que parte de sua anatomia a miras.
Basta. Anna se interps entre eles ao ver dois pares de punhos crispados e dois pares de olhos que jogavam fascas. No ides pegar lhes como dois idiotas nesta 
casa. Aplaudiu o peito do CAM e o do Phillip, mas nenhum dos dois se moveu. No leva a nenhuma parte. Necessitamos um frente unido. Seth o necessita. ouviu-se 
a porta da casa e acrescentou: Sentem-se. Sentem-se!
Os dois, com os olhares ardentes e cravados no outro, tiraram umas cadeiras e se sentaram. Anna pde soprar com alivio antes de que entrasse Seth seguido por dois 
ces que no deixavam de mover as caudas.
N, o que acontece?
O sorriso de felicidade do Seth se esfumou imediatamente. Toda uma vida acostumado aos vaivns de humor de Glria lhe tinha ensinado a captar o ambiente. O ar da 
cozinha podia cortar-se pela tenso e o mau humor.
Deu um passo atrs e se parou quando Ethan entrou e lhe ps uma mo no ombro.
O caf cheira muito bem.
Manteve a mo no ombro do Seth, em parte como apoio e em parte para dominar-se.
Trarei umas taas. Grace foi at o armrio. Sabia que se sentiria melhor com as mos ocupadas. Seth, quer uma Coca-cola?
O que passou? Notava os lbios rgidos e as mos frite.
vamos demorar um pouco em lhe explicar isso Anna se aproximou dele e lhe ps as mos nas bochechas. O primeiro que tinha que fazer era apagar o medo que via em 
seus olhos. Mas no tem que preocupar-se.
tornou a pedir mais dinheiro? vai vir? saiu que o crcere?
No. Sente-se. lhe vamos explicar isso tudo.
Fez um gesto ao CAM antes de que falasse e olhou ao Phillip enquanto levava ao Seth at a mesa. Phillip tinha mais informao de primeira mo e era melhor que falasse 
ele.
Phillip se passou uma mo pelo cabelo sem saber muito bem por onde comear.
Seth, sabe algo da famlia de sua me?
No. Ela me dizia mentiras. Um dia me disse que seus pais eram ricos, que estavam forrados, mas que se morreram e que um canalha de advogado tinha roubado todo 
o dinheiro. Outro dia me disse que era rf e que se escapou da casa adotiva porque seu pai tinha tentado viol-la. Tambm me disse que sua me era uma estrela de 
cinema que a tinha dado em adoo para que no lhe danificasse a carreira. Cada vez dizia uma coisa. Olhou a todo mundo tentando interpretar as caras. Que mais 
d? perguntou sem fazer caso do refresco que Grace lhe tinha posto diante. Que coo importa? Se tivesse havido algum lhes teria tirado dinheiro.
H algum e parece que lhes tirou dinheiro uma e outra vez. Phillip manteve o tom sereno, como o de uma pessoa que tenta tranqilizar a um cachorrillo enlouquecido. 
Hoje nos inteiramos que tem famlia e uma irm.
No tenho que ir com eles. Seth ficou em alerta e se levantou da cadeira. No os conheo e no tenho por que ir com eles.
No, claro que no disse Phillip lhe agarrando por brao, mas tem que saber algo deles.
No quero. Olhou ao CAM com olhos suplicantes. No quero. Disseram que poderia ficar. Disseram que nada o impediria.
CAM sentia nuseas de ver tanto desespero, mas assinalou a cadeira.
vais ficar te. Nada o impedir. Sente-se. Fugindo no se soluciona nada.
Olhe a seu redor, Seth. A voz do Ethan era delicada, judiciosa. Tem a cinco pessoas que lhe apoiamos.
O queria acredit-lo, mas no sabia como lhes explicar que era muito mais fcil acreditar em mentiras e ameaas que em promessas.
O que vo fazer me? Como me encontraram?
Glria chamou a sua irm faz umas semanas disse Phillip quando Seth se sentou outra vez. Te lembra de sua irm?
No me lembro de ningum disse Seth entre dentes enquanto se encolhia de ombros.
Bom, ao parecer, contou-lhe uma histria a sua irm, disse-lhe que nos tnhamos ficado contigo.
Est cheia de mierda.
Seth. Anna lhe lanou um olhar que fez que ele se enrugasse.
Tirou algum dinheiro a sua irm para um advogado continuou Phillip. Disse que estava arruinada e se desesperada, que ns a tnhamos ameaado, que necessitava 
o dinheiro para te recuperar.
Seth se limpou a boca com o dorso da mo.
O tragou? Deve ser idiota.
 possvel. Tambm  possvel que se comova facilmente. Em qualquer caso, no se tragou toda a histria. Quis comprov-lo por si mesmo e veio ao St. Chris.
Est aqui? Seth sacudiu a cabea. No quero v-la. No quero falar com ela.
J a viu e falaste com ela. Sybill  a irm de Glria.
Seth abriu os olhos como pratos e da congesto pela ira passou  palidez.
No pode ser.  doutora. Escreve livros. 
Mesmo assim,  ela. Vimo-la quando CAM, Ethan e eu fomos ao Hampton.
Viram-na? Viram glria?
Sim. Tranqilo. Phillip ps uma mo sobre a mo rgida do Seth. Sybill tambm estava ali. Estava depositando a fiana e todo tirou o chapu.
 uma mentirosa. Ao Seth tremeu a voz. Como Glria.  uma maldita mentirosa.
me deixe terminar. Acordamos nos reunir com as duas manh pela manh no escritrio da Anna. Temos que nos inteirar de tudo, Seth acrescentou quando o menino retirou 
as mos.  a nica forma de arrum-lo.
Eu no vou.
Isso o decidir voc. Acreditam que Glria no vai. estive com o Sybill faz um momento. Glria lhe deu esquinazo.
partiu-se. O alvio e a esperana se abriam passo no meio do temor. Se partiu outra vez?
Isso parece. Tirou- dinheiro ao Sybill da carteira e se largou. Phillip olhou ao Ethan e viu que a reao de seu irmo era de aborrecimento e resignao. Sybill 
se ir ao escritrio da Anna. Acredito que seria melhor que fosse conosco e falasse com ela.
No tenho nada que lhe dizer. No a conheo. Importa-me um rabanete. O que tem que fazer  me deixar em paz e desaparecer.
No pode te fazer nenhum dano, Seth.
A dio. Certamente  como Glria, mas finge ser distinta.
Phillip se lembrou do cansao, o remorso e a desdita que tinha visto no rosto do Sybill.
Isso tambm o decidir voc, mas para faz-lo tem que v-la e ouvir o que diz. Disse que te tinha visto uma s vez. Glria foi a Nova Iorque e ficou uma temporada 
em casa do Sybill. Tinha uns quatro anos.
No me lembro. Ps um gesto de obstinao impenetrvel. Estivemos em muitos stios.
Seth, j sei que parece injusto. Grace agarrou um instante as mos que Seth tinha fechado em uns punhos com os ndulos brancos. Mas sua tia pode ser uma ajuda. 
Todos ns estaremos ali.
CAM viu o rechao nos olhos do Seth e se inclinou para ele.
Os Quinn no evitam a briga. calou-se at que Seth o olhou. At que ganhamos.
Seth tirou peito por orgulho e por temor a no estar  altura do nome que lhe tinham dado.
Irei, mas me vai importar um ovo tudo o que diga. voltou-se para o Phillip com os olhos acesos e pensativos. Te deitou com ela?
Seth! O grito da Anna foi como uma bofetada, mas Phillip levantou uma mo.
Possivelmente sua primeira inteno fora lhe dizer que no era de sua incumbncia, mas sabia ver alm da resposta imediata.
No, no o fiz.
Seth se encolheu de ombros.
Algo  algo.
Voc  o mais importante. Phillip notou que os olhos do Seth refletiam surpresa. Prometi que o seria e o . Nada nem ningum o impedir.
Seth sentiu certa vergonha apesar da emoo.
Perdo balbuciou sem apartar o olhar de suas mos.
No passa nada. Phillip deu um sorvo do caf que lhe tinha ficado gelado. Escutaremos o que tenha que dizer e ela nos escutar . Escutar a ti e logo nos largaremos.
Ela no sabia o que ia dizer. sentia-se fatal. Os sedimentos da enxaqueca lhe embotavam o crebro e tinha os nervos em mxima tenso ante a perspectiva de enfrentar-se 
aos Quinn, e ao Seth.
Tinham que odi-la. No acreditava que a desprezassem mais do que ela mesma se desprezava. Se o que lhe havia dito Phillip era verdade (as drogas, as surras, os 
homens), ela, por omisso, tinha deixado que seu sobrinho vivesse um inferno.
Eles no poderiam lhe dizer nada pior que o que ela se havia dito durante aquela noite interminvel e insone, mas, enquanto entrava no estacionamento junto aos servios 
sociais, estava nervosa s de pensar o que lhe esperava.
pintou-se os lbios no espelho retrovisor e pensou que todo ficaria muito feio. Palavras grosas, olhadas fritem. Alm disso, ela era muito sensvel a ambas.
Podia resisti-los, disse-se. Podia manter uma aparncia tranqila independentemente do que sentisse por dentro. Tinha praticado essa forma de defesa durante anos; 
permanecer distante e sem implicar-se para sobreviver.
Sobreviveria a aquilo. Se, alm disso, conseguia tranqilizar o esprito do Seth de algum jeito, quo feridas ela pudesse sofrer teriam merecido a pena.
desceu-se do carro. Parecia uma mulher tranqila e inaltervel, elegantemente vestida com um singelo traje de seda da cor do luto. Tinha o cabelo recolhido com uma 
volta tirante e a maquiagem era sutil e impecvel.
O estmago lhe dava voltas e lhe ardia.
Entrou no vestbulo. Na zona de espera havia algumas pessoas. Um menino choramingava nos braos de uma mulher que tinha os olhos frgeis pelo cansao. Um homem com 
camisa de quadros e jeans estava sentado com o rosto sombrio e os punhos entre os joelhos. Outras duas mulheres estavam sentadas em uma esquina. Sybill deduziu que 
eram me e filha. A mulher mais jovem apoiava a cabea no ombro da outra e chorava silenciosamente com os olhos morados por uns murros.
Sybill se deu a volta.
Sou a doutora Griffin disse a recepcionista. Tenho uma entrevista com a Anna Spinelli.
Sim, est esperando-a. Ao final do vestbulo, a segunda porta  esquerda.
Obrigado.
Sybill agarrou a asa de sua bolsa e foi decididamente para o despacho da Anna.
Sentiu um vazio no estmago quando abriu a porta. Estavam todos esperando-a. Anna estava sentada detrs da mesa. Levava uma jaqueta azul marinho e um coque que lhe 
dava um ar muito profissional. Estava olhando uma pasta.
Grace estava sentada com a mo na do Ethan. CAM, com o cenho franzido, estava de p junto  janela e Phillip, sentado, passava as folhas de uma revista.
Seth estava sentado no meio do sof e olhava para o cho, com a boca fechada e os ombros encolhidos.
Ela fez proviso do valor que ficava e foi falar. Entretanto, os olhos do Phillip a olharam e ela compreendeu que no se abrandou durante a noite. Sybill no fez 
caso do pulso que lhe acelerava e inclinou a cabea como uma saudao.
Chega pontual, doutora Griffin disse ele antes de que todos os olhos se cravassem nela.
sentiu-se abrasada e disparada flechas, mas cruzou a soleira que a colocava totalmente no terreno dos Quinn.
Obrigado por me receber.
Estvamos desejando-o.
A voz do CAM era perigosamente delicada. Sybill notou que tinha posto a mo no ombro do Seth com um gesto possessivo e protetor.
Ethan, importaria-te fechar a porta? Anna cruzou as mos sobre a pasta que estava lendo. Por favor, sinta-se, doutora Griffin.
J no seriam Sybill e Anna. esfumou-se todo o contato amistoso entre mulheres sentadas em uma cozinha acolhedora cheia de panelas.
Sybill o aceitou e se sentou diante da mesa da Anna. ficou a bolsa sobre o regao, agarrou-o com os dedos como trapos, e cruzou as pernas elegante e despreocupadamente.
antes de comear, eu gostaria de dizer algo.
Tomou ar lentamente quando Anna fez um gesto de consentimento, voltou-se e olhou diretamente ao Seth, que seguia com o olhar cravado no cho.
No vim para te fazer danifico nem te fazer infeliz. Sinto que parea que te tenho feito as duas coisas. Se o que quiser e precisa  viver com os Quinn, ento quero 
fazer todo o possvel para que vivas com eles.
Seth levantou a cabea e a olhou com uns olhos que eram assombrosamente adultos e speros. 
No quero sua ajuda.
Mas pode necessit-la murmurou Sybill enquanto se voltava para a Anna. Sybill esperava encontrar-se com uma mente aberta. No sei onde est Glria. Sinto muito. 
Dava minha palavra de que a traria aqui esta manh. Fazia muito tempo que no a via Y... no me dava conta do muito..., do instvel que .
Instvel comentou CAM com tom irnico. Isso sim que  bom.
Ela ficou em contato com voc? perguntou-lhe Anna enquanto olhava a seu marido com gesto de advertncia.
Sim, faz umas semanas. Estava indignada, dizia que lhe tinham tirado ao Seth e que necessitava dinheiro para o advogado que ia apresentar a solicitude de custdia. 
Ela chorava e estava quase histrica. Suplicou-me que a ajudasse. Eu reuni toda a informao que pude, quem tinha ao Seth e onde estava, e lhe mandei cinco mil dlares. 
Sybill levantou as mos. Ontem, quando falei com ela, dava-me conta de que no tinha advogado. Glria sempre foi uma boa atriz. Eu o tinha esquecido ou tinha preferido 
esquec-lo.
Sabia que tinha um problema com as drogas?
No, tampouco. Inteirei-me ontem. Quando a vi e falei com ela, ficou claro que nestes momentos no pode carregar com a responsabilidade de um filho.
Ela no quer essa responsabilidade comentou Phillip.
 o que voc diz replicou Sybill sem alterar-se. Voc disse que queria dinheiro. Sei perfeitamente que para Glria o dinheiro  importante. Tambm sei perfeitamente 
que  instvel, mas me custa acreditar, sem provas, que tem feito tudo o que disse.
Quer provas? CAM avanou para ela gotejando ira por todos os poros. As ter, nenm. Insgnia o as cartas, Anna.
CAM, sente-se. A ordem da Anna foi firme antes de voltar-se para o Sybill. Reconheceria a escritura de sua irm?
No sei.  possvel.
Tenho uma cpia da carta que se encontrou no carro do Raymond Quinn quando teve o acidente e uma das cartas que nos mandou mais recentemente.
Tirou-as da pasta e as passou ao Sybill por cima da mesa.
As frases e as palavras lhe entraram na cabea como um ferro candente.
Quinn, estou farta de jogar camundongo e ao gato. Est desejando ficar com o menino, assim chegou o momento de que pague... cento e cinqenta mil  uma ganga por 
um menino to bonito como Seth.
meu deus..., era o nico que podia pensar Sybill, Meu deus...
A carta aos Quinn depois da morte do Ray no era muito melhor.
Ray e eu tnhamos chegado a um acordo. Se esto decididos a ficar o vou necessitar um pouco de dinheiro...
Sybill no sabia o que fazer para que no lhe tremessem as mos.
Recebeu este dinheiro?
O senhor Quinn estendeu uns cheques a Glorifica DeLauter: dois de dez mil dlares e um de cinco mil disse Anna com toda claridade e sem nenhuma entonao. Trouxe 
para o Seth DeLauter ao St. Christopher o ano passado. A carta que tem em suas mos tem carimbo de dez de maro. Ao dia seguinte, o senhor Quinn fez efetivos seus 
bnus, alguns valores e uma grande quantidade de sua conta bancria. Em doze de maro, disse ao Ethan que tinha alguns assuntos em Baltimore. Quando voltava, teve 
um acidente de carro e morreu. Ficavam quarenta dlares na carteira. No se encontrou mais dinheiro.
O prometeu que no teria que voltar disse Seth inexpresivamente. Era honrado. Ele o prometeu e ela sabia que lhe pagaria.
Pediu mais. Pediu-lhes mais.
Mas se equivocou. Phillip se tornou para trs e olhou ao Sybill. No transmitia nada, s sua palidez. No vai chupar nos o sangue, doutora Griffin. Pode nos ameaar 
o que queira, mas no vai chupar nos o sangue nem a ficar com o Seth.
Tambm tem a carta que lhe escrevi a Glorifica DeLauter lhe informou Anna. Lhe comuniquei que Seth estava a cargo dos servios sociais e que este escritrio tinha 
aberto uma investigao por possvel mau trato infantil. Se entrar neste condado, lhe entregar uma interdita e uma ordem judicial.
Estava furiosa disse Grace. Chamou casa nada mais receber a carta da Anna. Ameaou e exigiu. Disse que se levaria ao Seth se no lhe dvamos dinheiro. Disse-lhe 
que estava equivocada. Grace agentou o olhar do Seth. O est conosco.
Sybill s podia pensar que Glria tinha vendido a seu filho. Era exatamente o que havia dito Phillip.
Tm a custdia temporria.
Logo ser definitiva particularizou Phillip. vamos ocupar nos disso.
Sybill voltou a deixar os documentos na mesa da Anna. sentia-se muito fria por dentro, brutalmente fria, mas ps as mos sobre a bolsa e se voltou para o Seth.
Pegou-te? perguntou-lhe com um tom cometido.
Que coo te importa?
Responde, Seth lhe ordenou Phillip. o Conte a sua tia como era viver com sua irm.
Muito bem, vale. No dissimulava o tom de desprezo. Certamente, pegava-me quando gostava. Se eu tinha sorte, ela estava muito bbada ou pendurada para me fazer 
danifico. Normalmente podia escapar. encolheu-se de ombros como se no lhe importasse o mais mnimo. s vezes me surpreendia. Se no tinha conseguido massa para 
pilhar um pouco de droga, despertava e me dava uma surra ou punha-se a chorar a mares..
Ela queria dar as costas a essa imagem como tinha dado as costas a quo desconhecidos havia na sala de espera. Mas no apartou o olhar da cara do Seth.
por que no disse a algum que te ajudasse?
A quem? Essa tia era tola, disse-se Seth. A poli? Ela j me havia dito o que faria a poli. Eu terminaria em um reformatrio e algum me faria o que queriam me 
fazer alguns de seus clientes. Podiam me fazer o que quisessem quando estivesse dentro. Enquanto estivesse fora, podia escapar.
Mentiu-te disse Anna brandamente enquanto Sybill procurava as palavras, qualquer palavra. A polcia te teria ajudado.
Sabia ela...? conseguiu dizer Sybill. Sabia ela que alguns homens queriam... te tocar?
Claro, parecia-lhe gracioso. Quando estava pendurada, tudo lhe parecia gracioso. Quando estava bbada, era m.
Podia ser irm de um monstro como o que descrevia com tanta naturalidade o menino?
Como...? Sabe por que decidiu ficar em contato com o senhor Quinn?
No, no sei nada de todo isso. Um dia recebeu um telegrama e comeou a falar de uma mina de ouro. Desapareceu uns dias.
Deixou-te sozinho?
Sybill no sabia por que lhe espantava isso depois do que tinha ouvido.
N, posso me cuidar sozinho. Quando voltou estava como louca. Disse que por fim eu serviria para algo. Tinha dinheiro, muito dinheiro, porque saiu e comprou muita 
droga sem atirar-se a ningum. Passou vrios dias pendurada e feliz. Ento chegou Ray. Disse-me que podia ir com ele. Ao princpio eu acreditava que era um homem 
mais dos que ela levava a casa. Mas no o era. Asseguro-o. Parecia triste e cansado.
Sybill captou que tinha trocado o tom, tinha-o suavizado. O tambm sentia a dor. At que viu o asco em seus olhos.
Ela foi at ele seguiu Seth e Ray se indignou de verdade. No gritou nem nada, mas a olhou com muita dureza. Levava dinheiro e lhe disse que se o queria teria 
que ir-se. Ela tomou e partiu. Disse-me que tinha uma casa  borda do mar e um co, e que podia viver ali se queria. Que ningum me incomodaria.
E foi com ele.
Era velho. Seth se encolheu de ombros. Pensei que poderia escapar se tentava algo, mas podia confiar no Ray. Era bom. Disse que nunca teria que voltar para a 
vida de antes. E no o farei. D-me igual como, mas no voltarei. Alm disso no confio em ti. Voltava a ter olhos de adulto e uma voz zombadora. Porque mentiste, 
fingiste ser honrada e s nos espiava.
Tem razo. Pareceu-lhe que reconhecer seus pecados e encontrar-se com o olhar depreciativo desse menino era o mais tremendo que tinha tido que fazer e que faria 
em sua vida. No tem por que confiar em mim. No te ajudei. Podia hav-lo feito durante o tempo que te levou a Nova Iorque. Eu no queria me dar conta. Para mim 
era muito mais fcil. Quando cheguei a casa um dia e os dois tinham desaparecido, tampouco fiz nada. Disse-me que no era meu assunto, que voc no foi minha responsabilidade. 
No foi s um equvoco, foi covardia.
O no queria acredit-la, no queria perceber o arrependimento que havia em sua voz. Fechou os punhos sobre os joelhos.
Segue sem ser teu assunto.
 minha irm. No posso evit-lo. No suportava o desprezo do olhar do Seth e olhou a Anna. O que posso fazer para ajudar? Posso fazer uma declarao? Posso falar 
com seu advogado? Sou psicloga e irm de Glria. Suponho que minha opinio pode influir na hora de conceder a custdia.
Estou segura de que o faria sussurrou Anna. No lhe resultar fcil.
No sinto nada por ela. No me orgulho de diz-lo, mas  a verdade. J no sinto nada por ela e tampouco sinto a responsabilidade que sentia para ela. Embora ele 
no o queira, sou a tia do Seth e eu gostaria de poder ajudar.
levantou-se e jogou uma olhada s caras que a rodeavam. Notou um vazio no estmago.
Sinto muitssimo o que passou. J sei que as desculpas no servem de nada. No tenho desculpas para ter feito o que tenho feito. Tenho motivos, mas no desculpa. 
Est muito claro que Seth est onde deve estar, onde  feliz. Se me derem uns minutos para ordenar minhas idias, farei uma declarao.
Saiu da habitao sem pressa e seguiu at a rua, onde podia respirar.
Bom, fez-o muito mal, mas agora est fazendo-o muito bem. CAM se levantou e foi de um lado a outro do despacho. No vacila facilmente.
No estou segura sussurrou Anna. Ela tambm era uma observadora perita e algo lhe dizia que essa fachada tranqila ocultava muito mais do que todos suspeitavam. 
Evidentemente, ter a de nosso lado nos vai vir muito bem. O melhor seria que nos deixassem sozinhas para que possa falar com ela. Phillip, fala com o advogado e 
lhe explique a situao, lhe pergunte se quer tomar declarao.
De acordo. Phillip franziu o cenho pensativamente. Tem uma foto do Seth em sua agenda.
O que...? Anna piscou.
Ontem  noite bisbilhotei entre suas coisas antes de que voltasse para a habitao do hotel. Sorriu um pouco e logo se encolheu de ombros ao encontrar-se com os 
olhos fechados de sua cunhada. Me pareceu o mais apropriado para a ocasio. Em sua agenda tem uma foto do Seth quando era pequeno. 
E o que? perguntou Seth.
Que  a nica foto que encontrei.  interessante. Levantou as mos e as deixou cair outra vez. Por outro lado, Sybill poderia saber algo da relao de Glria 
com papai. J que no podemos perguntar-lhe a Glria, deveramos perguntar-lhe a ela.
Parece-me que tudo o que ela saiba saber por Glria interveio Ethan. No ser fcil acredit-lo. Acredito que ela nos diria tudo o que sabe, mas o que sabe pode 
no ser a verdade.
No saberemos a verdade nem a mentira at que o perguntemos particularizou Phillip. 
me perguntar, o que?
Sybill, mais tranqila e decidida a terminar de uma vez, entrou na habitao e fechou a porta.
por que Glria se fixou em nosso pai. Phillip se levantou para ficar  altura do Sybill. por que sabia que lhe pagaria para proteger ao Seth.
Seth h dito que era um homem bom. Sybill olhou  cara de todos os homens. Acredito que vs so a demonstrao.
Os homens bons no tm aventuras adlteras com mulheres a metade de anos mais jovens que eles, para abandonar depois ao filho fruto dessa aventura. A voz do Phillip 
transbordava amargura enquanto se aproximava do Sybill. No vais convencer nos de que Ray se deitou com sua irm a costas de nossa me e logo abandonou a seu filho.
Como? Sybill, sem dar-se conta, alargou uma mo para agarrar-se por seu brao e no perder o equilbrio. Claro que no o fez. Voc me disse que no acreditava 
que seu pai e Glria...
Outros sim acreditam.
Mas isso ... De onde tiraste a idia de que Seth  seu filho, seu filho com Glria?
Ouve-o por todo o povo se tiver os ouvidos abertos. Phillip entrecerr os olhos ao ver sua cara.  algo que difundiu sua irm. Dizia que ele tinha abusado sexualmente 
dela, logo o chantageou e vendeu a seu filho. Olhou ao Seth..., aos olhos do Ray Quinn. Eu digo que  mentira.
Claro que  mentira. Uma mentira espantosa.
Sybill queria com toda sua alma fazer algo bem, assim foi at o Seth e se agachou diante dele. Queria com toda sua alma tomar uma mo, mas se conteve quando ele 
se afastou dela.
Ray Quinn no era seu pai, Seth. Era seu av. Glria  sua filha.
Os lbios do Seth tremeram e os olhos azuis lhe brilharam trmulamente.
Meu av...?
Sim. Sinto que no lhe dissesse isso ele, sinto que no soubesse antes de que... Sacudiu a cabea e se levantou. No sabia que houvesse esta confuso. Deveria 
hav-lo suposto. Eu me inteirei faz umas semanas. Voltou a sentar-se na cadeira. Lhes contarei tudo o que sei.
Doze
J era muito mais fcil. Era quase como dar uma conferncia. Sybill estava acostumada a dar conferncias sobre questes sociais. S tinha que distanciar do assunto 
e oferecer informao de forma clara e coerente.
O professor Quinn teve uma relao com a Barbara Harrow. Sybill se colocou de costas  janela de forma que pudesse estar de frente a todos. Se conheceram na Universidade 
de Washington. No conheo bem os detalhes, mas o que sei  que ele dava classes ali e ela era uma estudante de posgrado. Barbara Harrow  minha me e a me de Glria.
Meu pai com sua me... disse Phillip.
Sim. Faz quase trinta e cinco anos. Dou  obvio que se gostou, ao menos fisicamente. Minha me... esclareceu-se garganta. Minha me acreditava que ele tinha muitas 
possibilidades, que ascenderia rapidamente de categoria acadmica. A posio social  fundamental para minha me. Entretanto, ele a decepcionou por seu..., por isso 
ela considerava sua falta de ambio. O estava satisfeito dando classes. Ao parecer, no lhe interessavam as obrigaes sociais que se necessitam para crescer. Alm 
disso, politicamente, era muito liberal para seu gosto.
Ela queria um marido rico e importante e comprovou que ele no ia ser o resumiu Phillip com as sobrancelhas arqueadas.
Em essncia, isso  verdade disse Sybill com uma voz tranqila e inexpressiva. Faz trinta e cinco anos, o pas passava um momento de agitao, foi nossa guerra 
interna entre a juventude e o sistema estabelecido. Nas universidades havia muita gente que questionava a sociedade em geral e uma guerra que gostava muito pouco. 
Parece ser que o professor Quinn as questionava muito.
Acreditava na necessidade de usar o crebro e em tomar uma postura disse CAM entre dentes.
Segundo minha me, ele tomou posturas. Sybill conseguiu esboar um leve sorriso. Freqentemente, posturas que no gostavam  direo da universidade. Minha me 
e ele no coincidiam em princpios e crenas elementares. Ao final do curso, ela se voltou para sua casa, em Boston, desiludida, zangada e, como comprovaria mais 
tarde, grvida.
Uma mierda. Perdo retificou CAM quando Anna lhe repreendeu com um vaio. Mas  uma mierda.  impossvel que ele no aceitasse a responsabilidade de um filho. 
Absolutamente impossvel.
Ela no o disse Sybill cruzou as mos quando todo mundo voltou as olhadas para ela. Estava furiosa. Possivelmente tambm estivesse assustada, mas estava furiosa 
por encontrar-se grvida de um homem que lhe parecia inadequado. Pensou em interromper o embarao, mas tinha conhecido a meu pai e tinham combinado.
O sim era adequado concluiu CAM.
Acredito que eram adequados o um para o outro. O tom de voz foi glido. Eram seus pais e no podiam lhe negar todo. Minha me estava em uma situao difcil e 
aterradora. No era uma menina. Tinha quase vinte e cinco anos, mas um embarao imprevisto e no desejado  uma complicao para uma mulher de qualquer idade. Em 
um momento de debilidade ou de desespero, o confessou tudo a meu pai e lhe pediu que se casasse com ele disse Sybill tranqilamente. Deveu am-la muito. casaram-se 
rpida e discretamente. Ela nunca voltou para Washington. Nunca olhou ao passado.
Papai alguma vez soube que tinha uma filha? perguntou Ethan tomando ao Grace da mo.
No, impossvel. Glria tinha trs anos, quase quatro, quando nasci eu. No posso dizer como foi sua relao com meus pais durante aqueles anos. Sei como foi depois. 
sentia-se marginada. Era complicada e temperamental, muito exigente e amalucada. esperava-se que tivesse certas condutas e ela as rechaava. Todo aquilo soava muito 
frio e inflexvel. Em qualquer caso, foi de casa quando ainda era bastante jovem. Logo, descobri que meus pais e eu lhe mandvamos dinheiro sem que nenhum de ns 
soubesse. ficava em contato com qualquer de ns e nos rogava, exigia ou ameaava, o que sortisse efeito com cada um. Eu no sabia nada disto at que Glria me chamou 
o ms passado pelo Seth. Sybill se deteve um instante at que ps em ordem suas idias. antes de vir aqui, fui a Paris a ver meus pais. Acreditava que eles tinham 
que sab-lo. Seth era seu neto e, que eu soubesse, o tinham arrebatado a Glria e estava vivendo com uns desconhecidos. Enfureci-me e fiquei assombrada quando o 
disse a minha me e ela renunciou a participar ou a oferecer qualquer ajuda. Discutimos. Sybill deixou escapar uma risada muito breve. Ela estava suficientemente 
surpreendida, acredito, para me contar o que acabo de lhes contar.
Glria tinha que sab-lo interveio Phillip. Tinha que saber que Ray Quinn era seu pai, se no, no teria vindo aqui.
Sim, sabia. Faz um par de anos foi ver minha me quando meus pais passaram uns meses em Washington. Imagino que foi uma cena horrorosa. Segundo o que me contou 
minha me, Glria lhe pediu uma grande quantidade de dinheiro se no queria que fora  imprensa,  polcia ou a quem lhe fizesse caso para acusar a meu pai de abuso 
sexual e a minha me de cumplicidade. Nada de todo isso  verdade afirmou Sybill com tom cansado. Para Glria o sexo equivale a poder e aceitao. Constantemente 
acusava aos homens, sobre tudo aos homens com autoridade, de abusar sexualmente dela. Vista a situao, minha me lhe deu vrios milhares de dlares e a histria 
que acabo de lhes contar. Alm disso, prometeu a Glria que esse seria o ltimo dinheiro que veria dela e essas as ltimas palavras que ouviria dela.  muito estranho 
que minha me incumpla uma promessa de qualquer tipo. Glria sabia perfeitamente.
Ento, atacou ao Ray Quinn concluiu Phillip.
No sei quando decidiu encontr-lo. Possivelmente levasse tempo lhe dando voltas na cabea. Decidiria que esse era o motivo pelo que no a tinham querido nem aceito 
como acreditava que se merecia. Suponho que culparia a seu pai disso. Quando Glorifica tem problemas, sempre procura um culpado.
E encontrou a ele. Phillip se levantou da cadeira e foi de um lado a outro. E segundo o sistema habitual, pediu-lhe dinheiro, acusou-lhe e ameaou. S que esta 
vez utilizou a seu prprio filho.
Isso parece. Sinto muito. Deveria ter suposto que no estavam a par de tudo isto. Dava por sentado que seu pai lhes teria contado mais coisas.
No teve tempo. A voz do CAM foi fria e cheia de amargura.
Disse-me que estava esperando uma informao recordou Ethan. Que o explicaria tudo quando o tivesse insone.
Deveu tentar ficar em contato com sua me. Phillip cravou o olhar no Sybill. Quereria falar com ela, inteirar-se.
No lhe posso dizer isso no sei.
J... concedeu-lhe Phillip. Teria feito tudo o que considerasse necessrio. Primeiro, pelo Seth, porque  um menino, mas teria querido ajudar a Glria. Para faz-lo, 
tinha que falar com sua me, saber o que tinha passado. Pareceria-lhe importante.
S posso lhes dizer o que sei, o que me contaram. Sybill levantou as mos com um gesto de certa impotncia. Minha famlia se levou mau. Todos ns disse ao Seth. 
Peo perdo por mim e por todos outros. No espero que vs... Farei tudo o que possa para ajudar.
Quero que a gente saiba. Seth a olhou com os olhos empanados em lgrimas. Quero que a gente saiba que era meu av. Esto murmurando dele e  mentira. Quero que 
saibam que sou um Quinn.
Sybill s pde assentir com a cabea. Se isso era tudo o que lhe pedia, ela se encarregaria de que o recebesse. Tomou flego e se dirigiu a Anna.
O que posso fazer?
J tiveste um bom comeo. Anna olhou seu relgio de pulso. Tinha outra entrevista aos dez minutos. Quer fazer pblica e oficial a informao que nos deste?
Sim.
Tenho uma idia para jog-lo a rodar.
No se teria em conta o questo do abafado, recordou-se Sybill. Viveria e poderia viver com as falaes e as olhadas avessas que se dariam quando atendesse  proposta 
da Anna.
Ela mesma redigiu sua declarao, tinha passado duas horas em sua habitao para escolher as palavras e as frases corretas. Tinha que explicar com claridade os detalhes 
dos atos de sua me, os de Glria e os seus.
No duvidou quando a teve corrigida e impressa. Levou as pginas ao mostrador de recepo e pediu que as mandassem por fax ao escritrio da Anna.
Necessito que me devolva o original e espero uma resposta por fax explicou a recepcionista.
Ocuparei-me de tudo. A jovem recepcionista sorriu com profesionalidad e entrou em um despacho que havia detrs.
Sybill fechou os olhos um instante. J no havia marcha atrs. Cruzou as mos, recomps-se e esperou.
No passou muito tempo. A expresso nos olhos da recepcionista indicava claramente que tinha jogado uma olhada  declarao.
Quer esperar  resposta, doutora Griffin?
Sim, obrigado.
Sybill estendeu a mo para que lhe devolvesse os papis e quase sorriu quando a recepcionista deu um coice antes de entregar-lhe precipitadamente por cima do mostrador.
Est desfrutando de... sua estadia?
Sybill pensou que a garota no podia esperar nem um minuto a difundir o que acabava de ler. Uma conduta humana tpica e completamente previsvel.
At o momento, tudo foi bastante interessante.
Desculpe-me um momento.
A recepcionista voltou a entrar no despacho.
Sybill estava deixando escapar um suspiro quando ficou em tenso. Sabia que Phillip estava detrs dela antes de d-la volta.
mandei o fax a Anna disse solenemente. Estou esperando sua resposta. Se o encontrar satisfatrio, terei tempo de ir ao banco antes de que fechamento e o assinar 
o notrio. Prometi-o.
No vim como co guardio, Sybill. pensei que poderia necessitar certo apoio moral.
Ela soprou.
Estou bem.
No, no o est. Para demonstr-lo, passou-lhe uma mo pelos msculos tensos do pescoo. Mas sua atuao  bastante boa.
Prefiro faz-lo sozinha.
No sempre pode conseguir o que quer. Olhou por cima dela, com a mo ainda na nuca do Sybill, ao ver que saa a recepcionista. Ol, Karen, que tal tudo?
A recepcionista se ruborizou at o couro cabeludo e os olhou alternativamente.
Bem..., mmm..., aqui tem o fax, doutora Griffin.
Obrigado. Sybill, sem piscar, tomou o sobre e o guardou na bolsa. me Inclua isso na fatura, por favor.
Sim, naturalmente.
adeus, Karen.
Delicadamente, Phillip baixou a mo at o final das costas do Sybill e a levou atravs do vestbulo.
Antes do prximo descanso, j o haver dito a seus seis melhores amigas sussurrou Sybill.
Pelo menos. So as vantagens de um povo pequeno. Esta noite, os Quinn vo ser o motivo de discusso em muitos jantares.  hora do caf da manh o rumor estar jogando 
fascas.
Diverte-te disse Sybill com severidade.
Tranqiliza-me, doutora Griffin. As tradies esto feitas para tranqilizar. falei com nosso advogado. Foram para o passeio martimo. As gaivotas perseguiam um 
navio de pesca que voltava para porto. A declarao notarial ajudar, mas gostaria de falar contigo a princpios da semana que vem, se pode arrum-lo.
Consertarei uma entrevista. voltou-se para ele. Levava roupa informal e o vento lhe agitava o cabelo. Uns culos escuros lhe ocultavam os olhos, mas tampouco lhe 
importava muito a expresso que pudessem ter. Se entrar sozinha, ao melhor no parece que estou em arresto domicilirio.
O levantou as mos e deu um passo atrs. Era dura de cortar, disse-se ao v-la entrar no banco, mas tinha a sensao de que, uma vez rota a casca, dentro havia algo 
delicado, inclusive delicioso.
Surpreendia-lhe que algum to inteligente e to conhecedor da natureza humana no se desse conta de sua prpria aflio, que no quisesse ou pudesse reconhecer 
que tinha construdo uns muros ao redor dela mesma porque lhe tinha faltado algo durante sua infncia.
Quase tinha conseguido que ele pensasse que era fria e distante e que os sentimentos no a afetavam.
No sabia por que se empenhou em pensar o contrrio. Possivelmente s fora um desejo, mas estava disposto a adivinh-lo logo.
Sabia que difundir seus segredos de famlia de uma forma to irregular ia ser humilhante para ela e, possivelmente, doloroso, mas tinha acessado sem condies e 
estava cumprindo sem vacilao.
Critrios, disse-se a si mesmo. Integridade. Tinha-os e ele acreditava que tambm tinha corao.
Sybill lhe sorriu levemente ao sair do banco.
 a primeira vez que vejo que a um notrio quase lhe saem os olhos das rbitas. Acredito que isso...
No conseguiu terminar a frase porque Phillip lhe tampou vorazmente a boca com a sua. Ela levantou a mo at o ombro dele, mas os dedos se agarraram a seu pulver.
Pareceu-me que o precisava sussurrou Phillip enquanto lhe acariciava uma bochecha.
Sem ter em conta...
Que mais d, Sybill, j murmuram o bastante, por que no lhe acrescentar um toque de mistrio?
Os sentimentos lhe transbordavam e lhe resultava difcil manter a compostura.
No tenho inteno de ficar aqui para dar um espetculo. Se no te importar...
Perfeito. Vamos a algum lado. Tenho o navio.
O navio? No posso sair no navio. No vou vestida para navegar. Tenho trabalho.
Tenho que pensar, disse-se para seus adentros, embora ele estava arrastando-a ao mole.
Vir-te bem navegar. Est-te dando outra dor de cabea. O ar fresco te acalmar.
No me di a cabea. S sentia uma ameaa que estava a ponto de estalar. E no quero...
Esteve a ponto de gritar do susto quando tomou em velo e a deixou sobre a coberta do navio.
Considere-se arrolada pela fora, doutora. Soltou as amarras rpida e diestramente e saltou a bordo. Me d a sensao de que no recebeste suficiente tratamento 
de esse em sua curta e protegida vida.
No sabe nada de minha vida nem do que recebi. Se acender o motor vou A... calou-se e apertou os dentes para ouvir as exploses do motor. Phillip, quero voltar 
para hotel. Neste instante.
Ningum te nega nada, verdade? disse alegremente enquanto dava uma palmada no assento de bombordo. Sente-se e desfruta de do passeio.
Ela no pensava saltar pela amurada vestida com um traje de seda e uns sapatos italianos. Sups que era a forma que ele tinha de desforrar-se. Privava-lhe de sua 
liberdade de eleio e assim afirmava sua vontade e seu domnio fsico.
Tpico.
Voltou a cabea para olhar o leve chapinho. No tinha medo dele no sentido fsico. O tinha um aspecto mais rude do que se imaginou, mas no lhe faria mal. Alm disso, 
ele queria profundamente ao Seth e necessitava que ela o ajudasse.
Fez um esforo por no emocionar-se quando iou as velas. O som do tecido que se abria com o vento, o sol que resplandecia refletido no branco lhe ondulem, a repentina 
e suave inclinao do navio; todo isso no significava nada para ela, disse-se insistentemente.
Toleraria o jogo do Phillip, mas no reagiria. Evidentemente, ele se aborreceria de seu silncio e desdm e a levaria de volta.
Toma. O lhe lanou algo e ela deu um coice. Olhou e viu uns culos de sol que tinham cansado limpamente em seu regao. O sol pega com fora. refrescou, mas o 
veranico de San Miguel est  volta da esquina.
Sorriu quando no lhe respondeu, limitou-se a ficar cuidadosamente os culos e seguiu olhando para outro lado.
Primeiro faz falta uma boa geada continuou dizendo ele como se tal coisa. Quando as folhas comeam a trocar de cor, a costa perto de casa  um espetculo. Tudo 
fica dourado e escarlate. De fundo, o cu de um azul profundo, a gua brilhante como um espelho, o aroma a outono... Chega a pensar que no h nenhum outro sitio 
na terra onde preferiria estar.
Ela seguiu sem abrir a boca e com os braos cruzados sobre o peito.
Phillip se passou a lngua pelo interior da bochecha.
Inclusive um par de animais de cidade como voc e eu podemos apreciar um bom dia de outono no campo. aproxima-se o aniversrio do Seth.
Phillip viu pela extremidade do olho que ela girava um pouco a cabea e que separava uns lbios trementes. Voltou a fech-los, mas quando se deu a volta o fez com 
os ombros encolhidos  defensiva.
V, v..., disse-se Phillip. Esse pacote de frieza escondia todo um batiburrillo de sentimentos.
pensamos lhe fazer uma festa e chamar a alguns de seus amigos. J sabe que Grace faz um bolo de chocolate maravilhosa. Ocupamo-nos que presente, mas o outro dia 
vi um material de pintura que tinha uma pinta sensacional em uma loja de Baltimore. Nada de coisas de meninos, material de verdade. Gizes, lpis, lpis-carvo, pincis, 
aquarelas, papel, paletas...  uma loja especializada que est a umas mas de meu escritrio. Algum que saiba um pouco de arte poderia passar por a e escolher 
o adequado.
Pensava faz-lo ele, mas comprovou que tinha acertado ao dizer-lhe Estava olhando o de frente e o sol resplandecia em seus culos, mas a inclinao de sua cabea 
lhe dizia que estava lhe emprestando toda a ateno do mundo.
O no quereria nenhum meu presente.
No lhe d suficiente crdito. Possivelmente tampouco lhe esteja dando isso a ti.
Orientou as velas para no perder o vento e comprovou que ela tinha reconhecido a curva de rvores ao longo da costa. Sybill se levantou inestablemente.
Phillip, independentemente do que sinta por mim agora, que tentasse me aproximar do Seth muito logo no contribuiria a nada.
No estou te levando a casa. Jogou uma olhada ao jardim enquanto passavam por diante. Alm disso, Seth est no estaleiro com o CAM e Ethan. Precisa te distrair, 
Sybill, no te enfrentar. Para que conste, no sei o que sinto por ti nestes momentos.
Hei-te dito tudo o que sei.
J, acredito que me deste os fatos. No me h dito o que sente, como lhe afetaram pessoalmente, sentimentalmente, esses fatos.
No  a questo.
Eu estou convertendo-o na questo. Ns gostemos ou no, estamos metidos nisto, Sybill. Seth  seu sobrinho e o meu. Meu pai e sua me tiveram uma aventura e ns 
estamos a ponto de t-la.
No negou ela rotundamente. No estamos a ponto de t-la.
O girou a cabea para olh-la com um brilho nos olhos.
Sabe perfeitamente. Est dentro de mim e eu sei quando estou dentro de uma mulher.
E os duas somos bastante majores para poder dominar nossas necessidades mais elementares.
O a olhou fixamente durante um instante e riu.
V se os somos, mas o que se preocupa no  o sexo,  a intimidade.
Estava acertando em tudo os alvos. No a enfurecia tanto como a assustava.
No me conhece.
Comeo a te conhecer replicou ele tranqilamente. Alm disso, sou dos que terminam o que comearam. vou trocar de rumo. Tome cuidado com a botavara.
Sybill se sentou e se apartou. Reconheceu a pequena baa onde tinham tomado vinho e pat. Tinha sido fazia s uma semana, pensou com certo desinteresse. Pouca coisa 
tinha trocado. Tudo tinha trocado.
No podia estar ali com ele. No podia correr esse risco. A idia de domin-lo era absurda. Mesmo assim, s podia tent-lo.
Olhou-o sem alterar o gesto. passou-se a mo despreocupadamente pelo sofisticado coque que o vento tinha despenteado. Sorriu sarcsticamente.
No h vinho? No h msica nem comida de gourmet?
O arriou as velas e deteve o navio. 
Est assustada.
 um arrogante. No me preocupa.
Agora memore. O navio se balanou ligeiramente e ele se aproximou dela para lhe tirar os culos de sol. se preocupo um pouco. Crie que me tem enganchado, mas 
no sigo o guia. Parece-me que quase todos os homens aos que permitiste que lhe rondassem eram bastante previsveis.  mais fcil para ti.
Isto  o que voc entende por me distrair? me parece mais um enfrentamento.
Tem razo. Phillip se tirou o culos e as deixou a um lado. J o analisaremos mais tarde.
moveu-se muito depressa. Ela sabia que era capaz de mover-se  velocidade do raio, mas no esperava que passasse do cinismo  seduo em um abrir e fechar de olhos. 
Sua boca era ardente, ofegante e firme. Agarrava-a pelos braos e a atraa contra si para que percebesse a necessidade e ao ardor, necessidade e ardor que Sybill 
no sabia se brotavam dele ou dela.
Ele se tinha limitado a dizer a verdade quando disse que a tinha dentro de si. Nesse momento no lhe importava se era um veneno ou uma salvao. Ela estava dentro 
e ele no podia evitar que flura.
Apartou-a um pouco para que os lbios se separassem, embora as caras seguiam estando muito perto. Ele tinha os olhos dourados e poderosos como o resplendor do sol.
me diga que no me deseja, que no quer isto. diga-me isso sinceramente e parada agora mesmo.
Eu...
No. Impaciente, angustiado, sacudiu-a para que levantasse a vista. No, me olhe aos olhos e diga-o.
Ela j tinha mentido e as mentiras lhe pesavam como o chumbo.
Isto s complicar as coisas.
Os olhos cor caramelo refletiram um brilho de triunfo inconfundvel.
Pode estar segura balbuciou ele, mas agora me importa um cominho. me devolva o beijo e faz-o a srio lhe exigiu.
Ela no pde conter-se. Essa nsia pura e perversa era desconhecida para ela e a deixava indefesa. Beijou-o com o mesmo desejo, com as mesmas vontades. O gemido 
rouco e primitivo que deixou escapar era um eco de palpitao do desejo que ela sentia entre as pernas.
Deixou de pensar. encontrou-se arrastada pelas sensaes, os sentimentos e os desejos. O beijo se encrespou e ameaava convertendo-se em uma dolorosa dentada. Ela 
se aferrou ao cabelo do Phillip, ofegava para poder respirar e se estremeceu dos ps  cabea quando aquela mo direita boca descendeu por seu pescoo.
Pela primeira vez em sua vida, deixou-se levar completamente e desejou que tomasse.
O lhe agarrou a jaqueta de seda, a tirou e a atirou a um lado. Queria carne, acarici-la e sabore-la. Passou-lhe a rodeada camiseta cor marfim por cima da cabea 
e encheu suas mos com os peitos talheres de encaixe.
Ela tinha a pele mais quente que a seda e, em algum sentido, mais suave. Soltou-lhe o fechamento do prendedor com um movimento impaciente, atirou-o a um lado e satisfez 
a necessidade de saborear sua pele.
O sol a cegava. Inclusive com os olhos bem fechados, notava sua fora nas plpebras. No podia ver, s sentia. A boca insacivel, quase brutal, devorava-a; as mos 
speras e ansiosas faziam tudo o que lhes agradava. O gemido que lhe subia pela garganta era um uivo na cabea.
Agora, agora, agora!
Cambaleante, levantou-lhe o pulver para encontrar os msculos e as cicatrizes enquanto lhe tirava a saia de um puxo. As meias terminavam em umas tiras de encaixe 
no alto da coxa. Em outro momento possivelmente tivesse apreciado o detalhe de feminilidade e praticamente, mas em esse estava cego pelo desejo e recebeu com gozo 
o ofego de quando lhe baixou o pequeno tringulo que os separava. antes de que ela pudesse tomar flego, introduziu-lhe os dedos e a levou a limite.
Sybill gritou, conmocionada, hesitante pelo impacto do ardor que a atravessou sem aviso e a arrastou ao mais alto.
Deus, Phillip...
Apoiou fracamente a cabea no ombro do Phillip, o corpo se encrespava para logo ficar como morto. O a levantou e a tombou sobre um dos estreitos assentos.
O sangue lhe retumbava na cabea e as vsceras lhe reclamavam uma liberao. O corao lhe golpeava contra o peito com o montono ritmo de uma tocha.
Tinha a respirao entrecortada e o olhar cravado nela. Tinha a mo entre as coxas e os separou. Entrou. Entrou com fora e profundamente e seu gemido interminvel 
se fundiu com o dela.
Ela o rodeou como uma luva ajustada e ardente. moveu-se debaixo dele como uma mulher estremecida e ofegante. Disse seu nome com um fio de voz, suspirou sem poder 
deixar escapar o ar.
O entrava uma e outra vez, com um ritmo firme que ela se esforava por seguir. Lhe soltou o cabelo e Phillip enterrou a cara nele miservel por seu aroma, pela paixo 
irrefrevel de uma mulher levada alm da razo.
Ela cravou as unhas nas costas do Phillip e afogou um grito contra seu ombro quando alcanou o clmax. Atendeu-o com seus msculos, possuiu-o, destroou-o.
O estava to exausto como ela e fazia um esforo por encher de ar os pulmes abrasados. Debaixo, ela seguia estremecendo-se com os ltimos restos de uma relao 
sexual intensa e satisfatria.
Quando Phillip pde enfocar a vista, viu a preciosa roupa do Sybill disseminadas pela coberta. Tambm um sapato de salto negro. Sorriu e se moveu o justo para lhe 
mordiscar o ombro.
Normalmente procuro ser mais delicado. Baixou a mo para jogar com o encaixe de uma meia e apreciar a textura. V, doutora Griffin, est cheia de surpresas.
Ela flutuava alm da realidade. No podia abrir os olhos nem mover a mo.
O que?
O, para ouvir a voz distante e sonhadora, levantou a cabea para olh-la  cara. Tinha as bochechas ruborizadas, os lbios inchados e cabelo despenteado.
Eu diria, a simples vista, que nunca lhe tinham forado antes.
Disse-o com certo tom brincalho e uma arrogncia masculina que fizeram que ela voltasse para a realidade. Abriu os olhos e viu que os dele refletiam um sorriso 
vitorioso e sonhador.
Pesos muito disse Sybill lacnicamente.
De acordo. levantou-se e se sentou, mas a ps sobre seu regao. Segue com as meias postas, e um sapato... Sorriu e lhe beliscou o pequeno e firme traseiro. 
 muito sexy...
Basta. Notava que voltava a arder por dentro em uma combinao de abafado e desejo renovado. me Deixe.
No terminei contigo ainda. Agachou a cabea e lhe lambeu um mamilo. Segue suave e clida. Saborosa. Rodeou com os lbios o mamilo endurecido e sugou delicadamente 
at que lhe custou respirar. Quero mais, e voc tambm.
Ela arqueou o corpo para trs e lhe aconteceu a boca pelo palpitante pescoo. Claro que queria mais.
Entretanto, esta vez me tomarei com mais calma lhe assegurou Phillip.
Ela baixou a boca at a dele.
Suponho que h tempo disse com um gemido.
O sol comeava a ocultar-se pelo horizonte quando ele se separou dela. Estava esgotada, radiante, contundida e transbordante de energia. No sabia que pudesse ter 
esse apetite sexual, mas uma vez descoberto, tampouco sabia o que ia fazer com ele.
Temos que falar... Franziu o cenho e se cobriu o corpo com um brao. Estava mdio nua, molhada por ele e aturdida como no o tinha estado jamais. No, isto... 
no pode continuar.
No agora mesmo concedeu ele. Eu tambm tenho limites.
No queria dizer... S foi uma diverso, como voc h dito. Algo que, ao parecer, os dois necessitvamos em um aspecto fsico. Agora...
te cale, Sybill disse delicadamente, mas ela captou certo chateio. foi muito mais que uma diverso e mais tarde o comentaremos atentamente.
O se apartou o cabelo dos olhos e a olhou fixamente. deu-se conta de que ela comeava a sentir-se incmoda por estar nua e pela situao. Sorriu.
Parecemos um asco. S podemos fazer uma coisa antes de nos vestir e voltar. 
O que?
Sem deixar de sorrir, tirou-lhe o sapato e tomou em braos.
Isto.
Atirou-a pela amurada.
Sybill pde soltar um grito antes de chegar  gua. O que viu depois era uma mulher furiosa com mechas de cabelo molhado sobre os olhos.
Filho de cadela! Imbecil!
Sabia. subiu  amurada e soltou uma gargalhada. Sabia que estaria maravilhosa quando te zangasse.
lanou-se  gua junto a ela.
Treze
Ningum a tinha tratado como Phillip Quinn. Sybill no sabia o que pensar disso e muito menos o que fazer a respeito.
Ele tinha sido spero, desconsiderado e exigente. Segundo ele, tinha-a forado, e mais de uma vez. Ela no podia dizer que houvesse oposto a mais mnima resistncia, 
mas tinha sido uma seduo que distava muito de ser civilizada.
Nunca se tinha deitado com um homem ao que conhecia de to pouco tempo. Faz-lo era irrefletido, possivelmente perigoso e certamente irresponsvel. Inclusive se 
se tinha em conta a sintonia entristecedora e inimaginvel que havia entre os dois, era uma conduta estpida.
Pior que estpida, reconheceu-se, porque estava desejando voltar a ser irrefletida com ele.
Teria que pens-lo cuidadosamente quando pudesse tirar-se da cabea o prazer incrvel que lhe tinham dado aquelas mos mos direitas e dominantes.
Navegavam de volta ao St. Christopher. O estava completamente a gosto consigo mesmo e com ela. Ela nunca haveria dito que ele tivesse tido relaes sexuais desenfreadas 
de mais de uma hora.
Se no fora porque ela tinha participado.
Estava segura de que o que tinham feito complicaria mais uma situao que j de por si era espantosamente complicada. Os dois teriam que ser sensatos, manter a cabea 
fria e ser especialmente prticos. Fez todo o possvel por ordenar o cabelo molhado que o vento agitava.
Decidiu que conversar um pouco era o melhor para fazer o trnsito entre o sexo e a sensatez.
Como te tem feito essas cicatrizes?
Quais?
Perguntou-o por cima do ombro, mas acreditava que sabia a que se referia. Quase todas as mulheres queriam sab-lo.
As do peito. Parecem de uma operao. 
Mmm.  uma histria muito larga. Olhou-a com um sorriso. Te aborrecerei com ela esta noite. 
Esta noite?
lhe encantava quando juntava as sobrancelhas para formar uma ruga de concentrao. 
Temos uma entrevista... No te lembra? 
Mas eu... mmm.
Voc desconcerto completamente, no? Farta, deu um tapa a umas mechas que se empenhavam em lhe tampar os olhos. 
Isso te diverte, verdade?
Carinho, no sabe quanto. Voc segue tentando me enquadrar, Sybill, e eu me escapulirei uma e outra vez. Voc me considera um profissional da cidade, unidimensional 
e bastante seguro ao que gosta dos vinhos antigos e as mulheres cultas, mas isso s  uma parte do conjunto. Entravam no porto, arriou as velas e acendeu o motor. 
Voc, a primeira vista,  uma mulher de cidade s, educada e com uma carreira profissional, a que gosta do vinho branco e os homens a uma distncia prudencial, mas 
tambm isso  s uma parte do conjunto.
Apagou o motor e deixou que o navio golpeasse brandamente contra o mole. Deu-lhe uma amigvel palmada no cabelo antes de baixar-se para amarr-lo.
Acredito que vamos passar o muito bem enquanto desvelamos o resto.
Que a relao fsica continue ...
Inevitvel terminou enquanto lhe oferecia a mo. No percamos o tempo e a energia fingindo outra coisa. No momento podemos cham-lo sintonia elementar. Abraou-a 
assim que ps os ps no embarcadero e o demonstrou com um beijo comprido e ardente. me funciona.
Sua famlia no o aceitar.
A aceitao da famlia  importante para ti.
Naturalmente.
Eu tampouco o descartaria. Normalmente, isto no seria de sua incumbncia. Neste caso, -o. Preocupava-lhe bastante. Mas  minha famlia e minha preocupao, 
no as tuas.
Pode parecer hipcrita, mas no quero fazer nada mais que possa incomodar ou ferir o Seth.
Eu tampouco, mas no vou permitir que um menino de dez anos dirija minha vida pessoal. te tranqilize, Sybill disse lhe acariciando a bochecha. No  uma questo 
entre o Capuletos e Montescos.
No imagino como Romeo disse com um tom irnico que fez que Phillip se riera e a beijasse.
Faria-o, carinho, se me propor isso, mas, no momento, sigamos sendo quem sou. Est cansada. Passou-lhe um polegar por debaixo do olho. Tem uma pele delicada, 
Sybill, a ojera o demonstra. te jogue uma sesta. Logo, arrumaremo-nos com o servio de habitaes.
Com o...
Eu levarei o vinho disse alegremente enquanto voltava a saltar ao navio. Tenho uma garrafa do Chateau Olivier que quero provar gritou por cima do rudo do motor. 
No faz falta que te vista acrescentou com um sorriso perverso enquanto manobrava para afastar do mole.
No estava segura do que lhe teria gritado se tivesse perdido o domnio de si mesmo que ficava. Entretanto, ficou no mole com seu traje de seda enrugado mas elegante, 
o cabelo emaranhado e molhado e a dignidade to vacilante como seu corao.
CAM reconheceu os sinais. Sair a navegar em uma tarde ventosa pode relaxar a um homem, pode lhe desentorpecer os msculos e lhe esclarecer as idias, mas ele s 
conhecia uma coisa que dava esse brilho de satisfao e abandono aos olhos de um homem.
Distinguiu esse brilho nos olhos de seu irmo quando se aproximou do embarcadero para lhe atirar os cabos. Pensou que era um filho de cadela.
Agarrou o cabo e o atou com fora.
Filho de cadela.
Phillip arqueou as sobrancelhas. Esperava essa reao, mas no to logo. J se tinha preparado para no perder os nervos e explicar sua posio.
Os Quinn sempre lhe recebem com carinho e simpatia.
Acreditava que j tinha acontecido a fase de pensar com o rabo.
Phillip, mais alterado do que tinha previsto, desceu-se do navio e ficou olhando a seu irmo. O tambm reconheceu os sinais. CAM estava procurando briga.
Em realidade, estou acostumado a deixar que meu rabo pense por sua conta, embora s vezes coincidimos.
 tolo ou est louco, ou te importa todo um rabanete. trata-se da vida de um menino, sua tranqilidade de esprito, sua confiana.
Ao Seth no vai passar lhe nada. Estou fazendo todo o possvel para que assim seja.
Ah, j entendo. Atiraste-lhe isso pelo bem do Seth.
Phillip agarrou ao CAM da jaqueta antes de que assimilasse completamente toda a fria. Tinham as caras muito perto e o gesto dos dois era feroz.
A primavera passada lhe passou isso te derrubando com a Anna, pensava muito no Seth quando a tinha debaixo?
CAM disparou um punho que superou a defesa do Phillip. O golpe lhe mandou a cabea para trs, mas no soltou a seu irmo. O instinto pde com a razo e empurrou 
ao CAM para equilibrar-se sobre ele.
Soltou uma rstia de tacos quando Ethan apareceu por detrs e o agarrou por pescoo com um brao.
Basta ordenou Ethan. Os dois... ou apertarei at que lhes tenham tranqilizado. Ethan apertou o pescoo do Phillip para demonstr-lo e olhou ao CAM com o cenho 
franzido. lhes Contenha um pouco, maldita seja. Seth aconteceu um dia espantoso, querem piorar-lhe Yo no voy a discutrtelo, Phil. Ethan mir hacia la casa con 
la esperanza de que Seth estuviera ocupado con los deberes o dibujando. No s qu le parecer a Seth esa parte de tu vida personal.
No, eu no disse CAM com amargura. A este importa um cominho, mas a mim no.
Minha relao com o Sybill e minha preocupao pelo Seth so coisas distintas.
Uma mierda.
me solte, Ethan. O tom era cometido e Ethan o soltou. Olhe, CAM, no recordo que minha vida sexual te tenha importado tanto desde que aos dois gostava de Jenny 
Malone.
J no estamos no instituto.
No, e voc tampouco  meu tutor. Nenhum dos dois. afastou-se um pouco para poder olh-los. explicaria-se porque lhe importava, porque lhe importavam. Sinto algo 
por ela e vou tomar me tempo para saber o que . Durante os ltimos meses tenho feita muitas mudanas em minha vida e aceitei tudo o que queriam, mas, maldita seja, 
tambm tenho direito a ter minha vida pessoal.
Eu no lhe vou discutir isso Phil. Ethan olhou para a casa com a esperana de que Seth estivesse ocupado com os deveres ou desenhando. No sei o que lhe parecer 
com o Seth essa parte de sua vida pessoal.
H algo que nenhum dos dois tem em conta: Sybill  a tia do Seth.
Isso  exatamente o que tenho em conta lhe espetou CAM.  a irm de Glria e veio por uma mentira.
veio acreditando uma mentira. Ao Phillip parecia que a distino era essencial. Tem lido a declarao que mandou a Anna por fax?
CAM vaiou entre dentes e se meteu os polegares nos bolsos.
Sim, vi-a.
Quanto crie que pde lhe custar escrev-lo para que antes de vinte e quatro horas todo o povo esteja falando disso e falando dela? Phillip esperou um segundo ao 
ver que o msculo da mandbula do CAM se relaxava. Quanto quer que ela pague?
No penso nela, penso no Seth.
Ela  a melhor defesa que temos contra Glorifica DeLauter.
Voc crie que ela manter o tipo quando chegar o momento da verdade? perguntou Ethan.
Sim, acredito. Ele necessita a sua famlia, a toda sua famlia.  o que teria querido papai. O me disse... Phillip se calou e franziu o cenho enquanto olhava o 
mar.
CAM fez uma careta com os lbios, intercambiou um olhar com o Ethan e esteve a ponto de sorrir.
Vejo-te um pouco estranho ultimamente, Phillip. 
Estou bem.
Talvez est um pouco estresado. Como s se levou um murro, CAM se acreditava com direito a divertir. Me pareceu verte falando sozinho um par de vezes.
No falo sozinho.
Talvez pensa que est falando com algum que no est contigo. Sorriu ampliamente e com m inteno. O estresse  terrvel. Destroa-te a cabea.
Ethan no pde reprimir uma risada e Phillip o olhou.
Tem algo que dizer sobre minha sade mental?
Bom... Ethan se arranhou o queixo. ultimamente te vi um pouco tenso.
Pelo amor de Deus, tenho motivos para estar um pouco tenso. Estendeu os braos como se abrangesse todo mundo que levava sobre seus ombros. Trabalho dez ou doze 
horas em Baltimore e logo devo suar como um escravo no estaleiro. Isso quando no estou me deixando as pestanas com a contabilidade ou as faturas ou fazendo de dona-de-casa 
na frutera ou me ocupando de que Seth no se descuide com os deveres.
Sempre foste um arrogante balbuciou CAM.
Pareo-te arrogante? Phillip se aproximou amenazadoramente, mas CAM sorriu e levantou as mos.
Ethan te atirar ao mar. Eu no tenho vontades de me dar um banho. _
A mim, as primeiras vezes me pareceu que estava sonhando.
Perplexo e sem saber se queria dar um murro ao CAM ou sentar um momento, Phillip olhou ao Ethan.
De que coo est falando?
Acreditava que estvamos falando de sua sade mental. O tom do Ethan era tranqilo e familiar. Me alegrei de v-lo. Costa saber que tem que te despedir dele outra 
vez, mas mereceu a pena.
Phillip sentiu um calafrio por tudo o espinho dorsal e se meteu as mos vacilantes nos bolsos.
Talvez temos que falar de sua sade mental.
Imaginvamos que quando te chegasse o turno sairia correndo ao psicanalista. CAM sorriu. Ou a Aruba.
No sei do que esto falando.
Sim sabe. Ethan o disse com bruma e se sentou no embarcadero com os ps pendurando enquanto tirava um charuto. Te chegou o turno. Parece que foi apresentando-se 
pela mesma ordem que nos recolheu.
Simetria decidiu CAM enquanto se deixava cair junto ao Ethan. Lhe ter gostado dessa simetria. A primeira vez que falei com ele foi o dia que conheci a Anna. 
lembrou-se do dia que a viu o outro lado do jardim com essa cara impressionante e esse traje espantoso. Suponho que isso tambm  uma espcie de simetria.
O calafrio seguia subindo e descendo pelas costas do Phillip.
O que esto dizendo? falastes com ele?
Um bate-papo. CAM tirou o charuto ao Ethan da boca e lhe deu uma imerso. Naturalmente, eu acreditava que havia me tornado socasse. Levantou o olhar com um sorriso. 
Voc tambm, Phil?
No, eu s trabalhei muito.
Panaquices, fazendo desenhos e procurando cancioncillas. Mido trabalho.
Que lhe dem... Entretanto, suspirou e tambm se sentou no embarcadero. Esto tentando me dizer que falastes com papai? que morreu em maro? que est enterrado 
a umas milhas daqui?
CAM lhe passou ao charuto ao Phillip como se fora o normal.
Tenta nos dizer que voc no o tem feito? 
Eu no acredito nessas coisas.
Quando passa, d igual ao cria ou no. Ethan recuperou o charuto. A ltima vez que o vi foi quando pedi ao Grace que se casasse comigo. O tinha uma bolsa de amendoins.
A Me de Deus sussurrou Phillip.
Podia cheir-los como posso cheirar a fumaa do charuto, o mar e o couro da jaqueta do CAM.
Quando a gente morre, acabou-se. No volta. Phillip se deteve um momento at que lhe chegou o charuto outra vez. O... tocaram?
CAM inclinou a cabea.
Tocou-o voc?
Era slido. No podia ser.
Pois uma de dois interveio Ethan, ou o trs estamos loucos ou era ele.
Quase no tivemos tempo de nos despedir nem de assimil-lo. CAM suspirou. A dor j era menor. Nos deu de presente um pouco mais de tempo. Isso acredito eu.
O e mame nos deram de presente todo o tempo quando nos fizeram Quinn. Phillip decidiu que no podia pens-lo nesse momento. Deveu ficar destroado quando se 
inteirou de que tinha tido uma filha a que no tinha conhecido.
Lhe teria gostado de ajud-la, salv-la sussurrou Ethan.
daria-se conta de que era muito tarde para ela, mas no para o Seth concluiu CAM. Fez todo o possvel para salvar ao Seth.
Seu neto. Phillip viu uma garceta que levantava o vo e se perdia na escurido. J no tinha frio. Se veria si mesmo nos olhos do Seth, mas quereria algumas respostas. 
pensei nisso. O lgico teria sido que tivesse tentado localizar  me de Glria para confirm-lo.
Teria demorado muito opinou CAM. Est casada, vive na Europa e, segundo o que disse Sybill, no tinha interesse em ficar em contato com ele.
E a ele lhe esgotava o tempo terminou Phillip. Entretanto, agora sabemos e nos ficaremos.
No tinha querido dormir. Sybill se deu uma ducha larga e quente e logo se envolveu em uma bata com a inteno de seguir com as notas. obrigou-se a reunir todo seu 
valor para chamar a sua me, lhe dizer o que pensava e lhe pedir que lhe confirmasse por escrito a declarao que ela tinha feito ante notrio.
No fez nada de todo isso. tombou-se de barriga para baixo na cama, fechou os olhos e se deixou levar.
A chamada na porta a tirou do sonho. Aturdida, levantou-se cambaleando-se, apalpou a parede para procurar o interruptor da luz, cruzou a sala e quase nem olhou pela 
mira para ver quem era.
Deixou escapar um suspiro de chateio enquanto abria os fechos.
Phillip sorriu ao ver o matagal de cabelo, os olhos sonolentos e a bata azul marinho.
Bom, j te disse que no te vestisse... 
Sinto muito. Fiquei-me dormida. Tentou colocar o cabelo. Detestava parecer desalinhada, sobre tudo quando ele tinha um aspecto to acordado, animado e impressionante.
Se est cansada, deixamo-lo para melhor ocasio...
No, eu... se sigo dormindo, s trs da manh estarei desvelada. dio as habitaes dos hotis s trs da manh. apartou-se um pouco para que ele passasse. irei 
vestir me.
Ponha cmoda lhe props ele enquanto a agarrava e lhe dava um beijo como se fora o mais normal do mundo. J te vi nua e foi uma viso muito interessante.
lhe pareceu que ainda lhe faltava muito para recuperar a dignidade.
No vou dizer que fora um engano...
Perfeito. Phillip deixou a garrafa de vinho na mesa.
Mas tampouco foi um acerto seguiu ela com um tom de pacincia admirvel. Os duas somos pessoas sensatas.
Fale por voc, doutora. Eu perco toda sensatez assim que capto esse aroma dele. O que te pe?
Sybill se apartou quando ele se inclinou para cheir-la.
Phillip.. .
Sybill... Phillip riu. Levarei como uma pessoa civilizada e no tentarei te levar a cama at que esteja um pouco mais acordada.
Agradeo-te tanta cortesia replicou ela com um tom algo cortante.
No sente saudades. Tem fome?
por que tem essa necessidade quase patolgica de me alimentar?
Voc  a especialista lhe respondeu enquanto se encolhia de ombros. trouxe o vinho, tem taas?
Ela tivesse suspirado, mas no teria servido de nada. Queria falar com ele e voltar a pr a relao em trminos de igualdade. Queria lhe pedir conselho e esperava 
ganhar sua ajuda para que convencesse ao Seth de que aceitasse sua amizade.
Agarrou dois copos baixos e grossos que proporcionava o hotel e arqueou uma sobrancelha quando ele sorriu com desprezo ao v-los. Seu sorriso de desprezo era muito 
sexy.
So um insulto para este veio delicioso se lamentou Phillip enquanto abria a garrafa com um saca-rolha de ao que tinha levado, mas se for o melhor que pode oferecer, 
teremos que nos agentar.
Esqueci-me de embalar a cristalera de Bomia.
Outra vez ser. Serve o vinho de cor pajizo nos copos e deu um ao Sybill. Pelos princpios, os intermdios e os finais. Parece como se estivssemos nos trs.
O qual significa...?
Que a farsa terminou, formou-se uma equipe de trabalho e somos amantes. Estou contente com os trs aspectos de nossa interessante relao.
Equipe de trabalho? Escolheu o aspecto que no lhe envergonhava nem lhe punha nervosa.
Seth  um Quinn. Com sua ajuda o ser de forma legal e definitiva, e logo.
Ela ficou olhando seu copo de vinho.
Para ti  importante que tenha seu nome.
O nome de seu av lhe corrigiu Phillip. Alm disso, no  to importante para mim como o  para o Seth.
Sim, tem razo. Vi sua cara quando o disse. Parecia muito impressionado. O professor Quinn deveu ser um homem extraordinrio.
Meus pais eram muito especiais. Seu matrimnio no era normal. Era uma colaborao verdadeira que se apoiava na confiana, o respeito, o amor e a paixo. No foi 
fcil perguntar-se se meu pai tinha quebrado essa confiana.
Temiam que tivesse enganado a sua me com Glria e tivesse tido um filho com ela Sybill se sentou. Glria foi repugnante ao semear essa semente.
Tambm era um inferno viver com as sementes que tinha dentro de mim e no podia eliminar. O ressentimento para o Seth. Era o filho de meu pai? Era seu filho verdadeiro 
enquanto eu s era um substituto? No fundo de meu corao sabia que no acrescentou enquanto se sentava junto a ela, mas era uma dessas obsesses que assaltam 
s trs da manh.
Pelo menos, deu-se conta Sybill, ela tinha tranqilizado sua conscincia nesse ponto, mas no era suficiente.
vou pedir lhe a minha me que corrobore por escrito minha declarao. No sei se querer, duvido-o, mas vou pedir se o vou tentar o.
V? Uma equipe de trabalho.
Phillip tomou a mo e a beijou. Ela o olhou com cautela.
Tem a mandbula arroxeada.
J. Fez uma careta e a moveu de um lado a outro. CAM ainda tem uma esquerda imparable.
Pegou-te?
Phillip riu ao notar o tom de impresso absoluta. Evidentemente, a doutora no chegava de um mundo onde os murros voavam por todos lados.
Eu ia pegar lhe antes, mas me adiantou. O que quer dizer que a devo. A haveria devolvido ali mesmo, mas Ethan me fez uma chave.
meu deus. Sybill se levantou angustiada. foi por ns; por isso passou no navio. No devemos faz-lo. Sabia que te ia causar problemas com sua famlia.
Sim confirmou ele tranqilamente, foi por ns, mas o solucionamos. Sybill, meus irmos e eu levamos nos pegando desde que somos irmos.  um costume da famlia 
Qunn. Como a receita das tortitas de meu pai.
Ela seguia angustiada, mas tambm se sentia perplexa. Murros e tortitas? passou-se uma mo pelo cabelo despenteado.
Brigam fisicamente?
Claro.
Ela se apertou os dedos contra as tmporas para tentar assimil-lo, mas no serve de nada. 
por que?
Phillip o pensou com um sorriso.
Porque estamos  mo...? aventurou. 
E seus pais permitiam uma conduta to violenta?
Minha me era pediatra. Sempre nos remendava. Phillip se inclinou para diante para servir-se um pouco mais de vinho. Ser melhor que ponha em antecedentes. Sabe 
que CAM, Ethan e eu somos adotados.
Sim, fiz algumas averiguaes antes de vir... calou-se e olhou a tampa de seu ordenador porttil. Bom, isso j sabe.
Sim. Voc sabe alguns dados, mas no sabe seu significado. Perguntou-me por minhas cicatrizes. No comea com isso. ficou pensativo. Em realidade, no. CAM foi 
o primeiro. Meu pai o apanhou quando tentava roubar o carro de minha me.
O carro dela? Roub-lo?
Sim, do caminho de casa. CAM tinha doze anos. escapou-se de sua casa e queria chegar ao Mxico.
Aos doze anos roubava carros para ir-se ao Mxico.
Efetivamente. Foi o primeiro dos Quinn malfeitores. Phillip levantou o copo para brindar por seu irmo ausente. Seu pai, bbado, havia lhe tornado a dar uma surra 
e tinha decidido que era o momento de sair correndo ou morrer.
Ah. Sybill apoiou uma mo no brao do sof enquanto se sentava outra vez.
CAM se deprimiu, meu pai o meteu em casa e minha me o atendeu.
No chamaram  polcia?
No. CAM estava apavorado e minha me comprovou que tinha sinais de mau trato fsico habitual. Fizeram algumas pesquisa e chegaram a alguns acordos, trabalharam 
com as instituies e as burlaram. Deram-lhe um lar.
Converteram-no em seu filho?
Minha me disse uma vez que j fomos seus sempre, mas que no nos tnhamos encontrado. Logo chegou Ethan. Sua me se prostitua em Baltimore, era drogada. Quando 
se aborrecia, dava-lhe uma surra a seu filho. At que teve a brilhante ideia de ganhar um dinheiro extra vendendo a seu filho de oito anos aos pervertidos.
Sybill agarrou o copo com as duas mos. No disse nada, no podia dizer nada.
Passou assim uns anos. Uma noite, um cliente terminou com o Ethan e com ela e ficou violento. Como o branco era ela e no seu filho, apunhalou-o. Ela escapou e 
quando chegaram os policiais, levaram ao Ethan ao hospital. Minha me estava de volta.
Tambm o levaram sussurrou Sybill.
Sim, isso  em resumidas contas.
Sybill levantou o copo, deu um sorvo e olhou ao Phillip por cima do bordo. No conhecia o mundo que lhe estava descrevendo. Naturalmente, sabia que existia, mas 
nunca o tinha roado sequer. At ento.
E voc?
Minha me se buscava a vida em Baltimore. Pegava paus de pouca subida. encolheu-se de ombros. Meu pai tinha desaparecido antes. Passou algum tempo em chirona 
por ataque a mo armada e quando saiu no foi nos buscar.
Ela... pegou-te?
de vez em quando, at que cresci o bastante e comeou a pensar que podia lhe responder. Esboou um sorriso afiado. Tinha razo em pens-lo. No nos ocupvamos 
muito um do outro, mas se eu queria um teto, e o queria, necessitava-a e tinha que contribuir algo. Roubava carteiras e arrebentava pisos. Me dava muito bem disse 
com certo orgulho. Muito bem... Me fazia com o tipo de coisas que vende facilmente ou troca por droga. Se as coisas ficavam muito crudas, vendia-me. Viu que ela 
abria os olhos como pratos e apartava o olhar. Sobreviver no  nada fcil. Quase todo o tempo estava livre. Era um tio duro, mau e preparado. Alguma que outra 
vez me pilhavam e mandavam aos servios sociais, mas sempre me escapava. Se tivessem acontecido uns anos, teria acabado no crcere ou no depsito de cadveres. Se 
tivessem acontecido uns anos mais disse lhe olhando diretamente aos olhos, Seth teria seguido o mesmo caminho.
Sybill fazia um esforo sobre-humano por assimil-lo e olhou seu copo de vinho.
Parece-te que sua situao  parecida, mas...
Ontem reconheci a Glria interrompeu Phillip. Uma mulher bonita que se estragou. Os olhos duros e agudos e a boca transbordante de amargura. Minha me e ela tambm 
se teriam reconhecido.
O que podia dizer? Como podia discuti-lo se ela tinha visto o mesmo?
Eu no a reconheci assegurou Sybill precipitadamente. Por um momento, pensei que era um engano.
Ela reconheceu a ti e jogou suas vazas, tocou as teclas que tinha que tocar. Sabia o que tinha que fazer. deteve-se um instante. Sabia perfeitamente. Como sei 
eu.
Sybill o olhou e comprovou que a analisava de uma forma muito fria.
 o que est fazendo? Pulsa teclas e joga suas vazas?
Phillip pensou que possivelmente estivesse fazendo-o. Era algo que teriam que esclarecer logo.
Neste momento estou respondendo suas perguntas, quer o resto?
Sim.
No duvidou porque tinha compreendido o que queria sab-lo tudo.
Quando eu tinha treze anos, acreditava que o tinha tudo controlado. Pensei que no passava nada. At que me encontrei de bruces na boca de uma boca-de-lobo e me 
sangrando. Dispararam-me de um carro em marcha. Estava no stio equivocado e no momento equivocado.
Ch dispararam? Voltou a Lhe olh-lo pegaram um tiro?
No peito. O normal teria sido que me tivesse matado. Um de quo mdicos o impediu de conhecia o Stella Quinn. Ela e Ray foram ver-me ao hospital. Pensei que eram 
uns insetos estranhos benfeitores, uns gilipollas, mas fingi estar de acordo com eles. Minha me no queria saber nada de mim e eu ia acabar em alguma instituio. 
Pensei que poderia me aproveitar deles at que me mantivera de p. Ento, levaria-me tudo o que pudesse e me largaria.
Quem era esse menino que estava lhe descrevendo? Como podia identific-lo com o homem que estava lhe falando?
foste roubar lhes?
 o que fiz. Eu era assim. Mas eles... Como podia lhe explicar que eram um milagre?. Eles o apagaram de mim. At que me apaixonei por eles. Faria algo para que 
estivessem orgulhosos de mim. A vida no me salvaram isso nem a ambulncia nem os cirurgies, a vida me salvaram isso Stella e Ray Quinn.
Quantos anos tinha quando lhe acolheram?
Treze, mas eu no era um pirralho como Seth nenhuma vtima como CAM e Ethan, eu tinha eleito um caminho.
Equivoca-te.
Pela primeira vez, tomou a cara entre as mos e lhe deu um beijo com toda delicadeza.
O a agarrou pelas bonecas e teve que controlar-se para no lhe espremer a pele como o beijo lhe tinha espremido o corao a ele.
No me esperava essa reao.
Ela tampouco a tinha esperado, mas sentiu lstima do menino que havia descrito e admirao pelo homem que tinha chegado a ser.
Que reao revista receber?
Nunca o tinha contado a algum que no fora da famlia disse sonriendo. No  bom para minha imagem.
Ela, comovida, apoiou a frente na dele. 
Tem razo, poderia ter acontecido com Seth sussurrou ela. O que aconteceu com ti, poderia ter acontecido com Seth. Seu pai o salvou. Sua famlia e voc o salvaram, 
enquanto a minha no tem feito nada, pior que nada...
Voc tem feito algo. 
Espero que seja suficiente.
Quando ele a beijou, ela se deixou levar pelo consolo.
Quatorze
Phillip abriu o estaleiro s sete da manh. Afligia-lhe que seus irmos no lhe houvessem dito nada por no ter trabalhado no dia anterior ou por haver-se tomado 
todo um domingo a semana antes.
Esperava poder aproveitar pelo menos uma hora antes de que se apresentasse CAM para seguir com o casco do navio de pesca esportiva. Ethan ia pescar caranguejos para 
aproveitar a temporada de outono e iria ali pela tarde.
Estaria sozinho e tranqilo para poder ocupar-se de todos os papis que tinha abandonado durante esses dias.
A tranqilidade no implicava silncio. O primeiro que fez ao entrar em seu escritrio foi acender as luzes, logo ps a rdio e aos dez minutos estava embebido nas 
contas; sentia-se como em casa.
Chegou  concluso de que tinham dvidas com todo mundo. O aluguel, os fornecimentos, o seguro, o depsito de madeiras e as adorados cartes de crdito.
A Administrao tinha reclamado sua parte em meados de setembro e o belisco tinha sido bastante desagradvel. O seguinte pagamento de impostos no estava to longe 
como para que se pudesse relaxar.
Fez jogos malabares com as cifras, deu-lhes uma e mil voltas, acariciou-as e decidiu que a cor vermelha no era to feia. Tinham tirado um benefcio aceitvel do 
primeiro trabalho e quase todo o tinham reaplicado na empresa. Quando tivessem acabado o casco, o cliente lhes faria outro pagamento. manteriam-se a flutuao, mas 
foram passar uma temporada em nmeros vermelhos.
Repassou tudo minuciosamente, ps ao dia as folhas de clculo, adaptou as cifras e tentou no lamentar que dois mais dois se empenhassem teimosamente em ser quatro.
Ouviu que a pesada porta se abria e voltava a fechar-se.
Outra vez escondido a acima? gritou CAM.
Sim, me estou passando isso de medo.
Outros temos trabalho de verdade.
Phillip olhou as cifras que passavam pela tela do ordenador e deixou escapar uma risada. Sabia que para o CAM nada era um trabalho de verdade se no tinha uma ferramenta 
na mo.
 tudo o que posso fazer balbuciou Phillip antes de apagar o ordenador.
Amontoou as faturas a pagar em um rinco da mesa, guardou-se o talo de cheques no bolso traseiro da cala e baixou.
CAM estava ficando um cinturo de ferramentas. Levava uma boina de beisebol posta ao reverso para que lhe tirasse o cabelo da cara e mant-lo debaixo da viseira. 
Phillip viu que se guardava o aliana de casamento no bolso dianteiro da cala.
Quando terminava de trabalhar, voltava a ficar o O anel podia enganchar-se em algumas ferramentas e lhe custar um dedo, mas nenhum dos irmos os deixavam em casa. 
Phillip se perguntava se tinha algum simbolismo ou se lhes confortava levar sempre com eles esse aviso do matrimnio.
perguntou-se por que o perguntava e decidiu esquecer-se desse assunto.
Como CAM tinha chegado antes  zona de trabalho, na rdio no soava o blues melanclico que teria eleito Phillip a no ser um rock de te pr os cabelos de ponta. 
CAM o olhou inexpresivamente enquanto Phillip ficava um cinturo de ferramentas.
No esperava verte to espaoso e madrugador esta manh. Supunha que teria tido uma noite ocupada.
No volte para isso.
Era um comentrio.
Anna j lhe tinha jogado uma bronca quando se queixou da aventura do Phillip com o Sybill. Que tinha que lhe dar vergonha, que no tinha por que meter-se, que tinha 
que ter considerao pelos sentimentos de seu irmo...
Preferia um murro de seu irmo  surra verbal de sua mulher.
Se quer enredar com ela,  teu assunto. Est muito bem, mas eu diria que por dentro  bastante fria.
No a conhece.
Conhece-a voc? CAM levantou a mo quando viu um brilho no olhar do Phillip. S tentava me fazer uma idia. vai ser importante para o Seth.
Sei que ela quer fazer tudo o que possa para que Seth esteja onde tem que estar. Por isso entrevi, eu diria que ela se criou em um ambiente repressivo e asfixiante.
Um ambiente de gente rica.
Sim. Phillip passou por cima de um monto de fitas de seda. Sim, colgio privado, chofer, clube de campo, servio...
Costa um pouco sentir lstima por ela.
No acredito que ela queira que lhe tenham lstima. Levantou um fita de seda. H dito que queria te fazer uma idia. Eu te digo que teve vantagens, o que no 
sei  se teve carinho.
CAM se encolheu de ombros, decidiu que juntos trabalhariam melhor e agarrou o outro extremo do fita de seda para coloc-lo no casco.
No me parece desgraada esclareceu CAM, parece-me fria.
Contida. Precavida. lembrou-se de que ela tinha dado o primeiro passado a noite anterior. Mesmo assim tinha sido primeira e nica vez. Conteve a insatisfao por 
no estar seguro de se CAM tinha razo. Acaso Ethan e voc so quo nicos tm direito a estar com uma mulher que lhes satisfaz os hormnios e o crebro?
No. CAM juntou os madeiros e relaxou os ombros. Havia algo no tom do Phillip que deixava ver essa insatisfao e algo mais. No, claro que no. Falarei com o 
Seth dela.
Falarei eu com ele.
De acordo.
Tambm me importa Seth. 
J sei.
No me importava. Phillip tirou o martelo para cravar os fitas de seda. Ao menos no tanto como importava a ti. No o bastante. Agora  distinto.
Tambm sei isso. Durante uns minutos trabalharam juntos sem dizer nada. Em qualquer caso, ajudou-o acrescentou CAM quando terminaram de colocar o fita de seda. 
Incluso quando no te importava o bastante.
Fiz-o por papai.
Todos o fizemos por papai. Agora o fazemos pelo Seth.
A meio-dia, o esqueleto do casco se havia talher com a carne da madeira. Essa forma de construir o navio exigia muito trabalho, preciso e era aborrecida, mas tambm 
era a marca da casa, uma alternativa que oferecia uma solidez estrutural mxima e requeria muita destreza do construtor.
Ningum discutiria que CAM era o mais destro dos trs ao trabalhar com a madeira, mas Phillip pensou que ele tampouco ficava curto.
apartou-se para ver o exterior do casco e pensou que, efetivamente, no ficava curto.
trouxeste um pouco de comida? perguntou-lhe CAM antes de beber gua diretamente da garrafa.
No.
Mierda. Seguro que Grace preparou ao Ethan um desses festins que faz ela. Frango frito ou fatias de presunto cozido com mel.
Voc tambm tem uma mulher.
CAM soprou e ps os olhos em branco.
J... No imagino lhe pedindo a Anna que me prepare uma comida todos os dias. Partiria-me a cabea com a maleta enquanto sai pela porta. Somos dois... Podemos surpreender 
ao Ethan quando entre.
Faamos algo mais fcil. Phillip tirou uma moeda do bolso. Cara ou cruz?
Cara. que perca, compra a comida e vai por ela.
Phillip lanou a moeda, agarrou-a e a deixou sobre o dorso de sua mo. Pareceu como se a cara o olhasse com gesto de brincadeira.
Maldita seja... O que quer?
Almndegas, uma bolsa grande de batatas fritas e vinte litros de caf.
Isso..., te tape bem as artrias.
A ltima vez que olhei no tinham tofu no Crawford'S. No sei como te come essa marranada. vais morrer te em qualquer caso. Tambm pode ir com as almndegas.
Voc faz o que queira e eu farei o que eu queira. Tirou o talo do CAM do bolso traseiro da cala. Toma, no lhe gaste isso tudo de repente.
Agora posso me retirar a uma cabana no Maui. Tem o do Ethan?
O que fica dele.
E o teu?
No o necessito.
CAM entrecerr os olhos enquanto Phillip ficava a jaqueta.
As coisas no so assim.
Eu me ocupo das contas e digo como so as coisas.
Voc lhe dedica tempo e tem que te levar sua parte.
No a preciso repetiu Phillip mais acaloradamente. Quando a necessitar, levarei-me isso.
partiu e deixou ao CAM com dois palmos de narizes.
Teimoso filho de cadela balbuciou CAM. Como vou tocar lhe os narizes se fizer estas estupidezes?
queixava-se muito, disse-se CAM. Amassava a seus irmos com os detalhes mais nimios e logo se ocupava desses detalhes, pensou enquanto bebia da garrafa de gua. 
Abandonava-te e logo te tirava as castanhas do fogo.
Podia voltar louco a qualquer.
Nesse momento estava perdendo a cabea por uma mulher que ningum sabia se seria de confiana quando as coisas ficassem difceis. Ele, por de repente, ia vigiar 
de perto ao Sybill Griffin. No s pelo Seth. Phillip podia ter crebro, mas era to parvo como qualquer quando de tratava de uma cara bonita.
E a jovem Karen Lawson, que trabalha no hotel desde que o ano passado ligou com o filho do McKinney, viu-o por escrito. Chamou a sua me e como Betty Lawson  boa 
amiga minha e companheira de bridge a muito tempo tempo, embora te falha seu s se no te andar com cuidado, chamou-me e me contou isso.
Nacy Claremont se achava em seu meio natural e esse meio natural era a fofoca. Como seu marido era dono de uma boa parte do St. Chris, o que significava que ela 
tambm o era, e nessa parte entrava o velho palheiro que os Quinn, uma turma de selvagens em sua opinio, tinham alugado como estaleiro e voc v ou seja o que outras 
coisas mais, ela sabia que no s tinha direito, mas tambm era sua obrigao difundir . essa suculenta informao que tinha recebido na tarde anterior.
Naturalmente, primeiro utilizou o mtodo mais cmodo: o telefone. Entretanto, por telefone no se desfruta de do prazer de ver a reao. ficou seu traje cala de 
cor cabaa que acabava de comprar e se tornou  rua.
No tinha nenhum sentido ser a mulher mais rica do St. Christopher se no presumia um pouco, e o melhor stio para presumir e difundir uma fofoca era Crawford'S.
Logo estava a barbearia, e essa seria sua segunda etapa; j tinha pedido hora para cortar-se, se tingir e frisar o cabelo.
Mame Crawford, que no tinha sado do St. Chris durante seus sessenta e dois anos, estava sentada atrs do mostrador com seu avental de aougueira e a lngua apertada 
com fora contra a bochecha.
J se tinha informado da notcia. No lhe escapava quase nada e tampouco retinha a informao durante muito tempo, mas se disps a escutar ao Nancy.
Pensar que o menino  neto do Ray Quinn! E essa escritora com pinta esnobe  irm da garota to desagradvel que disse todas aquelas coisas espantosas. O menino 
 seu sobrinho. Sua prpria famlia, mas disse algo a respeito? No, pai, nenhuma palavra! Todo o momento exibindo-se de um lado a outro e navegando com o Phillip 
Quinn, e muito mais que navegando, diria eu. Os jovens de hoje em dia no tm nenhuma decncia.
Brilhavam-lhe os olhos de prazer.
Mame Crawford temeu que se desviasse do assunto que lhes ocupava e se encolheu de ombros.
me parece disse sabendo que a gente que havia na loja era todo ouvidos que a muita gente deste povo lhe teria que cair a cara de vergonha pelo que vo dizendo 
do Ray. Todas essas falaes, a suas costas quando estava vivo e sobre sua tumba quando est morto, de que enganava ao Stella, em paz descanse, e que estava encalacrado 
com essa DeLauter eram mentira, no?
Jogou uma olhada  loja com seus olhos penetrantes e, efetivamente, houve vrias cabeas que se agacharam. Satisfeita, cravou o olhar implacvel nos olhos brilhantes 
do Nancy.
Parece-me que est desejando pensar mal de um homem bom como Ray Quinn acrescentou.
Nancy, profundamente insultada, soprou.
O que vai! Nunca acreditei uma s palavra, Mame Crawford. disse-se que comentar as coisas no significava que as acreditasse. A verdade  que at um cego se 
daria conta de que o menino tem os mesmos olhos que Ray. Tinha que haver alguma relao. O outro dia perguntei ao Silas se pensava que esse menino era sobrinho ou 
um pouco do Ray. Naturalmente, no havia dito nada parecido, mas poderia hav-lo feito se lhe tivesse ocorrido. Mas nunca pensei que seja neto do Ray. Como ia 
pensar que Ray tinha uma filha h tantos anos...?
O qual, para comear, teria demonstrado que tinha feito algo mau. Ela sempre tinha pensado que Ray Quinn tinha tido uma juventude desenfreada. Possivelmente tivesse 
sido hippie, e todo mundo sabia o que isso significava: fumar maconha, fazer orgias e correr nu pelo campo.
Entretanto, no pensava falar disso com Mame Crawford. Esses assuntos os reservaria para quando estivesse comodamente sentada na poltrona da barbearia.
Uma filha continuou que se desmamou mais que os meninos que ele e Stella tinham levado a sua casa. A garota do hotel deve ser to...
calou-se para ouvir a campainha da porta. Tinha esperado ter um ouvinte novo e ficou paralisada ao ver o Phillip Quinn. Era melhor que um ouvinte novo, era um dos 
atores dessa trama to lhe apaixonem.
Phillip soube o tema de conversao assim que abriu a porta. Ao menos, o tema que tinham tratado at que ele entrou. O silncio caiu como uma laje e todos os olhos 
se cravaram nele antes de olhar para outro lado com ar culpado.
Exceto os do Nancy Claremont e os de Mame Crawford.
V, Phillip Quinn, no te via desde que foi com sua famlia  festa de quatro de julho. Nancy piscou. Fora o que fosse, era um homem muito bonito. Nancy acreditava 
que a seduo era a melhor maneira de atirar da lngua a um homem. O passamos muito bem.
 verdade. Foi at o mostrador consciente de que tinha todas as olhadas fixas em suas costas. Mame Crawford, quero umas almndegas e um pouco de peru.
Agora mesmo, Phil jnior!
Seu filho deu um coice pelo tom apesar de que tinha trinta e seis anos e trs filhos. 
Sim, mame...
vais cobrar s pessoas ou vais arranhar te o culo durante todo o dia?
Ele se ruborizou, resmungou algo e ficou detrs da caixa registradora.
Est trabalhando hoje no estaleiro? 
Assim , senhora Claremont.
entreteve-se procurando uma bolsa de batatas para o CAM e logo foi at os produtos lcteos para procurar um iogurte para ele.
Normalmente vem o pequeno a pela comida, no?
Phillip agarrou um iogurte qualquer.
Hoje est no colgio.  sexta-feira.
 verdade... Nancy riu e se deu uns golpecitos no flanco da cabea. No sei onde tenho a cabea. Um menino muito bonito. Ray estaria orgulhoso.
No o duvido.
diz-se que tem alguma relao familiar bastante prxima...
Que eu saiba, sempre acerta com o que diz, senhora Claremont. Mame Crawford, tambm quero dois cafs grandes.
Em seguida. Nancy, tem muitas coisas de que falar hoje. Se segue tentando tirar algo ao menino, vais perder seu turno na barbearia.
No sei do que est falando Nancy soprou, lanou um olhar furioso a Mame Crawford e se colocou o cabelo com uma mo. Mas tenho que ir. Esta noite, meu marido 
e eu vamos  festa dos Kiwani e tenho que me arrumar um pouco.
Saiu e foi diretamente  barbearia.
Dentro, Mame Crawford entrecerr os olhos.
O resto tero coisas que fazer, Jnior lhes cobrar. Isto no  um salo. Se querem perder o tempo, podem perd-lo na rua.
Phillip tossiu para dissimular uma gargalhada quando umas quantas pessoas decidiram que tinham coisas que fazer.
Essa Nancy Claremont tem menos miolo que um mosquito afirmou Mame Crawford. Mau est que se vista de ps a cabea como uma cabaa, mas  que nem sequer sabe 
ser sutil. Mame Crawford se voltou para o Phillip e lhe sorriu. No vou dizer que eu no goste de me inteirar das coisas como ao que mais, mas se no saber tirar 
um pouco de informao sem ser to evidente, no s  uma grosseira, mas tambm  tola. No suporto nem os maus maneiras nem a estupidez.
Phillip se inclinou sobre o mostrador.
Sabe, me, estive pensando que ao melhor troco o nome pelo Jean Claude, me vou viver ao pas do vinho, ao vale do Loira, e me comprou um vinhedo.
Ela voltou a apertar a lngua contra a bochecha com os olhos resplandecentes. Levava anos ouvindo essa histria ou alguma de suas variaes.
me conte.
Veria maturar as uvas ao sol. Comeria po recm feito com queijo passado. Seria uma vida maravilhosa, mas s tenho um problema.
Qual...?
No teria sentido se no vir comigo. Agarrou-lhe a mo e a beijou enquanto ela soltava uma gargalhada.
 um caso! Sempre o foste. Tomou flego, esfregou-se os olhos e suspirou. Nancy  tola, mas no fundo no  m. Para ela, Ray e Stella s eram umas pessoas mais, 
mas para mim eram outra coisa.
Sei, Mame Crawford.
O gente j tem tema de conversao novo e vo espremer o a fundo.
Tambm sei. Phillip assentiu com a cabea. Como sabia Sybill.
Mame Crawford arqueou as sobrancelhas e voltou s baixar ao dar-se conta do que isso queria dizer.
Essa garota tem guelra. Bravo. Seth pode estar orgulhoso de ter um sangue to valente. Ray era seu av. Mame Crawford se deteve para terminar de preparar os pratos. 
Acredito que essa garota lhes teria gostado ao Ray e ao Stella.
Crie-o? sussurrou Phillip.
Sim. eu gosto. Mame Crawford olhou para outro lado com um sorriso enquanto envolvia os recipientes. No  uma esnobe como decidiu Nancy. S  tmida.
Phillip agarrou a bolsa com a comida e ficou boquiaberto.
Tmida? Sybill?
Seguro. Tenta por todos os meios no s-lo, mas lhe custa muito. te leve as almndegas para seu irmo antes de que se esfriem.
A mim o que me importam uma turma de bichas que viveram faz duzentos anos.
Seth tinha o livro de histria aberto, a boca cheia de chiclete e um olhar cheia de tozudez. Phillip, depois de uma jornada de dez horas de trabalho manual, no 
estava de humor para as cabezoneras do Seth.
Os pais fundadores de nosso pas no eram uma turma de bichas.
Seth soprou e assinalou o desenho do Congresso.
Levam perucas e roupa de tia. Isso, para mim,  de bichas.
Era a moda. Sabia que seu irmo estava lhe buscando as ccegas, mas no podia evitar entrar em trapo. Alm disso, chamar bicha a algum por como vai vestido ou 
por como vive, demonstra ignorncia e intolerncia.
Seth se limitou a sorrir. s vezes gostava de exasperar ao Phillip.
Um tio que leva peruca com cachos e saltos altos tem o que se merece.
Phillip suspirou. Essa reao tambm encantava ao Seth. Dava-lhe igual a histria, alm disso o ltimo exame o tinha passado com sobressalente, mas lhe aborrecia 
ter que escolher a um desses bichas e escrever uma estpida biografia.
Sabe o que eram esses tios? perguntou-lhe Phillip com os olhos entrecerrados para que no abrisse a boca. No o diga. Direi-te o que eram. Eram rebeldes, agitadores 
e tios com um par...
Com um par? Anda j!
reuniam-se, redigiam documentos e davam discursos para mandar a mierda a Inglaterra e sobre tudo ao rei Jorge. Captou um brilho de interesse nos olhos do Seth. 
Em realidade, no era pelo imposto do ch. Isso s era a desculpa. No foram aceitar mais mierdas da Inglaterra. tratava-se disso.
Dar discursos e escrever documentos no  lutar.
Estavam criando os motivos para lutar. Tem que dar alternativas. Se quiser que a gente deixe a marca X, tem que lhes dar a marca E, e faz-la melhor, mais forte 
e saborosa. Que diria se te dissesse que esses chicletes so uma porcaria? perguntou-lhe Phillip enquanto agarrava a bolsa que havia na mesa do Seth.
eu gosto. Para demonstr-lo, fez um globo enorme.
J, mas eu te digo que  uma verdadeira marranada e que a gente que os faz so uns canalhas. No vais atirar os ao cesto de papis porque eu o diga, verdade?
Claro que no.
Mas eu te dou outra alternativa se te falar dos chicletes SuperGlobosGigantes.
SuperGlobosGigantes? Tio, est me vacilando...
Cala. Esses chicletes so melhores, duram mais e custam menos. Se os mascar, voc, seus amigos, sua vizinhos e sua famlia sero mais felizes e mais fortes.  o 
chiclete do futuro, de seu futuro acrescentou Phillip com um tom cantarn. O outro chiclete est passado. Com o SuperGlobosGigantes encontrar sua liberdade pessoal 
e religiosa e ningum te dir quantos pode te colocar na boca.
Moa. Phillip estava como uma cabra, pensou Seth, mas tinha graa. Onde tenho que assinar?
Phillip, entre risadas, deixou a bolsa de chicletes em mesa.
Entende-o. Estes tios eram os crebros e o sangue, e tinham que conseguir que a gente se iludisse.
Ao Seth gostou o dos crebros e o sangue, assim pensou que poderia utiliz-lo na redao.
De acordo, escolherei ao Patrick Henry. No parece to parvo como os outros.
Muito bem. Pode procurar informao com o ordenador. Quando tiver a bibliografia, imprime-a. A biblioteca de Baltimore ter mais livros que a do colgio.
De acordo.
Tem a redao preparada para amanh? 
Tio, no pra.
A ver o que tem feito.
Deus... Seth rebuscou na pasta e tirou uma folha.
chamava-se Uma vida de ces e contava um dia normal visto atravs dos olhos de Tolo. Phillip notou que sorria sem querer quando o narrador canino explicava o muito 
que gostava de perseguir coelhos, o que lhe incomodavam as abelhas e quanto lhe divertia sair com seu bom e sbio amigo Simon.
Esse menino era muito preparado, disse-se Phillip.
Quando Parvo terminou seu exaustivo dia na cama, que compartilhava amavelmente com seu jovem amo, Phillip lhe devolveu a folha.
Est muito bem. Suponho que agora j sabemos de onde tiraste esse talento para contar histrias.
Seth baixou o olhar enquanto guardava a redao.
Ray era muito preparado e, alm disso, era catedrtico de universidade.
Era muito preparado. Se tivesse sabido que existia, faria algo muito antes.
J, claro... Seth se encolheu de ombros com o gesto tpico dos Quinn.
Amanh vou falar com o advogado. Com a ajuda do Sybill talvez aceleramos um pouco as coisas.
Seth tirou um lpis para fazer ganchos de ferro; uns crculos, uns tringulos e uns quadrados.
Talvez troca de idia.
No, no o far lhe tranqilizou Phillip.
A gente o faz constantemente.
Durante semanas tinha estado preparado para sair correndo se os Quinn trocavam de idia, mas no o tinham feito e ele tinha comeado a confiar. Entretanto, sempre 
estava preparado para sair correndo.
H gente que cumpre suas promessas, sejam quais sejam. Ray o fez.
Ela no  Ray. Veio aqui para me espiar.
Veio para ver se estava bem.
Bom, pois estou bem e ela j pode partir.
 mais difcil ficar replicou Phillip sem alterar o tom. Se necessitam mais guelra para ficar. A gente j est murmurando sobre ela. J sabe o que  que a gente 
te olhe pela extremidade do olho e murmure.
Sim. So uns casulos.
Possivelmente, mas di.
Seth sabia perfeitamente, mas agarrou o lpis com mais fora e apertou mais ao fazer os ganchos de ferro.
Ela voc gosta.
Ao melhor. Certamente, no passa desapercebida. Mas isso no troca o importante. Guri, no h muita gente que tenha feito tanto por ti. Esperou a que Seth voltasse 
a levantar o olhar. me custou um tempo me entregar, possivelmente muito. Fiz-o porque me tinha pedido isso Ray, porque lhe queria.
Mas no queria faz-lo.
No, no queria faz-lo. Era um coazo. Voc foi um coazo, mas tudo comeou a trocar pouco a pouco. Seguia sem querer faz-lo, seguia sendo um coazo, mas em um 
momento dado me dava conta de que o fazia por ti tanto como pelo Ray.
Pensava que talvez era filho dele e isso te chateava.
E pensar que os adultos acreditavam que ocultavam seus segredos e seus pecados aos meninos..., disse-se Phillip.
Sim. Era uma idia da que no pude me liberar at ontem. No podia aceitar a idia de que tivesse enganado a minha me ou que voc fosse seu filho.
Mas mesmo assim ps meu nome no pster do estaleiro.
Phillip o olhou fixamente um instante e deixou escapar uma breve gargalhada. deu-se conta de que s vezes se faziam as coisas que terei que fazer embora fora sem 
as pensar e que isso era o importante.
Era onde tinha que estar, quo mesmo voc tem que estar aqui. Sybill j tinha feito bastante por ti e agora sabemos por que. Quando algum te quer,  uma estupidez 
afastar o de ti.
Crie que tenho que ir ver a e falar com ela e todas essas coisas. O j o tinha pensado. No sei o que dizer.
Antes j a viu e falou com ela. Poderia tent-lo outra vez.
Possivelmente.
Sabe o atadas que esto Anna e Grace com seu jantar de aniversrio da semana que vem?
Sim.
Baixou a cabea para que no lhe visse o sorriso de orelha a orelha. No podia acreditar-lhe Um jantar de aniversrio e ele tinha eleito a comida. Alm disso, ao 
dia seguinte faria uma festa com seus amigos. Embora ele no o chamaria festa porque isso no molaba nada quando foste fazer onze anos.
por que no lhe pede que v se gosta? prop-lhe Phillip.
O sorriso se esfumou.
No sei. Suponho. Alm disso, certamente no quereria vir.
por que no o pergunta? Poderia tirar outro presente.
Sim? disse esboando um sorriso lento e malicioso. Teria que me fazer um bom...
Assim eu gosto.
Quinze
A reunio de noventa minutos com o advogado de Baltimore tinha deixado ao Sybill nervosa e esgotada. Ela acreditava que se preparou; ao fim e ao cabo, tinha tido 
dois dias e meio desde que chamou na segunda-feira pela manh e o advogado lhe buscou um oco para na quarta-feira pela tarde.
Pensou que j tinha passado. Ao menos tinha passado essa primeira fase. No se tinha imaginado que lhe custaria tanto revelar a um desconhecido, profissional ou 
no, os segredos e defeitos de sua famlia. alm de revelar-lhe a ela mesma.
Nesse momento tinha que agentar uma chuva heladora, o trfico de Baltimore e seus escassas dotes para conduzir. Como no tinha nenhum interesse no trfico e na 
conduo, deixou o carro em um estacionamento e se enfrentou  chuva como peatona.
Tremente, cruzou rapidamente o passo de zebra e comprovou que o outono tinha deixado muito atrs ao vero. As rvores comeavam a trocar de cor e os pequenos arbustos 
tinham j folhas vermelhas com borde dourados. A temperatura tinha baixado bruscamente com a umidade e o vento a aoitava e arrastava seu guarda-chuva enquanto se 
aproximava do porto.
Teria preferido um dia ensolarado para poder passear e desfrutar dos velhos edifcios primorosatiente reabilitados, do ordenado passeio martimo e dos navios antigos 
atracados ali. Entretanto, resultava atrativo embora o dia fora chuvoso e glido.
O mar tinha uma cor plmbea, estava picado e seus limites se esfumavam no cu de forma que resultava impossvel adivinhar at onde chegava. A maioria dos paseantes 
se refugiou a coberto e os que no o tinham feito caminhavam a toda velocidade.
encontrava-se sozinha e insignificante em meio da chuva, olhando ao mar e perguntando-se o que faria mais tarde.
Suspirou e se deu a volta para olhar as lojas. na sexta-feira tinha uma festa de aniversrio. Tena,que  comprar um presente para seu sobrinho.
Demorou mais de uma hora em comparar, escolher e desprezar material de pintura. Tinha reduzido as possibilidades e no notou o brilho nos olhos da dependienta quando 
comeou s amontoar. Tinham passado mais de seis anos desde que fez o ltimo presente ao Seth. ia ressarcir o por isso.
Tinham que ser os lpis adequados e a coleo de gizes perfeito. Examinou os pincis para aquarelas como se uma eleio equivocada fora o fim do mundo para ela. 
Comprovou e pesou o papel de desenho durante vinte minutos e logo se voltou louca para encontrar uma caixa para tudo o que tinha eleito.
Decidiu que o melhor era a simplicidade. Certamente, um menino jovem se encontraria mais cmodo com uma singela caixa de nogueira. Tambm duraria mais. Se a cuidava, 
teria-a durante anos. Possivelmente, depois de passados esses anos, olharia-a e se lembraria dela com carinho.
Seu sobrinho vai emocionar lhe comentou a dependienta enquanto fazia a conta.  um material muito bom.
Tem muito talento. Sybill, distrada, comeou a mord-la unha do polegar, um costume que tinha abandonado fazia anos. Poderia envolver tudo cuidadosamente e coloc-lo 
em uma caixa?
Claro. Janice! Pode me dar uma mo?  voc desta zona? perguntou ao Sybill.
No, no. Um amigo me recomendou sua loja.
O agradecemos muito. Janice, temos que envolver e embalar tudo isto. 
Tm papel de presente?
No temos, sinto muito, mas neste centro h uma papelaria com papis de presente muito bonitos, laos e cartes.
Era o que lhe faltava. Que papel gosta a um menino de onze anos? Cintas? Gostaria das cintas e os laos?
So quinhentos e oitenta e trs dlares e sessenta e nove centavos lhe comunicou a dependienta com um sorriso resplandecente. Como quer pag-lo?
Quinhentos... Sybill se calou. Evidentemente, tornou-se louca. Quase seiscentos dlares pelo presente de um menino. Admitem o carto VISA? perguntou com um fio 
de voz.
Naturalmente. A dependienta, sem deixar de sorrir, alargou a mo para tomar o carto dourado.
Voc poderia me dizer...? soprou, tirou a agenda e procurou a letra Q. Como posso encontrar esta direo?
Claro, est  volta da esquina.
V, se Phillip tivesse vivido a vrias mas, ela possivelmente tivesse desistido.
Era um engano, advertia-se enquanto lutava com as enormes bolsas e um guarda-chuva que no estava spuesto a colaborar. No tinha nenhum motivo para aparecer ali.
Possivelmente nem sequer estivesse em sua casa. Eram as sete. Certamente teria sado para jantar. Seria melhor que voltasse por seu carro e se fora  costa. Havia 
menos trfico, embora a chuva era mesma.
Pelo menos, podia chamar antes, mas o maldito telefone mvel estava na bolsa e ela s tinha duas mos. Tinha escurecido, chovia e o mais provvel era que no encontrasse 
o edifcio. Se no o encontrava antes de cinco minutos, daria-se a volta e se iria ao estacionamento.
Encontrou o edifcio alto e elegante aos trs minutos e, feita um molho de nervos, entrou no vestbulo quente, seco e acolhedor.
Era silencioso e distinto, tinha rvores de interior em vasos de barro de cobre, cho de madeira polida e uns sofs de cores neutras com grandes almofades. Toda 
aquela elegncia a teria aliviado se no se houvesse sentido como um rato empapado que penetrava em um transatlntico de luxo.
Tinha que estar louca para apresentar-se ali daquela maneira. Acaso no tinha decidido que iria a Baltimore para ver o advogado e comprar o presente, mas que no 
faria o que estava fazendo? No lhe havia dito nada da entrevista porque no queria que ele soubesse que estava em Baltimore. Teria tentado convencer a de que passasse 
o dia com ele.
Tinha estado no domingo com ele! No havia nenhum motivo para ter essa necessidade de voltar a v-lo. iria ao St. Christopher nesse preciso instante porque tinha 
cometido um engano terrvel.
amaldioou-se quando foi at o elevador, entrou e pulsou o boto do piso dezesseis.
O que lhe passava? por que estava fazendo aquilo? O que aconteceria estava em casa, mas no estava sozinho? A s idia lhe doeu como um murro na boca do estmago. 
Nunca tinham falado de exclusividade. O tinha todo o direito do mundo para ver outras mulheres. Teria um monto de mulheres. O qual demonstrava, para comear, que 
tinha feito uma tolice ao atar-se com ele.
Estava claro que no podia apresentar-se assim, sem avisar, sem que a houvesse convidado, sem que a esperasse.
Tudo o que lhe tinham ensinado sobre maneiras, protocolo e conduta social lhe ordenava que apertasse a fundo o boto de baixada e partisse dali. Cada fresta de orgulho 
lhe exigia que se afastasse dali antes de que ficasse humilhada.
No soube o que foi o que superou a todo aquilo e a tirou do elevador para dirigi-la at a porta 1605.
dentro de sua cabea algo dizia a gritos que no o fizesse, o ordenava inclusive quando tinha o dedo parecido no timbre.
O que tinha feito? O que lhe diria? Como se o xplicara?
Suplicou que no estivesse em casa. Foi o ltimo UE fez antes de que se abrisse a porta. 
Sybill... Os olhos do Phillip se abriram como pratos e esboou um sorriso. Ela comeou a balbuciar. 
Sinto muito. Deveria ter chamado. Eu no queria... No deveria... vim  cidade e estava...
A ver, me d todo isso. compraste toda a loja? Estava lhe tirando as bolsas midas e as mos geladas. Esto congelada. Passa.
Deveria ter chamado. Estava...
No seja tola. Deixou as bolsas no estou acostumado a comeou a lhe tirar a gabardina. Tinha que harme dito que foste vir a Baltimore. Quando chegaste?
A... Por volta das duas e meia. Tinha uma entrevista. Eu s... Estava chovendo disse atropelladaente enquanto se detestava. No estou acostumada a conduzir com 
chuva. A verdade  que no estou acostumada a conduzir absolutamente e ainda estou um pouco nervosa por isso.
Ela foi de um lado a outro enquanto ele a olhava com as sobrancelhas arqueadas. Tinha as bochechas ruborizadas, mas ele no acreditava que fora pelo frio. Falava 
como se estivesse alterada e isso era uma novidade interessante. Parecia como se no soubesse o que fazer com as mos.
A gabardina lhe tinha protegido o impecvel traje cinza piarra, mas tinha os sapatos empapados e o cabelo cheio de gotas de chuva.
Est nervosa, no? sussurrou enquanto lhe esfregava os braos para que entrasse em calor. Tranqilo.
Tinha que ter chamado disse pela terceira vez. fui mal educada e presunosa...
No, no o foste. Possivelmente um pouco ousada. Se tivesse vindo vinte minutos antes, eu no teria chegado ainda disse aproximando-se um pouco mais. Sybill, 
te tranqilize.
De acordo. Sybill fechou os olhos.
Phillip a olhou com olhos brincalhes enquanto ela tomava umas profundas baforadas de ar.
Isso da respirao funciona realmente? perguntou-lhe com uma gargalhada.
O tom de irritao foi inaprecivel, mas estava em sua voz.
H estudos que demonstram que o fluxo de oxignio e a concentrao mental aliviam o estresse.
No o duvido. Eu tenho feito estudos por minha conta. vamos tentar o a meu estilo.
Aproximou os lbios aos dela, esfregou-os brandamente, convincentemente, at que ela abrandou os seus, cedeu e o acolheu. A lngua do Phillip brincou com a dela, 
que deixou escapar um suspiro.
Sim, isto funciona comigo sussurrou enquanto lhe acontecia a bochecha pelo cabelo molhado. Me funciona muito bem. A ti?
Tambm est demonstrado que a estimulao oral  um remdio contra o estresse.
O riu.
Roda de pessoas o perigo de enlouquecer por ti. Gosta de um vinho?
No lhe interessou a definio que ele dava a loucura.
No me importaria tomar uma taa. Mas no deveria. Tenho que conduzir.
Phillip pensou que essa noite no ia conduzir, mas se limitou a sorrir.
Sente-se. Volto em seguida.
Ela voltou para seus exerccios de respirao enquanto ele desaparecia em outra habitao. Quando conseguiu serenar-se um pouco, Sybill observou o apartamento. Uns 
sofs de cor verde escura dominavam a sala. No meio havia uma mesa baixa quadrada. Sobre ela, um veleiro feito com cristal Murano e um par de candelabros de ferro 
verde com velas brancas e grosas.
No extremo mais afastado da habitao havia uma pequena barra com um par de tamboretes forrados de couro negro e, detrs, um pster antigo do Nuits-St. Georges, 
na Borgoa, que representava a um oficial de cavalaria francs do sculo dezoito sentado sobre uma barrica com um copo, uma pipa e um sorriso de satisfao.
As paredes eram brancas e delas penduravam algumas obras de arte. Um pster emoldurado de champanha Tattinger com uma elegante mulher, seguro que era Grace Kelly, 
vestida com um traje negro que levantava uma borbulhante monopoliza diante dela e se apoiava em uma mesa redonda de cristal com patas curvadas de ao. Tambm havia 
uma gravura do Joan Olhou e uma preciosa reproduo do Automme do Alphonse Muita.
Os abajures eram ligeiramente modernos e Art Dec; o carpete, amaciada e de cor cinza clara, e os ventanales no tinham cortinas e estavam molhados pela chuva.
Pareceu-lhe que a habitao refletia um gosto masculino, ecltico e divertido. Ela estava admirando um reposapis de couro com forma de porco quando ele voltou.
Eu gosto de seu porco.
Chamou-me a ateno. por que no me conta este dia to interessante?
Nem sequer te perguntei se tinha algo que fazer.
Ela se tinha dado conta de que levava uma camiseta negra de algodo, jeans e que ia descalo, mas isso no significava...
J sei. Tirou-a da mo e a levou at o sof com forma de Ou e cmodos almofades. Esta tarde estiveste com o advogado.
Sabia?
 um bom amigo e me mantm ao tanto. E ele, disse-se Phillip, sentiu-se profundamente decepcionado quando no lhe chamou para lhe dizer que ia  cidade. Que tal 
foi tudo? 
Acredito que bem. Parece crdulo em conseguir a custdia. Entretanto, no pude convencer a minha me para que fizesse uma declarao.
Est zangada contigo.
Sybill deu um breve sorvo de vinho.
Sim, est zangada. Seguro que se arrepende muito de ter tido o lapsus de me contar o que aconteceu ela e seu pai.
Phillip a agarrou pela mo. 
Para ti  muito difcil. Sinto muito.
Ela baixou o olhar a seus dedos entrelaados e pensou distradamente que ele a tocava com muita soltura, como se fora o mais natural do mundo. 
J sou mayorcita. Dado que no acredito que esepequeo incidente, por muito que seja um aconcimiento no St. Christopher, cruze ao Atlntico at Paris, suponho que 
ela o superar.
E voc?
A vida segue. Uma vez que se tramitaram as questes legais, Glria no ter nenhum motivo para lhes incomodar a ti e a sua famlia. Nem ao Seth. Seguir incomodando-se 
a si mesmo, mas j no posso fazer nada. Tampouco quero faz-lo.
Phillip se perguntou se era um rasgo de frieza ou uma forma de defesa.
Quando se tiverem tramitado as questes legais, Seth seguir sendo seu sobrinho. Nenhum de ns te impedir que o visite nem que forme parte de sua vida.
No formo parte de sua vida afirmou ela inexpresivamente. Alm disso, enquanto ele se faz uma vida, seria lhe crispe que tivesse lembranas da vida que deixou 
atrs.  um milagre que no tenha cicatrizes mais profundas por tudo o que lhe fez Glria. A sensao de segurana que tenha-se a dbito a seu pai, a ti e a sua 
famlia. No confia em mim, Phillip, nem tem por que faz-lo.
A confiana ter que ganhar a Tem que querer ganhar a T quieres que vaya le corrigi ella. Y te agradezco mucho que lo convencieras para que me dejara ir.
Sybill se levantou, foi at o ventanal e olhou as luzes da cidade que se estendiam sob a chuva.
Quando foste viver com o Ray e Stella Quinn, quando eles lhe ajudavam a refazer sua vida, mantinha contato com sua me ou com seus amigos de Baltimore?
Minha me era uma puta circunstancial que detestava cada fibra de ar que eu respirava e meus amigos eram camelos, drogados e ladres. Eu no queria ter mais contato 
com eles que o que eles queriam ter comigo.
Mesmo assim disse voltando-se para olhar .sabe o que quero te dizer.
Sei, mas no o compartilho.
Eu acredito que Seth sim o compartilha. Phillip deixou a taa de vinho e se levantou. 
Quer que v na sexta-feira a sua festa de aniversrio.
Voc quer que v corrigiu ela. E te agradeo muito que o convencesse para que me deixasse ir.
Sybill...
Por certo, encontrei a loja que me disse. Cortou-lhe ela enquanto assinalava para as bolsas que havia junto  porta.
Isso? ficou olhando fixamente s bolsas. Todo isso?
Ela se mordeu a unha do dedo polegar.
 muito, verdade? Sabia. Vi-me apanhada. Posso devolver parte ou ficar a faz tempo que no desenho...
Phillip foi at as bolsas e olhou dentro. 
Tudo isto? riu e sacudiu a cabea. vai encantar lhe. vai voltar se louco. 
No quero que tome como uma chantagem, como se queria comprar seu carinho. No sei o que me dado. Quando comecei, era como se no pudesse parar.
Se eu fosse voc, deixaria de me perguntar os motivos para fazer algo bom, algo impulsivo e um pouco por cima do normal disse lhe dando uma palmada delicada na 
mo. E deixa de te morder a unha.
No me remoo as unhas. Eu nunca... Ofendida, olhou-se a mo e viu a unha mordiscada. meu Deus, estou me mordendo as unhas. No o por volta de desde que tinha 
quinze anos.
Phillip se aproximou dela, que procurava seu estojo manicura na bolsa.
Foi uma menina nervosa?
Mmm?
Mordia-te as unhas?
Era um cacoete, nada mais. Cuidadosa e eficientemente, comeou a reparar os danos.
Um costume nervoso, no lhe parece, doutora Griffin?
Possivelmente, mas acabei com ela.
No de tudo. Remi-te as unhas sussurrou ele enquanto se aproximava mais. Enxaquecas... 
Muito de vez em quando.
Salta-te as comidas. No te incomode em me dizer que jantaste esta noite. Sei perfeitamente. Parece-me que a respirao e a concentrao no te est servindo de 
muito contra o estresse. vou provar outra vez meu sistema.
Tenho que ir  disse enquanto ele a abraava antes de que me faa muito tarde.
J  muito tarde. Seus lbios se roaram. Tm que ficar.  de noite, faz frio e est chovendo sussurrou sem deixar de lhe mordiscar os lbios. Alm disso,  
uma condutora muito mau.
Eu s... A lima de unhas lhe caiu das mos. Estou destreinada.
Quero me deitar contigo, em minha cama. O seguinte beijo foi mais profundo, mais largo e mais mido. Quero te tirar esse precioso traje, pea a pea, e ver o 
que h debaixo.
No sei como o consegue. A respirao lhe entrecortava e o corpo se esticava. No posso pensar coherentemente quando est me tocando.
Eu gosto de sua incoerncia. Deslizou as mos debaixo da jaqueta at colocar os polegares aos lados dos peitos. Eu gosto de incoerente e tremente. Quando treme, 
entram-me vontades de te fazer de tudo.
Ela sentia labaredas ardentes e ferroadas glidas por todo o corpo.
O que... tipo de coisas?
O fez um rudo grave e de agradar contra o flanco de seu pescoo.
Ensinarei-lhe isso. Tomou em braos.
Eu no fao estas coisas. Ela se apartou o cabelo da cara e o olhou enquanto a levava a dormitrio.
Que coisas?
No vou  casa de um homem e sotaque que me leve a cama. No fao essas coisas.
Ento, consideraremo-lo como um cambou em suas pautas de conduta disse enquanto a olhava minuciosamente antes de deix-la na cama produzido por... deteve-se para 
acender as velas que havia em uma esquina a estimulao direta.
Poderia servir. As velas faziam maravilhas em um rosto irresistvel.  que  muito atrativo.
O riu, tombou-se junto a ela e lhe beijou o queixo.
E voc  muito dbil.
Normalmente, no. Em realidade, meu apetite sexual est acostumado a ser inferior  mdia, em geral...
De verdade? Levantou-a o justo para poder lhe tirar a jaqueta.
Sim. comprovei que... embora uma relao sexual pode ser agradvel... ficou sem flego ao notar os dedos que lhe desabotoavam a blusa.
Agradvel? espetou ele.
Estranha vez, se  que ocorre alguma vez, produz-me uma impresso que no seja momentnea. Isso, naturalmente, deve-se a minha estrutura hormonal.
Naturalmente.
Ele baixou a boca  delicado inchao de seus peitos que se elevava tentadoramente sobre as taas do prendedor e lambeu.
Mas... Mas...
Ela fechou os punhos enquanto a lngua do Phillip se abria passo debaixo do tecido e a estremecia. 
Est tentando pensar.
Estou tentando comprovar se puder. 
E tudo bem?
No muito bem.
Falava-me de sua estrutura hormonal lhe recordou enquanto lhe olhava a cara e lhe baixava a saia.
Eu? Ah, j... Tinha razo.
No sabia no que, pensou vagamente Sybill enquanto notava um calafrio ao lhe passar ele um dedo pelo abdmen.
Phillip comprovou com prazer que ela levava essas meias to sexys que se sujeitavam na coxa, essa vez eram de uma cor negra fumaa. Sups que ela teria pensado que 
o prendedor e as mdias de cor negra combinavam bem.
Deu graas a Deus por isso.
Sybill, eu adoro o que h debaixo de sua roupa.
Baixou a boca por seu ventre e notou um sabor quente e feminino. Tambm notou a tenso de seus msculos. Sybill deixou escapar um leve som de impotncia e se colocou 
debaixo dele.
Podia lev-la a qualquer parte. O poder que lhe dava sab-lo-o embriagava como o vinho. Tomou, lentamente, recreando-os dois em cada passo, e se deixou levar.
Baixou as mdias ao longo daquelas coxas rgos e deliciosas e seguiu esse caminho com sua boca at alcanar os dedos dos ps. Tinha a pele de cor marfim, suave e 
fragrante. Perfeita, mas mais sedutora quando se estremecia ligeiramente debaixo da dele. Colocou os dedos e a lngua debaixo da fantasia sedosa que pendurava de 
seus quadris at que ela arqueou, estremeceu-se e gemeu. Ali estava a paixo. Justo ali, uma paixo ardente, mida e crescente.
Quando aquele tortura os enlouqueceu, ele retirou a barreira que os separava e se equilibrou sobre o esbanjamento de ardor que lhe oferecia. Sybill gritou se encrespou 
e se aferrou ao cabelo dele enquanto se elevava  cspide. Quando se abandonou jadeantel ele no cessou.
Seguiu com seus ensinos.
Podia dispor de tudo. De tudo. Ela no tinha foras para negar-se, para resistir ao embate de sensaes que a afligia. Ele era quo nico havia no mundo, o nico. 
O sabor de sua pele na boca do Sybill, a textura do cabelo nas mos ou contra a pele do Sybill, o movimento de seus msculos entre os dedos do Sybill.
Os sussurros, os sussurros do Phillip que retumbavam em sua cabea. O som de seu prprio nome como um murmrio de prazer. A respirao que deixava escapar Sybill 
como um soluo enquanto procurava vorazmente sua boca para verter tudo o que ela era em uma emoo transbordante e abrasadora.
Uma e outra vez, uma e outra vez. O apresso, a exigncia; tudo dava voltas em sua cabea enquanto ela se aferrava e se entregava, entregava-se, entregava-se.
Ento foi ele quem fechou os punhos nos flancos da cabea do Sybill, quem sentiu o impacto entristecedor das sensaes que o cegavam de desejo, que o derretiam com 
um desejo to irresistvel que o rasgava.
Ela se abriu para lhe dar aconteo como um convite palpitante. Entrou nela, satisfez-a. Levantou a cabea e viu o resplendor dourado das velas que a iluminavam.
Sybill tinha os olhos cravados nele, os lbios separados e a respirao entrava e saa entre eles com dificuldade. Pareceu-lhe notar um estalo, como um ferrolho 
que se abria ou uma conexo. Procurou suas mos para as entrelaar com as suas.
Com lentido, com delicadeza, com cada movimento recebia um prazer novo e pleno. Uma esperana tersa e sedosa na escurido. Viu que lhe resplandeciam os olhos, sentiu 
a tenso, a quebra de onda, beijou-a na boca para fazer-se com o ofego do clmax.
No v sussurrou enquanto lhe percorria a cara com os lbios e se movia ao ritmo de seu cucrpo. No v.
Que alternativa tinha ela? Estava indefesa ante o que lhe tinha imposto, incapaz de negar-se ao que lhe pedia em troca.
A presso voltou a crescer como uma exigncia interna que no podia negar-se. Quando ela se livrou tambaleantemente, ele a abraou e caram juntos.
ia cozinhar disse Phillip ao cabo de um momento quando ela se deixou cair sobre ele sem foras e sem poder falar. Mas acredito que vou pedir o e a comer na cama.
De acordo.
Sybill seguia com os olhos fechados e se ordenava escutar os batimentos do corao de seu corao e no emprestar ateno  voz que lhe brotava de dentro.
Amanh pode dormir.
O jogava despreocupadamente com o cabelo do Sybill. Queria t-la ali pela manh, queria com loucura t-la ali pela manh. Pensaria nisso mais tarde.
Pode fazer um pouco de turismo ou ir s compras insistiu Phillip. Se ficar at a tarde, podemos ir juntos a casa.
De acordo.
No tinha foras para impor-se. Alm disso, no era nenhuma tolice. A estrada de redondeza de Baltimore era terreno desconhecido. Desfrutaria percorrendo a cidade 
durante um par de horas. Era uma solene tolice conduzir de noite e em meio da chuva.
 espantosamente fcil de convencer.
Pilhaste-me em um momento de debilidade. Tenho fome e no gosta de conduzir esta noite. Alm disso, sinto falta da cidade, qualquer cidade.
Ento, no  por meu atrativo irresistvel e minha impressionante faanha sexual?
Ela no pde evitar um sorriso. 
No, mas tampouco incomodam.
Pela manh te farei uma omelete de clara de ovo e ser minha pulseira.
Ela conseguiu rir.
Isso j o veremos.
Sybill j temia estar muito perto da escravido. O corao, ao que tentava no fazer conta, empenhava-se em assegurar que estava apaixonada.
Isso, advertiu-se a si mesmo, seria um engano muito major e mais permanente que ter batido na porta de sua casa em uma noite chuvosa.
Dezesseis
Quando uma mulher de vinte e nove anos se troca trs vezes de roupa antes de ir  festa de um menino de onze anos, essa mulher tem um problema verdade.
Sybill se fez essa reflexo enquanto se tirava a blusa de seda branca e a trocava por um pulver de pescoo alto.
Ia a um jantar familiar sem etiqueta, no era uma recepo diplomtica. A qual, reconheceu-se com suspiro, no lhe teria causado tantos problemas. Sabia como vestir-se, 
como comportar-se e o que se esperava dela em uma recepo de ornamento, uma recepo de Estado ou um baile de caridade.
Compreendeu que no saber o que ficar nem como comportar-se no aniversrio de seu sobrinho uma demonstrao lamentvel de sua limitada experincia social.
ficou um comprido colar com contas de prata e o tirou ato seguido, amaldioou-se e voltou a ficar o Pouco vestida ou muito vestida, que mais dava? No encaixaria 
em nenhum caso. Ela fingiria que encaixava, os Quinn fingiriam que sim encaixava e todo mundo respiraria tranqilo quando se despedisse e se fora.
disse-se que no estaria mais de duas horas. Poderia suport-lo. Todos seriam educados e evitariam as cenas desagradveis pelo Seth.
Agarrou a escova para estirar o cabelo e sujeitar-lhe na nuca com uma pina antes de olhar-se atentamente no espelho. Pareceu-lhe que dava a sensao de estar segura 
de si mesmo, agradvel e nada ameaadora.
Salvo... Possivelmente a cor do pulver fora muito chamativo, possivelmente fora melhor um cinza ou marrom.
Era insuportvel.
A chamada de telefone lhe pareceu uma bno. Esteve a ponto de equilibrar-se sobre ele. 
me diga, sou a doutora Griffin.
Syb, segue a. Temia que te tivesse partido.
Glria. Os joelhos lhe fraquejaram e se sentou no bordo da cama. Onde est?
Ah, estou perto. N, sinto que o outro dia te deixasse tiragem. Estava alterada.
Alterada, disse-se Sybill. Era uma boa expresso para certas situaes. A julgar pela velocidade a que falava sua irm, supunha que tambm estava alterada nesse 
momento.
Roubou-me dinheiro da carteira.
J te hei dito que estava alterada, no? Entrou-me o pnico e necessitava um pouco de massa. Devolverei-lhe isso. falaste com esses bodes dos Quinn?
tive uma reunio com a famlia Quinn, como prometi. Sybill abriu a mo que tinha fechado em um punho. Tinha prometido, Glria, que as duas nos veramos com eles 
para falar do Seth.
Bom, eu no tinha prometido nada, no? O que disseram? O que vo fazer?
Disseram que trabalha de prostituta, que maltrataste fisicamente ao Seth, que permitiu que seus clientes tentassem abusar sexualmente dele.
Mentirosos. So uns bodes mentirosos. S querem me humilhar. Eles...
Eles disseram continuou Sybill sem alterar-se que acusou uma dzia de vezes ao professor Quinn de te agredir sexualmente, que insinuou que Seth era filho dele; 
que o chantageou e que vendeu ao Seth; que ele te deu mais de cento e cinqenta mil dlares.
Todo isso  uma mierda.
Tudo no, mas uma parte sim. Sua parte pode descrever-se acertadamente como uma mierda. O professor Quinn no te tocou, nem faz doze anos nem faz doze meses.
por que sabe? por que coo sabe o que...
Mame me disse que o professor Quinn era seu pai.
fez-se um silncio que s se interrompeu on a respirao entrecortada de Glria.
Ento, devia-me isso, no? Devia-me isso. O catedrtico de universidade com sua vida triste e aborrecida! Devia-me muito. Era culpa dela. Tudo era culpa dela. Todos 
esses anos sem me dar nada. Acolhia tudo o lixo da rua, mas no me dava nada. 
No sabia que existia.
O disse, no? Disse-lhe o que ele tinha feito, quem era eu e o que ele ia fazer a respeito. O que fez? Olhou-me fixamente. Queria falar com minha me. No ia me 
dar um puto dlar at que falasse com minha me.
Assim foste ver o reitor e lhe disse que tinha abusado sexualmente de ti.
Coloquei-lhe o temor de Deus. Maldito filho de cadela.
Sybill pensou que tinha tido razo. Ao final, resultava que seus instintos tinham acertado quando entrou na delegacia de polcia. Era um engano. Aquela mulher era 
uma desconhecida.
E quando no funcionou, utilizou ao Seth.
Os olhos do menino so idnticos aos seus, qualquer pode v-lo. ouviu-se o rudo de Glria aspirando de um cigarro. Trocou de cilindro assim que viu o menino.
Deu-te dinheiro pelo Seth.
No foi o bastante. Devia-me isso. Escuta, Sybill... Tremeu-lhe a voz com um soluo. No sabe o que  isto. cuidei sozinha desse menino desde que o mamo do Jerry 
DeLauter se largou. Ningum ia ajudar me. Nossa querida me nem sequer respondia a minhas chamadas e tampouco o fazia o casulo tarado com o que se casou e pretendia 
passar por meu pai. Poderia me haver desfeito do menino em qualquer momento, mas o pouco dinheiro que do os servios sociais  desprezvel.
Sybill ficou olhando pelas portas da terrao.
Sempre resulta ser uma questo de dinheiro?
 fcil desdenh-lo quando te sobra lhe replicou Glria. Nunca tiveste que te buscar a vida, nunca tiveste que preocupar-se. A filha perfeita sempre teve que 
tudo. Agora me toca .
Eu te teria ajudado, Glria. Tentei-o faz anos quando levou ao Seth a Nova Iorque.
Seja  seja, a mesma cantinela de sempre. Trabalha, refaa sua vida, te limpe... Mierda, eu no quero danar essa cano, entende-o?  minha vida, hermanita, no 
a tua. No podia me pagar para que a vivesse. Alm disso,  meu filho, no o teu.
Que dia  hoje, Glria?
O que? De que coo fala?
Hoje  vinte e oito de setembro. Diz-te algo essa data?
Que coo deveria me dizer?  uma sexta-feira dos cojones.
E o dcimo primeiro aniversrio de seu filho, pensou Sybill enquanto se levantava.
No vais recuperar ao Seth, Glria, embora as duas sabemos que tampouco o queria.
No pode...
te cale. Deixa de enredar. Conheo-te. No quis faz-lo, preferi fingir que no te conhecia, mas te conheo. Se quiser ajuda, sigo disposta a te pagar a fatura 
de uma clnica de reabilitao.
No necessito sua maldita ajuda.
Muito bem, voc saber. No vais tirar nem um cntimo dos Quinn nem vais voltar a ver o Seth. declarei ante o advogado deles e formalizei notarialmente minha declarao 
ante a assistente social do Seth. Contei-lhes tudo e se fizer falta, declararei ante um tribunal que o desejo do Seth  ficar definitivamente com os Quinn e que 
isso  o melhor para ele. Farei algo para que no volte a utiliz-lo.
Puta. O vaio transbordava ira, mas tambm deixava entrever certa surpresa. Crie que pode joderme desta maneira? Crie que pode me deixar a um lado e te largar 
com esses bodes? vou acabar contigo.
Pode tent-lo, mas no vais conseguir o. Fez sua aposta e no h nada mais que falar.
 como ela, verdade? Glria cuspiu as palavras como se fossem balas.  como o coo frio de nossa me. A perfeita princesa da sociedade, mas por debaixo s  uma 
puta.
Possivelmente o fora, disse-se Sybill com ar cansado, possivelmente tivesse que s-lo.
Chantageou ao Raymond Quinn, que no te tinha feito nada. Funcionou. Ao menos funcionou para que te pagasse. No funcionar com seus filhos, Glria, e tampouco 
funcionar comigo. J no.
No? A ver o que te parece isto. Quero cem mil, cem mil, ou vou falar com a imprensa. National Enquirer, Hard Copy. J veremos como se vende seu repugnante livro 
quando lhes contar minha histria.
 possvel que as vendas aumentem vinte por cento disse Sybill tranqilamente. No vais chantagear me, Glria. Faz o que queira. Tem uma acusao penal em Maryland 
e uma ordem de afastamento do Seth. Os Quinn tm provas. Vi-as. Sybill se lembrou das cartas de Glria. Poderiam te acusar tambm de extorso e mau trato infantil. 
Se eu fosse voc, tentaria no sair muito mau parada.
Pendurou em meio de uma rstia de obscenidades, fechou os olhos e colocou a cabea entre os joelhos. Sentia uma nusea pringosa no estmago e a enxaqueca se aproximava 
amenazadoramente. No podia deixar de tremer. Tinha contido os tremores durante a conversao, mas j no podia det-los.
ficou assim at que pde voltar a dominar a respirao, at que passou a ameaa do vmito. Logo se levantou, tomou uma pastilha contra a enxaqueca e se deu um pouco 
de cor nas bochechas. Agarrou a bolsa, os presentes do Seth, uma jaqueta e saiu.
O dia tinha sido interminvel. Que tio podia passar horas e horas no colgio o dia de seu aniversrio? Tinha onze aazos. Ia jantar pizza, batatas fritas, bolo de 
chocolate e sorvete, e certamente lhe fariam presentes.
Em realidade, nunca lhe tinham feito um presente de aniversrio. Ao menos, ele no o recordava. Certamente lhe dariam de presente roupa e essas coisas prticas, 
mas seriam presentes.
Se aparecia algum.
por que demoram tanto? Voltou a perguntar Seth.
Anna, disposta a ser paciente, seguiu cortando batatas para as batatas fritas que Seth tinha pedido como parte do menu de aniversrio.
Estaro vindo.
So quase as seis. por que tive que vir a casa depois do colgio em vez de ir ao estaleiro?
Porque sim. Anna no deu mais explicaes. Deixa de colocar o dedo em tudo acrescentou ao ver que Seth voltava a abrir a porta da geladeira. Logo vais pr te 
arroxeado.
Morro de fome.
Estou fazendo as batatas fritas, no? 
Acreditava que ia fazer as Grace.
Anna lhe cravou um olhar implacvel por cima do ombro.
Insinas que eu no sei fazer batatas fritas? Estava to aborrecido e inquieto que nem sequer desfrutou por hav-la ofendido em sua vaidade. 
Bom, ela faz umas muito bons.
Ah. Anna se deu a volta. E eu no? 
No esto mau. Em qualquer caso, temos a pizza. Esteve a ponto de tir-la, mas soltou uma gargalhada.
Vndalo.
Anna se equilibrou para ele entre risadas, mas Seth se escabull dando gritos.
Batem na porta. Eu abrirei!
Saiu correndo e Anna ficou olhando-o com um sorriso nos lbios.
Entretanto, a risada se desvaneceu dos olhos do Seth quando abriu a porta de par em par e se encontrou ao Sybill no alpendre.
Ah, ol.
A ela lhe caiu a alma aos ps, mas sorriu o mais educadamente que pde.
feliz aniversrio.
Obrigado... Olhou-a com um pouco de receio e se separou da porta.
Obrigado por me convidar. Tirou as duas bolsas de presentes. Pode receber j os presentes?
Claro, suponho. Os olhos lhe saam das rbitas. Todo isso?
Ela esteve a ponto de suspirar. Recordou- muito ao Phillip.
 um lote.
Moa. N, essa  Grace!
Com as bolsas nas costas, passou como pde junto ao Sybill.
A alegria que refletia sua voz e o sorriso de felicidade contrastavam muito com a expresso que tinha posto ao v-la a ela. Ao Sybill lhe fez pedacinhos a alma, 
que j tinha nos ps.
Ol, Grace! Ol, Aubrey! vou dizer lhe a Anna que j chegastes.
Voltou a entrar na casa como uma flecha e deixou ao Sybill junto  porta aberta e sem saber o que fazer. Grace saiu do carro e sorriu.
Parece emocionado.
Sim, bom...
Viu que Grace abria o porta-malas e deixava uma bolsa e um recipiente de plstico com um bolo. Logo foi desatar a lhe balbuciem Aubrey de sua cadeira.
Te dou uma mo?
E as duas... Um minuto, carinho. Se no deixar de te revolver... Voltou a sorrir ao Sybill por cima do ombro enquanto esta se aproximava. Leva todo o dia muito 
nervosa. Seth  seu favorito.
Seth! Aniversrio. Fizemos um bolo.
claro que sim. Grace conseguiu tirar o Aubrey e a passou a uma atnita Sybill. Importa? empenhou-se em ficar este vestido, mas a carreira daqui  casa o deixar 
feito um asco.
Ah, bom...
Sybill se encontrou olhando a uma cara anglica e resplandecente e sujeitando um cuerpecito robusto com um vestido rosa com sries.
Vamos a uma festa disse Aubrey com as duas mos nas bochechas do Sybill para que lhe emprestasse ateno. Eu farei uma festa quando fizer trs anos. Pode vir.
Obrigado.
Cheira muito bem. Eu tambm.
Certamente que cheira muito bem.
Sybill no podia manter a rigidez inicial ante esse sorriso encantador. O jipe do Phillip se parou atrs do carro do Grace, e Sybill recuperou toda a rigidez quando 
CAM se desceu pela porta do acompanhante e lhe dirigiu um olhar glido e de advertncia.
Aubrey soltou um alarido de saudao. 
Ol! Ol!
Ol, preciosidade. CAM se aproximou, beijou ligeiramente os lbios que Aubrey havia entrecerrado comicamente e olhou ao Sybill com aqueles olhos ptreos. Ol, 
doutora Griffin.
Sybill. Phillip, que tinha notado claramente a frieza da saudao, aproximou-se, p-lhe uma mo no ombro como gesto de apoio, e se inclinou para receber o beijo 
que lhe oferecia Aubrey. Ol, carinho.
Tenho novo vestido.
Est impressionante.
Como teria feito qualquer outra mulher, Aubrey abandonou ao Sybill sem olh-la e passou aos braos do Phillip.
Leva muito tempo aqui? perguntou- Phillip ao Sybill.
No, acabo de chegar. Viu que CAM entrava na casa com trs caixas de carto com pizzas. Phillip, no quero causar nenhuma...
Vamos dentro. Tirou-a da mo e atirou dela. Temos que fazer esta festa. Verdade, Aubrey?
Seth tem presentes. So um segredo sussurrou Aubrey enquanto se inclinava junto ao Phillip. O que so?
Mmm. No lhe posso dizer isso Deixou-a no cho assim que entraram na casa e lhe deu um pequeno aoite no traseiro. Ela saiu correndo para a cozinha enquanto chamava 
o Seth. Se deduraria.
Sybill, disposta a que tudo fora bem, ps a melhor de seus sorrisos.
Eu no.
Voc pode esperar. Vou me dar uma ducha rpida antes de que CAM se me adiante e acabe com toda a gua quente. Deu-lhe um beijo fugaz de forma distrada. Anna 
te dar algo de beber acrescentou enquanto subia as escadas. 
Estupendo.
Sybill soprou e se disps a enfrentar-se s aos Quinn.
A cozinha era uma animao. Aubrey chiava e Seth no parava de falar como uma metralhadora. As batatas se fritavam e Grace estava aos mandos dos foges porque CAM 
tinha encurralado a Anna contra a geladeira e a olhava com olhos transbordantes de luxria.
J sabe como me ponho quando te vejo com avental.
J sei como te pe quando me v respirar. Esperava que sempre fora assim, mas entrecerr os olhos. Tira essas mos, Quinn. Estou ocupada.
estiveste encadeada a uns foges. Deveria te dar uma ducha... comigo.
No penso... Notou um movimento pela extremidade do olho. Ol, Sybill Com um movimento que ao Sybill pareceu muito efetivo e que dominava perfeitamente, Anna 
escapou e cravou o cotovelo no estmago de seu marido. O que quer beber?
Ah... o caf cheira muito bem, obrigado.
Eu tomarei uma cerveja disse CAM tirando uma da geladeira e irei assear me.
CAM voltou a dirigir o mesmo olhar para o Sybill e saiu da cozinha.
Seth, no te aproxime das bolsas lhe ordenou Anna enquanto tirava uma taa. Ainda no h presentes.
Tinha decidido que no abrisse os presentes do Sybill at depois do jantar. Pensava que sua tia procuraria qualquer desculpa para sair correndo quando tivesse terminado 
esse ritual.
Jo!  meu aniversrio ou no?
Sim, se sobreviver. por que no te leva ao Aubrey  outra habitao? Joga um momento com ela. Comeremos assim que chegue Ethan.
E onde se colocou?
Seth saiu entre grunhidos com o Aubrey pega a seus tales e no se deu conta do sorriso que intercambiaram Grace e Anna.
Isso tambm vale para seus ces.
Anna deu um golpecito a Parvo com a ponta do p e assinalou com o dedo. Os dois ces se foram da cozinha entre suspiros caninos.
Paz. Anna fechou os olhos para desfrut-la. Um momento de paz.
Posso ajudar? perguntou Sybill.
Anna sacudiu a cabea e lhe aconteceu a taa de caf.
Acredito que tudo est controlado. Ethan tem que estar a ponto de chegar com a grande surpresa. aproximou-se da janela e olhou para a escurido, que cada vez era 
major. Espero que tenha vindo com apetite de adolescente. O menu de hoje consiste em pizza de pimiento e salsicha, batatas fritas, sorvete de frutas, nozes e caramelo 
queimado e o impressionante bolo de chocolate do Grace.
Acabaremos todos no hospital comentou Sybill antes de pens-lo sequer.
Embora piscou, Anna riu.
Os que vamos morrer te sadam. V, v, a est Ethan. Baixou a voz at o sussurro. Grace deixou cair de repente a colher. Te queimaste?
No, no. Grace se apartou com uma risada contida. No, eu vou... vou ajudar ao Ethan.
Muito bem, mas... mmm. Grace passou a toda velocidade a seu lado. Nervosa? murmurou Anna antes de acender as luzes de fora. Ainda no obscureceu de tudo, mas 
o ter feito quando tivermos terminado. Tirou as ltimas batatas fritas e apagou o fogo.  precioso, no te parece?
Sybill foi  janela junto  Anna. Viu o Grace no embarcadero iluminada pelos ltimos raios do entardecer e ao Ethan que se aproximava dela.
 um navio! disse Sybill. Um barquito de vela.
 um trs metros. Chamam-no um Pram. O sorriso da Anna quase no lhe cabia na cara. O construram os trs na outra casa do Ethan, a que aluga. Os inquilinos lhes 
deixaram usar o abrigo para que Seth no se inteirasse de nada.
O construram?
Nos momentos que foram tirando. Lhe vai encantar. Bom, e o que  isso?
O que?
Isso. Anna olhou fixamente pela janela. Viu que Grace falava com as mos entrelaadas e que Ethan a olhava atentamente. Logo, ele baixou a cabea at a dela. 
Espero que no... calou-se ao ver que Ethan a abraava, escondia a cara entre o cabelo dela e lhe rodeava o pescoo com os braos. Mmm. A Anna lhe empanaram os 
olhos. Deve estar... est grvida! Acaba de dizer-lhe Sei. Olhe! Agarrou por brao ao Sybill enquanto Ethan, entre risadas, tomava em braos ao Grace.  precioso.
Os dois estavam abraados e formavam uma s silhueta.
Sim, sim que o .
me olhe: Anna, que ria de si mesmo, arrancou uma parte de toalha de papel e se soou o nariz. Pareo um desastre. Isto vai afetar me, sei. vou querer um. Voltou 
a so-la nariz e suspirou. Estava segura de que poderia esperar um anos ou dois, mas agora j no poderei esperar tanto tempo. Posso-me imaginar ao CAM quando... 
deteve-se. Perdoa disse com uma risada deslocada.
No passa nada.  precioso que esteja contente por eles. Que esteja to contente por ti mesma. Esta  uma verdadeira reunio familiar, sobre tudo agora. Anna, deveria 
ir.
No seja covarde lhe disse Anna assinalando-a com um dedo. vieste e ter que agentar este pesadelo de rudo e indigesto como todos ns.
Eu acredito...
Sybill se calou quando se abriu a porta e entrou Ethan com o Grace em braos. Os dois sorriam de brinca a orelha.
Anna, estamos esperando um filho disse Ethan com a voz entrecortada.
Crie que estou cega? Apartou ao Ethan para dar um beijo ao Grace. estive com o nariz pego  janela. Parabns! Abraou-os. Estou to feliz.
Tem que ser a madrinha. Ethan lhe deu um beijo. No teramos chegado at aqui se no chegar a ser por ti.
J parece. Anna rompeu a chorar quando entrava Phillip.
O que acontece? por que chora Anna? meu deus, Ethan, o que passou ao Grace?
Nada, estou bem. Estou fantasticamente. Estou grvida.
Srio? A arrebatou ao Ethan para beij-la generosamente.
O que  todo este barulho? perguntou CAM. Phillip, com o Grace ainda em braos, sorriu-lhe. 
vamos ter um beb.
No me diga? CAM arqueou as sobrancelhas. O que opina Ethan?
Phillip riu enquanto deixava ao Grace no cho com muito cuidado.
Sente-se bem? pergunto- CAM ao Grace. 
Maravilhosamente.
Tem um aspecto maravilhoso. CAM a abraou e lhe esfregou o queixo no cocuruto. Sybill ficou surpreendida pela ternura dos gestos. Boa jogada, irmo murmurou 
CAM ao Ethan.
Obrigado. Podem me devolver a minha mulher?
Quase terminei. CAM sujeitou ao Grace com os braos completamente estendidos. Se no lhes cuida bem a ti e ao pequeno Quinn que leva dentro, partirei-lhe a alma.
vamos comer alguma vez? perguntou Seth antes de ficar parado na soleira da porta. por que choram Anna e Grace? Olhou a todos, includa Sybill, com olhos acusadores. 
O que passou?
Estamos felizes. Grace soluou e aceitou o leno de papel que tirou Sybill de sua bolsa. vou ter um filho.
De verdade?  guay. Sabe Aubrey?
No, Ethan e eu o diremos mais adiante. Mas agora vou a por ela porque h uma coisa que tem que ver. Fora.
Fora?
Seth foi para a porta, mas Phillip se interps em seu caminho.
Ainda no.
O que acontece? te tire. me deixe ver o que h fora.
Deveramos lhe enfaixar os olhos props Phillip.
Deveramos amorda-lo foi a proposta do CAM.
Ethan se fez cargo da situao e se montou ao Seth nos ombros. Quando Grace entrou com o Aubrey, Ethan piscou os olhos um olho e foi para a porta com o Seth, que 
no deixava de menear-se.
No ireis atirar me outra vez! A voz do Seth soava carregada de prazer e certo espanto. Vamos, tios, a gua est muito fria.
Fraco se burlou CAM quando Seth levantou cara das costas do Ethan.
Se o tentam avisou Seth com um brilho de felicidade e desafio nos olhos, levarei-me a algum de vs comigo.
Seja  seja, isso diz. Phillip empurrou a cara do Seth para baixo. Preparados? perguntou quando todos se colocaram no bordo da gua. Muita bem. Adiante, Ethan.
Tio, a gua est geada. Seth estava preparado para dar um grito quando Ethan o deixou no cho e lhe deu a volta para que visse o barquito de madeira com velas 
azuis que ondulavam  brisa do entardecer. Quanto onde saiu isso?
Do suor de nossas frentes respondeu ironicamente Phillip enquanto Seth olhava boquiaberto o navio.
... Quem vai comprar o?
No est em venda respondeu CAM lacnicamente
... ... Pensou que no podia ser enquanto o corao lhe saa do peito pela emoo, a esperana e a surpresa. Embora dominava a surpresa. Durante no ano anterior 
tinha aprendido a ter esperana.  meu?
 o nico que cumpre anos lhe recordou CAM. Quer v-lo mais de perto?
 meu? sussurrou-o com tanta emoo e prazer que ao Sybill lhe empanaram Meus olhos? explorou enquanto se dava a volta. Essa vez ao Sybill lhe fez um n na garganta 
pela felicidade e alegria do Seth. Para mim?
 um bom navegante lhe disse Ethan tranqilamente. O  um barquito muito marinheiro.  estvel, mas se move.
Construste-lo para mim? Olhou ao Ethan, ao CAM e  Phillip. Para mim?
O que vai!, construmo-lo para outro mucoso. CAM lhe deu um sopapo no flanco da cabea. Voc que crie? lhe jogue uma olhada.
Vou. A voz lhe tremeu enquanto se dava a volta. Posso me montar? Posso me sentar?
Pelo amor de Deus,  teu, no? CAM, com a voz rouca pela emoo, agarrou ao Seth da mo e o levou a embarcadero.
Acredito que isto  uma coisa de homens sussurrou Anna. Vamos lhes dar uns minutos para que lhes passe a emoo.
Querem-no muito. Sybill ficou olhando um instante enquanto os quatro homens organizavam uma animao no barquito de madeira. Acredito que no me tinha dado conta 
de verdade at este momento.
O tambm os quer muito.
Grace apoiou a bochecha na do Aubrey.
Havia algo mais, pensou Sybill mais tarde enquanto picava a comida na ruidosa cozinha. Tinha sido a impresso na cara do Seth. A incredulidade absoluta de que algum 
lhe quisesse, que lhe quisesse o bastante para entender o desejo de seu corao e que, ao entend-lo, fizesse o possvel por dar-lhe Lo he comprado en Baltimore 
dijo Sybill, que se senta incomodsima. Si no te gusta, Phillip podra cambiarlo.
A pauta de sua vida se quebrado, modificado e reformado antes de que ela aparecesse. J estava estabelecido como tinha que ser.
Ela no era parte daquilo. No podia ficar. No podia suport-lo.
De verdade, teria que ir  disse Sybill com um sorriso muito educado. Lhes agradeo...
Seth no tem aberto seu presente ainda a interrompeu Anna. por que no lhe deixa que o abra e logo tomamos um pouco de bolo?
Bolo! Aubrey golpeou a troveja com as mos. Soprar as velas e pedir um desejo.
Em seguida lhe disse Grace. Seth, acompanha ao Sybill  sala para abrir o presente.
Claro.
Esperou a que Sybill se levantasse e ficou em marcha com um movimento de ombro.
Comprei-o em Baltimore disse Sybill, que se sentia incomodsima. Se voc no gostar, Phillip poderia troc-lo.
Vale.
Seth tirou uma caixa da primeira bolsa, sentou-se no cho com as pernas cruzadas e, em questo de segundos, fez migalhas o papel que lhe havia flanco um sculo escolher.
Podia ter usado papel de peridico lhe disse Phillip enquanto a levava a uma poltrona entre risadas. 
 uma caixa disse Seth desconcertado. Sybill ficou amassada pela falta de interesse do tom.
Sim, bom... Tenho a fatura. Pode devolv-lo e te levar o que queira.
Sim, vale. Seth captou o olhar inflexvel do Phillip e fez um esforo.  uma caixa muito bonita. ia pr os olhos em branco quando descuidadamente abriu o fechamento 
de lato e levantou a tampa. Clice sagrado bendito!
Por Deus, Seth balbuciou CAM enquanto olhava por cima de seu ombro e Anna entrava da cozinha.
Tio, viu tudo isto? Tem... de tudo. Lpis-carvo, bolo, lpis... Olhou ao Sybill com esse hesitao fruto da impresso. Posso ficar o tudo?
Vai em um lote. Sybill brincou com as contas de prata do colar. Desenha to bem que pensei... que podia provar outras tcnicas. A outra caixa tem mais coisas.
Mais?
Aquarelas e pincis. Um pouco de papel. Ah... sentou-se no cho enquanto Seth desembrulhava a segunda caixa. Pode decidir se voc gosta do acrlico ou a tinta, 
mas eu gosto das aquarelas e pensei que podia provar que tal te dava.
No sei como se pinta.
Bom,  bastante singelo.
Sybill agarrou um dos pincis e comeou a lhe explicar a tcnica mais elementar. Enquanto falava, esqueceu-se dos nervos e lhe sorriu.
A luz do abajur lhe iluminou uma parte da cara e captou algo em seus olhos que se removeu em um rinco da memria do Seth.
Tinha um quadro na parede? Umas flores,blancas  em um floreiro azul?
A ela lhe crispou a mo ao redor do pincel.
Sim, em meu dormitrio, em Nova Iorque. Era uma de minhas aquarelas. No era muito boa.
E tinha frascos de cores em uma mesa. Muitos frascos de distintos tamanhos.
Frascos de perfume. Lhe fez outro n na garganta e teve que esclarecer-lhe Os colecionava.
Deixou-me que dormisse em sua cama contigo. Seth entrecerr os olhos como se rebuscasse em suas lembranas. Aromas delicados, vozes delicadas, cores, formas. 
Me contou um conto de uma r e um prncipe.
Ela viu em sua cabea a imagem de um menino que se acurrucaba contra ela, o abajur da mesinha afastava a escurido deles, olhava-a com aqueles olhos azuis e intensos 
e lhe acalmava seus temores com um conto de magia e felicidade para sempre.
Tinha... Quando veio de visita, tinha pesadelos. Foi um menino pequeno.
Tinha um cachorrillo. Comprou-me um cachorrillo.
Era de peluche, no era de verdade. Lhe nublava a vista, o n da garganta crescia e o corao se o fazia esfarela. Voc..., voc no tinha brinquedos. Quando 
o levei a casa, perguntou-me de quem era e te disse que era teu. Assim o chamou: Teu. Ela no o levou quando... Tenho que ir. levantou-se de um salto. O sinto, 
tenho que ir.
Saiu disparada.
Dezessete
Foi at o carro e atirou da manivela at que se deu conta de que tinha fechado com chave. O qual era uma estupidez, um reflexo urbano que tinha to pouco sentido 
como ela nesse precioso povo.
Logo se deu conta de que tinha sado correndo sem a bolsa, a jaqueta e as chaves, e de que preferia ir-se andando ao hotel antes que voltar a entrar na casa e encontrar-se 
com os Quinn, depois de haver-se comportado de uma forma to grosseira e excessivamente sentimental.
deu-se a volta para ouvir passos e no soube se sentir-se aliviada ou envergonhada ao ver o Phillip, que se aproximava. No sabia o que era ela, nem o que era aquilo 
que lhe bulia em seu interior, que lhe abrasava e lhe inflamava o corao e a garganta. S sabia que tinha que escapar disso.
Sinto muito, j sei que fui uma grosseira. Tenho que ir, de verdade. As palavras se precipitavam e se amontoavam umas em cima das outras. Te importaria me trazer 
a bolsa? Necessito-o. Tenho as chaves dentro. Espero no ter quebrado...
Fora o que fosse o que bulia nela, cada vez era mais intenso e a asfixiava. 
Tenho que ir.
Est tremendo disse ele amavelmente, e estendeu os braos, mas ela se apartou bruscamente.
Faz frio e me esqueci a jaqueta. 
No faz to frio, Sybill. Vem comigo. 
No, quero ir. Di-me a cabea. Eu... no, no me toque.
Phillip, sem lhe fazer caso, estreitou-a firmemente contra ele.
No passa nada, carinho.
Sim, sim que passa. Queria grit-lo. Estava cego? Era tolo?. No deveria ter vindo. Seu irmo me odeia. Seth tem medo de mim. Voc... voc... eu...
Doa-lhe. A presso no peito era uma tortura e cada vez era maior.
me deixe que v. Eu no sou desta casa. 
Sim, sim o .
Ele o tinha visto, tinha visto a conexo quando Seth e ela se olharam o um ao outro. Os olhos dela de um azul muito claro e os dele muito brilhantes. S lhe faltou 
ouvir o estalo da conexo.
Ningum te odeia e ningum tem medo de ti. Solta-o. Posou a boca em sua tmpora e teria jurado que sentiu o zumbido da dor. por que no o soltas?
No vou fazer nenhuma cena, se me trouxer a bolsa, irei.
Ela estava rgida como o mrmore entre seus braos, mas o mrmore estava quebrando-se e se desmoronava com a presso. Se no se desafogava, exploraria. Teria que 
ajud-la.
O te recordou. acordou-se de que lhe queria.
Em meio da espantosa presso havia uma adaga que lhe atravessava o corao.
No posso suport-lo. aferrou-se aos ombros do Phillip. Ela o levou. O levou e me destroou o corao.
Soluava com os braos ao redor de seu pescoo.
Sei. Sei que o fez sussurrou enquanto tomava em braos, sentava-se na erva e a embalava contra ele.
Abraou-a e as lgrimas ardentes e se desesperadas para lhe empaparam a camisa. Frio? perguntou-se ao sentir a dor que a abrasava como um rio de lava. Nela no havia 
nada de frio, s o medo ao sofrimento.
No lhe disse que parasse embora os soluos eram to violentos que parecia como se fossem parti-la em dois. No lhe ofereceu solues, promessas nem consolo. Conhecia 
o valor do desafogo. Abraou-a, acariciou-a e a embalou enquanto ela soltava toda sua dor.
Quando Anna saiu ao alpendre, Phillip lhe fez um gesto com a cabea sem deixar de acarici-la e seguiu embalando-a enquanto a porta voltava a fechar-se e ficavam 
sozinhos.
Quando no ficaram lgrimas, notou que a cabea lhe ardia e que tinha a garganta e o estmago em carne viva. Dbil e desorientada, ficou exangue em seus braos.
Sinto muito.
No o sinta. Necessitava-o. Acredito que no tinha conhecido a ningum que necessitasse tanto uma boa llantina.
No soluciona nada.
Sabe muito bem que sim. levantou-se, ajudou-a a levantar-se e a levou at o jipe. te Monte. No, tenho que...
te monte repetiu com certa impacincia. Te trarei a bolsa e a jaqueta. Ajudou-a a subir ao assento do passageiro. Mas no vais conduzir. Olhou-a aos olhos 
cansados e carregados e acrescentou: E tampouco vais ficar te reveste esta noite.
Ela no tinha foras para discutir. sentia-se vazia e sem consistncia. Se a levava a hotel, poderia dormir. tomaria uma pastilha se a necessitava e se desentenderia 
de tudo. No queria pensar. Se voltava a pensar, poderia voltar a sentir. Se voltava a sentir, se voltava essa corrente de sentimentos, afogaria-se nele.
A expresso do Phillip era inflexvel quando saiu da casa com suas coisas e Sybill aceitou sua covardia e fechou os olhos.
Ele no disse nada, montou-se a seu lado e ps o motor em marcha. Ela tampouco disse nada quando ele entrou no vestbulo do hotel com ela e procurou a chave da habitao 
em sua bolsa. Voltou a tomar a da mo e a levou a seu dormitrio.
lhe dispa lhe ordenou. No vou equilibrar me sobre ti, por quem toma? acrescentou ao ver que ela abria de par em par os olhos irritados.
No sabia de onde lhe tinha sado esse gnio. Possivelmente fora de v-la nesse estado, de v-la to profundamente destroada e indefesa. O se deu a volta e foi 
ao quarto de banho.
Ao cabo de uns segundos, Sybill ouviu a gua que golpeava contra a banheira. Phillip saiu com um copo de gua e uma aspirina.
Tome a Se voc no te cuidar, algum ter que faz-lo por ti.
A gua lhe soube a glorifica para sua abrasada garganta, mas lhe tirou o copo e o deixou a um lado antes de que ela pudesse agradecer-lhe Sybill se inclinou um pouco 
e piscou quando lhe tirou o pulver por cima da cabea.
Vai te dar um banho quente e a te relaxar.
Ele a despia como a uma boneca e ela estava muito estupefata para discutir. Phillip deixou a roupa a um lado e ela se estremeceu um pouco, mas no disse nada. S 
o olhou fixamente quando tomou em braos, levou-a a quarto de banho e a meteu na banheira.
A banheira estava enche e a gua muito mais quente do que ela considerava saudvel. No lhe deu tempo a encontrar as palavras para dizer-lhe Se tumb en la cama 
y no pudo contener un gemido cuando not sus dedos sobre los omplatos.
te recline e fecha os olhos. Faz-o!
Disse-o com uma fora to inesperada que ela obedeceu. Manteve os olhos fechados inclusive quando ouviu que ele saa e fechava a porta.
ficou assim durante vinte minutos e esteve a ponto de dar um par de cabeadas. No dormiu pelo medo a afogar-se e saiu cambaleando-se da banheira pela te aporrinhem 
ideia de que ele voltasse, tirasse-a da banheira e a secasse.
Por outro lado, possivelmente se tivesse ido. Possivelmente se tivesse cansado de seu arrebatamento e a tivesse deixado sozinha. Quem ia reprovar se o Le baj el 
albornoz por los hombros y le masaje los msculos.
Entretanto, quando ela entrou em seu dormitrio, viu-o olhando a baa junto  porta da terrao.
Obrigado. Sabia que era incmodo para os dois e fez um esforo quando ele se voltou para olh-la-o sinto...
Se voltar a te desculpar, Sybill, vais encher o saco me. Foi para ela e lhe ps as mos nos ombros. Levantou as sobrancelhas quando ela deu um coice. Melhor decidiu 
enquanto lhe acontecia as mos pelo pescoo e os ombros mas no perfeito. te tombe.
Phillip suspirou e a arrastou para a cama.
No vou deitar me contigo. Tenho certo domnio de mim mesmo e posso tir-lo reluzir quando me encontro com uma mulher esgotada fsica e psiquicamente. de barriga 
para baixo. Vamos.
tombou-se na cama e no pde conter um gemido quando notou seus dedos sobre os omoplatas.
 psicloga lhe recordou ele. O que acontece algum que reprime seus sentimentos constantemente?
Fsica ou emocionalmente?
O riu um pouco, sentou-se escarranchado sobre ela e ficou a trabalhar a srio.
Eu lhe direi o que acontece, doutora. Do-lhe dores de cabea, acidez e dores de estmago. Quando o dque de conteno se rompe, tudo se transborda com tanta fora 
e to rapidamente que tem que doer.
Baixou-lhe o penhoar pelos ombros e lhe massageou os msculos.
Est zangado comigo.
No, no o estou, Sybill. me conte a vez que Seth ficou contigo.
Foi faz muito tempo.
O tinha quatro anos comeou Phillip, que concentrou no msculo que se acabava de esticar. Estava em Nova Iorque. Na mesma casa que agora?
Sim. Central Park West.  uma zona tranquia e segura.
Seleta, disse-se Phillip. Nada do East Village nem de moda.
Um par de dormitrios?
Sim, uso um como despacho
Quase podia v-lo: ordenado, organizado, atrativo...
Suponho que  onde dormiu Seth.
No, usou-o Glria. Pusemos ao Seth no sof o salo. Era um menino pequeno.
Eles apareceram de repente na porta de sua casa?
Mais ou menos. Fazia anos que no a via. Sabia que Seth existia. Chamou-me quando a abandonou o homem com o que se casou. Eu lhe mandava dinheiro a trs por quatro. 
No queria que fora a minha casa. Nunca lhe disse que no podia faz-lo, mas no queria.  to... perturbadora, to complicada.
Mas foi.
Sim. Uma tarde voltei de uma conferncia e ela estava na porta do edifcio. Estava furiosa porque o porteiro no a deixava entrar e subir a meu piso. Seth chorava 
e ela gritava. Era... Sybill suspirou. O tpico, suponho.
Mas voc sim a deixou entrar.
No podia jog-la. S tinha um menino pequeno e uma mochila. Suplicou-me que lhes deixasse ficar um tempo. Disse que tinha estado fazendo carona e que estava arruinada. 
Comeou a chorar e Seth se arrastou at o sof e dormiu. Tinha que estar esgotado.
Quanto tempo ficaram?
Umas semanas. A mente comeou a mover-se entre o passado e o presente. ia ajud-la a conseguir um trabalho, mas disse que antes precisava descansar. Disse que 
tinha estado doente, e logo que um caminhoneiro a tinha violado no Oklahoma. Sabia que era mentira, mas...
Era sua irm.
No, no disse com ar cansado. Se tivesse sido sincera, me teria reconhecido que isso no me importava desde fazia anos. Mas Seth era... Quase no falava. No 
sabia nada de meninos, mas consultei um livro e dizia que tinha que falar muito mais.
Phillip esteve a ponto de sorrir. Era muito fcil imaginar a escolhendo o livro adequado, estudando-o e tentando pr tudo em ordem.
Era como um pequeno fantasma sussurrou Sybill. Como uma sombra no piso. Quando Glorifica saa durante algum tempo e me deixava isso, ele engatinhava um pouco. 
A primeira noite que ela no voltou at o dia seguinte, Seth teve pesadelos.
E voc deixou que dormisse contigo e lhe contou um conto.
o da r que se convertia em prncipe. Minha bab me contava isso. Gostava dos contos de fadas. O tinha medo  escurido. Eu tambm tive medo  escurido. Tinha 
a voz espessa e lenta pelo cansao. me teria gostado de dormir com meus pais quando tinha medo, mas no me deixavam. Entretanto, pensei que no lhe viria mau.
No. Podia imaginar uma menina de cabelo escuro e olhos claros que tremia na escurido. No teria passado nada.
Gostava de olhar meus frascos de perfume. Gostava das formas e as cores. Comprei-lhe uns lpis de bolo. Sempre gostou de desenhar.
Deu de presente um co de peluche.
Gostava de olhar aos ces que passeavam pelo parque. Foi muito carinhoso quando o dei de presente. Ia a todas partes com ele e tambm dormia com ele.
Apaixonou-te por ele.
Qui-lhe muitssimo. No sei como pde passar, s foram umas semanas.
O tempo no sempre tem algo que ver. Apartou-lhe o cabelo da cara para poder lhe ver o perfil; a curva da bochecha e o arco da frente. No sempre tem importncia.
No me importou que se levasse minhas coisas. No me importou que me roubasse quando se foi. Nem sequer me deixou que me despedisse dele. O levou e deixou o co 
de peluche porque sabia que me doeria. Sabia que pelas noites pensaria em que Seth estaria chorando pelo perrito. Tive que deix-lo. Tive que deixar de pensar nisso. 
Tive que deixar de pensar nele.
J est. Todo isso j terminou. Acariciou-a com delicadeza e a abraou para que dormisse. Nunca voltar a fazer nada ao Seth, nem a ti.
Fui estpida.
No, no foi. Acariciou-lhe o pescoo e os ombros, notou que o corpo se levantava e voltava a cair com um suspiro prolongado. Durma.
No v.
No irei. Franziu o cenho ao notar a fragilidade da nuca sob seus dedos. No vou a nenhuma parte.
Passou-lhe as mos pelos braos e as costas e se deu conta de que esse era o problema precisamente: queria ficar com ela, estar com ela. Queria v-la dormir como 
estava dormindo nesse momento, profunda e tranqilamente. Queria ser ele quem a abraasse quando chorava, porque no acreditava que chorasse muito freqentemente 
nem que tivesse a ningum que a abraasse quando o fizesse.
Queria ver a risada naqueles olhos como lagos e em seus lbios delicados e adorveis. Podia passar horas ouvindo as mudanas de tom de sua voz, do tom brincalho 
ao estirado e do formal ao ardente.
Gostava de seu aspecto pela manh, esse gesto de leve surpresa ao v-lo junto a ela, e seu aspecto de noite, quando o prazer e a paixo se refletiam em sua cara.
Ela no tinha nem idia de quo expressivo era seu rosto, disse-se enquanto baixava os lenis e movia ao Sybill para poder tamp-la inteira. Era muito sutil, como 
seu aroma. Um homem tinha que aproximar-se muito para entend-lo, mas ele se aproximou muito sem que nenhum dos dois se desse conta, e tinha visto como observava 
ela a sua famlia, com melancolia, com desejo.
Sempre se mantinha a certa distncia, sempre era uma observadora.
Tambm tinha visto como observava ao Seth; com amor e saudade, e a certa distncia.
Para no interferir? Para proteger-se? Pareceu-lhe que era uma mescla das duas coisas. No sabia exatamente o que acontecia sua cabea nem por seu corao, mas estava 
decidido a descobri-lo.
Acredito que  possvel que me tenha apaixonado por ti, Sybi11 disse em voz baixa enquanto se tombava a seu lado. E isso nos complica as coisas os dois.
Sybill despertou na escurido e por um instante, como em um brilho, voltou a ser a menina que tinha medo de todas as coisas que lhe espreitavam entre as sombras. 
Teve que apertar os lbios com fora, at que lhe doeram. Se gritava, algum dos serventes poderia ouvi-la e dizer-lhe a sua me.
Sua me se zangaria. A sua me no gostaria que gritasse em meio da noite.
At que se lembrou de que j no era uma menina. No havia nada espreitando-a entre as sombras a no ser mais sombras. Era uma mulher adulta que sabia que era uma 
tolice ter medo  escurido quando havia tantas coisas s que ter medo.
Fazia o ridculo, disse-se para seus adentros quando comeou a lembrar-se de mais costure. Um ridculo espantoso. Tinha chegado a alterar-se. Pior ainda, tinha permitido 
que se notasse e tinha perdido todo domnio de si mesmo. No tinha mantido a compostura e tinha sado correndo da casa como uma idiota.
Indesculpvel.
Logo chorou como uma Madalena em braos do Phillip. Choramingou como uma menina... Phillip.
A vergonha e a humilhao fizeram que deixasse escapar um gemido e se tampasse a cara com as mos. Conteve um grito quando um brao a rodeou.
Shh.
Reconheceu o contato e o aroma incluso antes de que a atrara para ele, antes de que lhe roasse a tmpora com os lbios, antes de que adaptasse seu corpo ao dela.
No passa nada sussurrou ele.
Acreditava... que te tinha ido.
Pinjente que ficaria. Abriu os olhos e jogou uma olhada ao tnue resplendor vermelho do despertador. Trs da manh hora do hotel. Deveria haver-me imaginado.
No queria despertar.
 medida que se acostumava  escurido, Sybi11 podia distinguir a curva de seu ma do rosto, o fio do nariz e a forma de sua boca. Teve que fazer um esforo para 
no acarici-los.
Dificilmente pode me importar que desperte uma mulher to formosa.
Ela sorriu aliviada porque no ia insistir lhe com sua conduta de umas horas antes. Podiam ser s duas pessoas, sem um ontem que lamentar nem um manh de que preocupar-se.
Suponho que tem muita experincia.
H coisas que voc gosta que sejam como  devido.
Sua voz era clida; seu brao, forte; o corpo, firme...
Quando desperta em meio da noite com uma mulher que quer te seduzir, importa-te?
Quase nunca.
Muito bem, se no te importar...
Sybill se colocou em cima dele, procurou seus lbios, procurou sua lngua.
J te avisarei quando comear a me importar.
Ela riu em um tom grave e quente. sentiu-se embargada pela gratido pelo que tinha feito por ela, por isso tinha chegado a ser para ela.
Queria demonstrar-lhe por todos os meios.
Estava escuro. Ela podia ser algo na escurido.
Ao melhor no paro quando me avisar.
Ameaa-me? Estava to surpreso e excitado pelo tom provocador de sua voz como pelos crculos que riscava em seu corpo com as gemas dos dedos. No me assusta.
Posso faz-lo. Comeou a seguir os crculos com a boca. O farei.
Aponta bem. Phillip entortou os olhos. Diana.
Ela voltou a rir e lhe lambeu como um gato. Quando ele se estremeceu e lhe entrecortou a respirao, lhe aconteceu lentamente as unhas pelos flancos.
Sybill pensou que o corpo daquele homem era uma maravilha. Era duro, suave, com planos e ngulos que estavam feitos para ensamblar-se perfeitamente com a mulher. 
Com ela.
Sedoso e spero. Firme e flexvel. Podia fazer que ele a desejasse e desejasse como lhe desejava e desejava. Ela podia entregar, podia tomar como ele e podia fazer 
todas as coisas maravilhosas e perversas que faziam as pessoas na escurido.
voltaria-se louco se ela seguia. morreria se se parava. A boca do Sybill era ardente e insacivel e estava em todas partes. Aqueles dedos elegantes faziam que o 
sangue lhe fervesse. Quando as peles comearam a umedecer-se, o corpo dela se deslizava sobre o dele; era uma plida silhueta na escurido.
Era uma mulher. Era a nica mulher. Ansiava-a como  vida.
Ela se ergueu em cima dele, tirou-se o penhoar, arqueou-se para trs e deixou cair o cabelo. Transmitia liberdade. Poder. Luxria. Seus olhos resplandeciam na escurido 
como os de um gato e o enfeitiavam.
Descendeu e tomou lentamente, consciente do esforo que ia custar lhe a ele aceitar que ela marcasse o ritmo. Sybill conteve o flego e voltou a solt-lo com um 
suspiro ou possivelmente um ofego de prazer.
Outra vez o conteve e outra vez o soltou quando as mos do Phillip se apoderaram de seus peitos e os possuram com voracidade.
Ela se arqueava levemente, com uns movimentos to lentos que eram uma tortura, excitando-se com tanto poder. No apartava os olhos dos dele. Phillip se estremecia 
debaixo dela, os msculos em tenso, o corpo apressado entre as coxas do Sybill. Pensava que ele era forte, o bastante forte para lhe permitir que tomasse como quisesse.
Apoiou as mos no peito dele e se inclinou. O cabelo os tampou como uma cortina e o beijou com um matagal de lnguas, dente e flegos.
O orgasmo a arrasou como uma onda que aumentava e a afligia. Voltou a erguer-se, a arquear-se, a cavalgar naquela onda.
A cavalgar nele. Phillip se aferrou a seus quadris e lhe cravou os dedos enquanto ela se encrespava sobre ele. Era todo velocidade irrefletida e luz cegadora, paixo 
e nsia. ficou em branco, os pulmes lhe arrebentavam e todo seu corpo procurava uma sada liberadora.
Quando a encontrou foi resplandecente e incontenible.
Ela pareceu derreter-se sobre ele, tinha o corpo to suave, ardente e fluido como um lago de cera lquida. O corao lhe retumbava com fora contra o dele. Phillip 
no podia falar, no podia encontrar o ar que formasse as palavras. Mas as duas que lhe formavam na lngua eram as duas que sempre tinha tido muito cuidado de no 
dizer a uma mulher.
Nela ainda se notava o triunfo. estirou-se, preguiosa e satisfeita como uma gata, e se acurruc junto a ele.
Isso sussurrou ela com ar sonolento, foi exatamente como  devido. 
Como? Ela riu levemente e bocejou.
Possivelmente no te tenha assustado, mas te fundi os neurnios.
Pode estar segura.
Uns neurnios saturados de sexo. Os homens que comeavam a pensar no amor e chegavam a ter essa palavra na ponta da lngua quando esto nus, excitados e em braos 
de uma mulher, metiam-se em problemas.
 a primeira vez que me gostou de despertar s trs da madrugada. Meio dormida, apoiou a cabea no ombro do Phillip. Frio.
Phillip alcanou o barulho de lenis e mantas e os tampou. Ela agarrou um bordo e o subiu at o queixo.
Pela segunda vez essa noite, Phillip ficou convexo, acordado e olhando o teto enquanto ela dormia profunda e tranqilamente a seu lado.
Dezoito
Quase no tinha amanhecido quando Phillip se levantou da cama. Nem sequer se lamentou. Do que ia servir lhe? Que quase no tivesse dormido, que tivesse a cabea 
nublada pelo cansao e as preocupaes, que lhe esperasse um dia de trabalho manual exaustivo no eram motivos para queixar-se.
Que no houvesse caf sim era um motivo mais que de sobra para queixar-se.
Sybill se agitou enquanto ele se vestia.
Tem que ir ao estaleiro?
Sim.
passou-se a lngua pelos dentes e subiu a cala. Nem sequer tinha uma escova de dentes.
Quer que pea um pouco de caf da manh? Caf?
Caf. Aquela palavra era como msica celestial.
Entretanto, agarrou a camisa. Se ela pedia caf, teria que falar com ela. No lhe parecia muito inteligente ter uma conversao quando estava de um humor to espantoso. 
por que estava de um humor to espantoso?, perguntou-se a si mesmo. Porque no tinha dormido e ela tinha aberto uma brecha em suas mticas defesas quando ele no 
olhava, porque tinha conseguido que se apaixonasse.
Tomarei algo em casa. Tinha a voz nervosa e precipitada. Tenho que ir trocar me.
Por isso se tinha levantado to logo.
Sybill se sentou e os lenis sussurraram. Olhou-a pela extremidade do olho e agarrou os meias trs-quartos. Estava despenteada, desalinhada e tentadoramente abandonada.
Sim, era uma rasteira. Tinha-o deixado conmocionado com sua vulnerabilidade, tinha chorado em seus braos e lhe tinha parecido indefesa e doda. Logo, despertou-se 
em meio da noite e se transformou em uma espcie de deusa do sexo.
Em cima, oferecia-lhe caf. Tinha uma cara muito dura.
Agradeo-te que ficasse ontem  noite. Veio-me muito bem.
A mandar replicou o lacnicamente.
Eu... mordeu-se o lbio inferior, perplexa e alerta pelo tom. Foi um dia muito difcil para os dois. Acredito que eu teria feito melhor se no tivesse ido. J 
estava um pouco alterada pela chamada de Glria e logo...
O levantou a cabea como impulsionada por uma mola.
Como? Glria te chamou? 
Sim.
Sybill compreendeu que, efetivamente, aquela era uma informao que deveria haver-se guardado. Estava transtornado. Tudo se transtornaria.
Chamou-te? Ontem? Agarrou um sapato e o olhou para conter a ira. No te parece que me poderia haver isso dito antes?
No me pareceu que houvesse nenhum motivo para faz-lo. No podia manter quietas as mos assim que se colocou o cabelo e estirou os lenis. Em realidade, no 
ia dizer nada absolutamente.
No foste dizer nada? Possivelmente tenha esquecido casualmente que Seth  responsabilidade de minha famlia; que temos direito ou seja se Glria for causar problemas. 
Tenho que sab-lo disse levantando-se quando a ira alcanou seu ponto de ebulio para que possamos proteg-lo.
Ela no vai fazer nada A...
Como coo sabe? Phillip explorou e ela agarrou os lenis com tal fora que os ndulos ficaram brancos. Como sabe? Observando desde quatro metros de distncia? 
Maldita seja, Sybill, isto no  um estudo dos cojones. Isto  a realidade. Que coo queria?
Ela queria encolher-se, como lhe acontecia sempre que via a ira. Cobriu de gelo sua voz e seu corao, como fazia sempre para enfrentar-se  ira.
Queria dinheiro, naturalmente. Queria que eu lhes pedisse isso e que lhe desse mais. Tambm me gritou e disse obscenidades como voc. Parece ser que ao me manter 
a quatro metros de distncia, fiquei-me no meio.
Quero saber se ficar em contato contigo e quando. O que lhe disse?
Sybill agarrou o penhoar com uma mo firme.
Disse-lhe que sua famlia no ia lhe dar nada e eu tampouco, que tinha falado com seu advogado e que eu tinha contribudo, e seguiria fazendo-o, para que Seth fora 
parte de sua famlia definitivamente.
No est mal balbuciou Phillip enquanto a olhava com o cenho franzido e ela ficava o penhoar.
 o mnimo que posso fazer, no? O tom era helador, distante e terminante. me Desculpe.
Sybill entrou no quarto de banho e fechou a porta.
Phillip ouviu o significativo estalo do ferrolho.
Muito bem, perfeito.
Foi at a porta, agarrou a jaqueta e se largou antes de piorar mais as coisas.
As coisas tampouco melhoraram quando chegou a sua casa e se encontrou com que no ficava mais que meia taa de caf. Quando a metade da ducha comprovou que CAM tinha 
acabado com quase toda a gua quente, decidiu que isso era o que lhe faltava para que tudo fora redondo.
Entrou em seu quarto, com uma toalha atada ao quadril, e se encontrou ao Seth sentado no bordo de sua cama.
Ol. Seth o olhou fixamente.
Levantaste-te cedo.
Pensei que podia ir contigo um par de horas. Phillip se voltou para tirar roupa interior e uns jeans do armrio.
Hoje no trabalha. Seus amigos vo vir  festa.
Isso ser esta tarde. Seth se encolheu de ombros. H tempo.
Como quer.
Esperava que Phillip estivesse cheio o saco. lhe gostava de Sybill, no? Havia-lhe flanco ir a sua habitao, esperar e saber que teria que lhe dizer algo.
Disse o nico que tinha na cabea.
Eu no queria faz-la chorar.
Mierda, isso foi o nico que ocorreu ao Phillip. ficou as cueca. No conseguiria sair daquilo.
No a fez chorar. Precisava chorar, isso  tudo.
Suponho que estar muito cheia o saco, no?
No, no o est. Phillip, resignado, ficou os jeans. Olhe, no melhor dos casos, costa entender s mulheres. Este caso  um espanto.
Me imagino. Tampouco estava to cheio o saco depois de tudo. S me lembrei de algumas costure. Seth olhou as cicatrizes do Phillip porque era mais fcil que 
olh-lo aos olhos; bom, e porque molaban. Ela ficou feita p e todo isso.
H gente que no sabe o que fazer com os sentimentos. Suspirou, sentou-se ao lado do Seth e se sentiu amargamente envergonhado de si mesmo. Tinha disparado a muito 
mesmo linha de flutuao do Sybill porque ele no sabia o que fazer com seus sentimentos. Ento, choram, gritam ou saem correndo e se zangam em um rinco. Ela te 
quer, mas no sabe exatamente o que fazer a respeito. Ou o que quer voc que ela faa a respeito.
No sei. Ela... ela no  como Glria. Subiu um pouco o volume da voz. Ela  boa. Ray tambm era bom e me parece... que so familiares, no? Assim entendo...
Compreendeu algo que lhe atendeu o corao.
Tem os olhos do Ray. Phillip o disse como se s constatasse um fato porque sabia que Seth lhe acreditaria se o dizia assim. A mesma cor e a forma, mas tambm 
tem algo oculto neles que ele tinha. Esse algo que era bom. Tem uma cabea muito boa, como Sybill. Pensa, analisa, pergunta-se e, sobre tudo, tenta fazer o correto. 
Como  devido. Tem as duas coisas. Deu uma cotovelada ao Seth. Moa, n?
Estraguem. Sorriu de brinca a orelha. Moa. Vale, vamos ou nunca sairemos daqui.
Chegou ao estaleiro quarenta e cinco minutos depois que CAM e esperava que lhe jogasse uma bronca. CAM j estava na cepilladora preparando a seguinte srie de tablones. 
Bruce Springsteen troava da rdio. Phillip baixou o volume. A cabea do CAM apareceu imediatamente.
Se no estar alta no a ouo com o rudo das ferramentas.
Todos deixaremos de ouvir se nos amassa os ouvidos durante horas e horas.
Como? Dizia algo?
Phillip riu.
V, estamos de bom humor, n? CAM apagou a mquina. Que tal est Sybill?
No comecemos.
CAM inclinou a cabea e Seth olhou aos dois homens enquanto se esfregava as mos ante o que se apresentava como uma batalha entre dois Quinn.
S tenho feito uma pergunta.
Sobreviver. Phillip ficou o cinturo com as ferramentas. J sei que voc preferiria que se largasse do povo humilhada publicamente, mas ter que te conformar 
com que esta manh lhe tenha dado uma surra verbal e no fsica.
por que o tem feito?
Porque me h meio doido os narizes! gritou Phillip. Porque todo me toca os narizes. Sobre,todo , voc.
Muito bem, quer tent-lo com uma surra fsica? Eu estou disposto, mas s tinha feito uma pergunta muito singela. CAM tirou o tabln da cepilladora e o deixou cair 
no monto. J se levou um bom murro no estmago ontem, por que insististe esta manh?
Est defendendo-a? Phillip se aproximou at que os narizes se roaram. Esto defendendo-a depois de toda a mierda que me h dito dela?
Tenho olhos, no? Vi sua cara ontem  noite. Por quem coo toma? Cravou um dedo no peito do Phillip. Terei que retorcer o pescoo a qualquer que amasse a uma 
mulher que est to destroada.
Filho de...
Phillip apertou o punho e foi lanar o, mas se deteve. Lhe teria encantado uma boa briga, sobre tudo nesse momento que no estava Ethan para separ-los, mas a verdade 
era que a surra a merecia ele.
Abriu a mo, estirou os dedos e se deu a volta para tentar dominar-se. Viu o Seth que o olhava com uns olhos cheios de interesse.
Voc no comece.
No tenho aberto o pico.
Ocupei-me dela, vale? passou-se uma mo pelo cabelo e dirigiu seu raciocnio aos dois. Deixei que se desafogasse, chorasse e lhe agarrei pela mo. Meti-a em um 
banheiro quente e a deitei. Fiquei com ela. Possivelmente conseguisse dormir uma hora e nestes momentos talvez estou um pouco irascvel.
por que lhe gritou? quis saber Seth.
De acordo. Tomou ar e se apertou os dedos contra as tmporas. Esta manh me disse que a tinha chamado Glria. Ontem. Possivelmente me tenha excedido, mas tinha 
que nos haver o dito.
O que queria?
Os lbios do Seth se ficaram brancos e CAM se aproximou para lhe pr uma mo no ombro.
No deixe que te assuste. J est por cima disso. Que trato tem feito? perguntou ao Phillip.
No me deu os detalhes. Bastante tinha jogando a bronca ao Sybill por no me haver isso dito antes. O fundo do assunto era o dinheiro. Phillip desviou o olhar 
para o Seth. Disse a Glria que se fora a chatear. Nada de dinheiro nem nada de nada. Disse-lhe que tinha ido ver o advogado e que estava fazendo todo o possvel 
para que ficasse onde est.
Sua tia no se deixa dirigir afirmou CAM tranqilamente enquanto apertava o ombro do Seth. Tem guelra.
Sim. Seth ficou reto. Est guay.
Esse teu irmo disse CAM fazendo um gesto para o Phillip  um gilipollas, mas outros sabem que Sybill no disse o da chamada Telefnica porque era seu aniversrio. 
No queria incomodar a ningum. Um tio no faz onze anos todos os dias.
Eu a hei jodido e eu o arrumarei balbuciou Phillip enquanto agarrava um fita de seda e se dispunha a soltar toda sua impotncia a golpe de pregos e martelo.
Sybill tambm tinha que arrumar algumas costure. Tinha demorado quase todo o dia em reunir o valor e em fazer um plano. Entrou no caminho dos Quinn justo depois 
das quatro e se alegrou de no ver o jipe do Phillip.
Calculou que ficaria uma hora mais no estaleiro. Seth estaria com ele. Era sbado e certamente se parariam pelo caminho para comprar algumas costure de jantar.
Aquela era a pauta de conduta deles e ela conhecia sua prpria pauta de conduta.
A quatro metros de distncia e voltava a estar completamente doda, disse-se para seus adentros.
Chateada, fez um esforo por descer do carro. Faria o que tinha ido fazer. No demoraria nem quinze minutos em pedir perdo a Anna e em que lhe perdoasse, embora 
fora aparentemente. Contaria-lhe a chamada de Glria com todo detalhe para que a documentasse e logo se iria.
Muito antes de que Phillip voltasse, j estaria no hotel concentrada em seu trabalho.
Chamou energicamente  porta.
Est aberta foi a resposta. Prefiro me cortar as veias a me levantar.
Cautamente, Sybill agarrou o trinco, duvidou e abriu a porta. ficou cravada no stio.
O salo dos Quinn sempre estava desordenado, sempre parecia muito vivido, mas nesse momento parecia como se o tivesse habitado um exercito de duendes desmedidos.
O cho e a mesa estavam repletos de pratos de papel e copos de plstico, vrios deles derramados. Por todos lados havia pequenos bonecos de plstico, como se se 
tivesse liberado uma batalha e houvesse muitssimas baixas. Evidentemente, os carros e os caminhes de brinquedo tinham sofrido acidentes espantosos. Os restos do 
papel de envolver cobriam todos os rinces como se fora o confete de uma festa de Fim de Ano especialmente desmamada.
Anna estava tiragem em um sof, como uma supervivente do desastre. Tinha o cabelo sobre a cara e estava completamente plida.
Genial murmurou enquanto olhava ao Sybill com os olhos entrecerrados. Agora aparece ela.
O... sinto muito...
Isso  muito fcil diz-lo. Passei-me duas horas e meia brigando com dez meninos de onze anos. Melhor dizendo corrigiu entre dentes, no eram meninos, eram animais, 
bestas. Fetos satanicos. Acabo de mandar ao Grace a sua casa com ordens estritas de que se tombe. D-me medo que esta experincia possa afetar a seu filho, poderia 
nascer um mutante.
Sybill se lembrou da festa de aniversrio m entra percorria a habitao com os olhos fora e as rbitas.
J terminou?
Nunca terminar. Durante o resto de meu via despertarei entre gritos em meio da nohe at que me levem a uma habitao acolchoada. Tenho gelado no cabelo. H uma 
espcie de... massa na mesa da cozinha. D-me medo ir ali. Acredito que se moveu. Trs meninos caram  gua e ter que tir-los e sec-los. Certamente agarrem uma 
pneumonia e nos denunciaro. Uma dessas criaturas disfarada de menino pequeno se comeu ao menos sessenta e cinco partes de bolo, logo se montou em meu carro e comeou 
a vomitar.
meu deus. Sybill sabia que no era questo reirse dela, mas notou que os msculos do abdmen lhe tremiam. O sinto. Posso te ajudar A... limpar?
No penso tocar nada. Esses homens, que diz ser meu marido e os idiotas de seus irmos, vo fazer o. vo esfregar, a varrer, a limpar e a menear a p mecnica. 
vo fazer o tudo. Sabiam disse com um vaio perverso. Sabiam o que era o aniversrio de um menino. Como ia ou seja o eu? Eles sabiam e se refugiaram no estaleiro 
com a estpida desculpa dos prazos de entrega do contrato. Deixaram ao Grace e a mim com esta tarefa inenarrvel. Fechou os olhos. O horror... Anna ficou um momento 
com os olhos fechados e em silncio. Adiante, pode rir. Nem sequer tenho foras para te aoitar.
Fez tudo isto pelo Seth.
O aconteceu como em sua vida. Anna esboou um sorriso enquanto abria os olhos. Alm disso, como estou disposta a que CAM e seus irmos o ordenem tudo, sinto-me 
encantada. Que tal est voc?
Bem. vim a te pedir perdo pelo de ontem  noite.
Perdo... por que?
Pergunta-a a desconcertou. Tudo se tinha sado do previsto e estava distrada pelo caos e o monlogo incoerente da Anna. Sybill se esclareceu garganta e comeou 
outra vez.
Pelo de ontem  noite. Fui uma grosseira ao partir sem te dar as obrigado...
Sybill, estou muito cansada de ouvir disparates. No foi grosseira, no tem que pedir perdo por nada e me encher o saco se seguir por a. Estava alterada e tinha 
motivos de sobra para est-lo.
Isso atirou por terra todo o discurso que tinha preparado to cuidadosamente.
De verdade, no entendo por que os membros desta famlia no escutam, e muito menos aceitam, umas desculpas sinceras por uma conduta reprochable.
Caray, se esse for o tom que emprega em suas conferncias comentou Anna com admirao, o pblico no poder levantar-se das cadeiras. Mas em resposta a sua pergunta, 
suponho que no o fazemos porque ns tambm cometemos o que chama conduta reprochable. Te convidaria a que se sentasse, mas essas calas so preciosas e no sei 
que surpresa pode haver esconde entre os almofades.
No tenho inteno de ficar.
No pde verte a cara quando te olhou disse Anna com um tom mais delicado, quando te disse tudo o que recordava, mas eu sim pude, Sybill. Pude ver que o que te 
trouxe at aqui era muito mais que uma questo de responsabilidade ou um intento valente de fazer o que acreditava que tinha que fazer. Teve que te destroar que 
ela o levasse faz tantos anos.
No posso faz-lo outra vez. As lgrimas lhe abrasavam o fundo dos olhos. Simplesmente, no posso faz-lo outra vez.
No tem que faz-lo sussurrou Anna. S quero que saiba que o entendo. Em meu trabalho vejo muita gente muito amassada. Mulheres golpeadas, meninos maltratados, 
homens ao limite de sua resistncia, ancies aos que deixamos a um lado alegremente. Eu me ocupo disso, Sybill. Eu me ocupo de todo aquele que vem para mim em busca 
de ajuda. Suspirou e estirou os dedos. Entretanto, para ajud-los tenho que afastar uma parte de mim, ser objetiva, realista e prtica. Se vertesse todas minhas 
emoes em todos meus casos, no poderia fazer meu trabalho. Queimaria-me. Entendo a necessidade de certa distncia.
J. A espantosa tenso desapareceu dos ombros do Sybill. Claro que o entende.
Com o Seth foi distinto. Do primeiro instante, todo o referente a ele me absorveu. No pude impedi-lo. Tentei-o, mas no pude. Pensei-o e acredito, sinceramente, 
que o que sentia por ele o sentia desde antes de conhec-lo. Estvamos feitos para ser parte da vida do outro. O estava feito para ser parte desta famlia e esta 
famlia estava feita para ser a minha.
Sybill decidiu arriscar-se e se sentou no brao do sof.
Queria te dizer que  muito boa com ele, e Grace tambm. So muito boas com ele. A relao que tem com seus irmos  maravilhosa e vital. Essa influncia masculina 
to forte  importante para um menino, mas a feminina, a que lhe do Grace e voc,  igual de importante.
Voc tambm tem algo que lhe dar. Est fora lhe disse Anna. Babando com seu navio.
No quero lhe incomodar. Tenho que ir.
Que ontem  noite sasse correndo  compreensvel e aceitvel. O olhar da Anna era direta, tranqila e desafiante. Que saia correndo agora no o .
Tem que fazer muito bem seu trabalho reconheceu Sybill ao cabo de um instante.
Muito, muito bem. v falar com ele. Se alguma vez consigo me levantar desta poltrona, farei uma cafeteira.
No era fcil cruzar o jardim para ir at o menino que estava sentado em seu navio sonhando com ventos que o levassem velozmente, mas Sybill sups que no tinha 
por que s-lo.
Tolo foi o primeiro em v-la e correu para ela sem deixar de ladrar. Sybill alargou uma mo com a esperana de det-lo. Parvo colocou a cabea debaixo da mo e o 
gesto defensivo se converteu em uma carcia.
Tinha o cabelo to suave, os olhos to adorveis e a era realmente to tolo, que ela teve que sorrir.
 realmente tolo, verdade?
O se sentou e lhe deu uns golpes com a pata at que ela tomou com a mo. Satisfeito, correu outra vez para o navio onde Seth os olhava e esperava.
Ol. Ainda no saste a navegar?
No. Anna no me deixou sair com alguns amigos. encolheu-se de ombros. Como se fssemos afogar nos ou algo assim.
Mas lhe aconteceste isso bem na festa. 
Guay. Anna est um pouco cheia o saco... calou-se e olhou para a casa. lhe espantava que dissesse palavres. Est muito zangado porque Jake vomitou em seu carro, 
assim que ficarei um momento por aqui at que se acalme. 
Parece-me bastante sensato. Caiu um silncio espesso e os dois ficaram olhando ao mar sem saber o que dizer.
Sybill reuniu foras.
Seth, ontem  noite no me despedi de ti. No devi partir como o fiz.
D igual. Voltou a encolher-se de ombros.
No acreditava que te lembrasse de mim nem da temporada que passou em Nova Iorque.
Eu acreditava que me tinha inventado isso. Era difcil estar dentro do navio e olhar ao longe, de modo que saiu e se sentou no bordo do embarcadero com os ps 
pendurando. s vezes sonho com essas coisas. Com o co de peluche e todo isso.
Teu sussurrou ela.
Sim. Glria no falava de ti nem de nada, assim que eu acreditava que me tinha inventado isso.
s vezes... atreveu-se a sentar-se a seu lado. s vezes passava um pouco parecido. Ainda tenho o co.
Guardou-o?
Foi o nico que ficou de ti. Voc me preocupava. J sei que agora parece impossvel, mas me preocupava. E no queria que o fizesse.
Porque era filho dela?
Em parte. Tinha que ser sincera, tinha que lhe dar isso pelo menos. Ela nunca foi boa, Seth. Tinha um pouco torcido. Parecia que s podia ser feliz se os que 
a rodeavam no o eram. No queria que ela voltasse para minha vida. Tinha pensado lhe dar uma margem de um par de dias e logo lhes levar a um albergue. Assim cumpriria 
com minha obrigao familiar, e poderia seguir com meu tipo de vida.
Mas no o fez.
Primeiro me pus desculpas. Uma noite mais... Logo me reconheci que deixava que ficasse porque queria te ter. Teria-te perto se lhe encontrava um trabalho, se a 
ajudava a encontrar um apartamento, se trabalhava com ela para que se recuperasse. Nunca tive... Voc foi... Tomou flego e se obrigou a diz-lo. Voc me queria. 
Foi a primeira pessoa que me tinha querido. No queria perder isso. Quando o perdi, voltei a retroceder, retrocedi aonde tinha estado antes de que voc chegasse. 
Pensava muito mais em mim que em ti. Eu gostaria de emend-lo um pouco e pensar em ti agora.
Seth apartou o olhar e a cravou nos ps que se balanavam a ras da gua.
Phil h dito que ela te chamou e a mandaste passear.
No exatamente com essas palavras.
Mas era o que queria dizer, verdade?
Suponho que sim. Esteve a ponto de sorrir. Sim.
Vocs tm a mesma me, mas... pais distintos, no?
Isso.
Sabe quem era meu pai?
No o conheci.
No, quero dizer que se realmente souber quem  meu pai. Ela sempre se inventava nomes distintos e tios distintos e toda essa mierda..., essas coisas se corrigiu. 
Me perguntava isso, nada mais
S sei que se chamava Jeremy DeLauter. No estiveram casados muito tempo Y...
Casada? Voltou a olh-la. Nunca se casou. Estava te vacilando.
No, vi o certificado de matrimnio. Levava-o quando apareceu em Nova Iorque. Acreditava que eu poderia ajud-la a localiz-lo e denunci-lo para que lhe desse 
dinheiro para seu sustento.
O pensou um instante e sopesou a possibilidade.
 possvel. D-me igual. Eu imaginava que tinha tomado o nome de algum com quem tinha vivido um tempo. Se ele se enganchou dela, tinha que ser uma runa de tio.
Poderia busc-lo. Estou segura de que o encontraramos. Levaria um pouco de tempo.
No quero. No havia espanto em sua voz, s desinteresse. S queria saber se o tinha conhecido, isso  tudo. J tenho uma famlia.
Levantou um brao, Parvo o olisque a axila e lhe abraou o pescoo.
Claro que a tem.
Sybill se arqueou um pouco e comeou a levantar-se. Duvidou e um brilho branco lhe chamou a ateno. Viu uma gara planejar sobre a gua justa ao bordo das rvores. 
Logo desapareceu por uma curva e deixou um leve murmrio no ar.
Era algo formoso. Um lugar formoso. Um refgio para almas afligidas, para jovens que s necessitavam que lhes dessem a oportunidade de converter-se em homens. Possivelmente 
no pudesse lhes agradecer ao Ray e Stella Quinn o que tinham feito, mas podia mostrar sua gratido e afastar-se para que seus filhos terminassem seu trabalho com 
o Seth.
Bom, tenho que ir.
As coisas de desenho que me deu de presente so geniais.
Me alegro de que voc goste. Tem talento. 
Ontem  noite joguei um pouco com o lpis-carvo.
Ela voltou a duvidar.
cY?
No lhe encontro o truque. Voltou a cabea para olh-la.  muito distinto ao lpis. Ao melhor voc poderia me ensinar.
Sybill ficou com o olhar fixo no mar porque sabia que no estava perguntando-lhe mas sim estava oferecendo-se. Estavam lhe dando uma portunidad, uma alternativa.
Claro que poderia te ensinar. 
Agora?
Sim. Fez um esforo por no alterar a voz. Poderia te ensinar agora. 
Moa.
 
Dezenove
Assim tinha sido muito duro com ela. Possivelmente pensasse que teria que lhe haver dito imediatamente que Glria a tinha chamado. Com festa ou sem festa, ela podia 
hav-lo levado  parte e contar-lhe Entretanto, ele no tinha que lhe haver jogado essa bronca e logo partir.
Mesmo assim, em sua defesa, havia-se sentido perturbado, zangado e desenquadrado. Tinha passado meia noite preocupado por ela e a outra meia preocupado por si mesmo. 
Tinha que estar contente porque ela tinha carcomido suas defesas? Tinha que saltar de alegria porque em questo de semanas Sybill tinha conseguido brocar o impecvel 
escudo que tinha brilhante to orgulhosamente durante mais de trinta anos?
Acreditava que no.
Entretanto, estava disposto a reconhecer que no se levou bem. Inclusive estava disposto a lhe oferecer um gesto de paz em forma de seu melhor champanha e um ramo 
de rosas de caule comprido.
O mesmo fez a cesta. Duas garrafas de Dom Perignon bem frite, duas taas altas (no pensava ofender a to legendrio monge francs com uns copos de hotel) e o caviar 
Beluga que tinha escondido astutamente, para uma ocasio assim, em uma caixa vazia de iogurte desnatado porque sabia que ningum de sua famlia tocaria tal coisa.
O mesmo fez as torradas muito finos e escolheu tanto as resplandecentes rosas como o vaso.
Pensou que ela resistiria um pouco  visita e nunca estava de mais aplainar o caminho com champanha e flores. Alm disso, como ele tambm estava disposto a lhe surrupiar 
coisas, viriam-lhe muito bem. ia abrandar a, ia falar lhe e, sobre tudo, ia fazer que falasse ela. No ia partir at que tivesse uma idia muito mais clara de quem 
era Sybill Griffin.
Chamou alegremente a sua porta. Essa seria sua colocao: uma alegria despreocupada. Sorriu de forma encantadora  mira quando ouviu uns passos e viu uma sombra 
vaga e reveladora.
Assim ficou para ouvir que os passos se afastavam.
De acordo. Possivelmente resistisse algo mais que um pouco. Voltou a chamar.
Vamos, Sybill. Sei que est a. Quero falar contigo.
Comprovou que o silncio no tinha por que estar vazio, podia estar cheio de gelo.
Olhou a porta com o cenho franzido. Ela o queria pelas ms.
Deixou a cesta junto  porta, foi at a escada de incndios e comeou a baixar. Lhe tinha ocorrido algo e era melhor que no lhe vissem cruzar o vestbulo.
Inchaste-lhe os narizes, verdade? comentou-lhe Ray enquanto baixava as escadas ao lado de seu filho.
Pelos pregos de Cristo. Phillip olhou airadamente a seu pai. A prxima vez poderia me pegar um tiro na cabea, seria menos abafadio que morrer de um ataque ao 
corao a meus anos.
Seu corao est muito forte. Assim que ela no te fala...
Falar-me afirmou Phillip rotundamente. 
vais subornar a com umas borbulhas? Ray assinalou com o polegar para trs.
Funciona.
As flores so um bom detalhe. Eu estava acostumado a enrolar a sua me com flores. Era mais rpido se me humilhava um pouco.
No vou humilhar me. Isso o tinha claro. Ela teve tanta culpa como eu.
Elas nunca tm tanta culpa como algum lhe corrigiu Ray com uma piscada. quanto antes o aceite, antes receber o sexo que te compense.
Por Deus, papai. S pde acontecer uma mo pela cara. No vou falar de assuntos sexuais contigo.
por que no? No seria a primeira vez suspirou quando chegaram  planta baixa. Me parece que sua me e eu lhe falamos bastante e com toda franqueza das questes 
sexuais. Tambm lhe demos as primeiras camisinhas.
Isso foi ento murmurou Phillip. Agora j me basto e me sobro eu sozinho.
Ray soltou uma gargalhada.
Estou seguro, mas, em qualquer caso, o sexo no  o mais importante neste assunto. Sempre  importante acrescentou. Somos homens, no podemos evit-lo. Mas a 
moa de acima te tem preocupado e no  pelo sexo;  pelo amor.
No estou apaixonado por ela... exatamente. Estou... enrolado.
O amor sempre te h flanco. Ray saiu de noite ventosa e subiu a cremalheira da jaqueta desgastada que levava em cima dos jeans. No que se refere s mulheres, 
claro. Sempre que algo comeava a tomar reflexos de seriedade, voc saa correndo em direo contrria disse sonriendo ao Phillip. Parece que esta vez vai de cabea.
 a tia do Seth. Notava certo chateio na nuca enquanto dava a volta ao edifcio. Se for ser parte de sua vida, de nossas vidas, tenho que entend-la.
Seth  uma parte, mas voc te passou esta manh porque estava assustado.
Phillip se parou em seco com as pernas separadas e elevou os ombros enquanto olhava fixamente  cara do Ray.
Primeiro, no posso me acreditar que esteja discutindo contigo. Segundo, tenho a sensao de que quando estava vivo me deixava viver minha vida muito mais que quando 
est morto.
Ray se limitou a sorrir.
Bom, agora tenho o que poderamos chamar um ponto de vista muito mais amplo. Quero que seja feliz, Phillip. No vou partir me at que esteja seguro de que a gente 
que me importa  feliz. Estou preparado para partir  disse tranqilamente. Para estar com sua me.
H... Que tal est?
Est me esperando. Lhe iluminaram os olhos. E nunca foi que as que gostavam de esperar.
Jogo muito de menos.
Sei. Eu tambm. sentiria-se adulada e zangada de uma vez porque nunca quiseste te conformar com uma mulher que fora menos que ela.
Phillip o olhou assombrado porque era verdade, mas tambm era um segredo que tinha mantido baixo sete chaves.
No  isso, no  isso de tudo.
Bom, s ser uma parte. Ray assentiu com a cabea. Tem que encontr-lo por ti mesmo e faz-lo por ti mesmo. Est te aproximando. Hoje o tem feito muito bem com 
o Seth. Ela tambm disse enquanto olhava  luz que brilhava no dormitrio do Sybill. Fazem uma equipe muito boa, apesar de que atiram em direes opostas. Isso 
 porque os dois o querem mais do que podem entender.
Sabia que era seu neto?
No. Ao princpio, no suspirou. Quando Glorifica me encontrou, lanou-me isso tudo de repente. No sabia que existia e ela me soltou isso entre gritos, juramentos, 
acusaes e exigncias. No podia tranqiliz-la nem entender nada. Quo seguinte soube foi que tinha ido ver o reitor para lhe dizer que eu a tinha agredido sexualmente. 
 uma jovem com muitos problemas.
 uma zorra.
Ray se limitou a encolher-se de ombros.
Se eu tivesse sabido antes que ela existia... Bom, j est. No pude salvar a Glria, mas pude salvar ao Seth. Soube nada mais v-lo. Dava-lhe dinheiro a Glria. 
Possivelmente fora um engano, mas o menino me necessitava. Demorei semanas em localizar a Barbara. S queria que me confirmasse isso. Escrevi-lhe trs vezes. Inclusive 
chamei Paris, mas ela no quis falar comigo. Seguia trabalhando nesse assunto quando tive o acidente. Uma estupidez reconheceu. Deixei que Glria me alterasse. 
Estava furioso com ela, comigo mesmo, contudo; estava preocupado pelo Seth, por como tomariam vs trs quando lhes explicasse isso. Ia muito depressa e sem emprestar 
ateno.
Ns teramos estado de seu lado.
Sei. Permiti que me esquecesse e isso tambm foi uma estupidez. Stella tinha morrido, vs trs tinham suas vidas e eu me reconcentrei em mim mesmo e me esqueci. 
Lhes ocupam do Seth agora e isso  o importante.
Nisso estamos. E Sybill contribui sua voz, a custdia definitiva  um fato.
Ela contribui algo mais que sua voz e ainda contribuir mais coisas.  mais forte do que ela mesma crie e do que qualquer crie. Ray, com uma mudana de humor sbito, 
estalou a lngua e sacudiu a cabea. Suponho que vais subir a acima.
 o que tinha pensado.
Nunca perdeu do todo essa habilidade to nefasta. Possivelmente agora seja por uma boa causa. A essa garota poderiam lhe vir bem algumas surpresas em sua vida. 
Ray voltou a lhe piscar os olhos o olho. te Ande com olho.
Voc no subir, verdade?
No. Ray lhe deu uma palmada nas costas e soltou uma gargalhada muito franco. H coisas que um pai no deve ver.
Melhor, mas j que est aqui, importaria-te me levantar at o primeiro balco?
Claro. No podem me deter, no?
Ray juntou as mos e as ps de estribo para o Phillip. Logo se apartou e o viu escalar. Olhou-o e sorriu.
vou jogar te de menos.
Sybill, na sala, estava muito concentrada no trabalho. Importava-lhe um rabanete se tinha sido mesquinha e irracional por no fazer caso da chamada do Phillip. J 
tinha tido bastante transtorno emocional para um fim de semana. Alm disso, ele tampouco tinha insistido muito, no? Ouviu o vento que batia contra as janelas, apertou 
os dentes e esmurrou o teclado.
Ao parecer, as notcias internas tm mais importncia que as externas. Embora o acesso  televiso, os peridicos e outras fontes de informao  to fcil nas comunidades 
pequenas como nas zonas urbanas, os atos e a participao, dos vizinhos cobram preferncia quando a populao  escassa.
A informao se transmite, com distinto grau de preciso, de forma oral. aceita-se a fofoca como uma forma de comunicao. A rede  admiravelmente rpida e eficaz.
O que poderamos chamar discrio, quer dizer, fingir que no escutamos uma conversao alheia em um lugar pblico, no est to estendida em uma comunidade pequena 
como em uma grande cidade. No obstante, essa discrio segue sendo uma pauta de conduta aceitvel e conseqente em lugares de passagem os hotis. Eu diria que isto 
se deve a que nesses lugares a entrada e sada de forneos  muito habitual. Entretanto, a indiscrio descarada se d em stios como...
Lhe paralisaram os dedos e ficou boquiaberta ao ver que Phillip abria a porta da terrao e entrava na habitao.
O que...?
Os fechos destas coisas so um asco. Foi at a porta da habitao, abriu-a e agarrou a cesta e o floreiro que tinha deixado ali. Supus que podia correr este risco. 
por aqui no h muitos roubos. Pode acrescent-lo a suas notas.
Deixou o floreiro na mesa do Sybill.
subiste pela fachada? No podia deixar de olh-lo sem sair de sua surpresa.
O vento  um coazo. Abriu a cesta e tirou a primeira garrafa. Me viria bem beber algo, a ti?
subiste pela fachada?
Isso j o deixamos claro. Abriu o champanha com um estalo surdo.
No pode... Sybill agitou os braos. No pode irromper aqui e abrir uma garrafa de champanha.
J o tenho feito. Serve duas taas e comprovou que a sua vaidade tampouco vinha mal que ela o olhasse babando. Sinto muito o desta manh, Sybill. Sonriendo, 
ofereceu-lhe uma taa. Estava furioso e o paguei contigo.
Assim que sua forma de te desculpar  forando o balco de minha habitao...
No forcei nada. Alm disso, no foste abrir a porta e as flores queriam estar aqui dentro. E eu tambm. Uma trgua?
Tinha subido pela fachada do edifcio. Ainda no podia assimil-lo. Ningum tinha feito algo to estpido e intrpido por ela. Olhou a aqueles olhos dourados e anglicos 
e notou que lhe abrandava o corao.
Tenho trabalho.
Phillip sorriu porque captou que ela se abrandava.
Eu tenho caviar Beluga.
Sybill tamborilou com os dedos na mesa.
Flores, champanha, caviar... Sempre vai to bem provido quando fora uma entrada?
S quando quero pedir perdo e me deixar em mos da misericrdia de uma mulher formosa. Fica um pouco de misericrdia, Sybill?
Suponho. No estava te ocultando a chamada de Glria.
J sei. me acredite, se no me tivesse imaginado isso eu sozinho, CAM me teria metido isso na cabea a golpes esta manh.
CAM... Sybill piscou. No gosta.
Equivoca-te. Estava preocupado por ti. Posso te convencer para que deixe de trabalhar um momento?
De acordo. Guardou o arquivo e apagou o ordenador. Me alegro de que no estejamos zangados o um com o outro. S complica as coisas. estive com o Seth esta tarde.
Isso me ho dito.
Ela aceitou o champanha e deu um sorvo.
limpastes a casa voc e seus irmos?
Phillip a olhou com olhos de espanto.
Prefiro no falar disso. vou ter pesadelos. Tirou-a da mo e a levou a sof. vamos falar de um pouco menos aterrador. Seth me ensinou o desenho do navio a lpis-carvo 
que lhe ajudou a fazer.
Lhe d muito bem. Capta as coisas muito depressa. Escuta e disposta ateno. Tem bom olho para os detalhes e a perspectiva.
Tambm vi o que voc fez da casa. Despreocupadamente, Phillip se inclinou, agarrou a garrafa e encheu a taa do Sybill. Tambm  muito bom. Surpreende-me que 
no seja profissional.
Tomei lies de menina. Arte, msica, dana... Tambm dava um par de cursos na universidade. Aliviada por no estar zangados, reclinou-se no sof e desfrutou de 
do champanha. Nada a srio. Sempre soube que seria psicloga.
Sempre?
Mais ou menos. A arte no estava feita para pessoas como eu.
por que?
Pergunta-a desconcertou ao Sybill e a ps em guarda.
No era til. No h dito que tinha caviar? O primeiro passo atrs, pensou Phillip. Teria que rode-la.
Mmm. Tirou o recipiente e as torradas e lhe encheu a taa. Que instrumento toca? 
O piano.
Sim? Eu tambm. Sorriu com franqueza. Temos que preparar um dueto. A meus pais adoravam a msica. Todos tocamos algum instrumento.
 muito importante que os meninos aprendam a apreciar a msica.
Claro,  muito divertido. Estendeu caviar em uma torrada e a ofereceu. s vezes, os cinco passvamos a noite do sbado tocando juntos.
Tocavam juntos?  maravilhoso. Sempre me espantou tocar diante de algum.  muito fcil equivocar-se.
O que importava? Ningum ia cortar te um dedo por te equivocar de nota.
Minha me se sentia fatal e isso era pior que... calou-se, olhou o champanha, franziu o cenho e foi deixar o a um lado. Lhe serve mais. A minha me entusiasmava 
o piano. Por isso o escolhi. Queria compartilhar algo concreto com ela. Eu a adorava. Todos a adorvamos, mas para mim tinha toda a amabilidade, a fora e a justia 
de uma mulher. Queria que estivesse orgulhosa de mim. Era uma sensao maravilhosa quando me demonstrava que o estava ou me dizia isso. H pessoas que lutam durante 
toda sua vida para conseguir a aceitao de seus pais e nunca se aproximam de merecer-se seu orgulho. O tom de voz tinha um gosto amargo. Ela o notou e forou uma 
risada. Estou bebendo muito. Me est subindo  cabea.
Ele voltou a lhe encher a taa intencionadamente.
Est entre amigos.
Beber muito lcool, embora seja um lcool maravilhoso,  um excesso.
Beber muito habitualmente  um excesso a corrigiu ele. estiveste bbada alguma vez?
Claro que no.
Estar-o. Chocou a taa com a dela. me Conte a primeira vez que provou o champanha.
No me lembro. De meninas, muitas vezes nos davam vinho com gua nos jantares. Era importante que aprendssemos a apreciar os vinhos para cada ocasio, como se 
serviam, a taa indicada para o vinho tinjo, a taa para o vinho branco... Quando tinha doze anos poderia ter organizado um jantar de etiqueta para vinte pessoas.
De verdade?
Sybill riu um pouco e deixou que o champanha borbulhasse em sua cabea.
 uma formao muito importante. Pode imaginar o que aconteceria coloca mal s pessoas ou serve um vinho algo pior com o prato principal? A velada se estraga e 
arrasta sua reputao com ela. A gente d por descontado certo aborrecimento, mas no com um Merlot vulgar.
foste a muitos jantares de etiqueta?
Sim, claro. Ao princpio a jantares menores, o que se poderiam chamar jantares de prtica com amigos de meus pais, at que se considerava que j estava preparada. 
Quando eu tinha dezesseis anos, minha me deu um jantar muito importante para o embaixador francs e sua mulher. Essa foi minha primeira apario em pblico. Estava 
aterrada.
No tinha suficiente prtica?
Tinha prtica de sobra e tinha aprendido todo o protocolo. Simplesmente, era muito tmida.
Foi-o?
Phillip lhe colocou uma mecha de cabelo detrs da orelha. Um ponto para Mame Crawford, disse-se a si mesmo.
 incrvel, mas cada vez que tinha que tratar com gente dessa maneira, me encolhia o estmago e o corao me acelerava. Estava aterrada se por acaso atirava algo, 
se por acaso dizia algo inconveniente ou no tinha nada que dizer.
O disse a seus pais?
lhes dizer o que?
Que tinha medo.
Ah. Agitou uma mo como se fora uma idia absurda e se serve mais champanha. Que sentido tinha? Eu devia fazer o que se esperava de mim.
por que? O que tivesse passado se no o fazia? Tivessem-lhe pego? Tivessem-lhe encerrado em um armrio?
Claro que no. No eram uns monstros. Houvessem-se sentido decepcionados. Era espantoso quando lhe olhavam daquela maneira, com os lbios apertados e o olhar glido, 
como se te faltasse algo ou fosse defeituosa. Era mais fcil sair do passo e ao cabo de algum tempo aprendia a agent-lo.
Observar mais que participar.
Fiz uma profisso disso. Possivelmente no cumprisse com minhas obrigaes de me casar com algum importante, de dedicar minha vida a esses jantares desatinados 
e de criar um par de filhos bem educados e como Deus manda disse cada vez mais acalorada, mas empreguei bem minha educao e tenho uma boa profisso, para a que 
estou mais dotada que outros. Fiquei-me sem champanha.
vamos baixar um pouco o ritmo...
por que? riu e agarrou por pescoo a outra garrafa. Estamos entre amigos. Estou me embebedando e me parece que eu gosto.
Phillip lhe tirou a garrafa. Queria atravessar essa superfcie to polida e correta dela. Uma vez que tinha chegado a esse ponto, no tinha sentido tornar-se atrs.
Mas te casou uma vez lhe recordou Phillip.
J te disse que isso no conta. No foi um matrimnio importante. Foi um impulso, um ligeiro e fracassado intento de rebeldia. No me d bem ser rebelde. Mmm. Tragou 
o champanha e fez um gesto com a taa. Estava destinada a me casar com um dos filhos do scio de meu pai em Gr-Bretanha.
Qual?
Qualquer. Os dois eram muito apresentveis. Familiares longnquos da rainha. Minha me estava decidida a que sua filha se emparentara com a realeza. Teria sido 
um triunfo para ela. Naturalmente, eu s tinha quatorze anos, de modo que teve muito tempo para tramar o plano e os prazos. Acredito que tinha decidido que me comprometesse 
formalmente com um dos dois quando fizesse dezoito anos. As bodas seria aos vinte anos, o primeiro filho aos vinte e dois... Tinha-o muito pensado.
Mas no colaborou.
No tive a ocasio. Teria colaborado facilmente. Custava-me muito me opor a minha me. Meditou-o um segundo e o tirou da cabea com mais champanha. Glorifica 
os seduziu aos dois de uma vez, no salo principal, quando meus pais estavam na pera. Acredito que era do Vivaldi. Em qualquer caso... Voltou a agitar a mo e 
a beber. Voltaram para casa e se encontraram a situao. A cena foi considervel. Joguei uma olhada s escondidas. Estavam nus..., e no eram precisamente meus 
pais.
Claro.
Tambm estavam colocados de algo. Houve muitos gritos, ameaas e splicas... aos gmeos de Oxford. Havia-te dito que eram gmeos?
No.
Eram idnticos. Loiros, plidos e chupados de cara. A Glria importavam um cominho, naturalmente. Sabia que os pilhariam; fez-o porque minha me os tinha eleito 
para mim. Ela me odiava. Glria, no minha me. Franziu a frente. Minha me no me odiava.
O que aconteceu?
Mandaram aos gmeos a sua casa humilhados e desonrados, e a Glria a castigaram. O que significou, indevidamente, que acusasse ao amigo de meu pai de hav-la seduzido, 
o qual levou a outra cena horripilante e a que ela acabasse escapando. Tudo era mais tranqilo sem ela, mas dava mais tempo para que meus pais se concentrassem em 
me forjar. Perguntava-me por que me viam mais como uma criao que como uma menina. por que no me queriam, mas claro... Voltou a reclinar-se no respaldo do sof. 
No sou muito querible. Ningum me quis jamais.
Phillip, que tinha saudades  mulher e  menina, deixou a taa a um lado e tomou a cara entre as mos.
Equivoca-te.
No, no me equivoco. O sorriso estava banhado em champanha. Sou uma profissional. Sei destas coisas. Meus pais no me quiseram nunca e Glria tampouco. O marido 
que no conta no me quis. Nem sequer tive uma dessas donzelas de grande corao que saem nas novelas e que me apertasse amorosamente contra seu peito. Ningum se 
tomou a molstia de fingir o bastante para usar essas palavras. Voc, em troca,  muito querible disse lhe acontecendo a mo livre pelo peito. Nunca me deitei 
com um homem bbada. A ti o que te parece?
Sybill. Agarrou-lhe a mo antes de que o distrara. Eles lhe infravalorizaram. No o voc faa contigo mesma.
Phillip. inclinou-se para diante com o lbio inferior entre os dentes. Minha vida foi um aborrecimento predecible at que apareceu voc. A primeira vez que me 
beijou, minha cabea se desconectou. Ningum me tinha feito isso jamais. Quando me acaricia disse levando lentamente ao peito as mos dos dois, minha pele comea 
a arder e o corao me acelera. subiste pela fachada do edifcio. Passou-lhe os lbios pela mandbula. Me trouxeste rosas. Desejava-me, verdade?
Sim, desejava-te, mas no s...
Tome. Jogou a cabea para trs para poder olhar aqueles olhos maravilhosos. Nunca lhe havia dito isso a um homem. Tome, Phillip. As palavras eram uma splica 
e uma oferta. Simplesmente, tome.
Rodeou-lhe o pescoo com os braos e lhe caiu a taa vazia. Incapaz de resistir, tombou-a no sof... e tomou.
A dor que tinha detrs dos olhos, e o outro mais intenso que o martilleaba as tmporas, era exatamente o que se merecia, decidiu Sybill enquanto tentava sufoc-los 
debaixo do jorro da ducha.
Punha a Deus por testemunha de que nunca mais voltaria a passar-se com qualquer tipo de bebida alcolica.
Lhe teria encantado que as seqelas da bebida lhe tivessem feito esquecer, mas recordava com toda claridade como tagarelou de si mesmo e as coisas que disse ao Phillip. 
Coisas humilhantes e pessoais, coisas que quase no se dizia nem a si mesmo.
Teria que olh-lo  cara. Tambm teria que confrontar que em um fim de semana curto tinha chorado em seus braos, e que lhe tinha dado seu corpo e seus segredos 
mais celosamente guardados.
Alm disso, teria que reconhecer que estava inevitvel e perigosamente apaixonada por ele.
O qual era completamente irracional, naturalmente. Esses sentimentos eram inevitveis e perigosos, precisamente pelo mero feito de que ela pensasse que podia chegar 
a senti-los ao cabo de to pouco tempo e depois de conhec-lo to pouco.
Evidentemente, no podia pensar com claridade. No podia manter uma distncia e analisar objetivamente quando estava afligida por uns sentimentos que a tinham abordado 
de repente.
Uma vez que Seth estivesse instalado, uma vez que se resolveram todos os detalhes, teria que voltar a encontrar essa distncia. O mtodo mais singelo e lgico era 
pr terra de por meio e voltar para Nova Iorque.
Seguro que recuperaria o julgamento quando voltasse a ter as rdeas de sua vida e recuperasse a deliciosa rotina. Por muito aborrecido e desventurado que lhe parecesse 
nesse momento.
escovou-se o cabelo com calma, ficou nata na cara e se fechou as lapelas do penhoar. Se j lhe custava bastante recompor-se com as tcnicas de respirao, nem que 
dizer tinha com o pesadelo da ressaca.
Entretanto, saiu do quarto de banho com a cara como nova e entrou na sala, onde Phillip estava servindo o caf que tinha levado o servio de habitaes.
pensei que te viria bem. 
Sim, obrigado.
Evitou olhar para a garrafa de champanha vazia e o barulho de roupa que no tinha recolhido a noite anterior porque estava muito bbada. 
Ch tomaste uma aspirina? 
Sim. No me passa nada.
Disse-o com solenidade, aceitou a taa de caf que lhe oferecia Phillip e se sentou com o cuidado desesperador de uma invlida. Sabia que estava plida e que tinha 
olheiras. olhou-se no espelho embaciado de vapor.
Olhou atentamente ao Phillip. O no estava nada plido nem tinha olheiras.
Uma mulher mais mesquinha o desprezaria por isso.
A cabea embotada comeou a esclarecer-se minta observava ao Phillip e se bebia o caf. Quantas vezes lhe tinha cheio ele a taa? Quantas vezes tinha cheio a sua? 
Deu-lhe a sensao de que havia muita diferena entre as duas respostas.
O ressentimento comeou a apoderar-se dela nuentras lhe via ficar uma generosa rao de presunto em uma torrada. Inclusive a idia de comer lhe revolvia o instvel 
estmago.
Tem fome? perguntou-lhe ela com toda amabilidade.
Morro de fome. Tirou a tampa de uma fonte de ovos mexidos. Deveria tentar comer um pouco.
Antes morta.
dormiste bem? Seguiu lhe perguntando Sybill.
Sim.
No estamos muito vigorosos e animados esta manh?
Phillip captou o tom e a olhou com cautela. Ele tinha querido tomar-lhe tranqilamente e lhe dar tempo para que se recuperasse antes de falar do tema, mas parecia 
que ela se recuperava rapidamente.
Seu bebeu algo mais que eu lhe explicou Phillip.
Embebedou-me. Fez-o a propsito. Enrolou-me e no deixou de me servir champanha.
Claro, tive que te tampar o nariz e lhe colocar isso pela garganta...
Utilizou as desculpas como desculpa. Comearam-lhe a tremer as mos e deixou a taa na mesita. Tinha que saber que estava zangada contigo e pensou que o Dom Perignon 
te aplainaria o caminho a minha cama.
O sexo foi idia tua lhe recordou ele. Eu queria falar contigo e a verdade  que te tirei mais costure quando estava achispada que as que te teria tirado de qualquer 
outra maneira. Voc desinhib. Certamente, no ia sentir remorsos. E voc te deixou levar.
Desinhibirme sussurrou Sybill enquanto se levantava lentamente.
Queria saber quem . Tenho direito.
Voc... planejou-o. Planejou vir aqui e me fazer beber o bastante para me surrupiar minha vida pessoal.
Quero-te.
aproximou-se dela mas lhe apartou a mo de um tortazo.
Nem te ocorra. No sou to parva para picar duas vezes.
Quero-te e agora sei algo mais de ti e te entendo melhor. O que tem de mau, Sybill? 
Enganou-me.
 possvel. Agarrou-a com fora dos braos para que ela no se apartasse. Espera. Teve uma infncia privilegiada e organizada. Eu, no. Teve vantagens, serventes 
e cultura. Eu, no. Despreza-me porque estive pelas ruas at os doze anos?
No, mas no tem nada que ver com isto.
Tampouco me quis ningum seguiu ele, at que tive doze anos. De modo que conheo os dois lados. Crie que vou desprezar te porque sobreviveu  frieza?
No vou falar disso.
Isso j no funciona. Toma um pouco de sentimento. Beijou-a na boca e a arrastou em um torvelinho. Ao melhor eu tampouco sei o que fazer com isto, mas est a. 
Viu minhas cicatrizes, esto  vista. Agora, eu vi as tuas.
Estava conseguindo-o outra vez, estava abrandando-a e fazendo que o desejasse. Podia apoiar a cabea em seu ombro, podia fazer que a rodeasse com seus braos, s 
tinha que pedi-lo. Mas no podia.
No faz falta que sinta lstima de mim.
Carinho... Essa vez seus lbios se roaram brandamente. Sim faz falta. Alm disso, admiro o que chegaste a ser apesar de tudo.
Bebi muito replicou Sybill precipitadamente. Fiz que meus pais parecessem frios e desalmados.
Algum dos dois te disse alguma vez que te queria?
Sybill abriu a boca e suspirou.
Simplesmente, no fomos uma famlia muito expressiva. No todas as famlias so como a tua. No todas as famlias mostram seus sentimentos e se tocam Y... calou-se 
para ouvir o tom de defesa aterrada em sua voz.
No seguiu. Nenhum dos dois me disse isso. Nem a Glria, que eu saiba. Qualquer psiclogo do monto chegaria  concluso de que as filhas reagiram a esse ambiente 
repressivo, excessivamente estrito e exigente, e cada uma escolheu um extremo distinto. Glria escolheu uma conduta amalucada para chamar a ateno. Eu me conformei 
com a aceitao. Ela identificava o sexo com o poder e o carinho, e fantasiava com que a desejavam e foravam homens podendo, inclusive seu pai legal e seu pai biolgico. 
Eu evitava a intimidade do sexo por temor ao fracasso e escolhi um campo de estudo onde podia observar a outros sem me expor aos sentimentos. ficou claro?
A palavra chave  escolher. Ela escolheu fazer mal e voc que no lhe fizessem mal.
Assim .
Mas no foste capaz de mant-lo. Arriscou-te a que Seth te fizesse mal e est te arriscando a que eu te faa mal disse lhe acariciando uma bochecha. Eu no quero 
te fazer danifico, Sybill.
Certamente j era muito tarde para evit-lo, disse-se Sybill, mas sucumbiu o bastante para apoiar a cabea em seu ombro. No teve que lhe pedir que a rodeasse com 
seus braos.
Vejamos o que passa depois.
Vinte
O medo, escreveu Sybill,  um sentimento humano muito corrente. O ser humano  to difcil de analisar como o amor e o dio, a avareza, a paixo. Os sentimentos, 
e suas causas e efeitos, no so meu campo de estudo concreto. O comportamento  instintivo e aprendido e, freqentemente, no tem uma verdadeira raiz sentimental. 
O comportamento  muito mais singelo, por no dizer elementar, que os sentimentos.
Tenho medo.
Estou sozinha neste hotel e sou uma mulher adulta, culta, inteligente, sensata e capaz. Mesmo assim, tenho medo de desprender o telefone que h em minha mesa e chamar 
a minha me.
Faz uns dias, no o teria chamado medo a no ser pouca disposio ou rechao. Faz uns dias, teria defendido, e com razo, que falar com ela do assunto do Seth s 
perturbaria a ordem das coisas e no daria resultados construtivos. portanto, falar com ela era intil.
Faz uns dias, poderia ter raciocinado que meus sentimentos para o Seth brotavam de uma sensao de obrigao moral e familiar
Faz uns dias poderia me haver negado, coisa que fiz, a reconhecer que tinha inveja dos Quinn por seu comportamento e sua relao ruidosa, desorganizada e indisciplinada. 
Teria reconhecido que seu comportamento e sua relao eram interessantes, mas nunca teria reconhecido que eu desejava entrar nessa pauta e ser parte dela.
Naturalmente, no posso e o aceito.
Faz uns dias, tentei negar a profundidade e o significado de meus sentimentos para o Phillip. Disse-me que o amor no chegava to depressa e to intensamente; que 
aquilo era atrao, desejo e inclusive luxria, mas que no era amor  mais fcil neg-lo que confront-lo. O amor me d medo. D-me medo o que exige, o que pede 
e o que entrega, e me d mais medo, muito mais, que no me corresponda.
Mesmo assim, posso aceit-lo. Entendo perfeitamente as limitaes de minha relao com o Phillip. Os dois Somos adultos que elaboramos nossas pautas e tomamos nossas 
decises. O tem suas necessidades e sua vida como eu tenho a minha. Posso estar contente de que nossos caminhos se cruzaram. aprendi muito durante o pouco tempo 
que estive com ele. aprendi muito de mim mesma.
No acredito que volte a ser a mesma de antes.
No quero s-lo, mas para trocar realmente, para crescer, tenho que tomar algumas medidas.
Escrever isto me ajuda, embora esteja desordenado e no tenha muito sentido.
Acaba de me chamar Phillip de Baltimore. Pareceu-me que estava cansado, inclusive nervoso. Tinha uma reunio com o advogado para falar da reclamao do seguro de 
vida de seu pai. A companhia de seguros leva meses sem acessar a pagar Abriu uma investigao sobre a morte do professor Quinn e insinuou que podia ter sido um suicdio. 
Naturalmente, isso complica a situao econmica dos Quinn, agora que tm que fazer-se carrego do Seth e tambm tm um negcio novo, mas seguiram obstinadamente 
com as aes legais.
Acredito que at hoje no me tinha dado conta de quo importante  para eles ganhar esta batalha. No pelo dinheiro, como eu tinha suposto em um princpio, mas sim 
por apagar toda sombra do nome de seu pai. No acredito que o suicdio seja sempre um ato de covardia. Eu mesma me expus isso uma vez. Escrevi uma nota e tinha as 
pastilhas na mo, mas s tinha dezesseis anos e era, lgicamente, irrefletida. Rompi a carta, atirei as pastilhas e me esqueci do assunto.
Para minha famlia, o suicdio teria sido desagradvel e improcedente.
Sonha amargo? No sabia que eu tinha acumulado tanta raiva.
Entretanto, para os Quinn o suicdio  egosta e covarde. rechaaram completamente aceitar que esse homem ao que tanto queriam pudesse ser capaz de fazer algo to 
egosta. Parece que por fim vo ganhar essa batalha.
A companhia de seguros ofereceu um acordo. Phillip acredita que minha declarao pode ter influenciado nesta reao. Pode que tenha razo. Naturalmente, os Quinn 
so dos que no aceitam acordos, possivelmente seja uma questo gentica. Phillip me exps isso como uma questo de tudo ou nada. Crie, como seu advogado, que muito 
em breve vo ter tudo.
Me alegro por eles. Embora nunca tive o privilgio de conhecer o Raymond e Stella Quinn, sinto-os atravs de minha relao com sua famlia. O professor Quinn se 
merece descansar em paz. Igual a Seth se merece levar o sobrenome Quinn e ter a segurana de uma fmilia que o quer e se preocupa com ele.
Posso fazer algo para garantir que isso seja assim. Terei que fazer essa chamada. Terei que tomar uma postura. Tremem-me as mos s de pens-lo. Sou uma covarde. 
No, Seth me chamaria uma cagueta, que  bastante pior
Ela me aterra. Minha prpria me me aterra. Nunca me levantou a mo e muito poucas vezes me levantou a voz, mas moldou a seu gosto. Eu no resisti.
?Meu pai? Estava muito ocupado em ser importante para dar-se conta.
Sim, noto muita raiva.
Posso cham-la, para conseguir o que quero dela posso empregar a categoria que ela se empenhou que eu alcanasse. Sou uma cientfica respeitada, sou uma figura pblica 
a pequena escala. Desprezar-me se lhe digo que aproveitarei minha posio se ela no fizer uma declarao por escrito ao advogado dos Quinn em que explique as circunstncias 
do nascimento de Glria e reconhea que o professor Quinn tentou vrias vezes ficar em contato com ela para verificar a paternidade de Glria. Desprezar-me, mas 
o far.
S tenho que desprender o telefone e fazer pelo Seth o que no fiz faz anos. Posso lhe dar um lar uma famlia e a segurana de que no tem nada que temer
Filho de cadela. Phillip se secou o suor da frente com o dorso da mo. Sangrava por um pequeno arranho. Sorriu como um parvo ante o casco que ele e seu irmo 
acabavam de dar a volta.  um bode bem grande.
 um bode maravilhoso.
CAM encolheu os doloridos ombros. Dar a volta ao casco significava algo mais que um avano. Era um triunfo. Navios Quinn voltava a consegui-lo.
Tem uma linha preciosa. Ethan passou a mo calosa pelos fitas de seda. E uma forma preciosa.
Quando comeo a pensar que um casco pode ser sexy comentou CAM, me vou casa com minha mulher. Bom, podemos lhe marcar a linha de flutuao ou seguir admirando-o 
um momento.
lhe marque a linha de flutuao lhe props Phillip. Eu vou subir para preparar a papelada da fatura. Vai sendo hora de lhe tirar um pouco de dinheiro ao esse 
pescador. Vir-nos bem.
Fez os cheques do salrio? perguntou-lhe Ethan.
Sim.
O teu?
No o...
... preciso terminou CAM. Cobra-o, maldita seja. Compra algum capricho a essa amiga tua to sexy. gasta-lhe isso em algum veio muito caro ou lhe jogue isso aos 
jogo de dados, mas cobra esta semana. Voltou a olhar o casco. Esta semana  importante.
Pode s-lo reconheceu Phillip.
A companhia de seguros vai dar seu brao a torcer seguiu CAM. vamos ganh-lo.
A gente j comea a trocar de atitude. Ethan tirou uma capa de serrn de um fita de seda. J no vo dizendo mentiras em voz baixa. Isso j o ganhamos. trabalhaste 
muito para consegui-lo disse ao Phillip.
S sou o que se ocupa dos detalhes. Se qualquer de vs dois tivesse tido uma conversao de cinco minutos com um advogado... Bom, voc te teria ficado dormido de 
aborrecimento, Ethan, e CAM teria acabado lhe pegando. Eu ganhei por incomparecencia.
 possvel disse CAM , mas tiraste muito trabalho falando por telefone, escrevendo cartas, mandando faxes... resultaste ser toda uma secretria, mas sem pernas 
e culo bonitos.
Isso no s  sexista, mas tambm, alm disso, tenho umas pernas e um culo impressionantes.
Ah, sim? vamos comprovar o.
equilibrou-se sobre o Phillip, que caiu sentado sobre seu afamado culo. Parvo despertou da sesta e foi correndo a jogar com eles.
Est louco! A risada impediu que Phillip se soltasse. te Tire de cima, tarado.
me d uma mo, Ethan. CAM sorriu e soltou uma rstia de improprios quando Parvo lhe lambeu a cara. Phillip resistiu sem muito convencimento quando CAM se sentou 
em cima dele. Vamos apressou CAM quando Ethan sacudiu a cabea. Quando foi a ltima vez que lhe tirou as calas a algum?
Faz bastante disse Ethan enquanto Phillip comeava a brigar com mais fora. Possivelmente fora na despedida de solteiro de jnior Crawford.
Isso foi faz dez anos grunhiu CAM enquanto Phillip estava a ponto de tirar-lhe de cima. Vamos, ps-se mais forte durante estes meses e est briguento.
Bom, pelos velhos tempos. Ethan esquivou um par de patadas e agarrou com fora a cinturilla do vaqueiro do Phillip.
Perdo.
Foi tudo o que conseguiu dizer Sybill quando entrou, ouviu todos os insultos e viu que Phillip estava convexo no cho de madeira enquanto seus irmos o agarravam 
Y... a verdade era que no sabia o que queriam lhe fazer.
Ol. CAM esquivou pelos cabelos um murro  mandbula e sorriu de brinca a orelha. Quer nos dar uma mo? Tentamos lhe tirar as calas. Presume muito de pernas.
Eu..., mmm.
Solta-o, CAM. Est a morrendo de calor.
Por Deus, Ethan, j lhe viu as pernas. Embora sem a ajuda do Ethan ou lhe soltava ou podia sair maltratado. Era melhor solt-lo, embora tambm mais aborrecido. 
Terminaremos logo.
Meus irmos se esqueceram de que j no esto no colgio. Phillip se levantou e se recomps a roupa e a dignidade. Se sentiam um pouco exaltados porque demos 
a volta ao casco.
Ah. Sybill olhou o casco e abriu os olhos como pratos. avanastes muito.
Ainda fica o bastante. Ethan tambm o olhou e imaginou terminado. A coberta, a cabine, a ponte, o camarote... O tio quer uma sute de hotel.
Enquanto o pague... Phillip se aproximou do Sybill e lhe acariciou o cabelo. Ontem  noite cheguei muito tarde para ir verte, sinto muito.
No importa. J sei que esteve muito ocupado com o trabalho e o advogado. trocou-se de mo a bolsa. Tenho algo que pode lhes ajudar com o advogado, com as duas 
situaes, bom... Abriu a bolsa e tirou um sobre.  uma declarao de minha me. So duas cpias certificadas ante notrio. Mandou-me isso que um dia para outro. 
No quis dizer nada at hav-la visto... Acredito que pode ser til.
Do que trata? perguntou CAM enquanto Phillip jogava uma olhada  declarao de duas pginas.
Confirma que Glria era a filha biolgica de papai; que ele no sabia e que tentou ficar em contato com a Barbara Griffin vrias vezes desde dezembro passado at 
este maro. H uma carta que papai lhe escreveu em janeiro em que lhe fala do Seth e do acordo que tinha alcanado com Glorifica para fazer-se carrego do menino.
Tenho lido a carta de seu pai lhe disse Sybill. Possivelmente no devesse hav-lo feito, mas o tenho feito. Se estava zangado com minha me, no se nota em suas 
palavras. S queria que lhe dissesse se era verdade. ia ajudar ao Seth em qualquer caso, mas queria poder lhe dar os direitos de nascimento. Um homem que se preocupava 
tanto por um menino no se tira a vida. Tambm tinha muito que dar e estava disposto a d-lo. Sinto-o muito.
O s necessita uma oportunidade e uma alternativa leu Ethan quando Phillip lhe aconteceu a carta e logo se esclareceu garganta. No pude dar-lhe a Glria, se 
for minha filha, e agora no vai aceitar a, mas me ocuparei de que Seth tenha as duas coisas. Seja de meu sangue ou no, agora j  meu filho.  muito prprio dele 
comentou Ethan. Seth deveria l-la.
por que sua me aceitou faz-lo agora, Sybill? perguntou-lhe Phillip.
Convenci-a de que era o melhor para todos os implicados.
No. Tomou o queixo com a mo e lhe levantou a cara para olhar a de frente. H algo  mais. Sei.
Prometi-lhe que seu nome e todos os detalhes se manteriam no maior segredo possvel. Fez um movimento de intranqilidade e soprou. Tambm a ameacei escrevendo 
um livro sobre este assunto se no fazia a declarao.
Chantageou-a? exclamou Phillip com admirao.
Dava-lhe a escolher e escolheu isto. 
Teve que te custar muito faz-lo. 
Terei que faz-lo.
Phillip tomou a cara entre as mos. 
foi difcil, valente e inteligente. 
Lgico. Sybill fechou os olhos. Sim, h-me flanco muito. Meu pai e ela esto furiosos. Ao melhor no me perdoam isso. So capazes de no me perdoar.
Eles no lhe merecem.
A questo  que Seth sim lhes merece, assim...
calou-se quando ele a beijou nos lbios.
Vale, te aparte um pouco. CAM lhe deu uma cotovelada a seu irmo e agarrou ao Sybill pelos ombros. Tem feito muito bem lhe disse antes de lhe dar um beijo que 
a deixou piscando.
Ah... Foi o nico que ela pde dizer.
Seu turno. CAM empurrou um pouco ao Sybill para o Ethan.
Meus pais teriam estado orgulhosos de ti. Beijou-a e lhe deu umas palmadas nos ombros quando lhe empanaram os olhos.
Ah, no, no lhe deixe que faa isso. CAM a tirou do brao e a levou onde estava Phillip. No esto permitidos os prantos no estaleiro.
CAM fica nervoso se v chorar a uma mulher.
No estou chorando.
Sempre dizem o mesmo balbuciou CAM, mas no o dizem a srio. Fora. Se algum chora tem que ir-se fora.  uma nova norma.
Phillip a levou para a porta entre risadas.
Vamos. Alm disso, quero estar um momento contigo.
No estou chorando, mas no me esperava que seus irmos... no estou acostumada A... calou-se.  maravilhoso que lhe demonstrem que gostam e que lhe apreciam.
Eu te aprecio. Abraou-a e acrescentou: E eu gosto.
E tambm  maravilhoso. J falei com seu advogado e com a Anna. No quis mandar os documentos por fax do hotel porque prometi que no desvelaria seu contedo, mas 
os dois esto de acordo em que este documento acelerar as coisas. Anna acredita que a petio de custdia definitiva se tramitar a semana que vem.
To logo?
No h obstculos. Voc e seus irmos so filhos legais do professor Quinn. Seth  seu neto. Sua me aceitou, por escrito, lhe dar a custdia. Se se tornar atrs, 
poderia atrasar a sentena, mas ningum acredita que j poderia troc-la. Seth tem onze anos e a essa idade se tero em conta seus desejos. Anna vai pressionar para 
que haja uma vista a princpios da semana que vem.
Parece estranho que todo se junte de uma vez.
Sim. Sybill levantou o olhar ao ver um bando de gansos que passava por cima deles e pensou que estava trocando a estao. pensei ir ao colgio dando um passeio. 
Eu gostaria de falar com ele e lhe contar algo de tudo isto.
Acredito que  uma boa idia. calculaste muito bem os tempos.
O planejamento me d bem.
O que te parece planejar um jantar esta noite em casa dos Quinn para celebr-lo?
Muito bem. Irei com o Seth.
Perfeito. Espera um segundo. Phillip voltou para estaleiro e saiu com Parvo pacote a uma correia vermelha. Tambm vir bem um passeio.
Bom, eu...
Conhece o caminho. S tem que sujeitar cl extremo da correia. Phillip, divertido, deu-lhe a correia e a olhou aos olhos enquanto Parvo saa como uma flecha. lhe 
Diga que te siga de perto lhe grito enquanto ela brincava de correr atrs do co. No te far conta, mas parecer que sabe o que faz.
No tem graa respondeu Sybill, que seguia a Parvo como podia. Devagar. Alto!
Tolo se parou e colocou o focinho em um sebe com tanta deciso que Sybill temeu que fora a atravess-lo e a arrast-la detrs dele, mas se limitou a levantar a pata 
e a pr uma expresso de imensa satisfao consigo mesmo.
Sybill contou que Parvo levantou a pata oito vezes antes de dar a volta  esquina e ver os nibus do colgio.
Mida bexiga tem exclamou enquanto procurava o Seth e sujeitava com fora a correia para que no fora correndo para os meninos que saam do edifcio. No. Sente-se. 
Pode morder a algum.
Tolo a olhou como se se tornou louca, mas se sentou e lhe golpeou ritmicamente os tales com a cauda.
Sair em seguida.
Sybill soltou um grito quando Parvo se levantou e saiu disparado. Tinha visto o Seth antes que ela. 
No, no, no.
Sybill soprou inutilmente e Seth os viu. O tambm soltou um grito de felicidade e se lanou sobre o co como se os tivessem separado cruelmente durante anos.
Ol! Seth riu quando Parvo deu um salto de alegria e lhe lambeu a cara. Tudo bem, colega? Bom co.  um co bom. Olhou ao Sybill ao cabo de um momento. Ol.
Ol. Toma disse lhe dando a correia. Embora tampouco serve de muito.
No tivemos muito xito com o adestramento para a correia.
No me diga... Esboou um sorriso que abrangia ao Seth, e ao Danny e Will, que tinham aparecido detrs dele. pensei que podia te acompanhar ao estaleiro. Eu gostaria 
de falar contigo.
Claro, guay.
separou-se do caminho de Tolo e logo voltou a toda velocidade quando um carro esportivo vermelho freou com um chiado estrondoso e se parou junto ao meio-fio. Glria 
ia no assento do co-piloto.
Sybill se moveu rpida e instintivamente e ficou diante do Seth para proteg-lo.
V, v. Glria arrastou as palavras e os olhou do guich.
Vete a procurar a seus irmos ordenou Sybill ao Seth. Vete imediatamente.
Seth no podia mover-se. S podia ficar ali olhando-a enquanto notava que o estmago lhe enchia de bolas de gelo.
No vou com ela. No vou. No vou.
No, no vai. Agarrou-o pela mo com fora. Danny, Will, vo correndo ao estaleiro. lhes digam aos Quinn que os necessitamos. Depressa.
Ouviu a carreira, mas no se voltou para olhar. No apartou os olhos de sua irm enquanto Glorifica se descia do carro.
Ol, filho. Me sentiste falta de? 
O que quer, Glria?
Tudo o que possa conseguir. apoiou-se um punho no quadril coberta por uns jeans vermelhos e piscou os olhos um olho ao Seth. Quer ir dar uma volta? Podemos nos 
pr ao tanto.
No vou a nenhuma parte contigo. Desejou ter sado correndo. Tinha um esconderijo no bosque que se feito ele. Mas estava muito longe. Notou a mo firme e forte 
do Sybill. Nunca mais vou contigo.
Far o que eu te diga. Os olhos lhe resplandeciam de raiva e foi para o Seth. Tolo, pela primeira vez em sua vida, ensinou-lhe os dentes e grunhiu amenazadoramente. 
Sujeita a esse co dos cojones.
No se limitou a dizer Sybill, que sentia um repentino amor por Parvo. No te aproxime, Glria. Morder-te. Jogou uma olhada ao carro e viu um homem com jaqueta 
de couro que seguia o ritmo de uma cano ensurdecedora. Parece que puseste os ps na terra.
Sim, Pete est bem. Vamos a Califrnia. Tem contatos. Necessito dinheiro.
Aqui no vais conseguir o.
Glria tirou um cigarro e sorriu ao Sybill enquanto o acendia.
Olhe, no quero ao menino, mas me vou levar isso se no me derem minha parte. Os Quinn pagaro para recuper-lo. Todo mundo contente e ningum resultar prejudicado. 
Se complicar as coisas, Sybill, direi ao Pete que saia do carro.
Os grunhidos de Parvo se fizeram mais intensos e ensinou mais dente ainda. Sybill arqueou uma sobrancelha.
Muito bem. Diga-lhe Gloria, vienes o no? El conductor tir el cigarrillo por la ventana. No puedo perder todo el da en este pueblucho de mierda.
Quero o que  meu, maldita seja.
J recebeste muito mais do que te corresponde.
Uma mierda! Voc lhe levou isso tudo. A filha perfeita. No te suporto. Odiei-te toda minha vida. Agarrou ao Sybill pela jaqueta e esteve a ponto de lhe cuspir 
na cara. eu adoraria que estivesse morta.
J sei. Agora, me solte.
Crie que pode comigo? Glria empurrou ao Sybill com uma gargalhada. Nunca tiveste guelra. lhe vais tragar isso lhe vais tragar isso e a me dar o que quero, como 
sempre. Cala a esse co! gritou ao Seth enquanto Parvo atirava da correia. Cala-o e te monte no carro antes de que...
Sybill no viu como levantava a mo, nem sequer se deu conta de que a ordem havia partido do crebro e tinha chegado a seu brao, mas notou que lhe esticavam os 
msculos e que a raiva se apoderava dela; logo s viu que Glria estava tiragem no cho e a olhava atnita.
te monte nesse maldito carro disse tranqilamente Sybill sem olhar sequer ao jipe que tinha freado junto ao meio-fio. Tampouco piscou quando Parvo atirou da correia 
e do Seth at grunhir junto  mulher que estava no estou acostumado a. Vete a Califrnia, vete ao inferno, mas te afaste deste menino e te afaste de mim. No te 
meta nisto espetou ao Phillip quando ele e seus irmos se desceram do jipe. te Monte no carro e te largue, Glria, ou vais pagar neste instante tudo o que tem 
feito ao Seth. Tudo o que me tem feito . te levante e vete ou ficar muito pouco de ti quando vier a polcia para te deter por fugir quando est sob fiana e alm 
lhe acusemos de mau trato infantil e de extorso.
Glria no se moveu e Sybill se agachou e, com uma fora fruto da fria, p-la de p.
te monte no carro, vete e no tente voltar a te aproximar deste menino. Voc sim que no vais poder comigo, Glria. Juro-lhe isso.
No quero ao maldito menino. Quero um pouco de dinheiro.
Procura no sair muito mau parada. Dou-te trinta segundos e depois no vou conter nem ao co nem aos irmos Quinn. Quer nos ver em ao?
Glria, vem ou no? O condutor atirou o cigarro pela janela. No posso perder todo o dia neste pueblucho de mierda.
Sim, j vou. Jogou a cabea para trs. Quo nico tem feito  me atrasar e cruzar-se em meu caminho. vou triunfar em Los Anjos. No necessito nada de ti.
Perfeito sussurrou Sybill enquanto Glorifica se montava outra vez no carro, porque no vais tirar nada de mim.
Tombaste-a. Seth j no tremia nem estava plido. O carro esportivo desapareceu e Seth olhou ao Sybill com gratido e admirao. A tombaste.
Isso parece. Que tal est?
Ela no me olhou sequer. Parvo ia morder a.
 um co maravilhoso. Parvo apoiou as patas dianteiras no peito do Sybill e lhe abraou o pescoo.  um co fabuloso.
Mas voc a tombaste. Sybill a atirou que culo gritou enquanto Phillip e seus irmos se aproximavam.
Isso vi. Phillip lhe acariciou a bochecha. Bem feito. Que tal est?
Estou... bem. deu-se conta de que no tinha dor de cabea, nem cibras nem calafrios. Bem, sinto-me bem. Piscou quando Seth a rodeou com os braos.
estiveste genial. Ela no voltar. Deixaste-a tremendo.
surpreendeu-se pela risita gorgojeante que lhe brotou da garganta. inclinou-se e ocultou a cara entre o cabelo do Seth.
Agora tudo  como tem que ser.
Vamos a casa. Phillip lhe aconteceu um brao pelos ombros. Vo todos a casa.
vai passar se semanas contando essa histria assegurou Phillip. Semanas.
J est adornando-a. Sybill, incrivelmente serena, passeava com o Phillip ao bordo do mar enquanto o herico Parvo e Simon os seguiam. J conta que amassei a 
Glria e que Parvo lambeu o sangue.
No parece que te desgoste.
Nunca tinha convexo a ningum. Nunca tinha defendido assim meu terreno. Eu gostaria de poder dizer que o fiz s pelo Seth, mas acredito que tambm o fiz por mim. 
No voltar, Phillip. perdeu. Est perdida.
Acredito que Seth no voltar a lhe ter medo.
Est em seu lar. Este  um bom stio. Girou sobre si mesmo para ver a casa, os bosques escuros ao anoitecer e o ltimo brilho do sol refletido na gua. O sentirei 
falta de quando voltar a Nova Iorque.
Nova Iorque? Ainda falta muito para que volte.
A verdade  que tenho pensado voltar depois da vista da semana que vem.
Tinha-o decidido. Tinha que reatar sua vida. Se ficava mais tempo, s conseguiria complicar mais a situao sentimental.
Um momento. por que?
Tenho trabalho.
Est trabalhando aqui.
Phillip se perguntou por que tinha sentido pnico. Quem tinha pulsado o boto?
Tenho reunies com meu editor que hei posposto. Tenho que voltar. No posso viver eternamente no hotel e Seth j est instalado.
Necessita-te perto. O...
Virei a lhe visitar e espero que lhe deixem ir visitar me. Tinha-o tudo pensado e lhe sorriu. Prometo lhe levar a um partido dos Yankees a primavera que vem.
Era como se tudo tivesse terminado; Phillip se deu conta disso enquanto fazia um esforo por no deixar-se levar pelo pnico. Como se ela j se partiu.
falaste com ele do assunto.
Sim, acreditava que tinha que dizer-lhe No?
E assim me diz isso ? replicou-lhe ele. foi um prazer te haver conhecido...?
Parece-me que no te sigo.
Nada. No h nada que seguir. apartou-se. Ele tambm queria voltar a viver sua vida, no? Ali tinha a oportunidade de faz-lo. acabaram-se as complicaes. S 
tinha que lhe desejar o melhor e lhe dizer adeus. Isso  o que quero.  o que sempre quis.
Como diz?
No quero outra coisa. Como nenhum dos dois. deu-se a volta para olh-la com os olhos como brasas. No?
No sei bem o que quer dizer.
Voc tem sua vida e eu a minha. Deixamo-nos levar pela corrente e aqui estamos. chegou o momento de sair da gua. Efetivamente, decidiu ela, no lhe seguia.
Muito bem.
De acordo, muito bem.
Phillip se assegurou de que estava bem, de que estava tranqilo. Inclusive agradado. Voltou para ela.
O ltimo raio de sol resplandecia em seu cabelo, em seus olhos incrivelmente claros e tambm obscurecia o oco que lhe formava no pescoo justo em cima do bordo da 
blusa.
No. Phillip se ouviu diz-lo e a garganta ficou seca.
No?
Um minuto, s um minuto. Voltou a afastar-se. Foi at a borda do mar e ficou ali como se estivesse pensando atirar-se de cabea. O que tem de mau Baltimore?
Baltimore? Nada.
Tem museus, bons restaurantes, personalidade e teatros.
 uma cidade muito bonita corroborou Sybill com certa cautela.
por que no pode trabalhar ali? Se tiver que ir a Nova Iorque para uma reunio, pode ir em avio ou em trem. Tambm pode ir de carro em menos de quatro horas.
Estou segura. Se est me propondo que mude a Baltimore...
 perfeito. Seguiria vivendo em uma cidade, mas veria o Seth quando quisesse.
Tambm serviria a ele, disse-se Sybill imaginando-a situao. Seria muito para ela. Sabia que acabaria com a felicidade que sentia e com seu novo ser que tinha descoberto.
No  prtico, Phillip.
Claro que  prtico. Phillip se deu a volta e foi para ela.  completamente prtico. O que no  prtico  que v a Nova Iorque e volte a te afastar. No vai 
funcionar, Sybill. No vai funcionar.
No tem sentido coment-lo agora.
Crie que  fcil para mim? explorou Phillip. Tenho que ficar aqui. Tenho responsabilidades e compromissos, por no dizer nada das razes. No tenho alternativa. 
por que no cede?
No entendo.
Tenho que lhe soletrar isso Maldita seja. Agarrou-a pelos ombros e a sacudiu com impacincia. No o entende? Quero-te. No pode pretender que te deixe escapar. 
Tem que ficar. Ao inferno com sua vida e minha vida; sua famlia e minha famlia. Quero nossa vida e nossa famlia.
Sybill ficou olhando-o fixamente e o sangue lhe palpitava nos ouvidos.
O que? Como h dito?
ouviste o que hei dito.
H dito que me queria. H-o dito a srio?
No, estou mentindo.
Hoje j tombei a uma pessoa. Posso repeti-lo.
Nesse momento, Sybill pensou que podia fazer algo. Realmente, algo. Dava-lhe igual aos olhos do Phillip brilhassem de fria e que lhe tivesse parecido os dedos nos 
braos. Dava-lhe igual a parecesse disposto a mat-la. Podia dirigi-lo. Podia dirigir algo.
Se o houver dito a srio disse com uma voz admiravelmente equilibrada, eu gostaria que o repetisse. No o tinha ouvido nunca.
Quero-te. Mais sereno, beijou-lhe a frente. Te desejo. Beijou-lhe cada tmpora. Necessito que fique comigo. Beijou-lhe a boca. me D um pouco de tempo e te 
ensinarei o que ser estar juntos.
J sei o que ser estar juntos e quero que estejamos juntos.
Sybill deixou escapar um bufo vacilante e conteve as vontades de fechar os olhos. Tinha que lhe ver a cara e record-la exatamente como era nesse momento, com o 
sol ficando, o cu tornando-se arroxeado e rosa e um bando de pssaros cruzando o cu sobre suas cabeas.
Quero-te seguiu Sybill. Tinha medo de lhe dizer isso No sei por que. Acredito que j no tenho medo de nada. vais pedir me que me case contigo?
ia tentar resolver essa parte. Tirou-lhe a diadema branca que lhe sujeitava o cabelo e a atirou por cima de seus ombros entre as amostras de felicidade dos ces, 
que foram atrs dela. Quero ter seu cabelo entre minhas mos sussurrou enquanto lhe acontecia os dedos entre o denso cabelo castanho. Durante toda minha vida 
hei dito que no ia fazer isto porque nenhuma mulher conseguiria que quisesse ou precisasse faz-lo. Estava equivocado. Encontrei-te. Encontrei-a. te case comigo, 
Sybill.
Durante toda minha vida hei dito que no ia fazer isto porque no haveria nenhum homem que me desejasse ou me necessitasse ou eu gostasse do suficiente como para 
que eu o desejasse. Estava equivocada. Encontrei-te. te case comigo, Phillip, e logo.
Que tal te vem na prximo sbado?
sentiu-se afligida pela emoo que lhe transbordava o corao com uma quebra de onda clida e real.
Sim!
Abraou-o com todas suas foras.
Phillip deu uma volta com ela em velo e durante um segundo, como um brilho, pareceu-lhe ver duas figuras no embarcadero. O homem tinha o cabelo grisalho e uns olhos 
de um azul brilhante, a mulher era sardenta e o vento da tarde lhe agitava uma juba avermelhada e indomvel. Tinham as mos entrelaadas. Viu-os e desapareceram 
ato seguido.
Isto sim que tem importncia sussurrou ele enquanto a abraava com toda sua Isto alma  importante para os dois.
